ENFIM, O CONCLAVE
Depois do período das congregações, encontros de cardeais
que antecedem o evento principal, começa amanhã no Vaticano o Conclave. Conclave quer dizer: com chaves, a portas
fechadas. Os 115 cardeais aptos a votar devem escolher o novo papa, o novo dirigente
da Igreja depois da inesperada e histórica renúncia de Bento XVI. Especula-se
sobre os nomes que podem determinar a mudança da cor da fumaça que vai sair da
chaminé da Capela Sistina. Um italiano, um canadense e um brasileiro encabeçam a lista das especulações, segundo os
mais prestigiados jornais europeus para discutirem a questão. O italiano Angelo
Scola, 69 anos, o canadense Marc Oullert, 68 anos, e o brasileiro Odilo Scherer, 63 anos. Alguns jornais europeus dão
destaque para o brasileiro, como apostando na sua postura progressista e domínio
das tecnologias digitais. É bom lembrar que setores norte-americanos pressionam
para que o escolhido seja o arcebispo de Nova Iorque, Timothy Dolan. Mas não se
deve esquecer a chance do argentino, do mexicano e do africano. Qualquer um dos
três primeiros citados pode vir a ser o papa. Mas nenhum deles necessariamente
deverá ser o novo pontífice. Essa exposição talvez redunde em queima dos nomes,
e o papa pode ser um cardeal menos cotado hoje.
Há um entendimento por parte de experts sobre Vaticano de
que o papa deverá ser mesmo um cardeal
romano, depois de dois pontífices consecutivos fora da esfera de Roma. Scola já
parte com alguma vantagem, pois Roma, um Estado pequeno, tem 28 cardeais, em
contrapeso aos 5 cadeais brasileiros aptos ao voto. O novo chefe da Igreja
Católica deverá ser um cardeal conservador, com largo conhecimento dos
corredores e porões do Vaticano. Nestas últimas décadas a igreja perdeu
milhares de fiéis para os cultos evangélicos, para o islamismo ou simplesmente
para ela própria. Estancar essa sangria é tarefa difícil. Roma não vai
acreditar que um papa moderno, high-tech, possa salvar a igreja desse êxodo de
fiéis. Verdade que essa situação vivida hoje pela igreja se deve mais ao estilo
durão, ultraconservador de Bento XVI. Mas uma mudança radical poderia ser
suicídio. Vamos esperar mais alguns dias, e conferir.
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