NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

sábado, 30 de março de 2013


    REPÚBLICA X  MONARQUIA
Grupos simpáticos ao regime monárquico continuam a discussão aberta sobre esse importante tema na mídia eletrônica.  Recebo na minha caixa de e-mails dezenas de comentários e artigos versando sobre o assunto. Não faltando quem remeta estatística. Há os prós e os contra, claro. Na comparação quantitativa dos dois grupos, os monarquistas estão em franca desvantagem. Um  dos gráficos estatísticos, com linhas consecutivas e linhas ponteadas que se cruzam em várias direções e chegam a embaraçar meu labirinto, mostra o movimento monarquista com 8% (oito por cento) de presença na discussão temática. Entram nesse quadro  estudantes de nível básico, professores universitários, técnicos de nível médio, trabalhadores sem qualificação profissional, donas de casa, desempregados, entre outros;  não há alusão à idade nem ao sexo dos entrevistados. O quadro ainda mostra que a opção monarquia caiu nos últimos oito  anos, pois havia chegado a 12%.  Em contraponto, outros gráficos mostram que essa presença monárquica nas discussões do regime ideal para o Brasil oscila em torno da média de  3% (três por cento). Qualitativamente, a opção pela monarquia é maior entre pessoas de formação universitária, destacando-se entre elas: médicos, 4%, professores de nível médio, 3% e advogados, 5%.  
Um dado curioso: entre professores de nível básico onde a opção monárquica fica com pífios 1,8% há alguns (0,6%) que rejeitam o parlamentarismo. O que significa que são radicais optantes por uma monarquia absolutista. Incrível é que esses professores não se deem conta de  que a Idade Média ficou muitos séculos lá atrás e que se vive hoje no Século XXI. A presença dos neonazistas – principalmente jovens -   é marcante nessa opção monárquica. Considerando os aspectos filosóficos da questão, a monarquia é um resquício do absolutismo medieval quando um grupo poderoso formava uma comunidade e se impunha pela força. Exceto o caso do Japão, cujo imperador é venerado  como um deus, todas as outras monarquias vêm passando por algum tipo de crise e contestação popular. Rússia, Portugal, Espanha e outras nações europeias se libertaram do jugo das famílias imperiais, e cresceram economicamente; verdade que a Espanha, num lance magistral do generalíssimo Franco, retornou  à monarquia. A maioria dos países europeus é republicana. A Suíça, por exemplo, é uma das repúblicas que tradicionalmente apresenta altos níveis de IDH, seu presidente usa transporte público para ir de casa para o trabalho.
A Inglaterra, com suas imponentes carruagens nos dias de festa da corroa, é um conto de fadas. Na literatura. A manutenção dos suntuosos palácios britânicos é um problema que afeta diretamente as contas públicas inglesas, a tal ponto que a coroa  para manter aquele fausto os disponibilizou a visitação pública mediante pagamento de ingressos; os escândalos propiciados pela família imperial estão na mídia, o que desacredita a suposta “superioridade” daquela estirpe imperial. Em relatórios secretos, vasados pelo WilkLeaks, o gabinete inglês reclama dos altos custos de manutenção da monarquia e da realeza britânicas. Num desses documentos que teria sido gerado pelo primeiro-ministro David Cameron se chega a afirmar que “a sobrevivência da monarquia se deve ao temor das elites de que um eventual regime republicano desestabilize a burguesia britânica”. A restauração da monarquia no Brasil não traria nenhuma vantagem à população. Primeiro, o País não tem tradição de conviver com esse tipo de regime (os imperadores brasileiros eram estrangeiros e o único brasileiro que foi imperador governava em nome de Portugal, mesmo depois de declarar a Independência, um ato dúbio pois resultou na formação de grande dívida para o Brasil). Segundo: a “família imperial” brasileira é composta de baderneiros pagos com o dinheiro do contribuinte brasileiro para frequentarem as altas rodas sociais europeias, os quais não têm  qualquer compromisso com o Brasil ou com o povo brasileiro. Terceiro: por imposição da correlação de forças da atual política brasileira, uma monarquia contemplaria para formar os quadros da elite imperial essa camarilha que hoje domina a cena política brasileira. É só abrir os jornais ou ver os noticiários da TV para identificar quem é quem.
Monarquia ou república? É uma questão de simpatia, gosto, opção. Cada pessoa tem o direito de expor suas ideias, e defendê-las, desde que o faça de forma racional e no contexto histórico do tema. Mas só a discussão do tema em si já  é de grande importância política, filosófica e cultural. Estimula o povo a pensar o País e conhecer melhor sua pátria. Mesmo que seja uma minoria, como é o caso dos monarquistas, essa parcela de optantes deve ter voz e vez. É das discussões  que nasce a luz, e luz é coisa valiosa que mais se necessita num momento conturbado como o atual.

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