A EUROPA NÃO SE ENCONTRA
A União Europeia continua vivendo seu drama de uma grande
organização institucional que tem viver
com os problemas pertinentes a cada um dos seus 27 membros. O bloco parece
irreversível; com ou sem o euro. O modelo
organizacional é admirável, grandioso e seria capaz de unir realmente as
nações da comunidade, não fossem esses problemas pontuais, ou seja: culturas
diferentes, povos com desejos de decidir
seus próprios destinos. Os dois principais parceiros do bloco econômico –
França e Alemanha, rivalizam na intenção de liderá-lo. A Alemanha, mais forte
do ponto de vista econômico, pretende consolidar sua liderança. O atual líder francês,
François Holland, parece ter mais jogo de cintura. A Espanha cada dia afunda na
sua economia e a população espanhola dá
uma demonstração de força ao parar as atividades econômicas do País com greves e manifestações de rua.
Portugal hoje está mais pobre do que quando entrou para o bloco. A Grécia, símbolo
da parte fracassada do sistema, vive um verdadeiro estado –de- guerra, com a
população nas ruas desafiando as forças policiais. Espanha, Portugal e Grécia representam
o que não poderia ter acontecido dentro do bloco. Aumento de impostos que
penalizam a parte mais pobre da população; demissão de funcionários
públicos e redução dos salários tanto na
área pública quanto na privada. Isso é tudo que se precisa para uma convulsão
social. E uma convulsão é que o que esses países vivem no momento. O que está
ruim pode piorar; a Inglaterra, que não aderiu ao euro, ameaça agora
abandonar a União Europeia. A Grécia deve tomar a iniciativa de sair do bloco antes que seja expulsa.
No fundo, o problema europeu é mais grave do que se pensa.
Com seus países-membros em bancarrota, o
bloco precisa de dinheiro para investir em ajuda aos mais endividados. Os mais ricos,
no caso, a Alemanha, não quer perder suas gorduras para rechear a economia dos países endividados. E agora, surgem vozes
destoantes entre as lideranças do setor econômico do grupo; essas vozes acham
que já se arrochou demais os países mais endividados. E ai fica mais difícil
entender como vai ficar a situação econômica do bloco. A verdade é que o
dinheiro atualmente disponível nos cofres da União Europeia é insuficiente para
atender as demandas do bloco.
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