FESTEJOS JUNINOS
O período junino é o maior dos festejos populares brasileiros, notadamente no Nordeste. Teoricamente, esses festejos começam na noite de 12 de junho, véspera do dia de Santo Antônio, mas também referendado como o Dia dos Namorados, quando os casais trocam presentes, e no folclore nordestino as moças solteiras se envolvem em práticas rituais de busca de um pretendente. Na prática, os festejos juninos, emcabeçados pelo São João, no dia 24 de junho,começam nos últimos dias de maio com os arranjos caseiros e o lançamento dos grandes eventos de música de ráizes nordestinas, atravessa o São João, passa pelo São Pedro, dia 29 de junho, conhecido como o Santo Guerreiro dos católicos, perpassa o mês de julho, indo até o fim deste mês dedicado à Sant"Ana, até o fim do mesmo e ainda se misturando com o Circuito do Frio, Festival de Música realizado nas cidades serranas de Pernambuco.
Casas estilizadas com bandeiras e balões multicoloridos enfeitando a sacada das residências; muitas ruas também engalanadas com bandeiras de papel colorido e vistosos balões pendentes do tetos de "palhoças", corredores improvisados com palhas de coco trançadas por onde passam os participantes de quadrilhas juninas. Infelizmente, essas "quadrilhas" hoje cada vez mais sofisticadas transformam o período junino num evento puramente comercial, com muito brilho e luxo que movimentm as áreas de produção e varejo de artigos de época, ocupam espaços públicos de grandes dimensões, recebem patrocínio de empresas ou políticos, selecionam seus membros, têm um dono, se movimentam de uma bairro para outro e até de uma cidade para outra numa espécie de campeonato onde ganha sempre o conjunto mais ricamente vestido e estilizado nos moldes dos desfiles de carnaval; bem diferente daquelas "quadrilhas" de até meados do século passado quando a espontaneidade das famílias, com seus membros vestidos de chita e com a cabeça coberta de chapéu -de - palha propiciavam às pessoas de todas as classes sociais uma dança simples e aconchegante em cada lugarejo deste imenso Nordeste.
Quadrilhas matutas, fogueiras crepitando em cada esquina e em quase todas as ruas, ruas enfeitadas, movimentação de pessoas em ônibus fretados, bares dando suporte aos eventos, fogos de artifício quase sempre perigosos disponibilizados para todas a idades; bombas de diversos potenciais ofensivos estouram no ar. Cabe aqui uma observação: este é também o período de maior sofrimento para muitas famílias. Os fogos de artifício quando manuseados inadequadamente por crianças e adolescentes inesperientes ou por adultos cujos reflexos foram freados pelo uso de bebidas alcóolicas podem produzir danos que vão de uma simples queimadura na mão até queimaduras graves de 1º, 2º ou 3º graus atingindo grande extensão do corpo, principalmente a parte mais sucetível a grandes danos como é o torax; ou ainda, provocar lesões tão graves das extremidades que levam`a amputação de um braço ou de uma perna. Quando não à morte. Fecha observação.
Na sala das casas (antigamente era nas palhoças atrás das residências) comidas feitas com esmero tendo como principal ingrediente o milho. Canjica, pamonha, munguzá, bolho de milho, milho cozido, milho assado, de preferência na fogueira, etc. Tem ainda os bolos de massa, bolos de mandioca e uma rica variedade de iguarias típicas dessa época.
Além das comidas de época, a música sertaneja não pode faltar. É o autêntico forró-pé-de-serra para o qual são necessários apenas uma sanfona, uma zabumba,um reco-reco e um triângulo. E animação, muita animação. Danças típicas da época como o xaxado, o coco-de-roda, o reisado, a ciranda e outras mais. Desde meados do século XX a música gravada vem animando os salões de festejos juninos do Nordeste. O baião, imortalizado pela figura ímpar de Luiz Gonzaga, batizado com justeza O Rei do Baião. Últimamente, a música sertaneja deixou de ser aquela canção plangente cantada ao som da voiola para se transformar em ritmo de massa interpretada por duplas sertanejas encontradas em todas as regiões do País.
Caruaru, em Pernambuco e Campina Grande, na Paraíba, são os dois maiores polos de animação
de festejos juninos. Essas duas cidades atraem milhares de turistas que ocupam a rede hoteleira, os restaurantes, bares, "arraiais matutos" dessas cidades do interior nordestino, fazendo o capital circular nessas áreas e rendendo impostos para as prefeituras. Seria injusto não citar aqui os festejos juninos do Pará, do Maranhão, do Piaui, de Alagoas e do Ceará. No Pará e no Maranhão, contudo, as figuras folclóricas do período junino são as mesmas do carnaval; mas atraem também milhares de turistas que engordam os serviços e as municipalidades de lá.
Finalmente, o ciclo junino, rico em manifestações populares, tem força e expressão de alta grandeza no Nordeste e em parte do Norte do Brasil. O São João chega a ser feriado regional. No Sudeste e no Sul do País o ciclo junino é quase desconhecido. Só em lugares dessas regiões onde a presença de nordestinos é mais marcante é que existe tímidas manifestações folclóricas desse ciclo de festas.Embora descaracterizadas em suas manfestações devido à influência do poder econômico, transformadas em eventos comerciais nas grandes cidades do Nordeste (assim como o dinheiro descaracterizou o carnaval carioca), os festejos juninos tendem a se perpetuar na vida dos nordestinos e a influenciar a cultura de outras regiões do País. Os veículos de comunicação de massa, como a televisão noticiam as festas do São João e apresentam ao vivo a riqueza do folclore nordestino, e isso com certeza tende a despertar a curiosidade dos habitantes das outras regiões do Brasil.
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