REFORMA POLÍTICA -PARTE II
A LISTA FECHADA É UM TEMA DE INTERESSE EXCLUSIVO DOS GRUPOS POLÍTICOS CONSERVADORES.
O projeto de reforma política atualmente em tramitação no Congresso não interessa à população brasileira. A essência desse projeto é a chamada "lista fechada". Nesse modelo de escolha de candidatos e votação prevalecem os interesses conservadores dos partidos políticos mais à direita. Verdade que há deputados do chamado campo de esquerda favoráveis a introdução na Lei Eleitoral dessa modalidade de escolha dos candidatos. Na lista fechada o eleitor deixa de participar da escolha dos candidatos aos mandatos proporcionais. Estes são escolhidos pelos partidos e o eleitor não tem opção de escolha para votar. É a imposição de nomes indicados pelas convenções partidárias. Perde o cidadão o direito de escolher livremente seus representantes. Aquele líder comunitário que se destacou no encaminhamento de soluções para os problemas de sua comunidade e conquistou a admiração e o respeito dos seus concidadãos ou aquele líder operário que foi forjado ao calor das lutas sindicais, defendendo sua categoria profissional ou segmentos da população na qual está inserido, esses fiquem sem vez. Nunca mais se verá um trabalhador - trabalhador legítimo desses que labutam a vida inteira ajudando a construir a riqueza do País ter uma oportunidade na vida política desta Nação. Nessa lista fechada estarão apenas os candidatos com recursos econômicos (ainda que a eleição seja de financiamento público), aqueles que façam parte das velhas e carcomidas elites brasileiras. Isso, no País inteiro; imagina aqui pelo Nordeste, onde ainda se pratica o coronelismo ou o conhecido voto de cabresto.
Vejam quem são os defensores desse sistema de lista fechada. Comecemos por José Sarney, para falar de um dos mais retógrados líderes políticos nodestinos. E bastaria falar deste para ilustrar o quanto essa proposta de reforma política é impopular e do interesse exclusivo dos grupos políticos mais conservadores deste País. Maurício Romão, que se jacta de ser PHd em gestão públicae que já ocupou cargos de importância no governo de Pernambuco, entre os quais secretário de Planejamento do Estado. É só analisar a atuação desse professor de economia na elaboração de políticas públicas aqui do Estado para se concluir porque ele é um dos principais interessados na aprovação desse sistema de lista fechada. Roberto Magalhães também é defensor da proposta. Além de Marco Maciel, um dos mais ardentes defensores da lista fechada. E com eles vai toda uma casta de políticos de origem na monocultura da cana-de-açúcar pernambucana, um dos setores mais geradores de pobreza para a população que nela trabalha, embora enriqueça as elites desse segmento empresarial acostumado a mamar nas tetas da viuva. Vão renegociando suas dívidas, recebendo novos financiamentos que nunca são pagos, nesse círculo vicioso que mantém as elites nordestinas dos usineiros e grandes fornecedores de cana do Nordeste, bem como dos grandes produtores rurais, latifundiários e lideranças da chamada bancada ruralista no Congresso Nacional e continuam dando as cartas no contexto desse sistema eleitoral e dessa cultura política ainda vigentes na região nordestina e, sob outras nuances, ainda predominantes nas demais regiões do País.
Emfim, a lista fechada é o retorno ao antigo sistema dos currais eleitorais que tanto infelicitaram este País até meados do século passado e vão sobrevivendo às custas da ignorância de um povo despolitizado, carente, por isso mesmo presa fácil das promessas utópicas dos políticos mateiros que querem mais espaço num cenário político-social onde eles são maioria esmagadora. Com isso tentam freiar as aspirações populares por uma representação política democrática, composta de pessoas com raízes nas comunidades e identificadas com essas aspirações.
Ainda temos muita coisa a comentar. Voltaremos ao tema em breve.
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