NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013


    LUA CHEIA, MARÉS, LOBISOMEM
Lua cheia, gritos, uivos, arrepios, lobisomem...
Noites difíceis, agitação, expectativa, tempestades.
Sussurros,  grunidos, latido de cães... Horror!
Pálido, o miserável sentado no frio lagedo,
Aguarda o ato medonho para sangue beber.
Casas em silêncio, portas cerradas; angústia...
Famílias com medo, crianças trêmulas, aflitas.
Meia-noite, o longo uivo lá distante ecoa.
Amaldiçoado, o  mísero ser  se contorce,
E em vão da sinistra sina tenta se libertar.
O cão danado faminto ganha a campina...
Lua cheia, morcegos, corujas, mar agitado.
Na  praia deserta o ente pisa a água borbulhante,
Solitário e Já sem forças,  pálido cai na areia fria
E a espuma do refluxo da maré à baba se mistura.
Lua cheia... Uivos, medo, vou no balanço da maré....
Sem remo e sem rumo, à deriva de mim mesmo.
Histórias sem nino que me contavam no terraço
Da casa grande do engenho da minha infância.








terça-feira, 29 de outubro de 2013


                                      DIA DO LIVRO
Principal fonte de conhecimento, o livro está sendo celebrado hoje. O velho, útil e sempre presente livro impresso registra os fatos da saga humana através da história. É importante aliado dos estudantes e objeto de desejo de escritores, poetas, professores e  amantes da literatura em geral. Pura literatura, histórico, didático, religioso, forense, infantil, o livro é a forma por excelência de fixar  na história os fatos de uma época, de uma civilização, de uma cultura. A Bíblia é o símbolo do livro ocidental narrando a saga da nossa  formação cultural. O livro dos Vedas fala da milenar civilização hindu. O Alcorão retrata os fatos da cultura islâmica, prima-irmã da civilização judaica. Centenas de outros livros “sagrados” descrevem civilizações antigas - alguns já extintas e outras que passaram por transformações sob a influência de outras culturas dominantes.  E assim continuará sendo pelos séculos e milênios do porvir.
Os Sertões, de Euclides da Cunha, é um manancial de informações sobre história brasileira de fins do império e começos da República, mas também descreve aspectos físicos, químicos e biológicos  do nosso ambiente nesse período. O ciclo do açúcar não seria difundido sem o trabalho de José Lins do Rego, José Américo de Almeida e Gilberto Freire. Assim como o ciclo do cacáu seria apenas uma vaga memória sem os livros de Jorge Amado. Grande Sertão – Veredas, Sagarana e outros títulos revelam numa linguagem rebuscada as belezas do interior de Minas Gerais e dos sertões do Brasil na pena de (João) GUIMARÃES ROSA. Monteiro Lobato, Castor Alves, José de Alencar, Machados de Assis sistematizaram os costumes do povo brasileiro através de livros que brilham entre os mais importantes da literatura mundial.
O livro é o maior aliado de nossa saúde mental. Ler um livro  é um exercício prazeroso para nossa mente e  nos põe em dia com fatos recentes ou nos faz reviver epopeias antigas.   A propósito, você está lendo algum livro?  (Re)leio no momento o Homem Eterno, de Chesterton, mas não deixo de dá uma espiada em Jorge Amado (Capitães da Areia) e uma piscadinha num livro que me encanta- Cães de Guerra, de Frederick Forsyth.

-Meu amigo, o escritor Marcos Martins, está com seu 2º livro quase no prelo. Anseio para ler mais essa obra do jovem autor.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Olá, amigo.
Depois de algumas semanas de recesso forçado, estamos retornando ao batente.
É bom repetir: o Blog do Emílio é um espaço aberto ao debate. Dele podem participar quaisquer pessoa de mente aberta que queiram contribuir  para o aperfeiçoamento de nossa sociedade da sociedade brasileira. Todavia, o blog não envereda pelo desvão da intolerância sob quaiquer máscaras. Pretensos defensores da legalidade e do patriotismo toldam suas atitudes com posições radicais, interesseiras ou simplesmente querem aparecer.
A esse tipo de posicionamento não damos guarida. O blog continua aberto, e esperamos que os nossos leitores também.
                                    Obrigado.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013


-Sá Rosário, um homem lá fora pede água.
-Pois dê água ao pobre, sá  Marica.
-Aonde tem água, sá Rosário?
-Na coité, sá  Marica.
-Sá Rosário, seu “pobre homem” também quer doce!
-Pois dê doce a ele, sá Marica.
Maria Grande tinha ido à usina visitar a sogra. Aproveitaria a visita para se queixar de Mila à avó. O menino estava ficando insubordinado por causa de tanto mimo que Maria do Rosário lhe fazia. Estava saindo de casa a qualquer hora do dia, não pedia pra sair nem dizia pra onde estava indo. Se pegasse um cinturão e desse umas  lapadas nele para ele se endireitar, a avó ia meter a colher e ele ia ficar ainda mais afoito. Quem já se viu um menino de seis anos andar por ai afora,  pela beira do rio, no meio das canas e até pelo sítio mais longe. Tem cobra,  guará e jaguatirica e até uma onça pode aparecer de repente. A mãe do menino ia desfiando aquele rosário de reclamações, quando a sogra a interrompeu:
-Pode parar, sá Marica. Um dia sá Marica vai morrer envenenada mordendo a própria língua. Menino a gente educa com conselhos, carinho e bons exemplos; sá Marica por acaso é carreira com um chicote na mão e o meu neto é o boi do cambão para ser chicoteado?
Maria do Rosário, magrinha, nariz em ângulo reto, estudada no colégio diocesano e viajada pela Europa, falava mansinho, media cada palavra que ia dizer, mas não tinha receio de falar com ninguém. Era ela quem - de régua em punho nas sabatinas, dava aula de reforço para os filhos do coronel usineiro e da elite canavieira daquelas bandas. E em cujos cabriolés viajava quando precisava se deslocar para a cidade ou fazer uma visita no campo. Já Maria Grande, analfabeta, um metro e oitenta e tantos, feições indígenas,  musculosa, cabelos pretos e lisos a lhe caírem até à cintura,  vestida de paletó de ampoleta,  chegava montada em um cavalo de cela. Poucos homens podiam competir com ela.
                                                                    (...)

(Trecho do livro Sonhos e Ruinas – Pedaços de Memória de um Ser quase  Espedaçado)


     A UMA DEUSA
      Luiz Lisboa
«Tu és o quelso do pental ganírio
Saltando as rimpas do fermim calério,
Carpindo as taipas do furor salírio
Nos rúbios calos do pijom sidério.

És a bartólia do bocal empírio.
Que ruge e passa no festim sitério,
Em ticoteios de partano estírio,
Rompendo as gambias do hortomogenério.

Teus lindos olhos tem barlacantes
São camencúrias que carquejam lantes
Nas duras pélias do pegal balônio.

São carmentórios de um carce metálio,
De lúrias peles em que pulsa obálio
Em vertimbáceas do pental perônio

-Esta é uma de três versões conhecidas deste soneto “bestialógico” originariamente intitulado Antologia. Há outra versão corrida,  e uma terceira -modificada, provavelmente falsa.