MOVIMENTO OCUPA
ESTELITA I
O projeto Novo Recife,
a ser implantado no Cais José Estelita,
tem origem em uma ideologia excludente da classe média recifense. Data
dos anos 30-40. Na década de 30, o aterro do manguezal e alagados que iam das imediações da Rua de Jangada ao
Cais de Santa Rita. Milhões de metros
cúbicos de areia foram sugados do braço morto do Capibaribe, a bacia do Pina. Formou-se o Areal do Chupa.
Dezenas de pessoas que moravam dentro do mangue e naquelas imediações
foram empurradas para a beira da maré,
às margens do braço de rio que vem de Afogados. Ali já existia um aglomerado
humano, que se adensou: era a Gameleira, o maior favelão da zona sul do Recife, cuja história foi adredemente apagada. Nem renomados historiadores têm conhecimento da existência da Gameleira. Sem qualquer tipo de
assistência na área de saúde, educação e
lazer, a Gameleira tinha seus dias contados, pois o terreno da favela seria
reivindicado para a implantação de um
matadouro. O matadouro da Cabanga teve vida curta, pois servia à classe média que não queria conviver
com “aquela gente fedorenta” da Gameleira. Parte da população da favela foi
para o mangue perto da Engenhoca. Estava
começando a ocupação do Coque. A outra parte foi disputar espaço com chiés e caranguejos para construir seus barracos em
áreas tomadas à maré. Formava-se o Bode.
O Areal do Chupa ficou
sem utilidade durante décadas. A ascensão da indústria da cana --de --
açúcar tornou insuficiente o conjunto de
armazéns do porto do Recife. E armazéns foram construídos no Areal do Chupa ao longo do rio, entre a Rua de
Jangada e o Cais de Santa Rita. A linha férrea que levava até às oficinas da antiga
Great-Western (depois Rede Ferroviária Federal - REFESA), ali pertinho
do Forte das Cinco Pontas se expandiu para transportar o açúcar, o melaço e o alcool produzidos na Zona da Mata, que passaram a ser armazenados mais perto do porto. Um ramal
de passageiros também foi implantado, reconstituída a Estação Ferroviária que
existiu ali. Tudo foi abandonado com a quebradeira das usinas que não podiam concorrer com o açúcar produzido nas regiões Sudeste e Centro
Oeste. Aqueles armazéns, desocupados,
tempos depois passaram a ser ocupados por moradores de rua, sempre reprimidos
pelas autoridades do Estado.
Barracos se instalavam
em áreas do Chupa, e da mesma forma como aconteceu com os moradores do manguezal,
os seus moradores que adentravam o local
através de abertura feitas no muro que cerca o enorme terreno.
Para ampliar a via
férrea, muitas famílias foram expulsas
de suas casas, em resíduos do areal perto da vila dos tecelões
na Cabanga. Depois, também para a abertura da Avenida Sul, muitas casas foram
demolidas e moradores de barracos foram expulsos dos mesmos. Centenas de famílias jogadas na rua da amargura, sem direito a nada. Fases distintas, épocas não tão
distantes assim. Tudo em nome do progresso.
Nenhum comentário:
Postar um comentário