NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

       MOVIMENTO OCUPA ESTELITA  I
O projeto Novo Recife, a ser implantado no Cais José Estelita,  tem origem em uma ideologia excludente da classe média recifense. Data dos anos 30-40. Na década de 30, o aterro do manguezal e alagados  que iam das imediações da Rua de Jangada ao Cais  de Santa Rita. Milhões de metros cúbicos de areia foram sugados do braço morto do Capibaribe, a bacia do Pina.  Formou-se o Areal do Chupa. Dezenas de pessoas que moravam dentro do mangue e naquelas imediações foram  empurradas para a beira da maré, às margens do braço de rio que vem de Afogados. Ali já existia um aglomerado humano, que se adensou: era a Gameleira, o maior favelão  da zona sul do Recife, cuja história foi adredemente apagada. Nem renomados historiadores têm conhecimento da existência da Gameleira. Sem qualquer tipo de assistência na área de saúde, educação  e lazer, a Gameleira tinha seus dias contados, pois o terreno da favela seria reivindicado para a implantação de  um matadouro. O matadouro da Cabanga teve vida curta, pois  servia à classe média que não queria conviver com “aquela gente fedorenta” da Gameleira. Parte da população da favela foi para o mangue  perto da Engenhoca. Estava começando a ocupação do Coque. A outra parte foi disputar espaço com chiés  e caranguejos para construir seus barracos em áreas tomadas à maré. Formava-se o Bode.

O Areal do Chupa ficou sem utilidade durante décadas. A ascensão da indústria da cana --de -- açúcar  tornou insuficiente o conjunto de armazéns do porto do Recife. E armazéns foram construídos  no Areal  do Chupa ao longo do rio, entre a Rua de Jangada e o Cais de Santa Rita. A linha férrea que levava até às oficinas  da antiga  Great-Western (depois Rede Ferroviária Federal - REFESA), ali pertinho do Forte das Cinco Pontas se expandiu para transportar o açúcar, o melaço e o alcool  produzidos na Zona da Mata, que passaram  a ser armazenados mais perto do porto. Um ramal de passageiros também foi implantado, reconstituída a Estação Ferroviária que existiu ali. Tudo foi abandonado com a quebradeira das usinas  que não podiam concorrer com o  açúcar produzido nas regiões Sudeste e Centro Oeste.  Aqueles armazéns, desocupados, tempos depois passaram a ser ocupados por moradores de rua, sempre reprimidos pelas autoridades do Estado.

Barracos se instalavam em áreas do Chupa, e da mesma forma como aconteceu com os moradores do manguezal, os seus moradores que adentravam  o local através de abertura feitas no muro que cerca o enorme terreno.
Para ampliar a via férrea, muitas famílias foram  expulsas de suas casas, em resíduos do areal perto da vila  dos tecelões  na Cabanga. Depois, também para a abertura da Avenida Sul, muitas casas foram demolidas e moradores de barracos foram expulsos dos mesmos. Centenas de famílias  jogadas na rua da amargura, sem direito a nada.  Fases distintas, épocas não tão distantes assim.  Tudo em nome do progresso.








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