MOBILIDADE URBANA PREJUDICADA
CHUVAS FORTES ANUNCIADAS CAUSAM DANOS ÁS PESSOAS E AOS NEGÓCIOS DA RMR. FALTA DE PLANEJAMENTO NO TEMPO DEVIDO CONTINUA FREANDO O PROGRESSO DA CIDADE E RM. A VISÃO DOS GESTORES É DO TAMANHO DO TEMPO DOS SEUS MANDATOS. É PRECISO PENSAR EM ALGUM TIPO DE DESFAVELIZAÇÃO.
As fotres chuvas que vêm caindo na Região Metropolitana do Recife neste inverno com precipitações acima da média em círculo quase contínuo e em outras cidades do Estado têm trazido enormes prejuizos às pessoas e aos negócios. Isso prejudica também a receita pública dos municípios atingidos e do Estado. O volume de água que se abate sobre a RMR é cada vez mais intenso. As pessoas que moram em áreas de nivelamento inferior são as mais prejudicadas. Além da perda de bens materiais móveis, os moradores dessas áreas vêm suas casas ameaçadas pela frequência das chuvas. Geralmente construídas sem os requisitos necessários de segurança, essas casas apresentam paredes trincadas, pisos afundando e riscos sempre presentes de desabamentos. O comércio dos bairros entra em bancarrota, pois é difícil o acesso aos pontos de venda de pequenos estabelecimentos que abastecem as populações mais carentes. E as pessoas têm dificuldades de sair de casa, e isso se reflete negativamente para a economia, pois muita gente não tem como chegar aos seus locais de trabalho.
O Recife é cortado por uma séria de canais que foram ocupados em suas margens por construções irregulares. Isso dificulta o escoamento das águas das chuvas e o represamento das mesmas. A mobilidade urbana no Recife, em Jaboatão dos Guararapes, Olinda e agora também em Giana, na mata norte do Estado, vem sendo grandemente prejudicada pela falta de ações preventivas das autoridades responsáveis pelo setor. O serviço de transporte de passageiros de matriz rodoviária já se mostrou ineficiente para uma região com o desenvolvimento como essa grande metrópole. Os ônibus não conseguem trafegar em ruas esburacadas e alagadas e em trechos onde canais transbordam e impedem a circulação de qualquer veículo. Uma cidade ao nível do mar, cortada por rios de grande porte e canais não cuidados devidamente com certeza está fadada a parar durante períodos de fortes chuvas, como o que estamos vivendo no momento.
Autoridades de monitoramento do tempo vêm há tempo advertindo prefeituras de áreas críticas para o perigo das grandes chuvas. As obras de prevenção, quando acontecem, são precárias. É que essa é uma questão que deve ser tratada com responsabilidade. O planejamento das cidades e de sua mibilidade deve ser feito com antecedência de anos, décadas. Não pode ser tratado de agogadilho, como uma coisa improvisada. Infelizmente, é isso que vem ocorrendo na RMR, nas zonas da mata sul e norte e outras áreas do Estado. É preciso acabar com essa cultura da improvisação, de gestões que têm a cabeça do tamanho do tempo dos seus mandatos. O que acontecer depois é problema de outros gestores. Sem querer politizar a questão, as atuais oposições no Estado e no Município do Recife nestes últimos 80 anos passaram cerca de 70 anos no poder. E só agora reclamam dos atuais gestores as providências que deviam ter adotado décadas atrás.
É profundamente lamentável que vidas preciosas venham sendo sacrificadas nos morros e côrregos da RMR onde mora 60% da população. Deslizamentos de barreiras escavadas nas encostas dos morros dessa região vêm matando pessoas cuja condição econômica as obrigaram a procurar esses lugares de alto risco para morar. Falta um programa de urbanização sustentável, um pouco de decência nas atitudes dos gestores e suas equipes. Em alguns casos, a solução definitiva só virá com a desfavelização de algumas áreas da RMR. Mas favela dá votos, são um atrativo para os inelectuais que chegam à política. Ou como diria Joãozinho 30: "intelectuais é que gostam de lixo". Lixo, que é o tipo de moradia geralmente encontrado nas grandes favelas de onde saem os votos que elegem os prefeitos e vereadores que "continuam trabakhando", mas fazendo pouco em relação ao que precisam os centros urbanos, os bairros e os morros das cidades.
Municípios que adensaram suas populações, como Camaragibe, São Lourenço da Mata, Jaboatão dos Guararapes e outros mais registraram deslocamentos de barreiras e um significativo número de mortes de crianças e pessoas de todas as idades em virtude de terrenos desestabiizados por estarem encharcados pela ação provocado pelas chuvas. As Defesas Civis desses municípios são quantitativa e qualitativamente insuficientes para atender a uma demanda como a registrada esses meses na RM. Apesar da abnegação de voluntários que ajudam a Defesa Civil nessas cidades a estrutura dos serviços é precária. Faltam veículos apropriados para esse tipo de serviço e material para contenção de barreiras. Escasseiam mão de obra especializada, como engenheiros, assistentes sociais e psicólogos. O auxílio-moradia oferecido a quem tem que sair de suas casas é ridículo; muitas das pessoas atingidas pelos deslizamentos e pelas enchentes ignoram que os programas de proteção social do governo federal e não os reivindicam. Lamentável sob todos os pontos de vista famílias de trabalhadores cujos braços fazem o progresso desta Nação desalojadas de suas casas ou desabrigadas por causa de chuvas cuja intensidade vem sendo anunciada há ja um bom tempo. Prejuizos também para o setor da educação pública cujas escolas têm muitas de suas salas de aula transformadas em abrigos.
É importante neste momento de cidades quase paradas pelo trânsito denso, estradas sem condições de tráfego e essa mobilidade prejudicial ao desenvolvimemento das comunidades que as autoridades municipais fiquem atentas para as previsões do tempo fornecidas por órgãos locais e nacionais interligados. Segundo os mapas meteorológicos traçados pelas autoridades do setor, essa instabilidade do tempo - vale dizer: as fortes chuvas sobre a RMR, Zonas da Mata Norte e Sul) devem permanecer até meados de setembro. Ainda tem muita chuva a cair por essas bandas.
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