TRÂNSITO E MOBILIDADE URBANA
PROBLEMAS DE UM PAÍS EM DESENVOLVIMENTO
A Semana Nacional de Trânsito debate os problemas viários das cidades brasileiras. Mas os especialistas não se surpreende com as cidades engarrafadas, lenta mobilidade e
grandes prejuízos que os engarrafamentos trazem para a
economia do País e para o bolso dos
proprietários de veículos de todos os tipos. Um enconro inernacional busca saídas para esse velho problema, que se aguça a cada dia com a entrada em circulação de centenas de novos víeculos particulares. É um fenômeno de um País em desenvolvimento que teve o cuidado de palnejar suas cidades no longo prazo nem suas autoridades previram o boom das mudanças sociais com a entrada de centenas de famílias na classe média. Os mais prejudicados com essa falta de planejamento são os
cidadãos que ascenderam à classe média e não dispõem de recursos para
frequentes trocas de pneus, mudanças de suspensão e reparos de freios. Profissionais liberais são duramente
prejudicados. Professores, médicos, engenheiros, dentistas e outros mais que
têm tarefas diárias em horários insubstituíveis sentem na pele os problemas de um trânsito estressantemente lento, em estradas e ruas esburacadas. Mas a grande
perda é dos trabalhadores da indústria,
do comércio e dos serviços. Esses heroicos construtores do desenvolvimento
nacional passam horas dentro de ônibus velhos, quentes, de bancos duros e desprovidos de toaletes. A ida e volta ao
trabalho desses trabalhadores, principalmente os que atuam em outras cidades , é um exercício cansativo.
Viajar por BRs e avenidas urbanas é um sacrifício que ninguém merece. As cidades da
Região Metropolitana do Recife
veem seu desenvolvimento travado nos longos congestionamentos. Recife
e Jaboatão são as mais sacrificadas, pois o trânsito é bem denso nas
vias internas dessas cidades. Cabo de
Santo Agostinho e Olinda sofrem com um trânsito lento nos seus acessos,
destacando-se o Cabo como caminho natural para o Complexo Portuário
Industrial de SUAPE ou acesso
às cidades da Zona da Mata Sul do Estado.
Essas cidades sofrem
com a falta de planejamento de longo prazo.
O desenvolvimento das mesmas foi
fruto da improvisação e das necessidades imediatas de uma época
onde os meios de transporte eram o cavalo e a carroça. A requalificação
feita nas últimas décadas também não deram resultados satisfatórios exatamente
porque o planejamento de vias de acesso
esbarra no desenho arquitetônico de começos do Século XX . Por
outro lado, a ausência de uma maior atuação do transporte sobre trilhos,
principalmente na parte norte da RMR,
não viabiliza um trânsito mais rápido,
com equipamentos mais velozes e seguros. O modal rodoviário é uma forma alternativa de
transporte nas cidades do mundo
desenvolvido. Mas engarrafamento urbano não é um privilégio do Recife e de suas
cidades coligadas. Em muitas capitais, o trânsito é igualmente
insuportável. São Paulo, por exemplo,
tem um trânsito pior do que o do Recife.
As vias de acesso à capital paulista, vindas de várias direções,
incluindo as marginais Tietê e Pinheiros,
têm trânsito lento com engarrafamentos de centenas de quilómetros. A
tal ponto, que há muito tempo foi necessário alternar os números de placas dos
carros em acesso ao centro. Assim, cada dia
só metade dos carros particulares são autorizados a trafegar pela cidade. Finalmente,
é preciso preparar melhor os motoristas brasileiros, começando por educá-los na escola fundamental com lições de direitos humanos, ética e cidadania.
E que os gestores comecem a planejar uma nova cidade para um futuro
mais longo, pois é evidente que nenhum discurso açodado de candidatos a prefeito vai mudar essa
realidade durante as duas próximas décadas. A menos que se mude a matriz de
transporte para o ferroviário; e até essa mudança levaria tempo maior do que um
mandato de prefeito, já que exigiria transformações radicais no desenho das vias de acesso às
cidades e vultosos investimentos, além de enfrentar a resistência das
montadoras internacionais e seu lobby.
Nenhum comentário:
Postar um comentário