MENTE SONÂMBULA
Em noites de vigília
insone se contorce na cama
Debalde tenta dormir
o sono que reponha energias
Perdidas no lufa-lufa
do cansativo cotidiano...
E não raro, se
contorcendo, quase sonâmbula,
Cai da cama e dorme no
chão, chão duro e frio.
Presa a protocolos e coisas tais, tudo formal,
Não vive sua vida de
mulher linda, sensível e culta.
Escrava de uma jura de
muitos anos, acaba como que
Prisioneira de si
mesma, numa renúncia a anular
Suas aspirações, seus
projetos, seus anseios e desejos.
Num ambiente de
ostentação, onde mais vale o PARECER,
Relegados os conceitos
de que é bem melhor SER...
Acorrentada ao querer
dos que a cercam e veneram,
Esquece de viver a
própria vida, como se alguém por ela
vivesse.
Como que vigiada, sem
liberdade, se isola no quarto escuro
E conversa com seus fantasmas,
suas reais companhias;
Se arrastando sozinha
por dentro de casa, sofre, chora,
E num sofrimento que
ninguém ver se submete sem reclamar
Essa escravidão branca,
que lhe tolhe a vontade, o querer.
De tanto penar sem ao
menos perceber o drama que vive,
Vai levando a vida como
se robotizada se tornou;
Sonolenta sem saber
dormir, acorda na madrugada fria
E nem sempre acerta a
cozinha onde água vai beber.
Mente sonâmbula, vaga
na própria cama, e dela às vezes cai.
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