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EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

                                       O CAPITALISMO ESTÁ IMPLODINDO?

                               
                                                            Emílio J. Moura


A divulgação de documentos secretos da diplomacia e dos órgãos de segurança dos Estados Unidos expõe uma crise que afeta a estabilidade do Capitalismo. O site Wikileaks, fundado pelo australiano Julian Assange, ao penetrar nos arquivos ultra-secretos da maior potência econômica e também presumível mais organizada estrutura de defesa do mundo, demonstra as fragilidades desse poderio e dessa organização.O caso é mais grave quando observadas as consequências desses "vazamentos" para a hegemonia econômica e política que os Estados Unidos ostentam há um bom tempo. Os pontos secretos da defesa norte-americana de repente vão sendo devassados e expostos aos olhos atentos e sequiosos de revanches dos inúmeros inimigos que a gigante do norte conseguiu contabilizar ao longo das últimas décadas.

Afinal, qual nação é realmente amiga dos Estados Unidos? Alemanha, subjugada e humilhada principalmente logo depois da II Grande Guerra? França, que nunca abandonou seu sonho de liderar a política mundial? Ou o Japão, em boa parte destroçado pela ação devastadora ( e desnecessária) de dois petardos atômicos lançados sobre as cidades de Hirochima e Nagasak? Dir-se-ia Israel? Mas Israel é apenas um enclave ocidental no centro nervoso do mundo árabe. E agora? Onde ficam as bases de lançamento de foguetes de longo alcance com ogivas nucleares localizadas no território americano ou de países aliados? Onde ficam as usinas nucleares dos Estados Unidos, que, se bombardeadas, disseminarão radioatividade em lugares estratégicos contaminando populações e meio ambiente daquele país? E os centros outrora secretos de produção de armas atômicas? É presumível que os mais importantes pontos estratégicos da defesa dos Estados Unidos estejam codificados entre os documentos em poder do Wikeleaks. E quem duvida que a rota dos submarinos nucleares norte-americanos espalhados pelos vários oceanos já não estejam sendo monitorados por hackers aficionados ao destemperado australiano?

A União Européia já não é tão subordinada aos Estados Unidos. Arregimentou-se, buscou sua independência econômica. Criou um moeda que derrubou o dólar e busca firmar-se como centro científico de excelência apesar da hoje hipotética hegemonia dos Estados Unidos. A OTAN perdeu seu brilho, talvez sua razão de ser. E a China, ah, essa assistiria de camarote à possível derrocada norte-americana. Numa hipótese positiva, a China dominaria toda a Ásia, boa parte da Europa Oriental e a Oceania. Paquistão e Índia funcionam como fichinhas nesse cenário catastrófico. Mas, e a fiel Austrália? É apenas um ninho de cobras, cujo governo se divide entre manter a aparente posição pró-Estados Unidos ou expor os norte-americanos à própria sorte. Rindo mesmo estão Osama Bin Laden, escondido em alguma caverna lá do Afeganistão e o nada racional Mahmud Armadinejad, com suas maquinações para enriquecimento de urânio e seu alardeado propósito de destruir Israel. Se encontrarem uma brecha, os dois mais temidos líderes "marginais" do mundo árabe atacarão os Estados Unidos. Não mais com aviões "amigos" destruindo torres de concreto, mas atacando os pontos estratégicos que poderão levar os Estados Unidos à ruína. A ruína repentina dos Estados Unidos, num momento em que o Tio Sam ainda têm em suas mãos os cordéis que manobram a política e a economia mundiais. E arrastaria consigo para o fundo do poço todo o resto do sistema. A saída, ou antes, a restauração dessa economia capitalista levaria um tempo difícil de prever hoje. Obsessão? Apocalipse? É esperar para ver.

                                                                                                                                         09.12.2010

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