NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

quarta-feira, 20 de março de 2013


 CABANGA FEMENINA SIM SENHOR
Desde meus tempos de menino na Rua de Jangada ouvi pronunciar o toponímico Cabanga  atribuindo-lhe o gênero feminino. Estudei no Senai, ali nos fundos na Usina do Saneamento da Cabanga, a placa da usina assim visualizada ainda está afixada ali; a unidade de ensino profissionalizante se chamava Escola de Aprendizagem da Cabanga.  De uns tempos para cá, quando aquele distrito do bairro de São José perdeu importância social, política e econômica, é comum ouvir-se  na mídia ou em conversas  referências ao bairro “do  Cabanga”. Essa mudança de gênero ocorreu depois da erradicação da Rua de Jangada, fato determinante em consequência da  instalação ali do Cabanga Iate Clube. Um clube de gente rica que não tolerava conviver com  a presença de pessoas pobres, analfabetas e  de hábitos  nada agradáveis  para as elites sociais que começavam a manusear barcos à vela. A Rua de Jangada era uma aldeia de pescadores, encravada entre a Rua das Calçadas Altas  e o núcleo residencial perto da maré apresentando vestígios arquitetônicos do que sobrou  daquilo que  provavelmente  foi  uma companhia de pesca levada a cabo por um ricaço explorando mão-de-obra escrava.

Na sua origem etimológica, Cabanga é uma bebida fermentada de alta concentração alcóolica,  de origem africana (Moçambique) e introduzida em Pernambuco pelos negros trazidos como escravos. E bebida é termo feminino. No areal formado pelo extenso manguezal que ia de norte a sul do Cais de Santa Rita  às imediações do Saneamento e avançava de leste para oeste  até aos fundos da Rua Imperial o cais ainda hoje existente  era usado pelas barcaças para desembarque de lenha, açúcar, sal e outros produtos para abastecer padarias e outros estabelecimentos  industriais  e comerciais, e se dizia que ali ficava o Porto da Cabanga. Escritores e jornalistas deveriam ter mais compromisso com a preservação da gramática portuguesa e não se deixarem levar por essas modernices ditadas pelo poder econômico que agridem a língua pátria. Professores e historiadores precisam cumprir com seus papéis de transferidores de conhecimentos e restauradores da verdade histórica. Invertamos essa tendência de negar o gênero de um termo, mormente um toponímico. Cabanga feminina sim senhor.

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