E O LIXO HOSPITALAR, POR ONDE ANDA?
Como andam as investigações para apurar responsabilidades pela importação do lixo hospitalar dos Estados Unidos? O assunto dominou a imprensa durante alguns dias, e de repente saiu de cena. É forte o lobby dos importadores de tecidos. E forte também é a máfia que está por trás de tudo isso. Por onde andam os lençóis encontrados em hospitais, hotéis e no comércio varejista? De que forma desapareceram? Ou não desapareceram, e continuam a ser vendidos nas lojas e nas feras do interior? A quantidade do material que circulava no comércio formal e informal é tão grande que não deixa dúvidas sobre a impossibilidade da mercadoria ter sido deixada de lado, lá num recanto, ou queimada, como era de se esperar. E em que lixão foi jogado o farto material cirúrgico usado que acompanhava lençóis, jalecos, fronhas, entre outras peças importadas?
Os consumidores que se cuidem. Nesse Natal muita roupa com forros de tecidos contaminados oriundos de hospitais norte-americanos, europeus e até brasileiros está nas prateleiras das lojas. Bactérias e vírus têm meios de sobrevivência que nem os médicos dominam completamente. E uma infecção latente e pontual poderá se espalhar por uma área desprotegida e criar um grave problema de saúde pública, principalmente no Nordeste. É bom que as autoridades falem ao público, expliquem o que foi e está sendo feito para resolver clara e definitivamente essa questão.
NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;
NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;
EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.
NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;
EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
CLIMA DE PROVOCAÇÃO EM BRASÍLIA
O DEPUTADO JAIR BOLSONARO VOLTA À CENA * CRIA DE 64, E SEM NENHUMA LUZ COMO PARLAMENTAR, VEZ POR OUTRA PROCURA O FOCO DAS CÂMERAS PARA MOSTRAR A DISCRIMINAÇÃO E O ÓDIO À DEMOCRACIA DO GRUPO QUE REPRESENTA.
A Democracia Brasileira ainda está num estágio preparatório. Esta na Constituição, mas nem aqueles que deveriam zelar por ela, e aperfeiçoá-la, são dignos dessa tarefa. Ontem, em Brasília, uma cena lamentável de provocação. E pelo das palavras e pelo conteúdo da questão, o decoro parlamentar foi ferido. Ninguém menos do que Jair Bolsonaro – sempre o Bolsonaro, cria de 64 e representante do que há de mais ultrapassado neste País, em discurso pronunciado anteontem na Câmara dos Deputados tentou, bem ao seu feitio, criar um clima de provocação que pudesse levar à agitação. Mente atrasada, sem nenhum destaque no exercício do mandato, Bolsonaro fez comentários desrespeitosos à pessoa da presidente Dilma Rousseff. Duvidou da feminilidade da presidente e insinuou que ela “podia ter simpatias por grupos homossexuais”. Esse deputado, representante da intolerância instaurada no Brasil em 1964, certamente não tem assunto mais importante para discutir. Mas ele é matreiro, aproveitou um plenário vazio na Câmara, para destilar seu veneno político e externar mais uma vez sua falta de educação democrática e sua conhecida formação preconceituosa. Comissão de Ética nele!
O DEPUTADO JAIR BOLSONARO VOLTA À CENA * CRIA DE 64, E SEM NENHUMA LUZ COMO PARLAMENTAR, VEZ POR OUTRA PROCURA O FOCO DAS CÂMERAS PARA MOSTRAR A DISCRIMINAÇÃO E O ÓDIO À DEMOCRACIA DO GRUPO QUE REPRESENTA.
A Democracia Brasileira ainda está num estágio preparatório. Esta na Constituição, mas nem aqueles que deveriam zelar por ela, e aperfeiçoá-la, são dignos dessa tarefa. Ontem, em Brasília, uma cena lamentável de provocação. E pelo das palavras e pelo conteúdo da questão, o decoro parlamentar foi ferido. Ninguém menos do que Jair Bolsonaro – sempre o Bolsonaro, cria de 64 e representante do que há de mais ultrapassado neste País, em discurso pronunciado anteontem na Câmara dos Deputados tentou, bem ao seu feitio, criar um clima de provocação que pudesse levar à agitação. Mente atrasada, sem nenhum destaque no exercício do mandato, Bolsonaro fez comentários desrespeitosos à pessoa da presidente Dilma Rousseff. Duvidou da feminilidade da presidente e insinuou que ela “podia ter simpatias por grupos homossexuais”. Esse deputado, representante da intolerância instaurada no Brasil em 1964, certamente não tem assunto mais importante para discutir. Mas ele é matreiro, aproveitou um plenário vazio na Câmara, para destilar seu veneno político e externar mais uma vez sua falta de educação democrática e sua conhecida formação preconceituosa. Comissão de Ética nele!
SINAIS DE TRÉGUA NA PALESTINA
Os grupos rivais palestinos, Fatah e Hamas acenam para a possibilidade de um acordo que estabeleça o entendimento e a paz entre para aquele sofrido e desgastado povo do deserto lá no Oriente Médio. O presidente a Autoridade Palestina Mahmoud Abbas, líder do Partido Fatah, e o líder do movimento político partidário de oposição, no poder na Faixa de Gaza,Khaled Meshal, anunciaram, ontem no Egito, que chegaram a um acordo para pôr fim ao confronto entre as duas facções políticas. E se juntarão na tarefa de preparar eleições presidenciais que unifiquem a Palestina, dando-lhe condições de governabilidade.
Israel e os Estados Unidos têm interesses distintos nessa negociação anunciada pelos líderes palestinos. O único ponto que os une é a necessidade de manter a hegemonia militar de Israel na região. Quanto ao que poderá realmente acontecer, é esperar o desenrolar das negociações para ver no que vão dar.
Os grupos rivais palestinos, Fatah e Hamas acenam para a possibilidade de um acordo que estabeleça o entendimento e a paz entre para aquele sofrido e desgastado povo do deserto lá no Oriente Médio. O presidente a Autoridade Palestina Mahmoud Abbas, líder do Partido Fatah, e o líder do movimento político partidário de oposição, no poder na Faixa de Gaza,Khaled Meshal, anunciaram, ontem no Egito, que chegaram a um acordo para pôr fim ao confronto entre as duas facções políticas. E se juntarão na tarefa de preparar eleições presidenciais que unifiquem a Palestina, dando-lhe condições de governabilidade.
Israel e os Estados Unidos têm interesses distintos nessa negociação anunciada pelos líderes palestinos. O único ponto que os une é a necessidade de manter a hegemonia militar de Israel na região. Quanto ao que poderá realmente acontecer, é esperar o desenrolar das negociações para ver no que vão dar.
CÂNCER PODERÁ ATINGIR NUMEROS ALARMANTES
O alerta é das autoridades sanitárias do País. Estimativas para 2012, do Instituto Nacional do Câncer, dão conta de que um milhão de pessoas poderão ser afetadas por essa doença maligna, degenerativa, progressiva e mortal. Quando é descoberto em tempo, através de exames periódicos a que as pessoas devem se submete, há mãos de 90% de chance de cura para o câncer. O Câncer é uma doença traiçoeira, porque silenciosa e quando seus sintomas aparecem muitas vezes já está em estado avançado.
A doença avança em todo o mundo. Condições genéticas, ambientais, nutricionais e outros fatores podem desencadear o mal. Os fumantes, as pessoas expostas a condições de trabalho em áreas de clima tóxico, a exposição demorada e sem proteção ao raios solares e outros fatores de risco precisam ficar atentos para a necessidade da prevenção da doença. O tratamento pode ser meramente cirúrgico ou uma combinação de quimioterapia e radioterapia. Às vezes é necessário usar a cirurgia mais essa combinação.
As mulheres acima dos quarenta anos, ou que tenham passado pela menopausa devem ficar atenta à forma mais letal de câncer, que atinge as manas. Testes de ambulatório previnem o câncer, detectando sinais de anomalias em simples exames anuais.
O câncer de pele pode ser desencadeado ou agravado nas pessoas que se expõem ao sol durante muito tempo. Porém, é conveniente que essas pessoas saibam que as horas mais indicadas para exposição ao sol são as que ficam antes das 9 e após as 16 horas. Isso, em termos, porque os raios ultravioletas penetram no interior das casas, através de janelas e portas de vidros ou dos carros sem películas protetoras e as várias formas de ação desses raios independem de horário. O filtro solar, quando usado adequadamente, protegem a pele, mas nada garante que os raios solares não invadam os espaços vazios deixados pela aplicação dos FPS.
O alerta é das autoridades sanitárias do País. Estimativas para 2012, do Instituto Nacional do Câncer, dão conta de que um milhão de pessoas poderão ser afetadas por essa doença maligna, degenerativa, progressiva e mortal. Quando é descoberto em tempo, através de exames periódicos a que as pessoas devem se submete, há mãos de 90% de chance de cura para o câncer. O Câncer é uma doença traiçoeira, porque silenciosa e quando seus sintomas aparecem muitas vezes já está em estado avançado.
A doença avança em todo o mundo. Condições genéticas, ambientais, nutricionais e outros fatores podem desencadear o mal. Os fumantes, as pessoas expostas a condições de trabalho em áreas de clima tóxico, a exposição demorada e sem proteção ao raios solares e outros fatores de risco precisam ficar atentos para a necessidade da prevenção da doença. O tratamento pode ser meramente cirúrgico ou uma combinação de quimioterapia e radioterapia. Às vezes é necessário usar a cirurgia mais essa combinação.
As mulheres acima dos quarenta anos, ou que tenham passado pela menopausa devem ficar atenta à forma mais letal de câncer, que atinge as manas. Testes de ambulatório previnem o câncer, detectando sinais de anomalias em simples exames anuais.
O câncer de pele pode ser desencadeado ou agravado nas pessoas que se expõem ao sol durante muito tempo. Porém, é conveniente que essas pessoas saibam que as horas mais indicadas para exposição ao sol são as que ficam antes das 9 e após as 16 horas. Isso, em termos, porque os raios ultravioletas penetram no interior das casas, através de janelas e portas de vidros ou dos carros sem películas protetoras e as várias formas de ação desses raios independem de horário. O filtro solar, quando usado adequadamente, protegem a pele, mas nada garante que os raios solares não invadam os espaços vazios deixados pela aplicação dos FPS.
DIA NACIONAL DE AÇÃO DE GRAÇAS
Ato ecumênico espontâneo realizado ontem no Marco Zero reuniu milhares de praticantes de diversas religiões para comemorar o Dia Nacional de Ação de Graças. A data é um também é comemorada em outras partes do Planeta. É uma oportunidade de agradecer ao Criador as bênçãos recebidas durante o ano e um momento para reflexão sobre o que cada um fez nesse período e repensar atitudes que norteiem as praticadas diárias do ano seguinte. Católicos, evangélicos, espíritas e adeptos de outras religiões esqueceram suas diferenças organizacionais ou concepcionais para juntos louvarem ao Pai Supremo.
Nos Estados Unidos, o dia é comemorado com muita festa. Milhões de perus são sacrificados para saciar a fome de paz no jantar dos norte-americanos. Pena que o costume não possa ser seguido pelos mais pobres, os quais não dispõem de recursos para farta a mesa do jantar. Na Casa Branca o costume centenário reúne a família presidencial, amigos e colaboradores diretos.
Ainda arrotando os excessos do jantar, os norte-americanos acordam pela madrugada - às vezes nem dormem – para se lançarem às compras nas grandes lojas de departamento. Agradecem a Deus a oportunidade de fartura do ano inteiro, e começam a gastar para mudarem o ambiente pré-natalino. Adquirem todo tipo de produtos, muitas vezes supérfluos. Mas isso é necessário para fazer girar a economia dos estados Unidos. Essa é a lógica do capitalismo.
Apesar dessa conotação mercantilista, as comemorações do Dia de Ação de Graças são importantes, pois os seres humanos têm algo muito significativo: a necessidade de instantes de solidariedade em meio ao tumulto do cotidiano.
Ato ecumênico espontâneo realizado ontem no Marco Zero reuniu milhares de praticantes de diversas religiões para comemorar o Dia Nacional de Ação de Graças. A data é um também é comemorada em outras partes do Planeta. É uma oportunidade de agradecer ao Criador as bênçãos recebidas durante o ano e um momento para reflexão sobre o que cada um fez nesse período e repensar atitudes que norteiem as praticadas diárias do ano seguinte. Católicos, evangélicos, espíritas e adeptos de outras religiões esqueceram suas diferenças organizacionais ou concepcionais para juntos louvarem ao Pai Supremo.
Nos Estados Unidos, o dia é comemorado com muita festa. Milhões de perus são sacrificados para saciar a fome de paz no jantar dos norte-americanos. Pena que o costume não possa ser seguido pelos mais pobres, os quais não dispõem de recursos para farta a mesa do jantar. Na Casa Branca o costume centenário reúne a família presidencial, amigos e colaboradores diretos.
Ainda arrotando os excessos do jantar, os norte-americanos acordam pela madrugada - às vezes nem dormem – para se lançarem às compras nas grandes lojas de departamento. Agradecem a Deus a oportunidade de fartura do ano inteiro, e começam a gastar para mudarem o ambiente pré-natalino. Adquirem todo tipo de produtos, muitas vezes supérfluos. Mas isso é necessário para fazer girar a economia dos estados Unidos. Essa é a lógica do capitalismo.
Apesar dessa conotação mercantilista, as comemorações do Dia de Ação de Graças são importantes, pois os seres humanos têm algo muito significativo: a necessidade de instantes de solidariedade em meio ao tumulto do cotidiano.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
MASSELA - A ANALOGIA
MASSELA - A ANALOGIA
Emílio J. Moura
Massela - assim mesmo, sem erre e com esses - passava longas horas diante do espelho. Moça sensível que adorava flores e levava sempre ao colo uma gata siamesa. Mas, apaixonada por si mesma, não se cansava de admirar a própria beleza. Começava a se pentear após o demorado banho matinal com sabonete hidratante de essências variadas. Escovava lentamente as longas e densas madeixas, alisando-as com as mãos finas de uma fada; sutilmente, de cima para baixo. Sua fixação não estava apenas nos cabelos. Ela reverenciava todo o seu corpo marrom de linhas caprichosamente simétricas. Como se tivesse sido esculpido pelas mãos hábeis e firmes de um artesão atento.
Despida diante do espelho longo na vertical, fixado à parede do seu banheiro, conferia cada detalhe do corpo lindo. Começava alisando suavemente os seios quase em botão como se estivesse entrando na adolescência; usava as duas mãos para sentir na ponta dos dedos o detalhe dos bicos escuros dos mamilos naturalmente intumescidos. Depois, escorria as delicadas mãos busto abaixo. Palpava a cintura delgada como se a mensurasse na sua autopaixão. Tocava o umbigo e ia escorregando a mão até às coxas. Afastava-se um pouco do espelho para apreciar as pernas roliças e simétricas roçando uma na outra. Afastava-se mais um pouco, e curtia orgulhosa a sua silhueta sinuosa e harmônica, bela e estonteante. Não esquecia de olhar seus peszinhos de unhas diminutas, e, tais quais as das mãos, quase só visualizadas pelo toque lilás do esmalte. Os dedos, perfeitos, bem posicionados dentro do todo.
Agora, já mais perto do espelho, Massela acariciava seus braços longos e uniformes; os antebraços e as mãos lisas como seda. Voltava a vista para o busto, e finas listras brancas subindo dos seios e descendo pelas costas contrastavam com a cútis jambo da garota denunciando exposição aos raios solares na praia. Volvia o olhar para o rosto, e com uma pontinha da língua entre os dentes se deleitava com seu nariz regiamente em alinho com a boca de lábios finos e delicados. Os olhos, azuis e brilhantes, pequenos e ímpares movendo-se dentro de uma órbita protegida por cílios naturalmente cintilantes se assemelhavam aos da sua gatinha de estimação. As delicadas orelhas quase se perdiam em meio aos cabelos finos e lisos concentrados numa porção caída sobre o lado esquerdo do busto. Os traços uniformes do corpo da moça se definiam nos seus cincoenta e seis quilos e um metro e cincoenta e seis centímetros de altura. Nos seus vinte anos, nada sobrava. Nada faltava.
Massela era aluna de uma escola filantrópica num arrabalde da cidade. Freqüentava um curso de preparação para os exames supletivos do então ensino secundário do segundo ciclo (artigo 99). Moça de origem humilde, tentava um certificado para se inserir no mercado de trabalho. Já havia feito o curso de datilografia e o certificado a habilitaria a um emprego de melhor remuneração. Vestia-se bem, dentro das limitadas condições financeiras da família. Comportada e de mente centrada, não tinha esses hábitos já na época tidos por “moderninhos”. A família dela era ajustada, com os pais pacientes e conselheiros, vigilantes e severos. Sua única irmã tinha menos idade e... era adotada. Esta não confessava, mas nutria uma pontinha de inveja de Massela. Também era bonita. Mas ficava muitos anos-luz aquém da irmã.
Aprovada nos exames supletivos e sem maiores problemas empregada no escritório de uma famosa loja de material de pesca da cidade, Massela passou a conhecer um mundo diferente daquele do seu bairro. A esposa do patrão que também dava expediente no escritório, controlando a contabilidade, gostava muito da moça e a levava para as festas que freqüentava. Eram festas comportadas, sem muita bebida, e fumaça de cigarros só do lado de fora da sala de danças. O que importava era a emoção do convívio com os amigos. Conectada ao mundo social da classe média, Massela elegeu a dança sua arte de expressão corporal. Mas preferia dançar solta, sem formar um par. Logo arranjou um namorado, rapaz educado, estudante universitário; bem intencionado.
Mas a mente de Massela não se desgrudava da auto-admiração. Sexo era coisa que não visitava sua cabeçinha de moça bem educada. O namorado percebeu que Massela não estava muito interessada num casamento – objetivo maior de uma moça dessa época – e desfez o namoro. A menina nem se abalou. E continuava sem namorado, apesar do assédio da rapaziada das rodas sociais a que ela comparecia acompanhando a patroa. Agora bem vestida, no meio daquela gente bonita e perfumada, Massela se via espelhada na juventude alegre e divertida das noites festivas. Mas, não enxergava ninguém na sua frente que fosse tão bonita quanto ela. Gostava da companhia daqueles amigos, só não via neles nenhum que se equiparasse a ela em termos de beleza. A idéia do belo em Massela não estava associada à noção da utilidade real da beleza.
Com o passar do tempo, Massela ia cada vez mais se empolgando com sua própria imagem. Os amigos já iam se afastando, seus espaços sociais diminuindo. Como numa dinâmica que foge a qualquer controle, Massela não percebia o abismo em que estava caindo. Num ritmo quase frenético, dançava cada vez mais. Agora, desgarrada dos amigos, movimentava seu corpo em passos cada vez mais alucinantes. Exercitava sua necessidade de dançar nos salões já quase vazios dos finais de festas; na sala ou em qualquer cômodo da casa da família. Subia nos ônibus já agitando o corpinho perfeito. Aos poucos ia se desligando do mundo real em que vivia e entrando num mundo idealizado por ela como o lugar que a merecia. Agora, já sem emprego, começava a dançar pelas ruas ao compasso de qualquer som que ouvia.
Internada num sanatório para doentes mentais, Massela fazia os pacientes se mexerem ao som das músicas tocadas através de um rádio instalado na enfermaria. Sem responder a qualquer tratamento prescrito pelos médicos, teve a alta recomendada. Não se adaptando mais ao convívio da família, foi levada para um sítio em interior distante de propriedade de parentes. Nada nem ninguém a segurava. Correndo pelos campos floridos em sua volta, sequer parava para admirar uma das muitas flores de toque sutil abundantes ali. Ignorava os animais diversos e as plantas multicoloridas. Nem cachoeiras nem lagos; nem matas nem rios. Nada daquilo tinha significado para ela. Ela era a única coisa realmente bela que existia sobre a face da Terra. Exposta ao calor do sol a pino ou às chuvas torrenciais daqueles últimos dias, a moça corria montes e prados, vales e matas; sempre dançando. Aos farrapos e desfigurada, depois de alguns dias ausente da casa dos parentes, Massela foi dada como desaparecida. E desapareceu para sempre. As circunstâncias desse sumiço da garota tresloucada nunca foram devidamente esclarecidas. A única coisa que ficou na memória das pessoas que a conheceram foi que, apaixonada por si mesma e apartada da realidade existencial, Massela se afogou com sua beleza no grande espelho d’água da vida.
18.01.2008
-última página do livro Tipos e tópicos – perfis femininos que conheci (coletânea de contos ,editada e ainda não publicada)
(republicado a pedido)
terça-feira, 22 de novembro de 2011
A CRISE MUNDIAL SE AGRAVA
OS ESTADOS UNIDOS NÃO SE ENTENDEM INTERNAMENTE * A UNIÃO EUROPEIA PARECE À BEIRA DA FALÊNCIA * NO ORIENTE MÉDIO E PARTE DA ÁFRICA CLIMA CAMINHA PARA GUERRA CIVIL.
O desgaste moral das lideranças políticas do mundo inteiro vem apontando para a necessidade de mudanças de atitudes das elites. O Planeta vai se tornando um lugar difícil de morar, conviver ou simplesmente passear. Para todos os lados que se olha há encrenca. Os interesses dos mais ricos ou das grandes elites se sobrepõem aos interesses maiores das populações de todas as nações. Ninguém quer perder um centavo dos seus lucros, as pessoas que têm o poder de decisão não recuam uns centímetros de suas posições. Pelo contrário, todos querem manter seus privilégios e alargarem seus raios de ação. Ainda que isso custe a estabilidade de uma nação ou a miséria de milhões de pessoas.
Os Estados Unidos, sempre citados como exemplo de vivência democrática dão um mau exemplo. Ali, onde está o maior PIB por nação do mundo, as lideranças não se entendem sobre como encontrar uma saída para pagar a monumental dívida nacional que ultrapassa o próprio PIB. Saída existe; só que um acordo para estabelecê-la esbarra nos interesses dos grupos partidários que representam os interesses de categorias sociais norte-americanas. Por exemplo: o governo, montado no Partido Democrata, quer aumentar os impostos da classe mais rica, representada pelo Partido Republicano, na oposição, e esta não aceita essa fórmula para resolver a questão. De sua vez, a oposição, representada, repita-se, pelo Partido Republicano, quer que o governo faça fortes cortes na área social, incluindo-se ai os programas sociais do atual governo, principalmente as ações de saúde beneficiando os mais pobres. O Partido Democrata, pensando nas próximas eleições presidenciais, rejeita essa ideia. Enfim, os ricos não cedem nem quando o problema é a saúde dos mais pobres; ceder é reduzir suas faixas de renda. E Democracia é isso: distribuição das riquezas.
O governo garante que não dará calote nos credores. A oposição torce para que isso aconteça, e enfraqueça eleitoralmente a candidatura do presidente Barack Obama. E ai, como fica? Pela estrutura da sociedade norte-americana, vai sobrar mesmo para os pobres. Os maiores cortes incidirão sobre os programas sociais, e arranjos serão feitos para que tudo não passe de uma discussão sem muito significado. Haverá cortes nos colossais gastos com a defesa dos Estados Unidos? Para o público, isso certamente será mostrado. Mas as autorizações de despesas militares dos Estados Unidos não dependem diretamente de decisões públicas do Congresso Americano; elas ocorrem nas comissões especiais do Congresso, sempre de conotação sigilosa. E não constam nunca do orçamento oficial de conhecimento do público. Mais uma vez, vai sobrar para os mais pobres! Se não houver um acordo para a crise, a nota dos estados Unidos poderá ser rebaixada, mais uma vez. Como se isso preocupassem os americanos!
Deixando de lado o Tio Sam, olha-se para a Europa e as pessoas se espantam com o amontoado de contradições na área econômica, social e política do berço da civilização ocidental. A França e a Itália, segunda e terceira maiores economias da União Europeia, não se sustentam de pé. Com dívidas cavalares, fuga de capital e dúvidas do Banco Central Europeu quanto à saúde econômica das duas nações, a União Europeia parece preste a esfacelar-se. A Alemanha, maior economia do bloco, sofre os efeitos internos da reunificação e externos da contaminação pela crise do Continente e do mundo todo. Sua majestade, desfilando nas ruas limpas e encantadoras de Londres em carruagens da Idade Média e protegida pela distância proporcionada pelo Canal da Mancha, parece menos preocupada. Parece! A crise é mundial, e atinge também a Inglaterra, que gasta fortunas só para manter os castelos e o aparato suntuoso da monarquia. Ninguém se assuste se qualquer dia desses o primeiro-ministro inglês venha sugerir a “terceirização” de alguns castelos da mais longa e bem sucedida monarquia que a história conheceu.
Na Síria, Bashar al Assad vai se segurando como pode. Seu domínio está chegando ao fim, e seu destino só Deus conhece.
A nota dominante nesse cenário internacional é a mais sugestiva do que realmente pode vir a significar a Primavera árabe. O Egito, depois de derrubar a ditadura de Mubarack, caiu sob uma ferrenha ditadura militar. A Junta Militar não dá sinais de que quer realizar eleições, nem passar o poder aos civis. A violência se espalha por todo o País. Prenúncio de novos conflitos, uma porta aberta para guerras civis que podem se espalhar por toda aquela região deserta e distante.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA
Transcorreu nesse 20 de novembro o Dia da Consciência Negra. A comemoração foi fixada através de decreto, e os atos cívicos tímidos registrados em todo o País visam resgatar a memória daqueles negros que lutaram e morreram na defesa de sua etnia e dos valores culturais da raça. Falar de Dia da Consciência Negra é lembrar Zumbi dos Palmares; é revisitar os palcos onde os negros se rebelaram contra os maus tratos que lhes eram infringidos por uma elite senhoril que via na cor da pele o diferencial para classificação social das pessoas. A Lei Áurea que pôs fim à escravidão teve um efeito legal positivo, mas não criou os mecanismos sociais necessários para a promoção da ração que libertava nem desmantelou o aparato hediondo de tortura moral e descriminação que ainda hoje é bem visível no cenário social do Brasil. Apesar da lei que pune com prisão quem se referir de forma desrespeitosa às pessoas de cor, os negros ainda são insultados em praça pública, menosprezados nos locais de trabalho, na escola e até dentro da família.
Já se alcançou um bom nível de conceituação quanto à integração real das raças ao conjunto antropológico que forma essa formidavel diversidade de cores e costumes que caracteriza a população brasileira. Mas a conscientização desse fato ainda não atingiu todas as camadas da população, nem serviu de paradigma verdadeiro para essa integração. As próprias leis ainda carregam brechas através das quais se dá tratamento desigual a brancos e pretos nos locais de trabalho, inclusive, nas repartições públicas. Apesar de o Brasil ser uma nação mestiça, com elevado percentual de pessoas de cor visivelmente escura, é muito pequeno o número de pessoas de cor trabalhando nas repartições públicas ou exercendo atividades nas linhas de frente do comércio. Isto se explica facilmente. As pessoas de cor são geralmente oriundas de famílias pobres, e seu acesso à escola é prejudicado de várias maneiras. Com pouca escolaridade, é difícil passar num vestibular, ter boas notas em concurso público ou até ser aceito para funções simples no comércio e nos setores de serviços. Também não é fácil manejar equipamentos automatizados, e assim trabalhar nos grandes empreendimentos viários ou fabris.
Se for considerada a massa salarial paga aos trabalhadores, as pessoas de cor recebem menos do que os brancos pela prestação dos mesmos serviços. Muitas vezes a qualificação profissional da pessoa de cor é bem mais consistente do que a da pessoa de pele branca, e nem por isso os brancos deixam de receber maiores salários que as de cor. Quando se fala em cargo de direção, ai a situação se agrava. É muito pequeno, quase nulo, o número de pessoas de cor exercendo cargos de direção nas repartições públicas ou na iniciativa privada.
Os discursos empolados dos gestores públicos, dos intelectuais nas universidades e dos empresários enaltecendo a integração racial e comemorando o Dia da Consciência Negra ainda parece uma peça oca, ou palavras levadas pelo vento. Verdade que já temos ENEM que leva ao PROUNI, e um apreciável leque de oportunidades para ingresso das pessoas de cor na universidade. Mas ainda temos um sistema de ensino básico, onde essas oportunidades não estão tão presentes assim. Os remanescentes dos quilombolas, seus descendentes mais distantes – que são as pessoas mestiças -, ainda sofrem com o preconceito e as dificuldades de acesso ao ensino básico. O que se almeja é uma integração das raças, onde todas as cores formem um mosaico a emoldurar a unidade nacional, sua identidade cultural. Muitos preferem a segregação, a separação em etnias distintas. Isso não é bom para a estabilidade social do País nem para o planejamento de uma Nação desenvolvida e una a médio e longo prazo.
Transcorreu nesse 20 de novembro o Dia da Consciência Negra. A comemoração foi fixada através de decreto, e os atos cívicos tímidos registrados em todo o País visam resgatar a memória daqueles negros que lutaram e morreram na defesa de sua etnia e dos valores culturais da raça. Falar de Dia da Consciência Negra é lembrar Zumbi dos Palmares; é revisitar os palcos onde os negros se rebelaram contra os maus tratos que lhes eram infringidos por uma elite senhoril que via na cor da pele o diferencial para classificação social das pessoas. A Lei Áurea que pôs fim à escravidão teve um efeito legal positivo, mas não criou os mecanismos sociais necessários para a promoção da ração que libertava nem desmantelou o aparato hediondo de tortura moral e descriminação que ainda hoje é bem visível no cenário social do Brasil. Apesar da lei que pune com prisão quem se referir de forma desrespeitosa às pessoas de cor, os negros ainda são insultados em praça pública, menosprezados nos locais de trabalho, na escola e até dentro da família.
Já se alcançou um bom nível de conceituação quanto à integração real das raças ao conjunto antropológico que forma essa formidavel diversidade de cores e costumes que caracteriza a população brasileira. Mas a conscientização desse fato ainda não atingiu todas as camadas da população, nem serviu de paradigma verdadeiro para essa integração. As próprias leis ainda carregam brechas através das quais se dá tratamento desigual a brancos e pretos nos locais de trabalho, inclusive, nas repartições públicas. Apesar de o Brasil ser uma nação mestiça, com elevado percentual de pessoas de cor visivelmente escura, é muito pequeno o número de pessoas de cor trabalhando nas repartições públicas ou exercendo atividades nas linhas de frente do comércio. Isto se explica facilmente. As pessoas de cor são geralmente oriundas de famílias pobres, e seu acesso à escola é prejudicado de várias maneiras. Com pouca escolaridade, é difícil passar num vestibular, ter boas notas em concurso público ou até ser aceito para funções simples no comércio e nos setores de serviços. Também não é fácil manejar equipamentos automatizados, e assim trabalhar nos grandes empreendimentos viários ou fabris.
Se for considerada a massa salarial paga aos trabalhadores, as pessoas de cor recebem menos do que os brancos pela prestação dos mesmos serviços. Muitas vezes a qualificação profissional da pessoa de cor é bem mais consistente do que a da pessoa de pele branca, e nem por isso os brancos deixam de receber maiores salários que as de cor. Quando se fala em cargo de direção, ai a situação se agrava. É muito pequeno, quase nulo, o número de pessoas de cor exercendo cargos de direção nas repartições públicas ou na iniciativa privada.
Os discursos empolados dos gestores públicos, dos intelectuais nas universidades e dos empresários enaltecendo a integração racial e comemorando o Dia da Consciência Negra ainda parece uma peça oca, ou palavras levadas pelo vento. Verdade que já temos ENEM que leva ao PROUNI, e um apreciável leque de oportunidades para ingresso das pessoas de cor na universidade. Mas ainda temos um sistema de ensino básico, onde essas oportunidades não estão tão presentes assim. Os remanescentes dos quilombolas, seus descendentes mais distantes – que são as pessoas mestiças -, ainda sofrem com o preconceito e as dificuldades de acesso ao ensino básico. O que se almeja é uma integração das raças, onde todas as cores formem um mosaico a emoldurar a unidade nacional, sua identidade cultural. Muitos preferem a segregação, a separação em etnias distintas. Isso não é bom para a estabilidade social do País nem para o planejamento de uma Nação desenvolvida e una a médio e longo prazo.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
LIBERDADE, LIBERDADE! ABRE AS ASAS SOBRE NÓS
Todos pedem liberdade; todos clamam por direitos. Liberdade de expressão, direito de ir e vir. Liberdade de reunião, direito de fazer o que quiser.
Que liberdade é essa que tanto se pede e nunca satisfaz aos que pedem?
Será que você pede liberdade para expressar suas apreensões quanto ao que vem por aí? Ou você exige mais direitos para continuar gritando contra tudo e contra todos?
Quais são suas reais apreensões? Você teme que lhe calem a voz com medidas arbitrárias? Ou você acha que tem pouco espaço para vociferar em casa ou em público? Afinal, que liberdade é essa pela qual você tanto sonha? Do alto dos meus mais de setenta anos de idade, tendo atravessado dois regimes ditatórias e lutado contra essas ordens de exceção, confesso que não compreendo bem o que é que você chama de liberdade. Segundo entendo, liberdade é uma dessas franquias democráticas consagradas nas constituições de todas as nações livres. E a tradição democrática ensina que ser livre é ocupar com racionalidade seus espaços de cidadania, vivenciando-os com compreensão e humildade, e exercer plenamente seus deveres de cidadão consciente do equilíbrio necessário à harmonia entre os seres humanos. É essa a liberdade que você reclama? Você está de posse de seus direitos constitucionais, e exerce realmente esses direitos? Se a resposta é afirmativa, o que é que tanto o preocupa?
Arrisco questionar: a liberdade pela qual você roga é mesmo essa faculdade de poder decidir sobre o que quer e para onde você pode ir ou vir ou é um desejo contido de poder fazer o que bem quiser, pouco lhe importando se sua ação vá incomodar ou prejudicar outrem? No caso afirmativo dessa última parte da pergunta, você estará confundindo liberdade com libertinagem. Você é, neste caso, uma pessoa com sérios problemas conceituais. Mais do que isso: você é uma pessoa em estado de perigo. Você está preste a tentar contra sua própria segurança.
Liberdade, no seu sentido lato, pressupõe domínio dessa faculdade de poder decidir o que é bom para você e para as outras pessoas. Implica afirmar que você é livre para pensar seu bem próprio e defender o bem-estar dos seus semelhantes. Em uma palavra: você é uma pessoa solidária. Caso contrário você não é livre coisa nenhuma. É, sim, escravo de aspirações nem sempre legítimas. É prisioneiro de concepções mentais, psicológicas e sociais deformadas. Está a um passo do fundamentalismo libertário, que no final das contas acaba abandonando a idéia de liberdade para impor vontades. Para defender a Liberdade é preciso libertar-se primeiro. Liberta-se de preconceitos; libertar-se de discriminações étnicas, raciais e sociais. Desarraigar-se de pressupostos políticos partidários e entender que ainda somos humanos, suscetíveis, portanto, de falhas e fracassos, mas potencialmente capazes de ações coerentes e conduta nobre.
Protejamo-nos, pois, sob as asas da liberdade, que nos alçará a um mundo pleno de Paz e Amor. Ou, ao contrário, se não a soubermos usar, poderá constituir-se em grilhões que nos manterão presos às paixões nem sempre nobres e a interesses que não são as legítimas aspirações da raça humana.
Enquanto não nos entendermos sobre o conceito real de liberdade, cantemos com o samba- enredo carioca: Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós...
02.04.2007
Todos pedem liberdade; todos clamam por direitos. Liberdade de expressão, direito de ir e vir. Liberdade de reunião, direito de fazer o que quiser.
Que liberdade é essa que tanto se pede e nunca satisfaz aos que pedem?
Será que você pede liberdade para expressar suas apreensões quanto ao que vem por aí? Ou você exige mais direitos para continuar gritando contra tudo e contra todos?
Quais são suas reais apreensões? Você teme que lhe calem a voz com medidas arbitrárias? Ou você acha que tem pouco espaço para vociferar em casa ou em público? Afinal, que liberdade é essa pela qual você tanto sonha? Do alto dos meus mais de setenta anos de idade, tendo atravessado dois regimes ditatórias e lutado contra essas ordens de exceção, confesso que não compreendo bem o que é que você chama de liberdade. Segundo entendo, liberdade é uma dessas franquias democráticas consagradas nas constituições de todas as nações livres. E a tradição democrática ensina que ser livre é ocupar com racionalidade seus espaços de cidadania, vivenciando-os com compreensão e humildade, e exercer plenamente seus deveres de cidadão consciente do equilíbrio necessário à harmonia entre os seres humanos. É essa a liberdade que você reclama? Você está de posse de seus direitos constitucionais, e exerce realmente esses direitos? Se a resposta é afirmativa, o que é que tanto o preocupa?
Arrisco questionar: a liberdade pela qual você roga é mesmo essa faculdade de poder decidir sobre o que quer e para onde você pode ir ou vir ou é um desejo contido de poder fazer o que bem quiser, pouco lhe importando se sua ação vá incomodar ou prejudicar outrem? No caso afirmativo dessa última parte da pergunta, você estará confundindo liberdade com libertinagem. Você é, neste caso, uma pessoa com sérios problemas conceituais. Mais do que isso: você é uma pessoa em estado de perigo. Você está preste a tentar contra sua própria segurança.
Liberdade, no seu sentido lato, pressupõe domínio dessa faculdade de poder decidir o que é bom para você e para as outras pessoas. Implica afirmar que você é livre para pensar seu bem próprio e defender o bem-estar dos seus semelhantes. Em uma palavra: você é uma pessoa solidária. Caso contrário você não é livre coisa nenhuma. É, sim, escravo de aspirações nem sempre legítimas. É prisioneiro de concepções mentais, psicológicas e sociais deformadas. Está a um passo do fundamentalismo libertário, que no final das contas acaba abandonando a idéia de liberdade para impor vontades. Para defender a Liberdade é preciso libertar-se primeiro. Liberta-se de preconceitos; libertar-se de discriminações étnicas, raciais e sociais. Desarraigar-se de pressupostos políticos partidários e entender que ainda somos humanos, suscetíveis, portanto, de falhas e fracassos, mas potencialmente capazes de ações coerentes e conduta nobre.
Protejamo-nos, pois, sob as asas da liberdade, que nos alçará a um mundo pleno de Paz e Amor. Ou, ao contrário, se não a soubermos usar, poderá constituir-se em grilhões que nos manterão presos às paixões nem sempre nobres e a interesses que não são as legítimas aspirações da raça humana.
Enquanto não nos entendermos sobre o conceito real de liberdade, cantemos com o samba- enredo carioca: Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós...
02.04.2007
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
DEMOCRACIA
A propósito da matéria A Falência das Ideologias recém-publicada pelo blog questiona-se sobre se o conceito ali exposto se aplica também à instituição chamada Democracia. A Democracia, no nosso entender, é uma concepção de convivência interna de cada povo e de suas relações políticas, econômicas e diplomáticas com os demais povos. Não há, no rigor do termo, uma Democracia pronta, acabada. Repita-se que a Democracia é uma concepção de prática política consensual. Mesmo nas nações mais desenvolvidas, não se encontra uma prática democrática em sua inteireza. Concebe-se, sob essa epígrafe, o estabelecimento de um sistema político onde haja oportunidades para todos. Na sua etimologia, democracia vem de demos, termo grego para povo. Seria, pois, o regime do povo. Isso acontece em alguma parte do Mundo? Um dos maus exemplos de Democracia são - paradoxalmente - os Estados Unidos. Ali, durante centenas de anos, os negros foram calados, segregados. É bem recente a ação de integração racial americana. Foi introduzida no Tio Sam pelo governo do presidente John Fitzgerald Kennedy, no começo da década de 60 do século XX. Kennedy teve a ousadia de misturar raças numa civilização cujas bases raciais são uma mistura de descendentes de povos europeus altamente preconceituosa. As ações de Kennedy davam continuidade aos movimentos da sociedade civil organizada dos Estados Unidos, liderados pelo pastor negro Martin Luther King, conhecido o mártir da não violência, também assassinado pelos grupos segregacionistas americanos. Ainda hoje, em muitos estados norte-americanos, procura-se complementar a implantação das leis de integração racial criadas no governo Kennedy. Nesses estados, ainda existem bairros e escolas só para negros, onde os brancos não põem os pés. Situação essa bastante sulrealista para uma nação com o perfil internacional dos Estados Unidos.
O melhor exemplo de Democracia é o da Inglaterra (Reino Unido). Ali, o governo parlamentarista é eleito de forma indireta, pois os eleitores elegem apenas os deputados, e estes escolhem o primeiro-ministro. Mas, a Inglaterra bicameral, tem uma instância parlamentar vitalícia, composta por elementos da alta linhagem da sociedade – os Lords, indicados pelo chefe do governo monárquico. É interessante lembrar que foi um inglês – Winston Churchill (1874-1965), primeiro-ministro do Reino Unido durante a II Guerra Mundial, quem afirmou que “ A Democracia não é um regime ideal, mas nunca se inventou algo melhor”.
No Brasil, Democracia é um termo indefinido, como convém a uma palavra que indica concepção. Infelizmente, essa indefinição faz com que o chamado “jogo democrático” seja no nosso País um joguete de interesses mesquinhos das classes políticas, das elites. Um País de enorme potencial de recursos naturais, humanos e tecnológicos que podem ser transformados em riqueza, quando o é, os bônus do desenvolvimento ficam em poder das elites; os ônus são socializados, isto é, caem nas costas do povão.
Democracia plena seria aquela em que os recursos do desenvolvimento melhorassem a vida dos povos, de todas as nações. Com educação universalizada e de qualidade, com saúde plena e acessível a todos os indivíduos, transporte coletivo rápido, limpo, regular, ligando todos os pontos das regiões e cidades. Emprego pleno, com renda condigna para os trabalhadores. Um governo onde os cidadãos tivessem a liberdade de caminhar livremente, sem temerem ser emboscados lá na esquina. Onde as crianças desde cedo tivessem o amparo da sociedade, ofertando-lhes oportunidades de lazer e bem-estar, livrando-as do tráfico das drogas e se prepaando para um futuro tranquilo.Liberdade de expressão, crença e direito de reunião. Sem esquecer que direitos plenos subtendem deveres conscientes, espírito de cidadania. Em uma palavra, Democracia só existe quando a estrutura de governo sob sua égide seja montada de baixo para cima, isto é, com um povo livre, esclarecido e soberano decidindo seus destinos.
A propósito da matéria A Falência das Ideologias recém-publicada pelo blog questiona-se sobre se o conceito ali exposto se aplica também à instituição chamada Democracia. A Democracia, no nosso entender, é uma concepção de convivência interna de cada povo e de suas relações políticas, econômicas e diplomáticas com os demais povos. Não há, no rigor do termo, uma Democracia pronta, acabada. Repita-se que a Democracia é uma concepção de prática política consensual. Mesmo nas nações mais desenvolvidas, não se encontra uma prática democrática em sua inteireza. Concebe-se, sob essa epígrafe, o estabelecimento de um sistema político onde haja oportunidades para todos. Na sua etimologia, democracia vem de demos, termo grego para povo. Seria, pois, o regime do povo. Isso acontece em alguma parte do Mundo? Um dos maus exemplos de Democracia são - paradoxalmente - os Estados Unidos. Ali, durante centenas de anos, os negros foram calados, segregados. É bem recente a ação de integração racial americana. Foi introduzida no Tio Sam pelo governo do presidente John Fitzgerald Kennedy, no começo da década de 60 do século XX. Kennedy teve a ousadia de misturar raças numa civilização cujas bases raciais são uma mistura de descendentes de povos europeus altamente preconceituosa. As ações de Kennedy davam continuidade aos movimentos da sociedade civil organizada dos Estados Unidos, liderados pelo pastor negro Martin Luther King, conhecido o mártir da não violência, também assassinado pelos grupos segregacionistas americanos. Ainda hoje, em muitos estados norte-americanos, procura-se complementar a implantação das leis de integração racial criadas no governo Kennedy. Nesses estados, ainda existem bairros e escolas só para negros, onde os brancos não põem os pés. Situação essa bastante sulrealista para uma nação com o perfil internacional dos Estados Unidos.
O melhor exemplo de Democracia é o da Inglaterra (Reino Unido). Ali, o governo parlamentarista é eleito de forma indireta, pois os eleitores elegem apenas os deputados, e estes escolhem o primeiro-ministro. Mas, a Inglaterra bicameral, tem uma instância parlamentar vitalícia, composta por elementos da alta linhagem da sociedade – os Lords, indicados pelo chefe do governo monárquico. É interessante lembrar que foi um inglês – Winston Churchill (1874-1965), primeiro-ministro do Reino Unido durante a II Guerra Mundial, quem afirmou que “ A Democracia não é um regime ideal, mas nunca se inventou algo melhor”.
No Brasil, Democracia é um termo indefinido, como convém a uma palavra que indica concepção. Infelizmente, essa indefinição faz com que o chamado “jogo democrático” seja no nosso País um joguete de interesses mesquinhos das classes políticas, das elites. Um País de enorme potencial de recursos naturais, humanos e tecnológicos que podem ser transformados em riqueza, quando o é, os bônus do desenvolvimento ficam em poder das elites; os ônus são socializados, isto é, caem nas costas do povão.
Democracia plena seria aquela em que os recursos do desenvolvimento melhorassem a vida dos povos, de todas as nações. Com educação universalizada e de qualidade, com saúde plena e acessível a todos os indivíduos, transporte coletivo rápido, limpo, regular, ligando todos os pontos das regiões e cidades. Emprego pleno, com renda condigna para os trabalhadores. Um governo onde os cidadãos tivessem a liberdade de caminhar livremente, sem temerem ser emboscados lá na esquina. Onde as crianças desde cedo tivessem o amparo da sociedade, ofertando-lhes oportunidades de lazer e bem-estar, livrando-as do tráfico das drogas e se prepaando para um futuro tranquilo.Liberdade de expressão, crença e direito de reunião. Sem esquecer que direitos plenos subtendem deveres conscientes, espírito de cidadania. Em uma palavra, Democracia só existe quando a estrutura de governo sob sua égide seja montada de baixo para cima, isto é, com um povo livre, esclarecido e soberano decidindo seus destinos.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
A FALÊNCIA DAS IDEOLOGIAS
O SONHO FOI REALMETE UM SONHO * FALIRAM O SISTEMA ECONÔMICO CAPITALISTA E O MODELO DE SOCIEDADE SONHADO * A GLOBALIZAÇÃO É TÃO VELHA QUANTO A COLONIZAÇÃO E OPRESSÃO DOS POVOS DOMINADOS * O MUNDO PRECISA DE NOVAS INSTITUIÇÕES; QUAIS?
As notícias vêm de todos os lugares. Dos centros econômicos e sociais mais sofisticados, como o centro financeiro de Nova Iorque, passam pelas cidades europeias socialmente mais desenvolvidas, atravessam recantos conservadores distantes e com visão de mundo diferente da nossa, como as nações de cultura muçulmana; descabam em países pobres do hemisfério sul, e, como não podia deixar de ser, se alastram também pela cidades brasileiras. Quaisquer que sejam os slogans ou bandeiras que apresentem; indiferente a qualquer conotação política, a verdade é que o mundo está em convulsão. Na Europa, há o medo de uma recessão; os Estados Unidos têm déficit maior do que o PIB; no Oriente Médio, terras de tradições milenares, há insurgências populares em praticamente todos os países. A África, afunda na miséria e na ignorância de povos secularmente explorados. Na América do Sul, pequenos países como a Bolívia podem se esfacelar e fazer nascer outras nações, como é comum na África. No Brasil, movimentos populares contra a corrupção pipocam nas capitais e grandes cidades, lembrando a época dos caras-pintadas que levaram à deposição de Collor.
Os analistas mais isentos procuram uma explicação para esse fenômeno. Tem-se que deixar de lado a politização dos fatos, evitando que grupos partidários tirem proveito da situação e contribuam para piorar ainda mais o cenário de crise que se atravessa nessa encruzilhada humana. Mas os analistas não encontram explicações, e continuam fazendo mais perguntas. Vivemos um momento histórico em que as grandes questões mundiais não terão respostas por um bom tempo; elas serão alimentadas pelas perguntas que se sucedem a cada episódio. As tentativas de se dá solução pontual ao problema que é global têm-se revelado inócuas, quando não desastrosas. Cada nação ou grupo de nação tem um projeto, ou elaboram projetos para enfrentar a crise. As nações mais poderosas, que há séculos sugam recursos das mais dependentes do ponto de vista econômico, têm projetos para seus problemas, que se resolvidos dessa forma agravarão o quadro geral. As potêncis econômicas e militares não pretendem perder um centímetro de terreno para as nações menos desenvolvidas. No meio dessa discussão encontram-se os chamados emergentes, Brasil e China no meio, que adotaram providências monetárias e cambiais que se não as blindaram dos efeitos catastróficos da crise que avassala todos os mercados, pelo menos serviram de barreiras para minimizar os efeitos dessa crise em suas economias.
A Europa – quem diria! – é o cerne da grande crise e o centro irradiador das tensões que inquietam o mundo inteiro. Países como Itália e Espanha, buscam soluções políticas conservadoras para seus velhos problemas econômicos. A mudança de governo nesses dois países não tem como dá respostas positivas aos problemas do conjunto das nações do Bloco Europeu da zona do euro. Assim como a ajuda econômica à Grécia, que também muda de governo, não vai tirar do fundo do poço a nação que irradiou saber e serviu de base para a cultura ocidental. A Inglaterra, escudada em sua moeda forte, procura resistir à crise. Mas o abalo é muito forte, e mexe com suas estruturas econômicas. A Alemanha, maior centro produtor e exportador do Velho Continente, sofre redução em suas atividades industriais. A França, não tem fôlego para navegar sem derivas nesse mar tempestuoso da economia europeia contemporânea. Pior: há indícios de recessão em todo o continente, e se isso não for revertido, os efeitos dessa queda de produção dos grandes centros industriais afetarão todos os outros países, inclusive os Estados Unidos.
Qual a saída?
Eis ai mais uma pergunta que se vai juntar às que vêm sendo feitas nestes últimos anos.
Parece que não tem saída. O perigo de tudo isso é que a Europa sempre resolveu suas crises fazendo guerras. Há clima para guerras num mundo de mercado unificado como o europeu? A pergunta é mais uma que se faz. Mas, pelo menos a esse respeito, parece haver uma resposta: não. O mundo mudou, a Europa mudou. A globalização tornou cada nação dependente da outra. Para se montar um motor de carro as peças são fabricadas em diversos países.
Então, que está acontecendo no cenário internacional? Esta pergunta pode ser igual às outras; mas pelo menos se abre uma janela para enxergar melhor a crise. E a primeira impressão que se tem é que essa crise representa o cansaço ideológico da globalização. E no rastro desse cansaço, pensando-se num sentido mais amplo, vai a falência do sistema capitalista conservador e depilador de energias já esgotadas. Os pensadores modernos, principalmente depois dos anos 50 do século passado, imaginaram que tudo que havia sido estabelecido estava superado. E chegaram à conclusão de que tudo devia ser mudado. Era o pós-modernismo. Só não pensaram num modelo ideológico que pudesse ocupar o lugar da massa falida da sociedade superada. A globalização não era nenhuma novidade, já existia e começara a funcionar desde muito tempo atrás, quando Estados Unidos e Europa dominaram o mundo, transformando-o num imenso feudo, colonizando povos e dominando culturas. O resultado de tudo isso está ai. A insatisfação generalizada contra o sistema. O melhor exemplo disso é ver a intelectualidade norte-americana ocupando espaços nas praças de Nova Iorque, protestando contra o capitalismo superado e sanguinário que os sufoca.
Vivemos, pois, o pós pós-modernismo. Um enorme vazio cujo abismo se aprofunda a cada tentativa de solução. Faliram o sistema econômico e o modelo de sociedade que não passou de um sonho, faliram os sonhos de um geração deslumbrada que não sabia que o progresso só se atinge com trabalho e respeito, começando por cada um respeitar seus próprios limites. Estamos órfãos de ideologias! E de instituições sustentáveis.
O SONHO FOI REALMETE UM SONHO * FALIRAM O SISTEMA ECONÔMICO CAPITALISTA E O MODELO DE SOCIEDADE SONHADO * A GLOBALIZAÇÃO É TÃO VELHA QUANTO A COLONIZAÇÃO E OPRESSÃO DOS POVOS DOMINADOS * O MUNDO PRECISA DE NOVAS INSTITUIÇÕES; QUAIS?
As notícias vêm de todos os lugares. Dos centros econômicos e sociais mais sofisticados, como o centro financeiro de Nova Iorque, passam pelas cidades europeias socialmente mais desenvolvidas, atravessam recantos conservadores distantes e com visão de mundo diferente da nossa, como as nações de cultura muçulmana; descabam em países pobres do hemisfério sul, e, como não podia deixar de ser, se alastram também pela cidades brasileiras. Quaisquer que sejam os slogans ou bandeiras que apresentem; indiferente a qualquer conotação política, a verdade é que o mundo está em convulsão. Na Europa, há o medo de uma recessão; os Estados Unidos têm déficit maior do que o PIB; no Oriente Médio, terras de tradições milenares, há insurgências populares em praticamente todos os países. A África, afunda na miséria e na ignorância de povos secularmente explorados. Na América do Sul, pequenos países como a Bolívia podem se esfacelar e fazer nascer outras nações, como é comum na África. No Brasil, movimentos populares contra a corrupção pipocam nas capitais e grandes cidades, lembrando a época dos caras-pintadas que levaram à deposição de Collor.
Os analistas mais isentos procuram uma explicação para esse fenômeno. Tem-se que deixar de lado a politização dos fatos, evitando que grupos partidários tirem proveito da situação e contribuam para piorar ainda mais o cenário de crise que se atravessa nessa encruzilhada humana. Mas os analistas não encontram explicações, e continuam fazendo mais perguntas. Vivemos um momento histórico em que as grandes questões mundiais não terão respostas por um bom tempo; elas serão alimentadas pelas perguntas que se sucedem a cada episódio. As tentativas de se dá solução pontual ao problema que é global têm-se revelado inócuas, quando não desastrosas. Cada nação ou grupo de nação tem um projeto, ou elaboram projetos para enfrentar a crise. As nações mais poderosas, que há séculos sugam recursos das mais dependentes do ponto de vista econômico, têm projetos para seus problemas, que se resolvidos dessa forma agravarão o quadro geral. As potêncis econômicas e militares não pretendem perder um centímetro de terreno para as nações menos desenvolvidas. No meio dessa discussão encontram-se os chamados emergentes, Brasil e China no meio, que adotaram providências monetárias e cambiais que se não as blindaram dos efeitos catastróficos da crise que avassala todos os mercados, pelo menos serviram de barreiras para minimizar os efeitos dessa crise em suas economias.
A Europa – quem diria! – é o cerne da grande crise e o centro irradiador das tensões que inquietam o mundo inteiro. Países como Itália e Espanha, buscam soluções políticas conservadoras para seus velhos problemas econômicos. A mudança de governo nesses dois países não tem como dá respostas positivas aos problemas do conjunto das nações do Bloco Europeu da zona do euro. Assim como a ajuda econômica à Grécia, que também muda de governo, não vai tirar do fundo do poço a nação que irradiou saber e serviu de base para a cultura ocidental. A Inglaterra, escudada em sua moeda forte, procura resistir à crise. Mas o abalo é muito forte, e mexe com suas estruturas econômicas. A Alemanha, maior centro produtor e exportador do Velho Continente, sofre redução em suas atividades industriais. A França, não tem fôlego para navegar sem derivas nesse mar tempestuoso da economia europeia contemporânea. Pior: há indícios de recessão em todo o continente, e se isso não for revertido, os efeitos dessa queda de produção dos grandes centros industriais afetarão todos os outros países, inclusive os Estados Unidos.
Qual a saída?
Eis ai mais uma pergunta que se vai juntar às que vêm sendo feitas nestes últimos anos.
Parece que não tem saída. O perigo de tudo isso é que a Europa sempre resolveu suas crises fazendo guerras. Há clima para guerras num mundo de mercado unificado como o europeu? A pergunta é mais uma que se faz. Mas, pelo menos a esse respeito, parece haver uma resposta: não. O mundo mudou, a Europa mudou. A globalização tornou cada nação dependente da outra. Para se montar um motor de carro as peças são fabricadas em diversos países.
Então, que está acontecendo no cenário internacional? Esta pergunta pode ser igual às outras; mas pelo menos se abre uma janela para enxergar melhor a crise. E a primeira impressão que se tem é que essa crise representa o cansaço ideológico da globalização. E no rastro desse cansaço, pensando-se num sentido mais amplo, vai a falência do sistema capitalista conservador e depilador de energias já esgotadas. Os pensadores modernos, principalmente depois dos anos 50 do século passado, imaginaram que tudo que havia sido estabelecido estava superado. E chegaram à conclusão de que tudo devia ser mudado. Era o pós-modernismo. Só não pensaram num modelo ideológico que pudesse ocupar o lugar da massa falida da sociedade superada. A globalização não era nenhuma novidade, já existia e começara a funcionar desde muito tempo atrás, quando Estados Unidos e Europa dominaram o mundo, transformando-o num imenso feudo, colonizando povos e dominando culturas. O resultado de tudo isso está ai. A insatisfação generalizada contra o sistema. O melhor exemplo disso é ver a intelectualidade norte-americana ocupando espaços nas praças de Nova Iorque, protestando contra o capitalismo superado e sanguinário que os sufoca.
Vivemos, pois, o pós pós-modernismo. Um enorme vazio cujo abismo se aprofunda a cada tentativa de solução. Faliram o sistema econômico e o modelo de sociedade que não passou de um sonho, faliram os sonhos de um geração deslumbrada que não sabia que o progresso só se atinge com trabalho e respeito, começando por cada um respeitar seus próprios limites. Estamos órfãos de ideologias! E de instituições sustentáveis.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
VISIONÁRIOS DE PLANTÃO
Alguns amigos me vinham pressionando para uma opinião sobre a configuração dos números repetidos do calendário. Como por exemplo, 11.11.11, recém-ocorridos. Não damos muito valor a esse tipo de questão. Não somos adeptos de Numerologia, Astrologia ou dessas coisas como a influência das cores na formação da personalidade do indivíduo. Por isso, não fizemos qualquer referência à coincidência da data em questão. Ora, nem os astrólogos, a julgar pelo que disse um dos exponentes dessa crença, viram qualquer “novidade” na configuração dos números.
Imaginem se um grupo de gente que anda a cata de coincidência de números no calendário para dizer qualquer bobagem sobre ”influências astrais” na vida das pessoas ou da Natureza entender que no próximo ano, a configuração 12.12.12 possa ter alguma relação com as previsões de um antigo “vidente” que teria previsto ( nunca vi essa afirmação expressa de forma taxativa) que o mundo acabaria em 2012. E não foi apenas um desses videntes a quem se atribuem poderes excepcionais que teria vaticinado esse desiderato. Um monge católico, barbudo, como era praxe na época, teria feito tantas previsões, que segundo os mais simplórios acreditam, se confirmaram! A cabeça dele poderia ter uns parafusos a mais ou a menos.
Somos daqueles que acreditam num Poder Supremo, um Ente Soberano, Único, Infinito, Imutável, Força Inteligente que gerou o Universo e cria constantemente através de Leis perenes cuja estrutura foge a essas questiúnculas formuladas por videntes, visionários ou teólogos da vez.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
UPPs - EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO
Uma entrevista com Marcola fala do que poderia ter sido feito para o Rio, e por extensão, o País, não ser hoje refém de bandidos e do crime organizado. O bandido fala das causas dessas mazelas que afetam o Brasil.
Um aparato militar invadiu as favelas da Rocinha e do Vidigal e penduricalhos no Rio de Janeiro. O Estado oficial sofre a interferência de um estado informal encrustado dentro dele. As Unidades de Polícias Pacificadoras (UPPs) têm contribuído de forma positiva para deslocar o tráfico de uma favela para outra. Prende traficantes famosos, como aconteceu nesse fim de semana quando foi localizado na mala de um carro de luxo o chefe do tráfico da Rochinha, conhecido como Nem. A ação conjunta das polícias levou um pouco de tranquilidade a milhares de favelados do Estado. A zona Sul do Rio, a mais rica, está algo protegida por um cinturão militar que obedece a um planejamento estratégico para “pacificar” a área. O objetivo dessas ações é proteger o Maracanã, palco dos eventos esportivos da Copa do Mundo no Estado do Rio de Janeiro. Difícil vai ser pacificar mais de 800 favelas distribuídas pela antiga capital da República. Essa ações que agora estão sendo realizadas, buscam tapar o buraco do descaso das autoridades federais, estaduais e municipais que nunca olharam as periferias, nunca levaram em conta as necessidades de educação, saúde, lazer, entre outras, principalmente das crianças e dos jovens de décadas atrás. Para entender melhor o que acontece no Rio de Janeiro – ou o que poderia não ter acontecido ali, vejamos o que fala um dos mais famosos bandidos em entrevista concedida em maio de 2006. É doloroso, revoltante, mas é o pré-relatório do que se poderia dizer de uma análise mais profunda dessa questão que nos horários nobres está invadindo os lares dos brasileiros. Confira.
ENTREVISTA COM MARCOLA
23/05/2006
"ESTAMOS TODOS NO INFERNO. NÃO HÁ SOLUÇÃO; POIS NÃO CONHECEMOS NEM O PROBLEMA".
"ESTAMOS TODOS NO INFERNO. NÃO HÁ SOLUÇÃO; POIS NÃO CONHECEMOS NEM O PROBLEMA".
Você é do PCC?
- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível... Vocês nunca me olharam durante décadas... E antigamente era mole resolver o problema da miséria... O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias... A solução é que nunca vinha... Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez: alocou uma verba para nós? E nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a "beleza dos morros ao amanhecer", essas coisas... Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo... Nós somos o início tardio de vossa consciência social... Viu? Sou culto... Leio Dante na prisão...
- Mas... A solução seria...
- Solução? Não há mais solução, cara... A própria idéia de "solução" já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma "tirania esclarecida", que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC...) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios...). E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psico-social profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível.Não há solução.
- Você não tem medo de morrer?
Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar... Mas eu posso mandar matar vocês lá fora... Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba... Estamos no centro do Insolúvel, mesmo... Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração... A morte para nós é o presunto diário, desovado n’uma vala... Vocês, intelectuais, não falavam em luta de classes, em "seja marginal, seja herói"? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha... Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante... Mas, meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse País. Não há mais proletários ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem. Vocês não ouvem as gravações feitas "com autorização da Justiça"? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.
- O que mudou nas periferias?
Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$ 40 milhões, como o Beira-Mar, não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório... Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no "microondas"... ha, ha... Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.
- Mas o que devemos fazer?
Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas... O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, "Sobre a guerra". Não há perspectiva de êxito... Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas... A gente já tem até foguete antitanques... Se bobear, vão rolar uns Stingers aí... P’ra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas... Aliás, a gente acaba arranjando também "umazinha", daquelas bombas sujas mesmo... Já pensou? Ipanema radioativa?
- Mas... não haveria solução?
Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a "normalidade". Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco... Na boa... Na moral... Estamos todos no centro do insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês... Não tem saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabe por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: "Lasciate ogna speranza voi che entrate!" Percam todas as esperanças. Estamos todos no infeno.
-NOTA DA MODERAÇÃO: A ENTREVISTA INCLUSA É DE AUTORIA DESCONHECIDA. ALGUNS CRONISTAS A ATRIBUEM A ARNALDO JABOR.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
O PICADEIRO DE BRASÍLIA
A Esplanada do Poder em Brasília vem se constituindo num verdadeiro picadeiro. Figuras hilárias desfilam nos corredores do Congresso, nas salas dos tribunais superiores e nos gabinetes do Executivo. Fatos circenses se desenrolam na Esplanada dos Três Poderes. Assistiu-se ao cinismo de Orlando Silva (PC do B); irrita a cara-de-pau de Ricardo Teixeira, presidente da CBF e dá nojo de ver Agnelo Queiroz (PT), governador do Distrito Federal, este demonstrando o maior desprezo pela coerência e pela decência e um inacreditável desrespeito pela opinião pública brasileira.
De futebol, já falamos aqui não faz tempo. E é sobre esse submundo nojento dos bastidores do futebol profissional que se identificam, como unha e cutícula, o presidente da CBF e o governador de Brasília. Ambos patrocinam ações danosas aos cofres públicos, vergonhosas para os brasileiros e que não têm nada a ver com a diversão maior do nosso povo. A Bancada da “Bola” (atenção para as aspas!!!), composta de representantes corruptos, dá respaldo político às decisões dessa curriola de malfeitores que gerem os esportes ou já o geriram de alguma forma há algum tempo. Os deputados dessa bancada blindam Teixeira e outros próceres dos subterrâneos da imoralidade dos esportes. Romário que o diga! O ex-craque da seleção brasileira, agora ostentando o cargo de Deputado Federal que lhe foi conferido pela população do Rio de Janeiro, tenta enquadrar Ricardo Teixeira e outros cartolas do futebol envolvidos com a organização da Copa do Mundo de 2014. Essa gente vai propositadamente empurrando a construção dos estádios ( arenas) com a barriga. Sabe que quando chegar o momento de prestar contas à FIFA, a cartolagem vai entregar os encargos financeiros ao governo. E o dinheiro público financiará obras que por sua natureza pertencem à iniciativa privada.
Os problemas deste País não podem ter sua solução nas mãos dessa súcia de apropriadores dos recursos públicos. E este País não pode continuar refém de indivíduos como os que estão acima citados. Deputados, senadores, ministros, autoridades que deveriam engrandecer a Nação, simplesmente a envergonham com suas atitudes desrespeitosas. E se não bastassem as aberrações dos já citados, vem a encenação circense do ministro do trabalho Carlos Lupi (PDT). Sempre desconfiei que a cabeça desse cidadão tivesse um parafuso que deveria ser apertado ou afrouxado. E nunca entendi porque ele demorava tanto tempo no cargo de ministro de estado. Agora entendo que suas artimanhas são daquelas que até o diabo duvida. O ministro, que já deveria ter sido demitido em nome da honra de uma Nação, demonstrou nesta 4ª-feira na Câmara dos Deputados que está com a profissão trocada. Blindado pela ala governista, saiu-se incólume, isto é, continua ministro, e a população brasileira, com as trapalhadas de Lupi, fica achando que ele tem vocação para o picadeiro.
Nada mais ridículo para um ministro de estado dizer as coisas que Lupi disse em entrevistas veiculadas pela mídia televisiva e depois repetidas no âmbito da Câmara, acrescidas daquelas declarações acintosas não à pessoa da presidente, mas à Instituição Presidente da República. Francamente, abrir os braços diante das câmeras e afirmar: “Dilma, eu te amo” é uma atitude própria de picadeiro e incompatível com a ordem hierárquica que deve ser minimamente observada pelos cidadãos.
A Esplanada do Poder em Brasília vem se constituindo num verdadeiro picadeiro. Figuras hilárias desfilam nos corredores do Congresso, nas salas dos tribunais superiores e nos gabinetes do Executivo. Fatos circenses se desenrolam na Esplanada dos Três Poderes. Assistiu-se ao cinismo de Orlando Silva (PC do B); irrita a cara-de-pau de Ricardo Teixeira, presidente da CBF e dá nojo de ver Agnelo Queiroz (PT), governador do Distrito Federal, este demonstrando o maior desprezo pela coerência e pela decência e um inacreditável desrespeito pela opinião pública brasileira.
De futebol, já falamos aqui não faz tempo. E é sobre esse submundo nojento dos bastidores do futebol profissional que se identificam, como unha e cutícula, o presidente da CBF e o governador de Brasília. Ambos patrocinam ações danosas aos cofres públicos, vergonhosas para os brasileiros e que não têm nada a ver com a diversão maior do nosso povo. A Bancada da “Bola” (atenção para as aspas!!!), composta de representantes corruptos, dá respaldo político às decisões dessa curriola de malfeitores que gerem os esportes ou já o geriram de alguma forma há algum tempo. Os deputados dessa bancada blindam Teixeira e outros próceres dos subterrâneos da imoralidade dos esportes. Romário que o diga! O ex-craque da seleção brasileira, agora ostentando o cargo de Deputado Federal que lhe foi conferido pela população do Rio de Janeiro, tenta enquadrar Ricardo Teixeira e outros cartolas do futebol envolvidos com a organização da Copa do Mundo de 2014. Essa gente vai propositadamente empurrando a construção dos estádios ( arenas) com a barriga. Sabe que quando chegar o momento de prestar contas à FIFA, a cartolagem vai entregar os encargos financeiros ao governo. E o dinheiro público financiará obras que por sua natureza pertencem à iniciativa privada.
Os problemas deste País não podem ter sua solução nas mãos dessa súcia de apropriadores dos recursos públicos. E este País não pode continuar refém de indivíduos como os que estão acima citados. Deputados, senadores, ministros, autoridades que deveriam engrandecer a Nação, simplesmente a envergonham com suas atitudes desrespeitosas. E se não bastassem as aberrações dos já citados, vem a encenação circense do ministro do trabalho Carlos Lupi (PDT). Sempre desconfiei que a cabeça desse cidadão tivesse um parafuso que deveria ser apertado ou afrouxado. E nunca entendi porque ele demorava tanto tempo no cargo de ministro de estado. Agora entendo que suas artimanhas são daquelas que até o diabo duvida. O ministro, que já deveria ter sido demitido em nome da honra de uma Nação, demonstrou nesta 4ª-feira na Câmara dos Deputados que está com a profissão trocada. Blindado pela ala governista, saiu-se incólume, isto é, continua ministro, e a população brasileira, com as trapalhadas de Lupi, fica achando que ele tem vocação para o picadeiro.
Nada mais ridículo para um ministro de estado dizer as coisas que Lupi disse em entrevistas veiculadas pela mídia televisiva e depois repetidas no âmbito da Câmara, acrescidas daquelas declarações acintosas não à pessoa da presidente, mas à Instituição Presidente da República. Francamente, abrir os braços diante das câmeras e afirmar: “Dilma, eu te amo” é uma atitude própria de picadeiro e incompatível com a ordem hierárquica que deve ser minimamente observada pelos cidadãos.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
UNIÃO EUROPEIA:
OU LARGA O EURO OU IMPLODE
Desde a década de 50 do século passado que as nações europeias buscam uma fórmula capaz de congregá-las sob um estatuto político e econômico comum. Unificaram procedimentos para a política energética, com o tratado sobre o carvão. Vieram as políticas agrícolas e sobre pesca. Deliberaram sobre a comercialização do aço e dotaram medidas protecionistas que reforçassem as relações comerciais e protegessem seus produtos. Finda a Grande Guerra, em 1945, a Europa estava como terra devastada. As diversas políticas nacionais não ajudavam na recuperação da economia combalida e na reconstrução de pequenas nações dizimadas pela guerra. A primeira medida efetiva nesse sentido foi a criação da Comunidade Econômica Europeia, com o estabelecimento do Mercado Comum Europeu. As primeiras tentativas animaram os europeus do Ocidente, principalmente para fazer face ao poderio militar e econômico do Leste. As dissidências do bloco soviético já eram bastante visíveis, mas ainda assim a União Soviética representava sério perigo à estabilidade política do Continente.
Finalmente, em 7 de fevereiro de 1992, com a assinatura do Tratado de Maastricht, é constituída a União Europeia, uma organização supranacional que institucionaliza um grupo de nações sob um regime jurídico e econômico unificado e com um papel político a direcionar as medidas a serem adotadas por seus países-membros.
A União Europeia é composta de 27 países, sendo que 11 deles não adotaram a moeda comum europeia: o euro. Entre os países europeus da zona do euro são encontrados os mais ricos do Continente; a Inglaterra, contudo, não abriu mão de sua forte moeda- a libra esterlina. A União Europeia, nos moldes em que foi ciada, era uma promessa de sucesso. Ficou na promessa. A França, que sempre aspirou ao comando das ações econômicas mundiais, foi perdendo terreno. Não conseguia fazer frente ao crescente poderia militar, tecnológico e econômico dos Estados Unidos. E o regime híbrido de sua estrutura parlamentarista acabou jogando a Nação num atoleiro.
A União Europeia de hoje é uma saco de gatos. Com todos os seus países atolados em dívidas, não se vislumbra, a curto prazo, uma saída para a grande crise econômica que se abate sobre a organização e sobre a Europa como um todo. Verdade que essa crise econômica é mundial, mas ela rebate com toda força sobre a Europa. Nos Estados Unidos, o jogo de cintura do presidente Barack Obama e a própria instituição americana tem meios para superar qualquer crise que ameasse a estabilidade econômica do País. Um ajuste político, um acordo com o Congresso e tudo se resolve. A União europeia, não. Para salvar a instituição é necessário um volume de dinheiro que o Banco Central Europeu não possui. O BCE não financia dívidas de governos, e são justamente os governos europeus da zona do euro que estão afundados em dívidas. Nações como a França e a Itália, ambas de economia sólida, estão patinando nos desmandos de seus governantes e na insustentabilidade dos seus regimes políticos em épocas de crise. A Itália, dentro de um turbilhão de problemas políticos, não tem como sair da crise sem ajuda externa. Seu déficit supera seu PIB, e vai crescendo geometricamente. Portugal e Espanha ficaram mais pobres depois que adotaram o euro. A Grécia faliu, e sua recuperação econômica está difícil de ser alcançada. Os países que integravam o bloco soviético e que foram admitidos à União Europeia são uns penduricalhos a complicarem a estabilidade do bloco.
Qual a saída?
Depois de muitas reuniões, que se repetem semanalmente, nenhuma solução visível. Os países emergentes, como China e Brasil, são agora citados pelas autoridades da União Europeia como alternativa para uma saída. Mas tanto China como Brasil, devidamente advertidos do enrosco que é a EU, passaram colocar condicionantes para ajudar os europeus. As condições chinesas certamente não serão aceitas, o Brasil sem duvidas aproveitará a oportunidade para conseguir alguns dividendos econômicos e políticos.
Finalmente, muitos experts já vislumbram o desmoronamento total do sistema europeu do euro. A Grécia, sem salvação, deve deixar de lado o euro e retomar sua antiga moeda. Portugal e Espanha talvez precisem seguir também esse caminho. E essa ideia deve crescer no seio dos líderes dos países-membros depois que as atuais gestões forem substituídas por novas lideranças. O euro pode até se fortalecer e o sistema político do grupo se revigorar. Mas o contrário é uma hipótese mais viável. A história relata que essas fusões dificilmente dão certo. Principalmente quando os indivíduos nacionais são tão heterogêneos como os 27 países que compõem a União Europeia, com destaque para aqueles que compõem a Eurolândia. Se o euro vai continuar sendo uma forma insuficiente de se equilibrar as contas europeias, os países da EU ficam diante de duas saídas: ou largam o euro ou o euro acaba com a organização.
OU LARGA O EURO OU IMPLODE
Desde a década de 50 do século passado que as nações europeias buscam uma fórmula capaz de congregá-las sob um estatuto político e econômico comum. Unificaram procedimentos para a política energética, com o tratado sobre o carvão. Vieram as políticas agrícolas e sobre pesca. Deliberaram sobre a comercialização do aço e dotaram medidas protecionistas que reforçassem as relações comerciais e protegessem seus produtos. Finda a Grande Guerra, em 1945, a Europa estava como terra devastada. As diversas políticas nacionais não ajudavam na recuperação da economia combalida e na reconstrução de pequenas nações dizimadas pela guerra. A primeira medida efetiva nesse sentido foi a criação da Comunidade Econômica Europeia, com o estabelecimento do Mercado Comum Europeu. As primeiras tentativas animaram os europeus do Ocidente, principalmente para fazer face ao poderio militar e econômico do Leste. As dissidências do bloco soviético já eram bastante visíveis, mas ainda assim a União Soviética representava sério perigo à estabilidade política do Continente.
Finalmente, em 7 de fevereiro de 1992, com a assinatura do Tratado de Maastricht, é constituída a União Europeia, uma organização supranacional que institucionaliza um grupo de nações sob um regime jurídico e econômico unificado e com um papel político a direcionar as medidas a serem adotadas por seus países-membros.
A União Europeia é composta de 27 países, sendo que 11 deles não adotaram a moeda comum europeia: o euro. Entre os países europeus da zona do euro são encontrados os mais ricos do Continente; a Inglaterra, contudo, não abriu mão de sua forte moeda- a libra esterlina. A União Europeia, nos moldes em que foi ciada, era uma promessa de sucesso. Ficou na promessa. A França, que sempre aspirou ao comando das ações econômicas mundiais, foi perdendo terreno. Não conseguia fazer frente ao crescente poderia militar, tecnológico e econômico dos Estados Unidos. E o regime híbrido de sua estrutura parlamentarista acabou jogando a Nação num atoleiro.
A União Europeia de hoje é uma saco de gatos. Com todos os seus países atolados em dívidas, não se vislumbra, a curto prazo, uma saída para a grande crise econômica que se abate sobre a organização e sobre a Europa como um todo. Verdade que essa crise econômica é mundial, mas ela rebate com toda força sobre a Europa. Nos Estados Unidos, o jogo de cintura do presidente Barack Obama e a própria instituição americana tem meios para superar qualquer crise que ameasse a estabilidade econômica do País. Um ajuste político, um acordo com o Congresso e tudo se resolve. A União europeia, não. Para salvar a instituição é necessário um volume de dinheiro que o Banco Central Europeu não possui. O BCE não financia dívidas de governos, e são justamente os governos europeus da zona do euro que estão afundados em dívidas. Nações como a França e a Itália, ambas de economia sólida, estão patinando nos desmandos de seus governantes e na insustentabilidade dos seus regimes políticos em épocas de crise. A Itália, dentro de um turbilhão de problemas políticos, não tem como sair da crise sem ajuda externa. Seu déficit supera seu PIB, e vai crescendo geometricamente. Portugal e Espanha ficaram mais pobres depois que adotaram o euro. A Grécia faliu, e sua recuperação econômica está difícil de ser alcançada. Os países que integravam o bloco soviético e que foram admitidos à União Europeia são uns penduricalhos a complicarem a estabilidade do bloco.
Qual a saída?
Depois de muitas reuniões, que se repetem semanalmente, nenhuma solução visível. Os países emergentes, como China e Brasil, são agora citados pelas autoridades da União Europeia como alternativa para uma saída. Mas tanto China como Brasil, devidamente advertidos do enrosco que é a EU, passaram colocar condicionantes para ajudar os europeus. As condições chinesas certamente não serão aceitas, o Brasil sem duvidas aproveitará a oportunidade para conseguir alguns dividendos econômicos e políticos.
Finalmente, muitos experts já vislumbram o desmoronamento total do sistema europeu do euro. A Grécia, sem salvação, deve deixar de lado o euro e retomar sua antiga moeda. Portugal e Espanha talvez precisem seguir também esse caminho. E essa ideia deve crescer no seio dos líderes dos países-membros depois que as atuais gestões forem substituídas por novas lideranças. O euro pode até se fortalecer e o sistema político do grupo se revigorar. Mas o contrário é uma hipótese mais viável. A história relata que essas fusões dificilmente dão certo. Principalmente quando os indivíduos nacionais são tão heterogêneos como os 27 países que compõem a União Europeia, com destaque para aqueles que compõem a Eurolândia. Se o euro vai continuar sendo uma forma insuficiente de se equilibrar as contas europeias, os países da EU ficam diante de duas saídas: ou largam o euro ou o euro acaba com a organização.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
AFINAL, QUEM MANDA NESTE PAÍS?
PARA QUE SERVE A LEI DA FICHA LIMPA?
As pessoas desse imenso País ficam se perguntando: para que serve o instituto da Ficha Limpa? Com o cenário político que se descortina aos olhos dos brasileiros fica difícil ter uma resposta coerente para essa pergunta. Afinal, quem manda neste País? Há três poderes na estrutura institucional da Nação. Um faz as leis, é o Legislativo; um segundo fiscaliza a aplicação das leis, é o caso do Judiciário. E um terceiro executa as políticas públicas de desenvolvimento econômico e social, não precisa dizer que é o Executivo. Os três poderes são independentes entre si mas também são corresponsáveis pela lisura na condução das questões públicas.
Essa coisa funciona mesmo?
A Ficha Limpa foi uma iniciativa da população brasileira, que cumpriu todos os trâmites constitucionais para se transformar em Lei. Segundo a Constituição desse País, “Todo poder emana do povo e em seu nome será exercido”. Esse dispositivo da Carta Magna parece uma piada, e piada de mau gosto. Todas as decisões de interesse dos políticos que mandam nesse País são implantadas quase que de imediato, e os ilustres parlamentares e juízes dos tribunais superiores se esforçam para que vigorem rapidamente. Mas a lei da Ficha Limpa pega todos eles de calças na mão! E ai, tome discussão, tome pareceres de comissões, tome arrazoados de sessões plenas da Suprema Corte, o diabo-a-quatro. Conquanto que a lei da Ficha Limpa não seja cumprida. A maior balela já dita a respeito do adiamento do cumprimento desse instituto legal é a da “periodicidade de aplicação de uma lei”. Isto é, uma lei só pode entrar em vigor decorrido determinado prazo. No caso da Ficha Limpa, essa periodicidade é de um ano. Alguns advogam o prazo de uma Legislatura, quer dizer: mesmo aprovada, a lei só pega aqueles que vão assumir mandato conseguido depois de sua aprovação. Corruptos, dilapilapidadores do dinheiro público e toda sorte de maus políticos estão a salvo das sanções da lei. Claro, caso contrário poucos desses políticos eleitos nessas úmtimas eleições teriam direito de serem diplomados e assumirem seus mandatos. Isto, em termos. Mexeram tanto com o texto original da Ficha Limpa, que o que restou mais parece um queijo suíço. Tem furos e brechas por onde escaparão os corruptos que serão eleitos nas próximas eleições.
Isso, nos três poderes. O Supremo Tribunal de Justiça tem dado cobertura a malandros, escroques e corruptos de toda espécie. Os doutos juízes da Suprema Corte, em suas enfadonhas lucubrações jurídicas, têm dado interpretações para determinados casos, que por serem tão escabrosas, até o diabo fica duvidando de sua astúcia. No Legislativo, nem precisa citar casos ( são de arrepiar até o mais frio espectador); basta citar nomes que compõem esse Poder: José Sarney, Renan Calheiros, Fernando Afhonso Collor de Melo, Inocêncio Oliveira, José Agripino Maia, Carlos Lupi, Orlando Silva, Humberto Costa , Michel Temer( precisa citar mais alguém?). E no Executivo? A presidente já “perdeu” 5 ministros, todos acusados de corrupção, e o 6º prestes a cair está no cargo há tanto tempo que pouca gente sabe quando foi sua posse. Usando um tom desafiador, altamente desrespeitoso para com a Suprema Mandatária da Nação (presa ao lamaçal dos compromissos que asseguram a governabilidade), respaldado pelo espírito corporativo da maioria do seu partido, Carlos Lupi é um desses indivíduos que deveriam estar trancafiados em algum presídio de segurança máxima. Só sai de lá, quer dize, do governo, se for abatido à bala, afirmou enfático à imprensa. E tem que ser bala de “ alto calibre, que eu sou pesado”, concluiu.
Presidente Dilma: quem manda neste País? Vossa Excelência ou o marginal do Carlos Lupi? A presidente deve demonstrar neste episódio ridículo e vergonhoso sua autoridade de chefe de governo, sem temer ameaças de políticos desqualificados como esse seu ministro desaforado e desvergonhado. Convoque o povo para defender os postulados previstos na Constituição, e partideco nenhum será capaz de aranhar a honra do mandato de Vossa Excelência. E a população brasileira, mobilizada, vai exigir o cumprimento imediato do instituto da Ficha Limpa e pode tirar do poder essa curriola de malfeitores que infestam a vida pública do País.
PARA QUE SERVE A LEI DA FICHA LIMPA?
As pessoas desse imenso País ficam se perguntando: para que serve o instituto da Ficha Limpa? Com o cenário político que se descortina aos olhos dos brasileiros fica difícil ter uma resposta coerente para essa pergunta. Afinal, quem manda neste País? Há três poderes na estrutura institucional da Nação. Um faz as leis, é o Legislativo; um segundo fiscaliza a aplicação das leis, é o caso do Judiciário. E um terceiro executa as políticas públicas de desenvolvimento econômico e social, não precisa dizer que é o Executivo. Os três poderes são independentes entre si mas também são corresponsáveis pela lisura na condução das questões públicas.
A Ficha Limpa foi uma iniciativa da população brasileira, que cumpriu todos os trâmites constitucionais para se transformar em Lei. Segundo a Constituição desse País, “Todo poder emana do povo e em seu nome será exercido”. Esse dispositivo da Carta Magna parece uma piada, e piada de mau gosto. Todas as decisões de interesse dos políticos que mandam nesse País são implantadas quase que de imediato, e os ilustres parlamentares e juízes dos tribunais superiores se esforçam para que vigorem rapidamente. Mas a lei da Ficha Limpa pega todos eles de calças na mão! E ai, tome discussão, tome pareceres de comissões, tome arrazoados de sessões plenas da Suprema Corte, o diabo-a-quatro. Conquanto que a lei da Ficha Limpa não seja cumprida. A maior balela já dita a respeito do adiamento do cumprimento desse instituto legal é a da “periodicidade de aplicação de uma lei”. Isto é, uma lei só pode entrar em vigor decorrido determinado prazo. No caso da Ficha Limpa, essa periodicidade é de um ano. Alguns advogam o prazo de uma Legislatura, quer dizer: mesmo aprovada, a lei só pega aqueles que vão assumir mandato conseguido depois de sua aprovação. Corruptos, dilapilapidadores do dinheiro público e toda sorte de maus políticos estão a salvo das sanções da lei. Claro, caso contrário poucos desses políticos eleitos nessas úmtimas eleições teriam direito de serem diplomados e assumirem seus mandatos. Isto, em termos. Mexeram tanto com o texto original da Ficha Limpa, que o que restou mais parece um queijo suíço. Tem furos e brechas por onde escaparão os corruptos que serão eleitos nas próximas eleições.
Isso, nos três poderes. O Supremo Tribunal de Justiça tem dado cobertura a malandros, escroques e corruptos de toda espécie. Os doutos juízes da Suprema Corte, em suas enfadonhas lucubrações jurídicas, têm dado interpretações para determinados casos, que por serem tão escabrosas, até o diabo fica duvidando de sua astúcia. No Legislativo, nem precisa citar casos ( são de arrepiar até o mais frio espectador); basta citar nomes que compõem esse Poder: José Sarney, Renan Calheiros, Fernando Afhonso Collor de Melo, Inocêncio Oliveira, José Agripino Maia, Carlos Lupi, Orlando Silva, Humberto Costa , Michel Temer( precisa citar mais alguém?). E no Executivo? A presidente já “perdeu” 5 ministros, todos acusados de corrupção, e o 6º prestes a cair está no cargo há tanto tempo que pouca gente sabe quando foi sua posse. Usando um tom desafiador, altamente desrespeitoso para com a Suprema Mandatária da Nação (presa ao lamaçal dos compromissos que asseguram a governabilidade), respaldado pelo espírito corporativo da maioria do seu partido, Carlos Lupi é um desses indivíduos que deveriam estar trancafiados em algum presídio de segurança máxima. Só sai de lá, quer dize, do governo, se for abatido à bala, afirmou enfático à imprensa. E tem que ser bala de “ alto calibre, que eu sou pesado”, concluiu.
Presidente Dilma: quem manda neste País? Vossa Excelência ou o marginal do Carlos Lupi? A presidente deve demonstrar neste episódio ridículo e vergonhoso sua autoridade de chefe de governo, sem temer ameaças de políticos desqualificados como esse seu ministro desaforado e desvergonhado. Convoque o povo para defender os postulados previstos na Constituição, e partideco nenhum será capaz de aranhar a honra do mandato de Vossa Excelência. E a população brasileira, mobilizada, vai exigir o cumprimento imediato do instituto da Ficha Limpa e pode tirar do poder essa curriola de malfeitores que infestam a vida pública do País.
domingo, 6 de novembro de 2011
ENERGIA LIMPA
Os líderes dos países mais ricos do mundo, em sucessivas reuniões têm discutido a situação da economia mundial. É o Grupo dos 8, os oitos países mais ricos do mundo, é o G 20, que congregam os vinte países mais desenvolvidos do Planeta, Brasil no meio; tem o BRINCS (grupo composto do Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul); tem ainda a Conferência dos Países Africanos, a Liga Árabe e outros organismos que representam grupos de países. O foco dessas reuniões tem sido o equilíbrio das contas dos países mais ricos, principalmente, os da União Europeia da zona do euro, o Japão e os Estados Unidos. Esses países representam a maior concentração de renda do mundo; e comandam as ações de transações econômicas, financeiras e cambiais que aceleram o desenvolvimento das indústrias, da agricultura, do comércio, dos serviços.
Abstraindo-nos de considerações puramente econômico-financeiras, para fazer funcionar essa colossal máquina econômica que aquece os negócios no mundo inteiro é necessária uma fonte de força. A energia que se transforma em força pode ter várias origens. A Energia Nuclear, a Energia Hidroelétrica, as Termoelétricas, movidas a óleo diesel e de longe a mais poluente de todas; a Energia Solar, captada das emanações solares através de painéis apropriados; a Energia Eólica e outras fontes de captação de força. As nações fazem a escolha de suas fontes de energia, e suas opções têm a ver com as condições geográficas, hidrográficas, intensidade dos ventos e uma série de fatores que interferem diretamente na seleção da fonte. E a origem das fontes indica a qualidade da energia que vai ser utilizada. Isso tem a ver com a limpeza da energia produzida. Energia limpa é aquela que não causa danos ao meio ambiente. E não são todos os países que por suas condições geográficas e hidrográficas, eólicas e outros requisitos climáticos podem dispor de energia limpa. Nações como o Japão e alguns países europeus não dispõem de condições favoráveis para implantação de um sistema gerador de energia hidrografia, aquela que é produzida pela barragem das águas de um rio, acionam enormes turbinas geradoras da energia que vai mover as fábricas, acionam o comércio e iluminam as ruas das cidades. Essas Nações precisam apelar para fontes outras, como a Energia Nuclear. Outras já utilizam em grande escala a Energia Eólica, aquela em que os ventos movem enormes hélices que acionam geradores e vão alimentar a demanda da produção econômica. Mas só as nações ricas ou que tenham desenvolvido altas tecnologias na área nuclear podem dispor do recurso dessa energia, que a partir do drama de Fukushima mostrou não ser nada limpa. É o caso do Japão, e de um certo modo da Alemanha e de outras nações europeias. A Holanda e outros países europeus já usam a energia eólica em grande escala. No Brasil, essa fonte de energia, embora em franca expansão com a instalação de duas fábricas em SUAPE, ainda é incipiente.
A energia mais limpa é a hidrográfica. O Brasil possui o maior parque produtor dessa energia no mundo inteiro. Mas esse tipo de energia, se não polui, destrói o Meio Ambiente, com a devastação de grandes áreas de florestas para implantação dos projetos, desalojamento de muitas tribos indígenas e consideráveis núcleos populacionais dos chamados povos da floresta, aqueles que vivem da coleta do produto do seringal e de frutos, principalmente castanhas.Mas o País possui enormes recursos que possibiitam o incremento em grande escala da Energia Eólica, pois, graças às suas dimensões continentais, têm em todas as regiões grandes áreas canalizadoras de fortes ventos. Além de ser mais barata e mais prática, a Energia Eólica, se implantada em grande escala no País poderia ofercer opções de energia para seu desenvolvimento,transformando a matriz ennergética e fazendo muitos rios voltarem aos seus cursos antigos e disponibilizando enormes áreas de terras férteis para a agricultura. Por sua vez, a Energia Solar poderá ter sua tecnologia mais aperfeiçoada, com miniaturização dos panéis e potencialização do armasenamento da energia a ser transformada e distribuída,
Há em funcionamento no País duas Usina Nucleares, um terceira está em fase de contrução e uma quarta está sendo planejada para ser instalada no Nordeste. Pode representar um reforço ao sistema hidrográfico que move a engrenagem industrial do Brasil. Mas como não é uma energia confiável em termos de "limpesa de processamento", por apresentar riscos potenciais aos trabalhadores, às populações vizinhas e ao Meio Ambiente (basta ver o caso recente de Fukushima, no Japãp), no Brasil esse sistema deveria ser repensado, como já o foi nos países europeus que pretendem aboli´-lo em poucos anos. Com tantas fontes alternativas de produção de energia limpa existentes no País, as Usinas Nucleares deveriam servir apenas como centros de treinamento e desenvolvimento de tecnologia, assim como o Centro de Tecnologia Nuclear do Nordeste, que funcionana no Campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), deveriam peparar técnicos especializados nessa área indispensável para a indústria de medicamentos específicos, esterilização de alimentos e outros fins pacíficos.
Assim, a escolha do tipo de energia que vai ser usada por cada país depende de fatores variados, predominando o econômico, e de recursos variados da Natureza. O importante é que a energia, que é um bem até certo poto renovável, vai se tornando cada vez mais limpa. Países ricos sofrerão um pouco quando forem obrigados a mudarem suas matrizes energéticas. Perderão espaço para aqueles que dispõem de recursos naturais mais abundantes, recicláveis mas não propriamente renováveis. As nações localizadas próximas ao Círculo Polar Ártico ou no Mar da Noruega já têm dificuldade para instalarem sistemas produtores de energia baseados em barragens. Nessa região, muitos meses por anos a água resfria a um ponto de impossibilitar sua utilização para mover tutbinas. Por isso partiram na frente, instalando fontes eólicas. É importante que seja dito que fazendeiros desses paíse frios investiram pesado implantando equipamentos de produção de energia eólica; a ideia deu tão certo que eles estão ganhando dinheiro com seus projetos; suprimem suas necessidades de energia elétrica para acionar seus silos, mover as máquinas forrageiras que produzem o feno que vai alimentar o gado durante o inverno, iluminam suas fazendas e ainda contam com um excedente que é vendido às indústrias mais próximas ou às empresas distribuidoras de energia elétrica. Um exemplo que deve ser seguido por países de outras regiões ou Continentes onde os recursos naturais para produção de energia são escassos. E num futuro mais próximo do que se imagina essa discussão sobre nergia limpa estará dominando as reuniões dos citados grupos, ou grupos novos e diferentes estarão sendo criados para esse fim, e o mundo assistirá mais uma vez a incapacidade humana para lidar com a universalização ou padronização de métodos, sem interferência da vontade dos poderosos de hoje. Será?
Os líderes dos países mais ricos do mundo, em sucessivas reuniões têm discutido a situação da economia mundial. É o Grupo dos 8, os oitos países mais ricos do mundo, é o G 20, que congregam os vinte países mais desenvolvidos do Planeta, Brasil no meio; tem o BRINCS (grupo composto do Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul); tem ainda a Conferência dos Países Africanos, a Liga Árabe e outros organismos que representam grupos de países. O foco dessas reuniões tem sido o equilíbrio das contas dos países mais ricos, principalmente, os da União Europeia da zona do euro, o Japão e os Estados Unidos. Esses países representam a maior concentração de renda do mundo; e comandam as ações de transações econômicas, financeiras e cambiais que aceleram o desenvolvimento das indústrias, da agricultura, do comércio, dos serviços.
Abstraindo-nos de considerações puramente econômico-financeiras, para fazer funcionar essa colossal máquina econômica que aquece os negócios no mundo inteiro é necessária uma fonte de força. A energia que se transforma em força pode ter várias origens. A Energia Nuclear, a Energia Hidroelétrica, as Termoelétricas, movidas a óleo diesel e de longe a mais poluente de todas; a Energia Solar, captada das emanações solares através de painéis apropriados; a Energia Eólica e outras fontes de captação de força. As nações fazem a escolha de suas fontes de energia, e suas opções têm a ver com as condições geográficas, hidrográficas, intensidade dos ventos e uma série de fatores que interferem diretamente na seleção da fonte. E a origem das fontes indica a qualidade da energia que vai ser utilizada. Isso tem a ver com a limpeza da energia produzida. Energia limpa é aquela que não causa danos ao meio ambiente. E não são todos os países que por suas condições geográficas e hidrográficas, eólicas e outros requisitos climáticos podem dispor de energia limpa. Nações como o Japão e alguns países europeus não dispõem de condições favoráveis para implantação de um sistema gerador de energia hidrografia, aquela que é produzida pela barragem das águas de um rio, acionam enormes turbinas geradoras da energia que vai mover as fábricas, acionam o comércio e iluminam as ruas das cidades. Essas Nações precisam apelar para fontes outras, como a Energia Nuclear. Outras já utilizam em grande escala a Energia Eólica, aquela em que os ventos movem enormes hélices que acionam geradores e vão alimentar a demanda da produção econômica. Mas só as nações ricas ou que tenham desenvolvido altas tecnologias na área nuclear podem dispor do recurso dessa energia, que a partir do drama de Fukushima mostrou não ser nada limpa. É o caso do Japão, e de um certo modo da Alemanha e de outras nações europeias. A Holanda e outros países europeus já usam a energia eólica em grande escala. No Brasil, essa fonte de energia, embora em franca expansão com a instalação de duas fábricas em SUAPE, ainda é incipiente.
A energia mais limpa é a hidrográfica. O Brasil possui o maior parque produtor dessa energia no mundo inteiro. Mas esse tipo de energia, se não polui, destrói o Meio Ambiente, com a devastação de grandes áreas de florestas para implantação dos projetos, desalojamento de muitas tribos indígenas e consideráveis núcleos populacionais dos chamados povos da floresta, aqueles que vivem da coleta do produto do seringal e de frutos, principalmente castanhas.Mas o País possui enormes recursos que possibiitam o incremento em grande escala da Energia Eólica, pois, graças às suas dimensões continentais, têm em todas as regiões grandes áreas canalizadoras de fortes ventos. Além de ser mais barata e mais prática, a Energia Eólica, se implantada em grande escala no País poderia ofercer opções de energia para seu desenvolvimento,transformando a matriz ennergética e fazendo muitos rios voltarem aos seus cursos antigos e disponibilizando enormes áreas de terras férteis para a agricultura. Por sua vez, a Energia Solar poderá ter sua tecnologia mais aperfeiçoada, com miniaturização dos panéis e potencialização do armasenamento da energia a ser transformada e distribuída,
Há em funcionamento no País duas Usina Nucleares, um terceira está em fase de contrução e uma quarta está sendo planejada para ser instalada no Nordeste. Pode representar um reforço ao sistema hidrográfico que move a engrenagem industrial do Brasil. Mas como não é uma energia confiável em termos de "limpesa de processamento", por apresentar riscos potenciais aos trabalhadores, às populações vizinhas e ao Meio Ambiente (basta ver o caso recente de Fukushima, no Japãp), no Brasil esse sistema deveria ser repensado, como já o foi nos países europeus que pretendem aboli´-lo em poucos anos. Com tantas fontes alternativas de produção de energia limpa existentes no País, as Usinas Nucleares deveriam servir apenas como centros de treinamento e desenvolvimento de tecnologia, assim como o Centro de Tecnologia Nuclear do Nordeste, que funcionana no Campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), deveriam peparar técnicos especializados nessa área indispensável para a indústria de medicamentos específicos, esterilização de alimentos e outros fins pacíficos.
Assim, a escolha do tipo de energia que vai ser usada por cada país depende de fatores variados, predominando o econômico, e de recursos variados da Natureza. O importante é que a energia, que é um bem até certo poto renovável, vai se tornando cada vez mais limpa. Países ricos sofrerão um pouco quando forem obrigados a mudarem suas matrizes energéticas. Perderão espaço para aqueles que dispõem de recursos naturais mais abundantes, recicláveis mas não propriamente renováveis. As nações localizadas próximas ao Círculo Polar Ártico ou no Mar da Noruega já têm dificuldade para instalarem sistemas produtores de energia baseados em barragens. Nessa região, muitos meses por anos a água resfria a um ponto de impossibilitar sua utilização para mover tutbinas. Por isso partiram na frente, instalando fontes eólicas. É importante que seja dito que fazendeiros desses paíse frios investiram pesado implantando equipamentos de produção de energia eólica; a ideia deu tão certo que eles estão ganhando dinheiro com seus projetos; suprimem suas necessidades de energia elétrica para acionar seus silos, mover as máquinas forrageiras que produzem o feno que vai alimentar o gado durante o inverno, iluminam suas fazendas e ainda contam com um excedente que é vendido às indústrias mais próximas ou às empresas distribuidoras de energia elétrica. Um exemplo que deve ser seguido por países de outras regiões ou Continentes onde os recursos naturais para produção de energia são escassos. E num futuro mais próximo do que se imagina essa discussão sobre nergia limpa estará dominando as reuniões dos citados grupos, ou grupos novos e diferentes estarão sendo criados para esse fim, e o mundo assistirá mais uma vez a incapacidade humana para lidar com a universalização ou padronização de métodos, sem interferência da vontade dos poderosos de hoje. Será?
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
A UNIÃO EUROPEIA AFUNDA
( OS EMERGENTES PAGAM O PATO)
A reunião do G 20 (os 20 países mais ricos do mundo, Brasil no meio, como era de se esperar, foi um fracasso, como fracassadas foram as últimas reuniões do Grupo dos 8, as oitos mais ricas nações do mundo. A fundação da União Europeia gerou muitas expectativas para o mundo desenvolvido e para os países emergentes que poderiam contar com um mercador consumidor de grande porte para os seus produtos.. Mas a União Europeia acabou se ransformando num problema para os próprios europeus. A adoção de uma moeda única - o euro - seria a salvação da lavoura já ameaçada pelos temporais vindos da parte norte do Continente Americano. À exceção da Inglaterra, que não adotou o euro, as outras nações do grupo andam mal das pernas. Atoladas em dívidas, com altas taxas de desemprego e com uma política de redução dos salários do trabalhadores, essas nações amargam revezes sobre revezes. A crise econômica mundial, pretensamente iniciada pela quebra do sistema financeiro da habitação dos Estados Unidos, na verdade representa um esgotamento do modelo capitalista das potências econômicas ocidentais e do próprio sistema capitalista como única forma viável de organização política e social pensada pelo Ocidente.
Esse esgotamento estreitou a margem de manobras dos países mais ricos, reduziu a capacidade de produção dos mesmos pelo cansaço do mercado. Essa síndrome acabou contaminando o mundo inteiro. Hoje se uma nação europeia da zona do euro dá um espirro, todas as demais nações do sistema contraem gripe e o virus dessa gripe não tarda a chgas a todos os recantos da Terra.
Esse mundo globalizado cria monstros como Sílvio Berlusconi, chefe de governo da Itália, loucos como George Papandreou, primeiro-ministro da Grécia e patetas como Nicolas Sarcozy, presidente da França.
Em meio a essa crise que só tende a aumenta, os líderes dos países mais ricos agora apelam para os países emergentes vendo neles uma taboa de salvação como náufragos buscando a qualquer custo uma oportunidade de sobrevivência. A economia dos países ricos da zona do euro é três vezes maior do que a gigantesta economia chinesa. Mas nenhum deles, ou talvez o conjunto deles, possui uma colossal reserva de 3 trilhões de dólares. A China é hoje o grande motor da economia mundial e se desacelerar seu crescimento econômicos os efeitos dessa desaceleração atingirão a todas as nações, começando pelas europeias, passando pelos Estados Unidos, Japáo no meio. O Brsil corre por fora. Com uma reserva de 246 bilhões de dólares, pode vir a socorrer países ricos que torraram suas economias com políticas industriais e cambiais equivocadas. E a Índia, pode ser um bom coadjuvante nessa tarefa de socorrer os países europeus.
E assim, os países ricos da zona do euro, bem como Estados Unidos e Japão, estão á beira da falência, afundam nas suas políticas de um roch de uma nota só, e no fundo os países emergentes acabarão pagando a conta. Mundo conturbado, esse em qua vivemos! Vai entender.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
GRÉCIA, Ó VELHA GRÉCIA!
Berço da Democracia, núcleo da Civilização Ocidental, a Grécia se redime dos erros que vem cometendo contra seus cidadãos. Depois de muitas lutas nas ruas das principais cidades contra os pacotes elaborados pelo Banco Central Europeu e órgãos de controle da Comunidade da zona do euro, eis que o primeiro-ministro Georges Papandreou, a beira de ver seu governo desmoronar por um voto de desconfiança do Parlamento Grego, toma uma medida que faz lembrar os velhos tempos. Decide que as medidas impostas pela Comunidade de Nações que formam a zona do euro devem passar pelo crivo de um referendo popular para ter validade. Isso mesmo, o povo soberano é que decide se quer se submeter às exigências de outras nações.

Verdade que a economia da Grécia de há muito chegou ao fundo do poço. Com uma moeda fraca, endividada interna e externamente, contas sempre no vermelho, altas taxas de desemprego, o governo grego recebeu sinalização da União Europeia para ajudar na sua recuperação econômica. O preço dessa ajuda, no entanto, é muito alto. Demissão de milhares de servidores públicos, redução dos salários dos trabalhadores, freio nos investimentos para formar poupança que garanta o pagamento da transferência de fundos, entre outras medidas impopulares. A reação popular foi imediata. Pior: a oposição ganhou musculatura e convocou assembleia para decidir sobre o futuro do governo.
Noutra frente, além dos aportes de recursos já aprovados e parte já transferida para o governo grego, um grupo de nações europeias da zona do euro resolveu esta semana reduzir a dívida externa grega, perdoando metade dos ativos dessa dívida. A benevolência europeia coincide com a reunião do G-20, o grupo das vinte nações mais ricas do mundo, Brasil no meio, que se reúne a partir de amanhã em Cannes. O encontro dos líderes mundiais visa encontrar saídas para a crise econômica que atinge todos os países. Principalmente, buscar uma forma de minimizar os efeitos da crise sobre os países mais pobres, combater a fome que atinge extensas áreas da África e de algumas regiões da Ásia e fomentar o combate às doenças. A notícia da decisão grega pegou de surpresa os líderes europeus e certamente amedrontou os demais líderes mundiais que já estão na França.

George Papandreou propõe referendo popular para aprovar as medidas impostas pelo BC Europeu
A medida adotada por George Papandreou pode ter um efeito redentor e efetivo, preservando seu governo, retomando o crescimento econômico do País, ou, inversamente, sob pressão das lideranças internacionais, apressar a queda do primeiro-ministro e transformar a Grécia num campo de batalha que acabe numa guerra civil. Seja lá como for, as medidas adotadas pelo governo remete aos primórdios da Grécia, que ensinou a todos as nações que o governo delas é o povo. É a redescoberta da democracia, a reafirmação do princípio da soberania e da autodeterminação dos povos.
Berço da Democracia, núcleo da Civilização Ocidental, a Grécia se redime dos erros que vem cometendo contra seus cidadãos. Depois de muitas lutas nas ruas das principais cidades contra os pacotes elaborados pelo Banco Central Europeu e órgãos de controle da Comunidade da zona do euro, eis que o primeiro-ministro Georges Papandreou, a beira de ver seu governo desmoronar por um voto de desconfiança do Parlamento Grego, toma uma medida que faz lembrar os velhos tempos. Decide que as medidas impostas pela Comunidade de Nações que formam a zona do euro devem passar pelo crivo de um referendo popular para ter validade. Isso mesmo, o povo soberano é que decide se quer se submeter às exigências de outras nações.

Verdade que a economia da Grécia de há muito chegou ao fundo do poço. Com uma moeda fraca, endividada interna e externamente, contas sempre no vermelho, altas taxas de desemprego, o governo grego recebeu sinalização da União Europeia para ajudar na sua recuperação econômica. O preço dessa ajuda, no entanto, é muito alto. Demissão de milhares de servidores públicos, redução dos salários dos trabalhadores, freio nos investimentos para formar poupança que garanta o pagamento da transferência de fundos, entre outras medidas impopulares. A reação popular foi imediata. Pior: a oposição ganhou musculatura e convocou assembleia para decidir sobre o futuro do governo.
Noutra frente, além dos aportes de recursos já aprovados e parte já transferida para o governo grego, um grupo de nações europeias da zona do euro resolveu esta semana reduzir a dívida externa grega, perdoando metade dos ativos dessa dívida. A benevolência europeia coincide com a reunião do G-20, o grupo das vinte nações mais ricas do mundo, Brasil no meio, que se reúne a partir de amanhã em Cannes. O encontro dos líderes mundiais visa encontrar saídas para a crise econômica que atinge todos os países. Principalmente, buscar uma forma de minimizar os efeitos da crise sobre os países mais pobres, combater a fome que atinge extensas áreas da África e de algumas regiões da Ásia e fomentar o combate às doenças. A notícia da decisão grega pegou de surpresa os líderes europeus e certamente amedrontou os demais líderes mundiais que já estão na França.
George Papandreou propõe referendo popular para aprovar as medidas impostas pelo BC Europeu
A medida adotada por George Papandreou pode ter um efeito redentor e efetivo, preservando seu governo, retomando o crescimento econômico do País, ou, inversamente, sob pressão das lideranças internacionais, apressar a queda do primeiro-ministro e transformar a Grécia num campo de batalha que acabe numa guerra civil. Seja lá como for, as medidas adotadas pelo governo remete aos primórdios da Grécia, que ensinou a todos as nações que o governo delas é o povo. É a redescoberta da democracia, a reafirmação do princípio da soberania e da autodeterminação dos povos.
ENEM 2011 UM CASO DE POLÍCIA
E N E M 2011
UM CASO DE POLÍCIA
O USO DE QUESTÕES DE CADERNOS DE TESTES PELO COLÉGIO CHRISTUS CONSTITUI UMA APROPRIAÇÃO INDEVIDA E UM MAU EXEMPLO PARA A JUVENTUDE * HÁ INTERESSES EM JOGO * O MINISTÉRIO PÚBLICO DEVERIA ANALISAR A QUESTÃO E PEDIR ABERTURA DE INVESTIGAÇÃO POLICIAL * O SINDICATO DOS PROFESSORES DO CEARÁ TAMBÉM TEM UM PAPEL IMPORTANTE NA QUESTÃO, SE ISENTO *
A decisão da Justiça Federal no Ceará anulando 13 questões do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) aplicado há poucos dias em todo o território nacional pode trazer prejuízos incalculáveis para milhões de pessoas que se submeteram aos testes de conhecimentos gerais. O magistrado, mal assessorado ou talvez arrogante, não levou em consideração os aspectos éticos da questão, cingindo-se, como é comum em decisões judiciais, a considerar os argumentos constantes dos autos de provas compostas de declarações de professores e alunos de um colégio particular cearense onde houve apropriação indevida de questões pertinentes ao ENEM. A decisão é algo dúbia, inconclusa e pode ser revista através de recursos. A questão deve ser despolitizada. O MEC realiza testes anuais para avaliar a qualidade dos testes que serão aplicados em âmbito nacional. Esses testes são localizados, não têm caráter nacional. E foi justamente num colégio onde testes preliminares foram realizados há uns dois anos que surgiram as denúncias de “vazamento”. Não houve vazamento de questões. Houve, sim, má-fé de professores ou da direção do colégio, em usando questões de Cadernos de Testes de Qualidade do Exame, ludibriar a opinião pública e tentar privilegiar seus alunos em detrimento da grande maioria dos demais candidatos aos exames.
Se não houve vazamento, conforme afirma o INEP, houve, então, o uso indevido de material pertencente ao MEC. Os alunos do colégio CHRISTUS, bem como os professores que utilizaram as questões em provas internas, estão ai a gritar contra os exames do ENEM recentemente aplicados. Querem a anulação das provas do ENEM em todo o território nacional e realização de novas provas. Eles têm o direito de espernear, é um ponto pacífico da Constituição, do Direito Civil e da Democracia. Mas não podem agir em causa própria, alegando inocência. Também os professores que elaboraram as provas internas, e agora fazem coro uníssono com os alunos, agiram de forma antiética, para dizer o mínimo. E o colégio CHRISTUS, que diz? Seus diretores são condutores da juventude e guardiães da lisura do ensino. Não podem concordar com essa palhaçada que visa beneficiar uns poucos alunos filhinhos de papai em detrimento de milhares de outros, na sua maioria oriundos de escolas públicas e sem o poder de contratar advogados famosos para os defenderem.
O Ministério Público deveria ter outra postura no caso e de forma mais vigorosa, apreciar a questão sob esse ângulo do beneficiamento indevido de alunos de colégio particular, denunciar a manobra e pedir a abertura de inquérito policial para investigar a forma como as questões do ENEM, que são de propriedade e responsabilidade do INEP, foram implantadas em provas internas de escola particular. A bancada da educação da Câmara dos Deputados faz vistas grossas para a questão. Também pudera! Os donos de colégio (ou seus representantes) que compõem essa bancada torcem pelo fracasso do ENEM como opção para substituir o velho e decadente vestibular. A forma antiga lhes é mais palatável, pois representa mais lucros.
E assim, a partir de um fato isolado que a esperteza de alguns alunos ajudados por alguns professores, e com a conivência dos diretores da escola CHRISTUS, tenta manchar um programa que vem se esforçando para se afirmar como forma viável de avaliação de conhecimentos básicos, pode acabar num caso de polícia, onde se identifiquem os responsáveis por essa tentativa de lesar o ensino no País. O Sindicato dos Professores do Ceará, se for agir de forma isenta, deve pedir essa investigação. Deve ser de seu interesse identificar e punir exemplarmente os responsáveis. Esse é também um papal da educação.
UM CASO DE POLÍCIA
O USO DE QUESTÕES DE CADERNOS DE TESTES PELO COLÉGIO CHRISTUS CONSTITUI UMA APROPRIAÇÃO INDEVIDA E UM MAU EXEMPLO PARA A JUVENTUDE * HÁ INTERESSES EM JOGO * O MINISTÉRIO PÚBLICO DEVERIA ANALISAR A QUESTÃO E PEDIR ABERTURA DE INVESTIGAÇÃO POLICIAL * O SINDICATO DOS PROFESSORES DO CEARÁ TAMBÉM TEM UM PAPEL IMPORTANTE NA QUESTÃO, SE ISENTO *
A decisão da Justiça Federal no Ceará anulando 13 questões do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) aplicado há poucos dias em todo o território nacional pode trazer prejuízos incalculáveis para milhões de pessoas que se submeteram aos testes de conhecimentos gerais. O magistrado, mal assessorado ou talvez arrogante, não levou em consideração os aspectos éticos da questão, cingindo-se, como é comum em decisões judiciais, a considerar os argumentos constantes dos autos de provas compostas de declarações de professores e alunos de um colégio particular cearense onde houve apropriação indevida de questões pertinentes ao ENEM. A decisão é algo dúbia, inconclusa e pode ser revista através de recursos. A questão deve ser despolitizada. O MEC realiza testes anuais para avaliar a qualidade dos testes que serão aplicados em âmbito nacional. Esses testes são localizados, não têm caráter nacional. E foi justamente num colégio onde testes preliminares foram realizados há uns dois anos que surgiram as denúncias de “vazamento”. Não houve vazamento de questões. Houve, sim, má-fé de professores ou da direção do colégio, em usando questões de Cadernos de Testes de Qualidade do Exame, ludibriar a opinião pública e tentar privilegiar seus alunos em detrimento da grande maioria dos demais candidatos aos exames.
Se não houve vazamento, conforme afirma o INEP, houve, então, o uso indevido de material pertencente ao MEC. Os alunos do colégio CHRISTUS, bem como os professores que utilizaram as questões em provas internas, estão ai a gritar contra os exames do ENEM recentemente aplicados. Querem a anulação das provas do ENEM em todo o território nacional e realização de novas provas. Eles têm o direito de espernear, é um ponto pacífico da Constituição, do Direito Civil e da Democracia. Mas não podem agir em causa própria, alegando inocência. Também os professores que elaboraram as provas internas, e agora fazem coro uníssono com os alunos, agiram de forma antiética, para dizer o mínimo. E o colégio CHRISTUS, que diz? Seus diretores são condutores da juventude e guardiães da lisura do ensino. Não podem concordar com essa palhaçada que visa beneficiar uns poucos alunos filhinhos de papai em detrimento de milhares de outros, na sua maioria oriundos de escolas públicas e sem o poder de contratar advogados famosos para os defenderem.
O Ministério Público deveria ter outra postura no caso e de forma mais vigorosa, apreciar a questão sob esse ângulo do beneficiamento indevido de alunos de colégio particular, denunciar a manobra e pedir a abertura de inquérito policial para investigar a forma como as questões do ENEM, que são de propriedade e responsabilidade do INEP, foram implantadas em provas internas de escola particular. A bancada da educação da Câmara dos Deputados faz vistas grossas para a questão. Também pudera! Os donos de colégio (ou seus representantes) que compõem essa bancada torcem pelo fracasso do ENEM como opção para substituir o velho e decadente vestibular. A forma antiga lhes é mais palatável, pois representa mais lucros.
E assim, a partir de um fato isolado que a esperteza de alguns alunos ajudados por alguns professores, e com a conivência dos diretores da escola CHRISTUS, tenta manchar um programa que vem se esforçando para se afirmar como forma viável de avaliação de conhecimentos básicos, pode acabar num caso de polícia, onde se identifiquem os responsáveis por essa tentativa de lesar o ensino no País. O Sindicato dos Professores do Ceará, se for agir de forma isenta, deve pedir essa investigação. Deve ser de seu interesse identificar e punir exemplarmente os responsáveis. Esse é também um papal da educação.
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