NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

domingo, 30 de agosto de 2015

NUNCA MAIS A VI
Falar estranho, voz suave, carinhosa
Palavras que não ditas se faziam entender
Dois mundos diferentes, que quando se entrelaçavam
Formavam um só corpo, uma só ideia
Aquele sotaque, aquelas palavras apressadas,
Numa sonoridade gostosa de ouvir
“Vai ao meu hotel”, já  no quinto dia
E visitas alternadas até a despedida
Bombons, barras de cereais, chocolates...
Muitos jantares, conversas longas
E aqueles estranhos pauzinhos manejando o sushi
Sushi que não como, e ainda hoje não sei
Como alguém se deleita comendo aquela coisa
Molhos,  tudo era passado no  molho...
Vinhos tintos, de tantos copos sem se embriagar
“Vem comigo”, pedia  a todo instante
E naquela despedida, já quase madrugada
Antes da pesada porta se fechar
Uma lágrima rola em seu rosto
Ela chorou...











sábado, 29 de agosto de 2015

UM CORPO CAÍDO NA CAMA
Nem tolo nem sábio, olha o que você fez...
Um pouco de tudo, um pouco de nada
Algo roubado, coisa  vã, espúria,  dada...
Um dia sem esperar chega sua vez.

Um corpo inerte tombado na cama
Uma pedra no sapato, na cabeça um calo
Na madrugada fria  canto o galo
E um passado inteiro jogado na lama.

Atrás de ti, só vazias e velhas garrafas
Lembram vazias e frias  saudades
E uns restos rasgados  de tarrafas

Passaste na vida, debalde não pra viver
Pois só deixaste uma esteira de maldades
Nessa tua louca vocação para sofrer.





quarta-feira, 19 de agosto de 2015

BEM ME QUER, MAL ME QUER
Um diálogo com amigo suscita um tema altamente polêmico. Afinal, qual é a origem do Bem e do Mal? Cada povo, cada civilização, tem sua teoria para explicar como o Bem e o Mal apareceram na Terra. Para os hebreus, tudo se resume a uma simples maçã. Para  os gregos, há um intrincado caso envolvendo uma embalagem, a caixa de pandora. As tribos africanas têm, cada uma, explicações interessantes para as origens do Bem e do Mal. E seria necessário um compêndio volumoso para descrever  as várias versões a respeito do assunto.

O Bem ou o Mal,  se existissem como entidades próprias, se revelariam naturalmente através das atitudes das pessoas. E ai surge um enorme contencioso de interesse de estudiosos de áreas específicas do conhecimento. Filósofos, antropólogos, psiquiatras, sociólogos e outros especialistas do ramo divergem entre si quando se pronunciam sobre o tema. A História é apenas um repositório de tudo que se pensou ou falou sobre o assunto.

Observando uma criança recém-nascida e acompanhando sua  evolução psicológica e social tem-se a impressão que tudo se reduz a uma questão cultural, sem necessidade de intervenções do céu. Até porque, o céu é algo visto diversamente pelas várias culturas, com suas divindades que podem ir da existência de entidades espirituais até ao simples observar das forças da 
Natureza.


Até que um dia a Terra se transforme no tão decantado  Paraíso dos Cristão, é aconselhável inverter a ordem dos hábitos de lazer das pessoas, hábitos que conheço desde minha infância de menino de engenho e que foram transmitidos por gerações e mais gerações. Em vez da forma que intitula esse trabalho, que se diga – e se interiorize a ideia: “Eu quero o bem, não quero o Mal”.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

PANELAS, COMIDAS E DISCURSOS
As manifestações contra o PT e o governo Dilma realizadas ontem em ruas de algumas cidades brasileiras revelaram as várias máscaras sob as quais se escondem as elites partidárias interessadas em tumultuar o clima político, econômico e social em que vive o País. Muitas das pessoas que foram às ruas sequer sabiam porque estavam ali. As panelas vazias utilizadas nas manifestações não estão tão vazias assim nas casas de milhões de pessoas que habitam a periferia. Nos últimos doze anos milhões de brasileiras saíram da linha da pobreza e botaram feijão, arroz e algum tipo de carne nas suas panelas. Outros milhões tiveram acesso à universidade ou aos cursos técnicos oferecidos pelos programas sociais do governo. Milhões de brasileiros tiveram acesso ao crédito que lhes permitiu comprar carros, adquirir a casa própria e viajar de avião pela primeira vez em suas vidas. Nunca, na história desse País, se respirou clima de liberdades democráticas igual ao que se instalou no Brasil nessas duas últimas décadas. A imprensa, sempre acoplada à oposição, tem liberdade para divulgar as coisas que interessam às elites e por meio de chicanas e embustes faz parecer que são coisas do interesse público.

As elites, como a repetirem o status quo dominante durante o período da escravidão, têm nojo dos pobres, e não os querem por perto de suas famílias. A elite tradicional, de costumes radicalmente conservadores, não que um pobre viajando junto a si  numa cadeira de avião. E não se conformam com a ascensão econômica e social dos mais pobres, que agora têm chance de frequentar a universidade e competir com seus filhos. É que a universidade ensina a pensar, e o pensamento organizado e metodicamente  dirigido liberta e capacita o ser humano a ocupar qualquer cargo ou posição no mercado de trabalho. As elites, que dominam e alimentam o sistema odioso vigente no País desde os tempos do Império, temem perder suas posições e cada vez mais tentam reduzir os espaços nos quais as camadas menos favorecidas da população se movimentam. Lideranças carcomidas, seguidores da doutrina econômica ditada principalmente pelos Estados Unidos, acham que podem impedir a marcha popular em prol de uma sociedade mais justa. Claro, que como sequazes , testas de ferro ou lobby do poderio econômico, continuarão tentando impedir que os menos favorecidos avancem. Mas eles continuarão avançando assim mesmo. Pouco importa o partido no poder – aliás, partidos são todos iguais,  os exemplos mais recentes da história da revolução silenciosa mostram que é cada vez maior o número de pessoas oriundas da pobreza que estudam e se capacitam. E que os conservadores façam seus discursos. As bibliotecas estão cheias de compêndios cujo conteúdo orienta a marcha da Humanidade.

sábado, 8 de agosto de 2015

                      MARIA  PIMENTA
Não sei nada de sua origem, a não ser que era uma prima distante da linhagem branca portuguesa do meu pai. Analfabeta, tinha poderes místicos especiais  que chamavam a atenção. Falando baixo, quase cochichando ao pé do ouvido do interlocutor, dava conselhos, sem nunca usar um tom de repreensão. Extremamente religiosa, carregava pendurado do pescoço numa corrente de ouro um crucifixo também de ouro, presente dos padres do convento onde ela viveu a vida inteira. Não sei se a mãe dela morreu do seu parto ou se abandonou a filha ainda em idade tenra pelo defeito físico que carregava: tinha as pernas em arco. A religiosidade daquela mulher baixinha de gestos mansos se revelava na sua bondade. Pouco importava a ela a que religião as pessoas pertenciam nem tinha a pretensão de converter ninguém; ela era a própria religião em pessoa. Dizia que "o corpo era a morada do espírito e a igreja da alma", isso num tempo em que havia poucos protestantes, e principalmente lá pelo engenho só duas ou três pessoas que se diziam "crentes" e a população mais inculta as chamava de "bodes".

Maria Pimenta fez votos de pobreza, e todos os seus pertences ela carregava numa trouxa que trazia à cabeça sempre que aparecia lá pelo engenho. Só andava  a pé, viajando léguas e mais léguas descalça e sem ao menos calçar um tamanho, que era o calçado da maioria da população na época.  Viagens longas como aquelas pra ir ao engenho onde morava a família, só de trem. No máximo, se dava ao luxo de pegar a "sopa", um carro de tração animal que a esperava na estação central para levá-la de volta ao convento onde vivia. 

Entre os predicados de Maria Pimenta, ela era rezadeira - rejeitava o título de benzedeira. E curava de tudo. Espinhela caída, cobreiro, engasgo, dores femininas, anemia, falta de apetite, regras atrasadas, dor de cabeça, machucado, doenças de garganta, choro de menino... um elenco interminável. Maria Pimenta contava histórias 
                        ( CONTINUA)
            

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

                  HIROSHIMA E NAGASAKI
                 
                 SETENTA ANOS  DEPOIS
Os  Japoneses com um minuto de silêncio  comemoraram hoje os setenta anos  do bombardeio nuclear  de que foram alvo no final da II Guerra Mundial. Hiroshima e Nagasaki  foram pegas de surpresa com a explosão em seus territórios das primeiras bombas atômica usadas  na história. Os Estados Unidos, que acabavam de desenvolver as armas atômicas planejadas por físicos alemães  então a serviço da grande potência ocidental, entenderam que encurtariam o período para pôr fim ao conflito no Oriente, já que no Ocidente a Alemanha e e a Itália, dominadas pelas tropas aliadas,  já haviam se rendido. A guerra continuava no teatro de batalha da Ásia, com a voracidade dos camicazes e da marinha de guerra do Japão. Todas as outras nações daquele Continente já haviam saído da luta. Milhares de japoneses morreram de imediato e outros milhares sucumbira sob os efeitos mediatos da radiação. E milhares de outros japoneses morreriam em consequência dos efeitos tardios da radiação produzida pelas bombas atômicas de que foram alvo direto oi indireto durante décadas.

È, todavia, importante ressaltar  a crueldade das autoridades norte-americanas nesse episódio lamentável e desnecessário. Apesar de toda a propaganda e ações militares nos mares locais, o Japão já estava praticamente batido em todas as frentes. A rendição era uma questão de tempo.  Sem suprimentos de combustíveis e alimentos, as forças militares japonesas em breve se esfacelariam e se renderiam por tabela. Mas os norte-americanos quiseram mostrar, principalmente à Russia (depois União Soviética) sua superioridade militar. O castigo desumano imposto ao povo japonês com o bombardeio nuclear  de Hiroshima e Nagasaki  pelo poderio nuclear norte-americano é um fato que deve ser lembrado sempre por toda a humanidade para que não volte a se repetir. 

domingo, 2 de agosto de 2015

        DILEMA
Domingo de céu cinzento
Sol que antecede a chuva
Dilema esse que me curva
E empoeira meu pensamento.

Vida e sonhos em ruínas,
Prato amargo, taça de fel
Meiguice perdendo o mel
Em meio a coisas mesquinhas.

Palavras ditas como petardos,
Com aquela dureza insensível
De presumíveis fatos retardos.

Metralha a todos, desordenado...
Quais dos casos é possível:
Quem é carrasco ou condenado.







sábado, 1 de agosto de 2015

 CAVALGANDO
(Maria Betânia)

E Assim eu conduzo minha noite
E nessa cavalgada
Vou passar por estrada colorida 
E em cada galope
Eu me agarro nos teus cabelos
E meus beijos vai ser o teu açoite
Mais a minha mão é mais atrevida
Vou atender a meus apelos
Antes que o dia chegue e nos sufoque
E assim vou me perdendo na madrugada
E encontrar no teu abraço
Sem importar se eu sou dominada ou se me domino
Vou me sentir como uma gigante
Ou nada mais do que uma menina
E as estrelas mudaram de lugar
mas ainda brilham na manhã
E se escondem pra mais um anoitecer