O SILÊNCIO DA SUBMISSÃO
Recife é uma cidade sitiada
por carros em ruas e avenidas estreitas. A falta de planejamento, lá atrás, e a
má gestão, hoje, transformaram a capital pernambucana num inferno em se
tratando de mobilidade urbana. A falta de transporte público em algumas áreas e
a má qualidade do mesmo no restante da cidade atrapalha a vida da urbe e põe em
risco a segurança e a vida do cidadão que aqui mora. O modal rodoviário nas
cidades brasileiras é típico de países de lideres de mentes atrasadas. Os
países desenvolvidos utilizam o transporte ferroviário como modal
básico.
Ontem à tarde, para
chegar a uma grande loja de produtos médicos, e com dificuldades de
estacionamento, tivemos que fazer uma longa e desnecessária maratona por
artérias como a av. Rosa e Silva, Amélia, entre outras. Ao entrarmos na rua Amélia, para acessar as imediações
da loja, conhecemos o inferno urbano. Era 5 horas quando entramos nessa rua, e
só conseguimos sair dela às 8 horas e 30 minutos. Na Agamenon Magalhães, o
trânsito também não fluía.
E o silêncio nessa rua
era anormal. Carros com motores desligados, nem rádio se ouvia. Quem mora ali
também sofre com coisas desse tipo. Não há espaços para pedalar, nem
motociclistas ousam passar por ali. E se houvesse necessidade de uma emergência
médica , como uma ambulância chegaria ali? Não havia como passar! Um helicóptero também não teria como pousar em meio a tantos edifícios e àquele emaranhado de fios... E a população
montada sobre quatro rodas, assiste passivamente a uma coisa dessas! O silêncio daquele daquela tarde-noite é bem
sintomático da submissão do cidadão que mantém essa e outras cidades com os
altos impostos arrancados do seu salário.