EUROPA DESACELERA
A União Europeia desacelera seu crescimento. Não por conta de
medidas governamentais, mas em razão do buraco sem fundo que se formou na sua
economia. Nenhum país do Velho Continente possui no momento condições de
equilibrar seu orçamento. E em todo o continente, não há dinheiro suficiente
para equilibrar a balança interna ou externa dos países membros. Países como
Portugal e Espanha, que entraram pobres na União Europeia e estão ainda mais
pobres e sem condições de honrar seus compromissos internos ou externos,
juntam-se à Grécia para formar o maior gargalo da economia europeia. Nem a rica
Alemanha escapa dessa situação. Menos ainda a tradicional e pomposa Inglaterra.
O mercado europeu encolhe e os trabalhadores – os que conseguiram manter seus
empregos, sofrem perdas salariais. O
desemprego em toda a União é
assustador. Qual a explicação para tudo isso? Tudo
tem explicação.
Culturas diversas, que num passado nem tão distante resolviam
suas questões na base do trabuco, naturalmente têm dificuldades para
encontrarem saídas pacíficas que respondam a todas as questões do grupo. Embora
esse grupo já esteja tentando essas saídas há várias décadas. Cada país fazia
seu planejamento, e o Velho Continente perdia espaço para os Estados Unidos e
Japão. Quando o planejamento passou a ser colegiado, é natural que os planejadores
tenham encontrado dificuldades para encaixar num orçamento global problemas
gerados por países pobres e países ricos juntos. Era preciso um esforço de
guerra para que tudo isso desse certo. Mas os países ricos não abriram mão de
suas vantagens construídas ao longo de séculos. As grandes corporações
econômicas europeias dominam o cenário econômico, e por tabela, o político e o
social do continente. Cada grupo querendo assar primeiro sua sardinha. Os
governos, sem caixa, começavam a dar sinais de dificuldades. E a União
Europeia, insistindo na manutenção do euro, demonstra ser um sistema tão falho
como os dos países dos continentes menos ricos.
As consequências não poderiam ser diferentes: num sistema
capitalista, ou em qualquer sistema – mas, principalmente nele, a corda quebra
do lado mais fraco. E sobrou para os trabalhadores. Enquanto a União Europeia,
dominada pela cúpula capitalista, planeja soluções de médio e longo prazo para seus problemas comuns, a curto prazo os
empresários procuram se resguardar em seus privilégios; fecham fábricas, lojas
e reduzem a produção agrícola. Demitem trabalhadores e esperam pelo que ainda estar por vir. E
aplicam seu precioso capital em países de outros continentes, como Estados
Unidos, China, Brasil, entre outros. A corrupção corroeu os alicerces da política europeia, vejam o
caso da Itália que passou dois meses sem governo, e o o governo que conseguiu
formar carece de sustentação. O nível de enquadramento fiscal dos cidadãos europeus chegou a um ponto insuportável. França,
por exemplo, cobra 70% da renda individual. Num cenário desses é impossível não
desacelerar.
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