LUA CHEIA, MARÉS, LOBISOMEM
Lua cheia, gritos, uivos, arrepios,
lobisomem...
Noites difíceis, agitação,
expectativa, tempestades.
Sussurros, grunidos, latido de cães...
Horror!
Pálido, o miserável sentado no frio lagedo,
Aguarda o ato medonho para sangue
beber.
Casas em silêncio, portas cerradas;
angústia...
Famílias com medo, crianças trêmulas,
aflitas.
Meia-noite, o longo uivo lá distante
ecoa.
Amaldiçoado, o mísero ser
se contorce,
E em vão da sinistra sina tenta se
libertar.
O cão danado faminto ganha a
campina...
Lua cheia, morcegos, corujas, mar
agitado.
Na praia deserta o ente pisa a água borbulhante,
Solitário e Já sem forças, pálido cai na areia fria
E a espuma do refluxo da maré à baba
se mistura.
Lua cheia... Uivos, medo, vou no
balanço da maré....
Sem remo e sem rumo, à deriva de mim
mesmo.
Histórias sem nino que me contavam no
terraço
Da casa grande do engenho da minha
infância.