“TURBULÊNCIA” NA
INFORMAÇÃO
A morte de Paulo Cezar
Morato, cujo corpo foi encontrado num motel em Olinda, é um desses casos que
jamais será devidamente esclarecido. Testa de ferro de esquema de corrupção
envolvendo desvio de dinheiro de obras públicas, o caso de PC Morato se assemelha ao de PC Farias. Não dá pra enfiar goela
abaixo das pessoas de mediano
entendimento que PC Morato morreu no motel. Tal como aconteceu com PC Farias, a morte de Morato, considerado então foragido, foi planejada e executada sabe-se lá por quem em qualquer outro ponto da cidade, do Estado. A
perícia concluiu apressadamente que o testa de
ferro morreu envenenado por “chumbinho”,
um produto usado como defensivo agrícola. Segundo a perícia, Morato chegou ao
motel “sozinho num carro”. Ironicamente, outra informação diz que as câmeras de
segurança do motel estavam “desligadas” naquele horário. O perito informa que
“recebeu ordens” para “suspender a perícia”, pois “o caso já estava
elucidado”. E mais irônico é que a
delegada encarregada do caso, quatro dias depois do ocorrido resolveu
“periciar” o motel “para complementar
investigações". É liminarmente evidente que o local foi adredemente desfigurado.
PC Morato é um dos
envolvidos em desvio de verbas públicas
para pagar propina a políticos, inclusive para comprar o avião no
qual morreu o ex-governador e
ex-candidato à Presidência da República Eduardo Campos em acidente aéreo em São
Paulo. Investigado pela Operação “Turbulência”, uma ramificação da Operação
Lava Jato da Polícia Federal, com certeza PC Morato, que vivia modestamente no
município de Tamandaré, sabia demais e
poderia delatar figurões ligados ao
esquema. Por isso, era um arquivo vivo que deveria ser “queimado”. Há tanta incongruência nas peças investigatórias
que a polícia civil, encarregada das investigações das causas da morte do testa
de ferro anda tropeçando nos fatos. Os desencontros dos relatos sobre aquele corpo encontrado no motel, mais
do que ruídos, cria uma turbulência nas
informações, que talvez a história possa elucidar um dia, qualquer ano, sabe-se lá quando.
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