E AS INUNDAÇÕES SE REPETEM
Onde estão as autoridades brasileiras encarregadas de administrar calamidades públicas produzidas por eventos naturais? Os recentes acontecimentos registrados nas regiões serranas do Rio de Janeiro e em Minas Gerais (só para citar dois dos estados mais atingidos), em áreas por onde passam rios e em lugares densamente povoados onde as condições de segurança inexistem depõem contra essas autoridades. As áreas arrasadas pelas chuvas de verão dos últimos dois anos continuam em sua maioria devastadas, com as pessoas que ali moravam ainda desabrigadas ou sem um teto definitivo. Para complicar, as inundações ocorridas este ano (estão em curso), causaram mais dores, produziram mais mortes e desalojaram mais famílias de suas casas. Cidades que ficam em nível não compatível com o princípio da segurança das pessoas são arrasadas por enxurradas. Rios e córregos transbordam, prejudicam a atividade econômica dessas urbes e lançam ao desespero as famílias que moram nessas cidades.
Muito já foi comentado sobre o assunto. E muito ainda vai se falar. Vultosas verbas são liberadas para recuperação econômica e social, para construção de casas para abrigarem as pessoas vitimadas por esses acidentes climáticos. Mas no meio de tudo isso há uma classe de políticos corruptos que desviam as verbas, não constroem as casas para os desabrigados, e continuam impunes. Há uma legião de sugadores do dinheiro público encrustados nas esferas do Poder que habilmente enriquecem às custas da miséria da população castigada pelas intempéries. Há que se repensar o modelo de cidades em certas regiões do País. Há a necessidade de intervenções urgentes e rigorosas para reverter o quadro de miséria a que foram jogadas tantas pessoas nos estados acima aludidos e em outros sequer citados pela mídia. Mas há, sobretudo, a necessidade também urgente de se replanejar as cidades, remanejar os centros urbanos mais vulneráveis, importa dizer: transferir muitas dessas cidades para lugares mais seguros. Utopia? Não, seriedade no planejamento urbano e legislação mais severa para punir os responsáveis por tantas omissões ou descumprimento do dever de proteger as pessoas. Verbas se arranja, quando há a decisão política e a vontade de servir ao bem público.
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