NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;
NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;
EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.
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sexta-feira, 29 de julho de 2011
O VOO 447
OS “RELATÓRIOS TÉCNICOS” E AS CONTRADIÇÕES. O CORPORATIVISMO INDUSTRIAL E OS INTERESSES POLÍTOCOS MANIPULAM A VERDADE.OS PILOTOS ESTÃO MORTOS E NÃO PODEM MAIS FALAR.
O voo 447 da Air France – percurso entre o Rio de Janeiro e Paris - que no ano passado caiu em meio a uma tempestade nas imediações de Fernando de Noronha e matou 228 pessoas voltou ao noticiário da imprensa. Desde a data do sinistro autoridades aeronáuticas francesas e brasileiras e representantes da indústria aeronáutica europeia buscam argumentos para explicar as causas do acidente. Como sempre acontece nesses casos, há uma tendência desses dois setores para jogar a culpa no fator humano. Os pilotos sempre são apontados como culpados. Só que na maioria das vezes os pilotos estão mortos, morrem na queda dos aviões.
Poderíamos citar vários casos de acidentes aviatórios cujos pilotos foram apontados como culpados. Mas hoje interessa tão somente comentar essa enxurrada de informações que são liberadas por autoridades e fabricantes dos aviões. Antes, é preciso lembrar a demora das autoridades francesas em se pronunciarem a respeito. Depois, não é segredo para ninguém o desinteresse dessas autoridades em iniciar as buscas pelos corpos das vítimas do voo. Ninguém ignora as dificuldades enfrentadas para se chegar a uma região distante, açoitada por tempestades numa rota aérea onde os ventos são fortes e mudam de direção e altitude a qualquer momento. Também ninguém ignora que o mar ali é profundo e de fortes correntes. Porém, é inegável o descaso no trato desse acidente. Demorou muito a vasculharem a enorme área; talvez uma ação imediata pudesse localizar alguns sobreviventes em meio às intempérias do tempo. Por mais difíceis que fossem as condições de trabalho no mar revolto onde aconteceu o acidente, impunha-se a necessidade de ações imediatas buscando encontrar os possíveis sobreviventes.
Mas nem as autoridades aeronáuticas francesas nem o fabricante do avião (esse com menor obrigação de adotar medidas imediatas) tiveram qualquer iniciativa rápida nesse caso. As autoridades aeronáuticas brasileiras, pela maior proximidade com a zona do acidente com o avião do voo 447 e por ter sido base do início da grande viagem que não chegou ao destino, é que tomaram as primeiras providências de abordagem do caso. E desde o começo das investigações ficaram patentes as divergências de posição das autoridades aeronáuticas dos dois países. Relatórios preliminares apontaram falhas do equipamento, argumento que foi de pronto rejeitado pelo fabricante. Depois, aventou-se a hipótese de erro humano, o que também foi rejeitado pelos órgãos representantes dos operadores de aeronaves. Faltava encontrar a caixa preta (que guarda informações sobre o desempenho do aparelho e sobre o trabalho da tripulação). Levou-se muito tempo para encontrar a caixa preta (na verdade são duas), apesar da parafernália tecnológica francesa para explorar o fundo do mar. Agora que encontraram as caixas pretas, vem um relatório oficial, e como não podia deixar de ser, os pilotos foram apontados como os verdadeiros culpados pelo acidente. Há muita discussão técnica a respeito, todas manipuladas por autoridades interessadas em demonstrar a segurança e o conforto do avião sinistrado, o que na verdade visa mostrar um país, a França, no caso, como detentor de alta tecnologia aeronáutica e centro irradiador de segurança e confiabilidade. Vale dizer: salvar a cara do País.
Esse relatório, embora preliminarmente conclusivo, ainda não é definitivo. O relatório final só sairá em meados de 2012. Quando tanto as autoridades quanto o fabricante afirmam que houve erro humano, apontando o despreparo do pessoal de borda para conduzir um avião enorme e complexo como o Airbus usado no voo 447, é hora de se perguntar: quem são realmente os culpados: os pilotos despreparados para conduzir um avião grande, como dizem as autoridades, ou essas autoridades que não fiscalizam as companhias aéreas que permitem que pessoas não preparadas pilotem aviões de grande porte e complexidade tecnológica? Os pilotos do 447 estão mortos, não podem mais falar, mas as autoridades continuam omissas permitindo que as companhias aéreas continuem aumentando suas receitas, utilizando pilotos sem o devido treinamento. É por essas e tantas outras razões que o número de acidentes aéreos vem crescendo nos últimos anos. Até quando?
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