NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

E A GUERRA RELIGIOSA...
Esses últimos anos, principalmente o corrente, têm apresentado um dado no mínimo indesejável. Os líderes religiosos dos mais diversos matizes se embrenham numa guerra de ações e acusações que em nada recomenda a postura de pregadores da “Boa Nova”. Jornalistas, citados por pastores em seus cultos, respondem aos pregadores no mesmo tom de desrespeito. Isso é péssimo para a integração étnica e até para a paz entre setores, grupos e etnias. Cada passo dado por esses pregadores no intento de quererem  parecer  santo mais e mais os aproxima do pecado – para não dizer, do inferno que eles apresentam como destino final de quem não os segue. Pastores que enriquecem com as doações dos pobres  fiéis,  que deveriam ser usadas para e pela igreja; setores ditos “evangélicos” dão um show de intolerância ao agredirem verbal e fisicamente pessoas indefesas que não rezam por suas cartilhas. Nem precisa citar o Estado Islâmico, o Boko Haram e outros grupos islâmicos de posições radicais; a arrogância está aqui dentro, desunindo, “em nome de Deus”, uma sociedade eclética e multirracial  que não faz  muito tempo vivia em relativa coexistência pacífica.
Se existe um céu onde vão descansar os justos, com certeza não será o lugar que espera esses líderes religiosos, de todos os matizes – repetimos, que estão transformando a Terra num Inferno.



O AMOR COM AMIZADE
           (Maria Betânia)
Do amor que damos
so amor  herdamos.
Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente,
e se inaugura aqui mesmo o seu começo.
É como amor e paixão – juntos, são avassaladores
-É exagero,  mas  não é banal ...
É amor... tudo  provém, é natural
E quando se de fato vem do coração
Ah.. . esse não larga não,
aquela  vontade de estar, de ficar
de quere passar o dia com você...
É sentir que o dia não é o mesmo,
Cada amanhã é ser diferente,
é a paixão arrebentando
o coração da gente
É morrer feliz.
Mas, se eu morrer antes de você, acho  que não vou estranhar o céu. "Ser sua amiga, já é um pedaço dele".
Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo;
Que a gente reconheça o poder do outro sem  esquecer do nosso.
Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito.
Que, mesmo quando estiver  doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da
alegria.

De te Amar  eternamente .

domingo, 7 de junho de 2015

CHUVA, SONO, TRÂNSITO
Feriado, nó
Feriadão, aperta
O nó na cabeça, o aperto na memória
O trânsito lento
No frio cortante
Reflexos de menos
Perigos demais
Pulso filiforme
Desejos contidos
Fome que não vai
Carro enguiça
Chuva intensa
Acostamento não tem
Buzinas, ah as buzinas!
Lençol escuro
Lá  em cima, no céu
O sono me vence
Que fazer?
Sei lá...
Não sou eu quem dirige.


segunda-feira, 1 de junho de 2015

       MOVIMENTO OCUPA ESTELITA  I
O projeto Novo Recife, a ser implantado no Cais José Estelita,  tem origem em uma ideologia excludente da classe média recifense. Data dos anos 30-40. Na década de 30, o aterro do manguezal e alagados  que iam das imediações da Rua de Jangada ao Cais  de Santa Rita. Milhões de metros cúbicos de areia foram sugados do braço morto do Capibaribe, a bacia do Pina.  Formou-se o Areal do Chupa. Dezenas de pessoas que moravam dentro do mangue e naquelas imediações foram  empurradas para a beira da maré, às margens do braço de rio que vem de Afogados. Ali já existia um aglomerado humano, que se adensou: era a Gameleira, o maior favelão  da zona sul do Recife, cuja história foi adredemente apagada. Nem renomados historiadores têm conhecimento da existência da Gameleira. Sem qualquer tipo de assistência na área de saúde, educação  e lazer, a Gameleira tinha seus dias contados, pois o terreno da favela seria reivindicado para a implantação de  um matadouro. O matadouro da Cabanga teve vida curta, pois  servia à classe média que não queria conviver com “aquela gente fedorenta” da Gameleira. Parte da população da favela foi para o mangue  perto da Engenhoca. Estava começando a ocupação do Coque. A outra parte foi disputar espaço com chiés  e caranguejos para construir seus barracos em áreas tomadas à maré. Formava-se o Bode.

O Areal do Chupa ficou sem utilidade durante décadas. A ascensão da indústria da cana --de -- açúcar  tornou insuficiente o conjunto de armazéns do porto do Recife. E armazéns foram construídos  no Areal  do Chupa ao longo do rio, entre a Rua de Jangada e o Cais de Santa Rita. A linha férrea que levava até às oficinas  da antiga  Great-Western (depois Rede Ferroviária Federal - REFESA), ali pertinho do Forte das Cinco Pontas se expandiu para transportar o açúcar, o melaço e o alcool  produzidos na Zona da Mata, que passaram  a ser armazenados mais perto do porto. Um ramal de passageiros também foi implantado, reconstituída a Estação Ferroviária que existiu ali. Tudo foi abandonado com a quebradeira das usinas  que não podiam concorrer com o  açúcar produzido nas regiões Sudeste e Centro Oeste.  Aqueles armazéns, desocupados, tempos depois passaram a ser ocupados por moradores de rua, sempre reprimidos pelas autoridades do Estado.

Barracos se instalavam em áreas do Chupa, e da mesma forma como aconteceu com os moradores do manguezal, os seus moradores que adentravam  o local através de abertura feitas no muro que cerca o enorme terreno.
Para ampliar a via férrea, muitas famílias foram  expulsas de suas casas, em resíduos do areal perto da vila  dos tecelões  na Cabanga. Depois, também para a abertura da Avenida Sul, muitas casas foram demolidas e moradores de barracos foram expulsos dos mesmos. Centenas de famílias  jogadas na rua da amargura, sem direito a nada.  Fases distintas, épocas não tão distantes assim.  Tudo em nome do progresso.