REPÚBLICA X MONARQUIA
Grupos simpáticos ao regime monárquico continuam a discussão
aberta sobre esse importante tema na mídia eletrônica. Recebo na minha caixa de e-mails dezenas de
comentários e artigos versando sobre o assunto. Não faltando quem remeta
estatística. Há os prós e os contra, claro. Na comparação quantitativa dos dois
grupos, os monarquistas estão em franca desvantagem. Um dos gráficos estatísticos, com linhas
consecutivas e linhas ponteadas que se cruzam em várias direções e chegam a
embaraçar meu labirinto, mostra o movimento monarquista com 8% (oito por cento)
de presença na discussão temática. Entram nesse quadro estudantes de nível básico, professores
universitários, técnicos de nível médio, trabalhadores sem qualificação
profissional, donas de casa, desempregados, entre outros; não há alusão à idade nem ao sexo dos
entrevistados. O quadro ainda mostra que a opção monarquia caiu nos últimos
oito anos, pois havia chegado a 12%. Em contraponto, outros gráficos mostram que
essa presença monárquica nas discussões do regime ideal para o Brasil oscila em
torno da média de 3% (três por cento).
Qualitativamente, a opção pela monarquia é maior entre pessoas de formação
universitária, destacando-se entre elas: médicos, 4%, professores de nível
médio, 3% e advogados, 5%.
Um dado curioso: entre professores de nível básico onde a
opção monárquica fica com pífios 1,8% há alguns (0,6%) que rejeitam o
parlamentarismo. O que significa que são radicais optantes por uma monarquia
absolutista. Incrível é que esses professores não se deem conta de que a Idade Média ficou muitos séculos lá
atrás e que se vive hoje no Século XXI. A presença dos neonazistas –
principalmente jovens - é marcante
nessa opção monárquica. Considerando os aspectos filosóficos da questão, a
monarquia é um resquício do absolutismo medieval quando um grupo poderoso
formava uma comunidade e se impunha pela força. Exceto o caso do Japão, cujo
imperador é venerado como um deus, todas
as outras monarquias vêm passando por algum tipo de crise e contestação popular.
Rússia, Portugal, Espanha e outras nações europeias se libertaram do jugo das
famílias imperiais, e cresceram economicamente; verdade que a Espanha, num
lance magistral do generalíssimo Franco, retornou à monarquia. A maioria dos países europeus é
republicana. A Suíça, por exemplo, é uma das repúblicas que tradicionalmente
apresenta altos níveis de IDH, seu presidente usa transporte público para ir de
casa para o trabalho.
A Inglaterra, com suas imponentes carruagens nos dias de
festa da corroa, é um conto de fadas. Na literatura. A manutenção dos suntuosos
palácios britânicos é um problema que afeta diretamente as contas públicas
inglesas, a tal ponto que a coroa para
manter aquele fausto os disponibilizou a visitação pública mediante pagamento
de ingressos; os escândalos propiciados pela família imperial estão na mídia, o
que desacredita a suposta “superioridade” daquela estirpe imperial. Em relatórios
secretos, vasados pelo WilkLeaks, o gabinete inglês reclama dos altos custos de
manutenção da monarquia e da realeza britânicas. Num desses documentos que
teria sido gerado pelo primeiro-ministro David Cameron se chega a afirmar que “a
sobrevivência da monarquia se deve ao temor das elites de que um eventual
regime republicano desestabilize a burguesia britânica”. A restauração da
monarquia no Brasil não traria nenhuma vantagem à população. Primeiro, o País
não tem tradição de conviver com esse tipo de regime (os imperadores
brasileiros eram estrangeiros e o único brasileiro que foi imperador governava
em nome de Portugal, mesmo depois de declarar a Independência, um ato dúbio
pois resultou na formação de grande dívida para o Brasil). Segundo: a “família
imperial” brasileira é composta de baderneiros pagos com o dinheiro do
contribuinte brasileiro para frequentarem as altas rodas sociais europeias, os quais não
têm qualquer compromisso com o Brasil ou
com o povo brasileiro. Terceiro: por imposição da correlação de forças da atual
política brasileira, uma monarquia contemplaria para formar os quadros da elite
imperial essa camarilha que hoje domina a cena política brasileira. É só abrir
os jornais ou ver os noticiários da TV para identificar quem é quem.
Monarquia ou república? É uma questão de simpatia, gosto,
opção. Cada pessoa tem o direito de expor suas ideias, e defendê-las, desde que
o faça de forma racional e no contexto histórico do tema. Mas só a discussão do tema
em si já é de grande importância política, filosófica e cultural. Estimula o povo
a pensar o País e conhecer melhor sua pátria. Mesmo que seja uma minoria, como
é o caso dos monarquistas, essa parcela de optantes deve ter voz e vez. É das
discussões que nasce a luz, e luz é
coisa valiosa que mais se necessita num momento conturbado como o atual.
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