RELIGIÃO E ÓDIO
A Primavera Árabe,
um movimento instigado ardilosamente pelos Estados Unidos e seus aliados
europeus, começou numa área restrita e
acabou se espalhando pelo Oriente Médio, parte da África e da Ásia. Esse movimento de protestos contra a opressão dos poderosos ultrapassou as fronteiras da luta ideológica e repercutiu em vários países europeus, terminando por invadir o mundo inteiro. Em países do Oriente Médio, as manifestações
populares de repúdio aos regimes ditatoriais ou ao sistema de sucessão familiar ou tribal derrubaram líderes que
estavam há décadas no poder. Mas, os
resultados desses movimentos entre os árabes ( e também no mundo ocidental)não teve o efeito desejado pelas potências econômicas
e militares que dominam o
ocidente. Elas, as potências ocidentais, se alimentam do rico
petróleo produzido pelos países árabes.
É de vital importância para Estados Unidos e Europa manter as vias de
escoamento do petróleo abertas. Sem o óleo
árabe, a indústria ocidental perde fôlego e sua economia recua.
Entretanto, pior do que essa
sede por petróleo é o ódio que
alimenta a disputa ideológica entre o mundo ocidental e o mundo árabe. Mais
precisamente, entre cristãos e muçulmanos.
Não bastassem as querelas internas
dos grupos árabes rivais, com lutas abertas entre a minoria xiita (15%) e a minoria sunita (85%), há a
interferência de culturas estrangeiras
no encaminhamento das questões
políticas e ideológicas do mundo árabe. Em 1989, o escritor indiano-britânico Salman
Rushdie publicou um livro chamado Versos
Satânicos, considerado ofensivo a Maomé
e portanto ao Islamismo. A reação dos
árabes foi contundente, tendo o poeta que se esconder durante anos e ainda hoje
há reflexos dessa reação entre os muçulmanos. Recentemente, há duas semanas, um
vídeo feito nos Estados Unidos e intitulado Inocência de muçulmanos
(em tradução livre) postado na internet acirrou os ânimos islâmicos. O autor do vídeo
(talvez o vídeo seja apenas uma chamada para um
longa) é um norte-americano de ascendência egípcia, e provavelmente um
descendente judeu ou simpatizante da causa israelense. Nakoula Basseley
Nakoula, o autor do vídeo espalhou ódio
pelo mundo inteiro ao enganar os atores
com papéis que seriam de outra natureza e não ofensivos a Maomé. Em todo
mundo árabe, manifestações de grande porte contra os Estados Unidos estão sendo realizadas. Por conta desses
protestos, um embaixador americano já foi morto e dezenas de outras pessoas
tiveram mortes provocadas por ações típicas de homem-bomba que se imola para
destruir os inimigos.
Cristianismo e Islamismo bem que poderiam viver
em comunhão. Mas não se pode deixar de
debitar ao ocidente, consequentemente ao
Cristianismo, as ações de guerra e as provocações desde a época das
Cruzadas. Os muçulmanos, por sua vez, não deixam por menos. Grupos radicais massacram seguidores de outras religiões, como se não houvesse
espaço para todos os cultos na Terra. A convivência litigiosa entre Israel e os
palestinos é um sinal de que uma solução pacífica para a região conhecida por
Arábia está distante de se alcançar. O avanço econômico e tecnológico do Irã, sua rápida ascendência como país importador e produtor de armas põe em perigo o equilíbrio de forças no Oriente Médio. O Paquistão, uma potência nuclear, está dividido internamente entre lideranças pró-ocidentais e grupos inimigos do Ocidente que parecem dominar a cena política do País. Há um perigo real de as armas nucleares paquistanesas cairem em mãos de grupos radicais aliados dos talibans, o que configurariam um desastre para a humanidade. Enquanto isso, a humanidade vai assistindo
ao triste espetáculo de uma refrega
entre religião e ódio.
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