PARTIDOS DE
MENTIRINHA
JOAQUIM BARBOSA X CONGRESSO
JOAQUIM BARBOSA X CONGRESSO
Em palestra para alunos de uma faculdade do DF, o ministro
Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) não poupou
palavras para desqualificar o Congresso nacional e os
políticos brasileiros. Barbosa foi enfático ao afirmar que os políticos
“querem o poder pelo poder”. Ao se referir ao perfil partidário do País, Barbosa
disse que é “um poder dominado pelo executivo”; “que não exerce em sua
plenitude o poder que a Constituição lhe atribui”; “Esta é uma das grandes
deficiências, a razão pela qual o Congresso brasileiro se notabiliza pela sua
ineficiência, pela sua incapacidade de deliberar”. E é nesse vácuo do exercício de legislar que o STF muitas vezes faz o papel de poder
legislativo, se deduz das palavras de Joaquim Barbosa. A dureza das palavras do
presidente do STF acirrou ânimos entre os políticos, que responderam em tom
também nada ameno.
O vice-presidente no exercício da presidência da Câmara, André
Vargas (PT-PR) disse que Barbosa “Não está a altura de presidir o STF”. Vargas
afirmou ainda que “Não é a primeira vez que ele faz isso, já fez isso com o
judiciário recentemente”. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves
(PMDB-RN) que se encontra nos Estados Unidos foi mais cauteloso ao comentar as
declarações de Barbosa: “Uma desrespeitosa declaração como
essa não contribui para a harmonia constitucional que temos o dever
supremo de defender”, disse Alves. No
Senado, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP)
rebateu as palavras do presidente: “O
meu partido é de verdade; quem se dobra ao governo é a situação, não é o
Congresso como um todo”. Ainda no Senado, o vice-presidente da casa Tião Viana
(PT-AC) foi didático ao afirmar: “Seria importante para o País que quem dirige
uma instituição ajude a fortalecer a outra”.
Para azedar ainda mais as relações entre os Poderes da
República, o ex-ministro do STF Carlos
Ayres Brito, em conferência na Associação Comercial de São Paulo, acusou o
Congresso de inércia e incompetência. “Nós estamos fazendo um experimentalismo
decisório, inevitável. Diante da
inércia do legislativo nós temos que nos
apropriar conceitualmente de temas dificílimos, especialíssimos”, afirmou Ayres
Brito. O ex-ministro do STF cutucou o legislativo com uma questão nevrálgica
para os parlamentares: o nepotismo: “Se a Constituição consagra os princípios
da eficiência, igualdade, moralidade, impessoalidade, a todas as luzes o
nepotismo é uma colisão frontal e moral a esses quatro princípios”, disse o
ex-ministro.
ANÁLISE DA CONJUNTURA. O pronunciamento do presidente do STF
e a forma como os parlamentares reagiram demonstram que o País vive uma crise
política e moral de desrespeito entre os Poderes da República, o que configura
um quadro de crise institucional. Há uma invasão de competência de um Poder
pelo outro, e isso inclui o executivo, cujo perfil de insegurança está embutido
na discussão entre a cúpula dos outros dois poderes. Os atores dessa crise são
também seus autores. Joaquim Barbosa desfila na passarela política empurrado
pelos ventos que podem levá-lo a sair candidato à presidência da República. Sua
afirmação de que “Temos partidos de mentirinha” é verdadeira, pois os partidos
políticos brasileiros não estão interessados em ideologias, e seus objetivos realmente são “o poder pelo poder”. Mas
Joaquim Barbosa, como presidente da Instância Suprema da justiça brasileira não
deveria fazer uma declaração dessa natureza, uma vez que assim agindo incorre
em falta de ética e dá munição aos líderes do Congresso para considerá-lo “não
a altura” do cargo que exerce. Já Aloysio Nunes tenta tirar seu partido (PSDB)
da vala comum dos “de mentirinha”, mas as razões por ele alegadas apenas
reforçam a imagem de um balaio onde estão jogados todos os partidos políticos
brasileiros. Porém, é a Constituição brasileira bem como a consciência política
da população brasileira que saem arranhadas diante dessa desordem na condução
da vida pública do País.
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