CUIDADO COM ESSES MÉTODOS
A PERSONALIDADE VISTA ATRAVÉS DAS CORES
Emílio J. Moura
A Cultura humana é cheia
de ismos. Costumes antiqüíssimos ou modernos produziram – e continuam
produzindo – vastos calhamaços de teorias, propostas, previsões, advertências e
tudo o mais. O leitor mais astuto acaba identificando logo de saída a natureza
daquela teoria que pesquisadores ou visionários tentam passar. De fato, é
preciso ficar alerta a respeito de teses ou idéias mirabolantes que muitas
vezes – e talvez inocentemente – tentando explicar a natureza das coisas criam
“patamares” ou “padrões” que estabelecem divisões ou criam classes
diferenciadas de pessoas. Este alerta é contra possíveis atos de discriminação.
Sociedades secretas
estabelecem normas rigorosas para seleção de seus membros. Grupos de linhas de
abordagens chamados de “alternativos” se insinuam como “naturais”, o que
implica em considerar artificiais os que se lhes opõem. Universidades começam a
admitir em seus quadros discentes pessoas classificadas “por quotas raciais”,
donde se infere que antes esses segmentos não tinham vez ali. Grupos que se
autointitulam “holísticos” criam métodos para medir a percepção das pessoas e outros
dessa mesma linha estabelecem caracteres para tipificar pessoas ou grupos de
pessoas. Desse cipoal de idéias cada uma mais esquisita do que a outra resulta
a suspeita de que tudo isso acaba criando vieses discriminatórios que em nada
beneficiam a raça humana.
O ser humano tem liberdade para
criar. O que quiser. Ou for capaz. Mas essa liberdade de criação, numa
sociedade justa, estará condicionada a não ultrapassar os limites da ética ou
da racionalidade. Caso contrário, se cai no torvelinho das paixões ou das
insensibilidades. E, antes de construir uma saída para a cilada em que a
Humanidade se meteu, cria-se mais uma forma de discriminação. E haja
preconceito!
Muitas toneladas de livros
“técnicos” ou “científicos” bem que poderiam ser queimadas na fogueira da
consciência dos leitores. A inteligência humana deve ser colocada a serviço da
Humanidade. Claro que se devem estudar raças e etnias, opções e crenças. Mas o
objetivo desse estudo deverá servir sempre como amostragem de que as
diferenciações de um grupo étnico para outro, de uma raça para outra são,
simplesmente, diferenças. Que todos
os indivíduos têm a mesma fisiologia, corre em suas veias o mesmo sangue e seu
nascimento, bem como seu fim, ocorre de forma idêntica.
O
estudo de cores, fisionomias, culturas, raças, crenças religiosas, tudo isso só
tem valor se visar à aproximação dos seres humanos e estabelecer uma aldeia
global onde não haja preconceitos e se crie um clima de paz e trabalho
construtivo com oportunidades para todos. Salvo distorções patológicas
irreversíveis, a aferição da personalidade se dá por bem-estar social, autoestima
e solidariedade, condições que só uma sociedade aberta e humanizada poderá oferecer. 09.10.2007
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