NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

terça-feira, 14 de maio de 2013


             LIVROS QUE  FICAM
Ler é um exercício prazeroso. Esta frase já foi dita por mim e por outras pessoas milhares de vezes.  A gente faz pesquisa, usa a internet e ler artigos e teses de mestres renomados. Se bem que a internet, como terra sem lei, muitas vezes oferece raposa por guará; têm trabalhos rotulados de científicos que não passam de matéria de almanaque peba, além de um dicionário virtual que é uma gracinha. Mas o importante é ler. Já fui leitor compulsivo, lia um livro por semana, às vezes solvia a obra em dois ou três dias. A idade e as limitações físicas, principalmente visuais, funcionaram como freio e hoje, para não deixar a mente ocioso, eu até assisto novela. Falando de leitura, dentre as centenas de livros que li um  me marcou sobremaneira. Fogo Morto, de José Lins do Rego. É minha opinião, mas não tem Cervantes com seu Dom Quixote de La Mancha, Dante, Homero e tantos outros gênios que iluminaram a mente e alicerçaram a formação de gerações desde muito tempo que substituam  a narrativa simples, concisa, elegante e humanista de Lins do Rego. A figura do mestre seleiro Zé Amaro, analfabeto, inteligente, observador da cena política e social de um ambiente onde desfilavam  senhores de engenho, mulheres cultas e moças analfabetas, seres arrogantes, traidores, loucos e cangaceiros  se destaca num universo colorido e multicultural.
Fogo Morto, quando analisadas as coordenadas da narrativa, nos ensina história, antropologia, sociologia e psicologia. Embora a crítica considere Menino de Engenho a principal obra do autor paraibano  tenho preferência por Fogo Morto. Nesse livro, Lins do Rego  retrata como ninguém o ciclo da cana de açúcar e  se coloca acima de Bagaceira, de outro paraibano, José Américo de Almeida e supera  outros livros e autores que dissertam sobre o mesmo assunto. Embora obra de ficção, Fogo Morto aborda  com extremo realismo um  tema que constituiu a normalidade  nua e crua da Zona da Mata de um Nordeste  de fins do Século XIX  até as primeiras décadas do Século  XX, quando o banguê  foi substituído pela industrialização da cana-de-açúcar É importante conhecer esse período da vida nordestina em geral, e da pernambucana em particular. A partir de obras como as de José Lins do Rego e  José Américo de Almeida, bem como as de Gilberto Freire (Casa Grande e Senzala) e de tantos outros escritores do ciclo da cana-de-açúcar é possível entender como começou a concentração d riqueza e poder na região e como depois se formaram as favelas em torno das grandes cidades nordestinas, principalmente no litoral. Ler é bom; a leitura é o cimento que alicerça nossas mentes  e constrói os espigões do conhecimento.

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