NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012


     OS MAIAS E O FIM DO MUNDO
Você já provisionou alimentos, água, remédios e tudo mais necessário numa situação de emergência extrema? Já escolheu uma caverna ou um prédio aonde vai se refugiar na sexta-feira? Não?! Então, você não sabe que o mundo vai acabar depois de amanhã, sexta-feira?
Na Guatemala e em Honduras, que serviram de palco para a milenar civilização Maia, milhares de turistas são esperados e as autoridades já montaram esquemas especiais de segurança para prevenir tumultos. Na China, o regime já prendeu centenas de aproveitadores que espalhavam o pânico entre a população de determinadas cidades. Até mesmo na civilizada França, onde uma montanha é símbolo de misticismo, as autoridades já isolaram os acessos ao local temendo distúrbios que possam afetar a segurança do Departamento (estado). No Brasil, o Planalto Central é destaque mundial para enfoque da questão do fim do mundo. Em cidades de Goiás, e até nos arredores do Distrito Federal, uma infinidade de seitas de puro misticismo espiritualista se arregimentam para se despedir do mundo. O Vale do Amanhecer, uma seita xamanista situada a poucos quilómetros de Brasília e que congrega milhares de seguidores, é bem conhecida no País e no exterior por seus rituais de misticismo que atraem e fixam à terra centenas de profissionais liberais que abandonam suas profissões em troca por "dias de paz". O Fantástico desse domingo mostrou pessoas de formação universitária, até mesmo na área médica, declarando suas crenças no fim do mundo.  Essas pessoas estavam estocando alimentos, água e outros itens necessários numa situação assim. Setores do turismo mexicano põem lenha na fogueira: o mundo acabará mesmo, segundo esses setores, no dia 21.12.2012. Será?
Toda essa discussão, que é explorada pela mídia, tem como base a filosofia Maia, que segundo alguns experts “prevê” o fim do mundo para essa data. Mas, será que esses experts estão fazendo uma leitura correta  do que pensavam os Mais? Antes de mais nada, é bom esclarecer que o povo Maia existiu entre os Séculos IV e IX a. C; essa civilização dominava importantes conhecimentos científicos e elaborou uma linguagem clara e criativa; astronomia, matemática, física, biologia humana e vegetal, sismografia, hidrografia e muitas outras ciências eram estudadas pelos Maias. No campo da física os Maias conheciam as reações quânticas - só desenvolvidas nas últimas décadas pela civilização ocidental. Toda essa cultura dormiu por muitos séculos escondida entre os códigos e símbolos da civilização milenar, até que a decodificação trouxe à luz o vasto arsenal de conhecimentos que ela detinha. Todo esse conhecimento de ciências armazenado por um povo comprimido entre montanhas, numa região seca e assolada por intempéries períodicas! A filosofia maia não se ligava à mortes, mas à vida, privilegiando as causas superiores da humanidade, como Paz, Amor e Respeito; respeito do homem a si mesmo e ao ambiente onde vive. Fim de mundo, nunca; fim das mazelas morais que bloqueiam o convívio pleno entre as criaturas, cujas condutas geram consequências que devem ser reparadas individualmente. Sabe-se hoje, que entre os Séculos IX e X a civilização maia, que ocupou extensas áreas de terras das hoje conhecidas Guatemala, Honduras e península do Yucatán (sul do México), ficou fragilizada pela seca que dizimou uma parte de sua população, acabou dominada pelos Toltecas.
A filosofia maia se estrutura em sete “profecias”. Na exiguidade deste espaço é impossível detalhar essas profecias. Mas é possível afirmar, repita-se: os Maias nunca disseram nada referente ao fim do mundo. Da primeira à última, há o estudo das condições climáticas, da postura  moral do homem diante da Natureza e das consequências que as ações humanas maléficas poderão causar ao ambiente e ao próprio ser humano, que “poderá desaparecer” da Terra se “não passar a cuidar bem dela”. Os Maias não falam em pecado, mas ressaltam a “desobediência aos ditames da Natureza” como causa dos males que afligem o homem. O ser humano deve se programar para proteger a Natureza e a si mesmo, como forma de sobrevivência diante das hecatombes previstas para esses tempos atuais. Os Maias divide a história natural em ciclos, e cada ciclo tem sua importância na preservação da Natureza e da própria humanidade. A interpretação dessa profecia, é que o homem deve se regenerar, sintonizando-se com a Natureza e “libertando-se do sofrimento”. O resto é exploração, trabalho de esperteza.

                                      

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