NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

domingo, 30 de setembro de 2012


                                         D I A    DO    IDOSO
Comemora-se nessa 2ª-feira o Dia do Idoso. É uma justa homenagem  àqueles que ultrapassaram a barreira dos sessenta anos. E que durante esse tempo foram ampliando a bagagem. Essa bagagem tem muitos significados.  Pode ser vista como o acúmulo de conhecimentos, aperfeiçoamento comportamental  e experiência de vida. Se o acúmulo de conhecimentos  serviu para enriquecer  a visão de mundo, o aperfeiçoamento comportamental  vem como consequência. Mas toda essa experiência  de vida só tem valor se essa bagagem de conhecimento foi colocada a disposição do bem-comum. Se, ao contrário, se transformou numa espécie de status para usufruto individual, ou para marcar presença egoística na sociedade, pouco teria que se comemorar.  Felizmente, temos muitos exemplos de velhice ativa, de idosos produtores de ideias e não apenas reprodutores de conhecimentos  difundidos no meio social. Barbosa Lima Sobrinho, um pernambucano que se notabilizou com sua lucidez em defesa dos interesses do cidadão brasileiro  e de sua cidadania, e que teve a sorte de chegar aos 100 anos de vida, é um exemplo de idoso que teria algo a comemorar; não só na literatura  ou no jornalismo, mas também na política. Igualmente, muitos outros brasileiros atuantes em outras áreas, como as artes, a cultura, a ciência, entre outras, podem ser colocados no patamar do ex-governador de Pernambuco.
Todavia, numa visão crítica do significado do Dia do Idoso, há muita coisa a lamentar. É bem diferente a vida de um idoso rico ou de classe média, que dispõe de moradia condigna, carro para se deslocar para onde quiser, aposentadoria que sustente esse padrão de vida  comparada com a maioria dos velhinhos do nosso País. Filas nos hospitais, onde buscam uma atendimento mais qualificado ou nos bancos, onde buscam receber suas míseras aposentadorias; ausência de um sistema de saúde com ações básicas nos postos de saúde municipais onde não encontra médicos que os atendam e ainda enfrentam a má vontade das agentes de saúde do chamado PSF criado entre outras finalidades para visitar os idosos em suas casas  nas comunidades pobres, marcar suas consultas médicas e levar a eles os remédios eventualmente prescritos pelo médico; dificuldades de locomoção nas cidades ou nas zonas rurais; nas cidades, transporte público  de passageiros com ônibus sucateados, demorado, difíceis ou simplesmente ausentes, de difícil acesso para os portadores de dificuldades de locomoção. Acessibilidade que se torna mais crítica com o estado de abandono em que se encontram as calçadas. Obstáculos perigosos para os velhinhos que tem limitação visual, com buracos nas calçadas, árvores  e postes que a urbanização colocou no caminho; orelhões e ambulantes ocupando os melhores lugares da cidade nas áreas ditas de passeio, obrigando os idosos a caminharem pela faixa de rolamento enfrentando motoristas pouco sensíveis  aos problemas da velhice. Há ainda os cadeirantes, cujas dificuldades nem precisa comentar aqui.
A sociedade brasileira está em transição; evolui. Ninguém nega os avanços conseguidos nas últimas décadas. Mas é evidente as falhas das políticas públicas para os idosos. Temos a compreensão de que a sociedade é imperfeita, porque é composta de seres imperfeitos, que somos todos nós. Mudar a realidade brasileira implicaria em reformas amplas e profundas  dessa sociedade, com mudanças urbanísticas, políticas e sociais. Por enquanto, enquanto aguardamos essas mudanças, prestemos nossas homenagens aos idosos nesse seu dia.

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