ATUALIDADES POLÍTICAS E ECONÔMICAS OPOSIÇÃO FALA A MESMA LÍNGUA DOS ECONOMISTAS
A PRESIDENTE DA REPÚBLICA TENTA ACERTAR
JUROS MAIS BAIXOS E POLÍTICA DE IMPORTAÇÃO
Economistas não se entendem quanto ao que nos espera logo ali na esquina. Os estrategistas do governo afirmam que as medidas adotadas pela gestão federal vão controlar a demanda e frear a inflação para deixar seus índices dentro do patamar programado. Nas mídias, os comentaristas têm ideias divergentes. A verdade é que a inflação está ai; é sentida toda vez que a dona de casa vai ao supermercado ou quando a classe média procura trocar o carro da família por um mais novo ou comprar um zero. A taxa de juros, talvez a maior do mundo, é rebaixada pelo COPOM e essa medida não é vista de forma consensual pelos economistas. Os juros altos - defendem uma linha de pensamento - servem de atrativo para o capital estrangeiro entrar no País. O capital estrangeiro, quando direcionado ao setor produtivo industrial, gera emprego e renda, aquece a economia. Economia aquecida, nestes tempos de crise financeira mundial, induz à inflação. Se a credibilidade do setor financeiro do País obedece padrões monetários internacionais – vale dizer: reza pela cartilha do FMI, tudo vai bem; a inflação fica sob controle e a crise se atenua. Fora desses padrões ditados pelo FMI o cenário é de crise, e crise que pode se agravar se as finanças da União Europeia não equilibrar a balança de pagamentos dos países da zona do euro e se a crise de liquidez do setor financeiro norte-americano não for solucionada pela gestão Obama.
As medidas cambiais aprovadas pela presidente Dilma Rousseff estão sendo defendidas com ardor pelo ministro da fazenda Guido Mantega e pelo presidente do Banco Central Alexandre Tombini. Além da queda dos juros, o governo determinou aumento de alíquota de exportação para carros estrangeiros que não têm fábrica no Brasil. As medidas poupam os carros importados que têm fábrica no País ou que agreguem valor tecnológico nacional, isto é, possuam componentes fabricados aqui. Os carros importados com esse valor agregado, na sua maioria, são fabricados no Uruguai e na Argentina, portanto dentro das normas de integração do Mercosul. A oposição questiona as medidas, num discurso dúbio a afirmar que elas geram inflação e prejudica o desenvolvimento do País. Mas é a oposição que vive apregoando que é necessário baixar juros, gerar emprego e garantir renda ao trabalhador brasileiro. Vai entender essa oposição e esse economês.
CENÁRIO INTERNACIONAL É DE CRISE
AS TURBULÊNCIAS DA ZONA DO EURO CONTAMINAM O RESTO DO MUNDO * A GRÉCIA PARECE FADADA A DÁ CALOTE * OS OUTROS PAÍSES EUROPEUS NÃO ENCONTRAM SAÍDAS * OS ESTADOS UNIDOS SE AFUNDAM EM DÉBITOS ÀS VESPERAS DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS * OBAMA DIZ QUE OPOSIÇÃO ESTÁ POLITIZANDO A CRISE QUE ELA MESMO CRIOU QUANDO ERA GOVERNO.
A Grécia – parece já ser consenso, não tem mais jeito: vai dar calote. E esse calote acabará contaminando as finanças dos demais países do bloco econômico europeu, que aprofundará a crise já instalada no Continente. A Itália, a economia mais forte do bloco depois da Alemanha, está bichada pela corrupção. É administrada por um político sem credenciais éticas e as ações do seu governo de certo modo se misturam com os procedimentos dos vários grupos mafiosos que dominam os negócios e a economia daquele País. O governo gasta mais do que arrecada. A população italiana, revoltada com a postura passiva de Silvio Berlusconi diante de tantas incertezas que rondam os negócios do País, pede a renúncia do primeiro-ministro. Mas Berlusconi, um homem rico, dono dos principais meios de comunicação da Itália e que leva uma vida pregressa não muito digna para um chefe de governo, é um político hábil, sabe
manipular as emoções do eleitorado italiano, e graças a isso se mantém no poder, que já ocupou outras vezes.
Na Espanha de José Luiz Zapatero, a situação não é mais confortável. As exportações caíram em meio à crise, o governo demitiu funcionários e a iniciativa privada faz o mesmo, escolhendo a economia do País para não agravar o déficit da balança. Até o setor agrícola, fortemente exportador para os países do bloco, sofreu queda com a rejeição de muitos dos seus produtos pelos europeus. A situação também não é boa na Irlanda, em Portugal e em outros membros do grupo do euro.
A chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) a ex-ministra francesa Cristine Lagarde, que substituiu o desmoralizado Dominique Strauss-Kahn, não tem boas notícias para o bloco europeu nem para o mundo. Segundo Lagarde, o FMI dispõe de uma reserva de 400 bilhões de dólares, e essa quantia talvez seja inferior a um quinto do que necessita o fundo para tapar os buracos das economias dos países do bloco europeu da zona do euro.
A França de Nicolas Sarcozy também se arrasta em meio a graves problemas. Já fez uma reforma trabalhista, amentando o tempo de serviço para aposentadoria dos seus trabalhadores, mexeu com salários e pode precisar ir mais fundo, reduzindo a ação do Estado na vida do País. Assistência médica e previdência social podem voltar a ser os próximos alvos. Sarcozy, embevecido com sua bela e jovem esposa, a cantora e ex-modelo Carla Bruni, perdeu recentemente as eleições legislativas e isso certamente é mais um complicador para sua gestão.
Em suma, praticamente nenhum país europeu da zona do euro escapa da crise que avassala o Velho Continente. A Alemanha, país mais rico do bloco, sofre com os problemas gerados pela integração nacional ao absorver as demandas da antiga Alemanha comunista. A Inglaterra, que não adotou o euro, não deixa de sofrer perdas econômicas, com o encolhimento dos negócios do bloco. E desse bloco vêm os reflexos que pioram a altamente deficitária economia norte-americana. Nos Estados Unidos, que terão eleições presidenciais no próximo ano, a corrida pela Casa Branca vai se tornando nervosa. O Presidente Barack Obama, candidato à reeleição, acusa os adversários do Partido Republicano de “politizarem” a crise. Pelo visto, a campanha eleitoral de lá, além de altamente onerosa aos cofres públicos, pode ser a mais suja dos últimos anos.
















