NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

           UMA CIVILIZAÇÃO DE SURDOS E MÍOPES
Minha avó paterna já advertia os netos: "Não procurem lugares barulhentos, vozes altas podem fazer mal à audição". E no ginásio ouvi professores se queixando da baixa acuidade visual devido a necessidade de longas noites lendo sob a luminária. Zé da Lua, um analfabeto sábio por natureza que era taxado de louco, evitava o reflexo da luz do leito do rio, e justificava:"pode cegar". Sou do tempo do lápis e papel. Da  tabuada e  da gramática (nem tudo ali eu aceito). Quando cegueira poderia ser  fruto da má nutrição e surdez  um indício de maus tratos na infância. Sei que os avanços tecnológicos viera para ficar. E continuarão se aperfeiçoando, sempre. Sei que se deu, nas últimas décadas, um enorme salto para o desenvolvimento dos meios de comunicação, transportes, produção, negócios. Desenvolvimento que chegou aos métodos de aprendizado formal. Do rádio e do telegrafo evoluiu-se para a televisão, chegou-se ao "cérebro eletrônico", que se simplificou no notebook; do telefone fixo, chegamos à telefonia móvel, o celular. O cinema passou por uma transformação incrível.  E estamos apenas tateando. Novos e revolucionários inventos serão lançados no mercado. A marcha se acelera, e é irreversível.
A voz de minha avó e a advertência de Zé da Lua tem sentido. Pesquisas recentes realizadas por universidade alemã chegaram a uma conclusão óbvia: quanto maior a escolaridade maior é o risco de miopia. E já sabíamos, através de advertências de médicos e educadores: a exposição a ruídos permanentes causa danos aos tímpanos, levando aos poucos  a uma surdez  que talvez não se reverta. O uso continuado e constante de mídias eletrônicas, a forma de se ouvir música com um fone enfiado no ouvido, a variação continua de imagens que se repetem diante do nosso olhar fixo, tudo isso levará  no futuro a uma civilização de surdos e míopes. Voltar ao lápis e papel, à sombra dos arvoredos, às caminhadas pelos campos verdes e floridas da infância de minha geração é inconcebível. Resta saber dosar a intensidade do som ao pé do ouvido,  da luz diante de nós, programar o uso do notebook e do celular e educar melhor nossas crianças e adolescentes. Ainda uma vez inha avó: "Tudo que é fácil de mais estraga".


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