D I A DO IDOSO
Comemora-se nessa 2ª-feira o Dia do Idoso. É uma justa
homenagem àqueles que ultrapassaram a
barreira dos sessenta anos. E que durante esse tempo foram ampliando a bagagem.
Essa bagagem tem muitos significados.
Pode ser vista como o acúmulo de conhecimentos, aperfeiçoamento
comportamental e experiência de vida. Se
o acúmulo de conhecimentos serviu para
enriquecer a visão de mundo, o
aperfeiçoamento comportamental vem como
consequência. Mas toda essa experiência de
vida só tem valor se essa bagagem de conhecimento foi colocada a disposição do
bem-comum. Se, ao contrário, se transformou numa espécie de status para
usufruto individual, ou para marcar presença egoística na sociedade, pouco
teria que se comemorar. Felizmente,
temos muitos exemplos de velhice ativa, de idosos produtores de ideias e não
apenas reprodutores de conhecimentos
difundidos no meio social. Barbosa Lima Sobrinho, um pernambucano que se
notabilizou com sua lucidez em defesa dos interesses do cidadão brasileiro e de sua cidadania, e que teve a sorte de
chegar aos 100 anos de vida, é um exemplo de idoso que teria algo a comemorar;
não só na literatura ou no jornalismo,
mas também na política. Igualmente, muitos outros brasileiros atuantes em
outras áreas, como as artes, a cultura, a ciência, entre outras, podem ser
colocados no patamar do ex-governador de Pernambuco.
Todavia, numa visão crítica do significado do Dia do Idoso,
há muita coisa a lamentar. É bem diferente a vida de um idoso rico ou de classe
média, que dispõe de moradia condigna, carro para se deslocar para onde quiser,
aposentadoria que sustente esse padrão de vida
comparada com a maioria dos velhinhos do nosso País. Filas nos
hospitais, onde buscam uma atendimento mais qualificado ou nos bancos, onde
buscam receber suas míseras aposentadorias; ausência de um sistema de saúde com
ações básicas nos postos de saúde municipais onde não encontra médicos que os
atendam e ainda enfrentam a má vontade das agentes de saúde do chamado PSF
criado entre outras finalidades para visitar os idosos em suas casas nas comunidades pobres, marcar suas consultas
médicas e levar a eles os remédios eventualmente prescritos pelo médico;
dificuldades de locomoção nas cidades ou nas zonas rurais; nas cidades,
transporte público de passageiros com
ônibus sucateados, demorado, difíceis ou simplesmente ausentes, de difícil acesso
para os portadores de dificuldades de locomoção. Acessibilidade que se torna
mais crítica com o estado de abandono em que se encontram as calçadas.
Obstáculos perigosos para os velhinhos que tem limitação visual, com buracos
nas calçadas, árvores e postes que a
urbanização colocou no caminho; orelhões e ambulantes ocupando os melhores
lugares da cidade nas áreas ditas de passeio, obrigando os idosos a caminharem
pela faixa de rolamento enfrentando motoristas pouco sensíveis aos problemas da velhice. Há ainda os
cadeirantes, cujas dificuldades nem precisa comentar aqui.
A sociedade brasileira está em transição; evolui. Ninguém
nega os avanços conseguidos nas últimas décadas. Mas é evidente as falhas das
políticas públicas para os idosos. Temos a compreensão de que a sociedade é
imperfeita, porque é composta de seres imperfeitos, que somos todos nós. Mudar
a realidade brasileira implicaria em reformas amplas e profundas dessa sociedade, com mudanças urbanísticas,
políticas e sociais. Por enquanto, enquanto aguardamos essas mudanças,
prestemos nossas homenagens aos idosos nesse seu dia.