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EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012


                                                     RELIGIÃO  E   ÓDIO

A  Primavera  Árabe,  um movimento instigado ardilosamente pelos Estados Unidos e seus aliados europeus,  começou numa área restrita e acabou se espalhando pelo Oriente Médio, parte da  África e da Ásia. Esse movimento de protestos contra a opressão dos poderosos ultrapassou as fronteiras da luta ideológica e repercutiu  em vários países  europeus, terminando por invadir o mundo inteiro. Em países do Oriente Médio, as manifestações populares de repúdio aos regimes ditatoriais ou ao sistema de sucessão  familiar ou tribal derrubaram líderes que estavam há décadas no poder.  Mas, os resultados desses movimentos entre os árabes ( e também no mundo ocidental)não teve  o efeito desejado pelas potências econômicas e militares  que dominam o  ocidente. Elas, as potências ocidentais,  se  alimentam do rico petróleo  produzido pelos países árabes. É de vital importância para Estados Unidos e Europa manter as vias de escoamento do petróleo abertas. Sem o óleo  árabe,  a indústria ocidental  perde fôlego e sua economia  recua.

Entretanto, pior do que essa  sede por petróleo  é o ódio que alimenta  a disputa ideológica entre  o mundo ocidental e o mundo árabe. Mais precisamente, entre cristãos e muçulmanos.  Não bastassem as querelas internas  dos grupos árabes rivais, com lutas abertas entre a minoria  xiita (15%) e a minoria sunita (85%), há a interferência de culturas estrangeiras  no encaminhamento das  questões políticas e ideológicas do mundo árabe.  Em 1989, o escritor indiano-britânico Salman Rushdie publicou um livro chamado  Versos Satânicos,  considerado ofensivo a Maomé e portanto ao Islamismo.  A reação dos árabes foi contundente, tendo o poeta que se esconder durante anos e ainda hoje há reflexos dessa reação entre os muçulmanos. Recentemente, há duas semanas, um vídeo  feito nos Estados Unidos e intitulado Inocência de muçulmanos (em tradução livre) postado na internet  acirrou os ânimos islâmicos. O autor do vídeo (talvez o vídeo seja apenas uma chamada para um  longa)  é um  norte-americano de ascendência  egípcia, e provavelmente  um  descendente judeu ou simpatizante da causa israelense. Nakoula Basseley Nakoula, o autor do vídeo  espalhou ódio pelo mundo inteiro ao enganar os atores  com papéis que seriam de outra natureza e não ofensivos a Maomé. Em todo mundo árabe, manifestações de grande porte contra os Estados Unidos  estão sendo realizadas. Por conta desses protestos, um embaixador americano já foi morto e dezenas de outras pessoas tiveram mortes provocadas por  ações  típicas de homem-bomba que se imola para destruir os inimigos.
Cristianismo e Islamismo bem que poderiam viver em comunhão.  Mas não se pode deixar de debitar  ao ocidente, consequentemente ao Cristianismo,  as ações  de guerra e as provocações desde a época das Cruzadas. Os muçulmanos, por sua vez, não deixam por menos. Grupos radicais massacram  seguidores de outras religiões, como se não houvesse espaço para todos os cultos na Terra. A convivência litigiosa entre Israel e os palestinos é um sinal de que uma solução pacífica para a região conhecida por Arábia está distante de se alcançar. O avanço econômico e tecnológico do Irã, sua rápida ascendência como país importador e produtor de armas põe em perigo o equilíbrio de forças no Oriente Médio. O Paquistão, uma potência nuclear, está dividido internamente entre lideranças pró-ocidentais e grupos inimigos do Ocidente que parecem dominar a cena política do País. Há um perigo real de as armas nucleares paquistanesas cairem em mãos de grupos radicais aliados dos talibans, o que configurariam um desastre para a humanidade. Enquanto isso, a humanidade vai assistindo ao triste espetáculo de uma  refrega entre religião e ódio.

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