ÓDIO ONDE DEVERIA HAVER PAZ
A guerra entre Israel e
o Hamas é mais um lamentável capítulo de uma história milenar de discordância,
cisões e ódio entre povos que tiveram uma mesma origem territorial, um mesmo
tronco antropológico e um mesmo cenário cultural. Tudo ali, segundo a Bíblia e o Alcorão,
começou com a capacidade agregadora de Abraão, Patriarca comum dos judeus,
cristãos e muçulmanos. Das centenas de filhos de Abraão, dois foram colocados
no pedestal da glória pelo pai: Isaac e Ismael. Isaac lançou os fundamentos
doutrinários que levaria à fundação de
Israel. Ismael logo se isolou do irmão e foi habitar uma montanha, onde
elaborou um corpo de doutrina que se diferenciaria da vertente de Isaac.
A
doutrina de Isaac formatou o Judaísmo e o conjunto doutrinário de Ismael criou
o que se chamou de Ismaelismo, depois despersonalizado e denominado Islamismo; surgem os muçulmanos. Em algum
momento da história, judeus e muçulmanos reivindicavam o status de "Filho
da Promessa" para seus fundadores. Essa busca "pela verdade"
acabou em intolerância. Judeus e muçulmanos se transformaram em estados
teocráticos e se tornaram inimigos viscerais. Povos irmãos, israelitas e árabes nunca se entenderam. Uma briga suscitada sobretudo pela religião. Que deveria
unir os dois povos.
A guerra que se trava
hoje no oriente não tem sentido, a não ser se observada sob o prisma dessa
rivalidade milenar. Na verdade, há uma guerra entre Israel e um lado do estado
palestino, estado oficialmente não constituído, embora já reconhecido por
alguns países. A faixa de Gaza é reduto da facção palestina que não quer negociar com Israel. Mahmoud
Abbas, presidente da Autoridade Palestina, não tem poderes para impor
providências em Gaza. E assim dividida a Palestina não tem como confrontar o
estado de Israel. É absurda a matança de crianças, mulheres, idosos e demais
pessoas indefesas do lado de Gaza. Como não é aceita a guerrilha do Hamas,
levando terror às cidades de Israel. O ódio que separa as duas etnias está
longe de ser debelado. Israel é forte, uma potência militar, e a Palestina
sequer tem um exército. Uma luta de pigmeu com gigante, da formiga com um
elefante.. Até quando?
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