BEIJOS E ABRAÇOS
O SHOW TEM QUE CONTINUAR
A passagem de Ano Novo é apenas
uma mudança no calendário. Assim como o Natal. Jesus não nasceu no dia 25 de
dezembro nem no ano 1 da nossa era. Seu
nascimento foi em data ainda desconhecida e provavelmente de 4 a 6 anos antes
da data que comemoramos. O dado positivo é o clima psicológico que essa fase do
ano traz, quando uma parte da humanidade, mesmo tendo culturas e costumes
diferentes, bem como ícones próprios, reverencia a figura do “salvador” da
cultura cristã. Nesses dias, a atmosfera se ilumina com as emanações produzidas
pelas intenções de mudanças declaradas pelas pessoas, o que torna o clima
favorável a realização de eventos grandiosos, que se repetidos costumeiramente seriam
capazes de realizar a grande e esperada transformação da sociedade. Pena que
tudo não passe de exploração comercial, e quando começa o novo ano todas as
promessas se desfazem, a competição volta a dominar a cena humana. E tudo volta
a ser como era antes.
Depois do calor do Natal e Ano
Novo as perspectivas de transformação arrefecem, promessas de amor eterno caem
no vazio, intenções regenerativas ficam no esquecimento e aqueles presentes distribuídos
em meio à alegria das pessoas reunidas em família ou em empresas passam a ser motivo de dessabores, quando não
de recalques. “Eu merecia coisa melhor”, pensam muitos; “por que ela não deu
essa porcaria à filha dela”, resmungam outros. E muitos, insatisfeitos com o
que ganhou, deixam lá mesmo no âmbito da
festa o que seria seus presentes. Difícil agradar a todos. Difícil transformar em
realidade sonhos acalentados pelas emoções mais fortes. Mas a vida continua! O
show não pode parar. E será assim, até que uma ação gigantesco envolvendo todos
os povos, uma verdadeira “consciência de guerra” (pobre língua!) envolvendo cada um de nós e
todos nós possa concentrar esforços no sentido de salvar o que ainda resta de
recuperável nessa lixeira em que se transformou a sociedade humana.
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