Sou de um tempo em que
a ceia de Natal reunia o núcleo familiar depois das festanças na frente do
barracão do engenho. E o réveillon era um momento íntimo da família cujos
membros vinham dos lugares mais distantes para a casa do patriarca ou da pessoa
mais idosa do clã, que no caso era meu pai. A mesa farta, no Natal, com frangos
e patos assados e churrasco suíno cujas sobras eram regiamente distribuídas com
os trabalhadores, que dificilmente tinham o que comer em casa. Na Virada de
Ano, frangos recheados assados ao forno de lenha, risoto de frango, muita farofa
amarela, bolos de massa de mandioca e de milho e um nunca ausente peru. Só que,
à exceção do meu pai, ninguém gostava de peru mas sim do frango recheado de
minha mãe, e mais uma vez as sobras fartas iam para as famílias dos trabalhadores do engenho.
Pouca bebida, uma taça para cada adulto, muita música extraída da sanfona, dança de roda, sapateado e a
alegria varava a madrugada. Bons tempos que não voltam mais!
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