RECIFE E OLINDA
Recife e Olinda comemoram aniversário hoje. Olinda, um pouco mais velha,
é de 12 de março de 1539, já o Recife é
de 12 de março de 1537. Amaro Quintas, meu professor de história no velho
Colégio Estadual de Pernambuco, afirmava que as datas de fundação das duas
cidades foram convencionadas, pois haveria dados contraditórios a respeito.
Olinda, erigida sobre montes de onde se tinha visão privilegiada para vigiar os
barcos que se aproximavam da costa, mantém todo seu encanto de cidade encravada entre montes e cercada de densa vegetação
tropical. Seu casario se mantém quase intacto, com aquele aspecto de vila que lhe deu o título de Patrimônio Cultural da
Humanidade concedido pela UNESCO, um órgão da ONU. Recife, cidade dos rios e
das pontes, com suas ruas estreitas remanescentes em muitos bairros ainda tem a marca de vila construída numa
época quando o transporte disponível era o cavalo e a carroça.
Na década de trinta, o Recife desfrutava do bonde e do trem
como meio de transporte urbano e interurbano. Não existiam ônibus. Não havia
aeroporto, grandes edifícios nem as grandes avenidas que hoje cortam a cidade. Apenas
alguns bairros, como o do Recife, Santo
Antônio, Santo Amaro, São José, Boa
Vista, Torre, Madalena, Graças, Espinheiro, Poço da Panela, e alguns outros.
Porto fumegando de trabalhadores graças ao açúcar produzido em Pernambuco;
comércio intenso em São José e Santo Antônio. Rua Imperial, único acesso ao
centro para quem vinha da zona sul ou de outros estados desse contorno. Avenida
Saturnino de Brito, onde morava a burguesia da zona sul da cidade. Rua de
Jangada, reduto de pescadores. O resto era mangue, alagados, descampados,
morros ainda cobertos de vegetação. E Olinda, eterna cidade-dormitório, se
beneficiava do progresso do Recife; se ligava à capital através dos bondes. E dependia
da metrópole par sobreviver.
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