NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

sábado, 8 de dezembro de 2012


     CUIDADO COM ESSES MÉTODOS

 A PERSONALIDADE VISTA ATRAVÉS DAS CORES
                                        Emílio J. Moura

                      A Cultura humana é cheia de ismos. Costumes antiqüíssimos ou modernos produziram – e continuam produzindo – vastos calhamaços de teorias, propostas, previsões, advertências e tudo o mais. O leitor mais astuto acaba identificando logo de saída a natureza daquela teoria que pesquisadores ou visionários tentam passar. De fato, é preciso ficar alerta a respeito de teses ou idéias mirabolantes que muitas vezes – e talvez inocentemente – tentando explicar a natureza das coisas criam “patamares” ou “padrões” que estabelecem divisões ou criam classes diferenciadas de pessoas. Este alerta é contra possíveis atos de discriminação.
                 Sociedades secretas estabelecem normas rigorosas para seleção de seus membros. Grupos de linhas de abordagens chamados de “alternativos” se insinuam como “naturais”, o que implica em considerar artificiais os que se lhes opõem. Universidades começam a admitir em seus quadros discentes pessoas classificadas “por quotas raciais”, donde se infere que antes esses segmentos não tinham vez ali. Grupos que se autointitulam “holísticos” criam métodos para medir a percepção das pessoas e outros dessa mesma linha estabelecem caracteres para tipificar pessoas ou grupos de pessoas. Desse cipoal de idéias cada uma mais esquisita do que a outra resulta a suspeita de que tudo isso acaba criando vieses discriminatórios que em nada beneficiam a raça humana.
             O ser humano tem liberdade para criar. O que quiser. Ou for capaz. Mas essa liberdade de criação, numa sociedade justa, estará condicionada a não ultrapassar os limites da ética ou da racionalidade. Caso contrário, se cai no torvelinho das paixões ou das insensibilidades. E, antes de construir uma saída para a cilada em que a Humanidade se meteu, cria-se mais uma forma de discriminação. E haja preconceito!
            Muitas toneladas de livros “técnicos” ou “científicos” bem que poderiam ser queimadas na fogueira da consciência dos leitores. A inteligência humana deve ser colocada a serviço da Humanidade. Claro que se devem estudar raças e etnias, opções e crenças. Mas o objetivo desse estudo deverá servir sempre como amostragem de que as diferenciações de um grupo étnico para outro, de uma raça para outra são, simplesmente, diferenças. Que todos os indivíduos têm a mesma fisiologia, corre em suas veias o mesmo sangue e seu nascimento, bem como seu fim, ocorre de forma idêntica.
          O estudo de cores, fisionomias, culturas, raças, crenças religiosas, tudo isso só tem valor se visar à aproximação dos seres humanos e estabelecer uma aldeia global onde não haja preconceitos e se crie um clima de paz e trabalho construtivo com oportunidades para todos. Salvo distorções patológicas irreversíveis, a aferição da personalidade se dá por bem-estar social, autoestima e solidariedade, condições que só uma sociedade aberta e humanizada poderá oferecer.                                                                                                                                            09.10.2007

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