TEMPOS NOVOS, NOVOS RUMOS
Caiu o muro de Berlim, faz algum tempo. Ruiu a União
Soviética e acabou a guerra fria que tencionou ao extremo as relações
internacionais até décadas atrás. A Conferência Internacional de Alma-Ata (URSS)
emitiu conceitos sobre saúde, direitos humanos e temas correlatos. Nasceu a ONU
em substituição à Liga das Nações. Os europeus criaram um órgão para resolver pacificamente suas demandas
econômicas e unificar procedimentos jurídicos. Os Africanos e os
árabes fundaram seus órgãos
representativos. A China surgiu
como alternativa política e econômica ao
poderio ocidental, equilibrando assim as relações de poder no mundo. Neste fim
de Século XX e começos do Século XXI
muitos acontecimentos
políticos, militares,
diplomáticos, econômicos e
principalmente sociais mudaram a face do Planeta. Muitos ditadores
foram alijados do poder. A liberdade doméstica assistida dos anos trinta
quarenta passou por uma atualização e a
cada dia mais pessoas têm acesso à educação e fontes de informação. O mundo de
hoje é bem diferente daquele que antecedeu a Segunda Grande Guerra, que foi
quase mundial. Países antes marginalizados se desenvolvem de acordo com a
determinação dos seus governo e povo. Nestes tempos de viagens espaciais,
aviões supersônicos, fissão nuclear, satélites artificiais, televisão
interativa, avanços genéticos, telefones
celulares e internet o mundo como que ficou menor; não há mais distâncias que
separem as nações e as pessoas. Notícias de acontecimentos importantes que só
chegavam ao nosso conhecimento em dias ou semanas agora são transmitidas ao
vivo, em tempo real. Agora, a pergunta que não cala: será que todo esse avanço
científico, tecnológico, econômico e social dessas últimas décadas está sendo
utilizado para melhorar a sociedade humana?
Guerras alimentando a indústria dos países interessados não
deixam de acontecer em alguma parte do mundo. O ódio religioso secular instiga
a separação de etnias coirmãs, como é o caso da refrega entre judeus e
palestinos. As religiões, sem exceção, na busca por mais espaço e mais adeptos,
não atentam para o fato de que estão estimulando uma guerra santa ou participando ativamente dela. Enquanto os
cristãos brigam entre si por mais
espaços o islamismo avança na Ásia, na África e na Europa Oriental e já mostra
sua cara nas Américas. As causas que determinaram as duas Grandes Guerras ainda estão latentes
na cabeça de muitas pessoas com status de formadores de opinião. A ideologia
neofacista alimenta esperanças e produz atitudes em muitas dessas pessoas. Não
bastaram as atrocidades da primeira Grande Guerra e o sofrimento de anos de
destruição e mortes provocadas por disputas econômicas, geográficas e religiosas
que levaram o mundo à Segunda Guerra. Apesar da conscientização quase
generalizada de que as disputas devem ser resolvidas na mesa de negociações,
conhecidos setores de conotação cristã instigam veladamente a desavença para
tirarem proveito disso.
O Nazismo e o fascismo foram episódios dolorosos de nossa
história que a humanidade espera que não se repitam. O comunismo de Stalin
maculou ideias de filósofos utópicos que sonharam alto, e como regime feroz e
sanguinolento que foi, fracassou na tentativa de mudar as bases conceituais da
cultura humana. O poderio econômico e militar norte-americano, bem como a
própria filosofia do capitalismo, dão sinais de esgotamento. Tal qual o Cristianismo, o islamismo, dividido
em facções rivais e violentas que cada dia, na sua fúria ideológica, exterminam dezenas de vidas úteis, não se
sustenta como alternativa ao cipoal de erros e poucos acertos da ideologia ocidental. Busca-se uma porta,
pelo menos uma janela através da qual se possa vislumbrar uma saída racional
para esse amontoado de insanidades,
equívocos e má-fé que tem constituído a história humana mais recente. O
importante neste momento é adotar procedimentos econômicos, políticos e
diplomáticos que impeçam a eclosão de uma nova guerra de amplitude planetária.
Um conflito desses não traria benefícios para ninguém, menos ainda para a
civilização cristã. Já há sinais de que é possível preservar a paz e ressocializar a sociedade ocidental.
Novas lideranças na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina tentam
escapar ao tecnicismo e imprimirem rumos pragmáticos aos conceitos de política
e formatação de uma nova sociedade. Sinais tímidos, difusos, mas um alento. A
lógica desse pensamento é refletir sobre o que aconteceu com o homem através da
história e tirar lições desses fatos. A consolidação dessa nova onda de
pacifismo poderá mudar os rumos da sociedade ocidental e equilibrar a disputa
por espaço com as ideologias orientais. E quem sabe, desse equilíbrio nasça uma
nova mentalidade de parte a parte e se instale no mundo uma convenção de
convivência pacifica com respeito das ideologias opostas. Não pode haver
titubeios nem falhas. Nem rancores. As lições positivas do socialismo devem se
somar aos bons resultados organizacionais do capitalismo. Os novos tempos exigem reflexão, bom senso, coragem de
ação e atitudes sensatas. E como
consequências, novos rumos na arte de fazer política e grandes proezas no
singular exercício humano de pensar.
05.05.2013
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