OS MAIAS E O FIM DO MUNDO
Você já provisionou alimentos,
água, remédios e tudo mais necessário numa situação de emergência extrema? Já
escolheu uma caverna ou um prédio aonde vai se refugiar na sexta-feira? Não?!
Então, você não sabe que o mundo vai acabar depois de amanhã, sexta-feira?
Na Guatemala e em Honduras, que
serviram de palco para a milenar civilização Maia, milhares de turistas são
esperados e as autoridades já montaram esquemas especiais de segurança para prevenir
tumultos. Na China, o regime já prendeu centenas de aproveitadores que espalhavam o pânico entre a população de determinadas cidades. Até mesmo na civilizada França, onde uma montanha é símbolo de misticismo,
as autoridades já isolaram os acessos ao local temendo distúrbios que possam
afetar a segurança do Departamento (estado). No Brasil, o Planalto Central é
destaque mundial para enfoque da questão do fim do mundo. Em cidades de Goiás,
e até nos arredores do Distrito Federal, uma infinidade de seitas de puro
misticismo espiritualista se arregimentam para se despedir do mundo. O Vale do
Amanhecer, uma seita xamanista situada a poucos quilómetros de Brasília e que congrega milhares
de seguidores, é bem conhecida no País e no exterior por seus rituais de misticismo que atraem e fixam à terra centenas de profissionais liberais que abandonam suas profissões em troca por "dias de paz". O Fantástico desse
domingo mostrou pessoas de formação universitária, até mesmo na área médica,
declarando suas crenças no fim do mundo.
Essas pessoas estavam estocando alimentos, água e outros itens
necessários numa situação assim. Setores do turismo mexicano põem lenha na
fogueira: o mundo acabará mesmo, segundo esses setores, no dia 21.12.2012. Será?
Toda essa discussão, que é
explorada pela mídia, tem como base a filosofia Maia, que segundo alguns
experts “prevê” o fim do mundo para essa data. Mas, será que esses experts
estão fazendo uma leitura correta do que
pensavam os Mais? Antes de mais nada, é bom esclarecer que o povo Maia existiu
entre os Séculos IV e IX a. C; essa civilização dominava importantes
conhecimentos científicos e elaborou uma linguagem clara e criativa; astronomia,
matemática, física, biologia humana e vegetal, sismografia, hidrografia e
muitas outras ciências eram estudadas pelos Maias. No campo da física os Maias
conheciam as reações quânticas - só desenvolvidas nas últimas décadas pela
civilização ocidental. Toda essa cultura dormiu por muitos séculos escondida
entre os códigos e símbolos da civilização milenar, até que a decodificação
trouxe à luz o vasto arsenal de conhecimentos que ela detinha. Todo esse conhecimento de ciências armazenado por um povo comprimido entre montanhas, numa região seca e assolada por intempéries períodicas! A filosofia maia não se ligava à mortes, mas à vida, privilegiando as causas superiores da humanidade, como Paz, Amor e Respeito; respeito do homem a si mesmo e ao ambiente onde vive. Fim de mundo, nunca; fim das mazelas morais que bloqueiam o convívio pleno entre as criaturas, cujas condutas geram consequências que devem ser reparadas individualmente. Sabe-se hoje,
que entre os Séculos IX e X a civilização maia, que ocupou extensas áreas de
terras das hoje conhecidas Guatemala, Honduras e península do Yucatán (sul do
México), ficou fragilizada pela seca que dizimou uma parte de sua população,
acabou dominada pelos Toltecas.
A filosofia maia se estrutura em
sete “profecias”. Na exiguidade deste espaço é impossível detalhar essas
profecias. Mas é possível afirmar, repita-se: os Maias nunca disseram nada referente
ao fim do mundo. Da primeira à última, há o estudo das condições climáticas, da
postura moral do homem diante da
Natureza e das consequências que as ações humanas maléficas poderão causar ao
ambiente e ao próprio ser humano, que “poderá desaparecer” da Terra se “não
passar a cuidar bem dela”. Os Maias não falam em pecado, mas ressaltam a “desobediência
aos ditames da Natureza” como causa dos males que afligem o homem. O ser humano
deve se programar para proteger a Natureza e a si mesmo, como forma de
sobrevivência diante das hecatombes previstas para esses tempos atuais. Os
Maias divide a história natural em ciclos, e cada ciclo tem sua importância na
preservação da Natureza e da própria humanidade. A interpretação dessa profecia,
é que o homem deve se regenerar, sintonizando-se com a Natureza e “libertando-se
do sofrimento”. O resto é exploração, trabalho de esperteza.
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