MAIORIDADE PENAL I
Passou pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara
dos Deputados o projeto que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. Essa é
uma ideia que de há muito vem sendo gestada pelas elites conservadoras brasileiras.
Os grupos mais progressistas têm demonstrado desprezo pela medida. Para as primeiras, a mudança reduzirá a
violência no País. Já os segundo, entendem que a medida é inócua. Operadores do
Direito divergem, mas a maioria deles é bem clara em afirmar que tal mudança só
teria o efeito de fazer com que a criminalidade passasse a ser praticada mais
cedo, ai por volta dos catorze ou quinze anos. Todos têm razão, mas estão
enxergando apenas os efeitos da criminalidade, nas as causas dela. As elites
conservadoras, principalmente os
segmentos de representação política, estão
apenas querendo dar uma resposta à sociedade representada, ou seja: no fundo, pleiteiam manter o status quo
vigente no qual elas sempre ditaram normas. As elites mais progressistas – no seu
segmento representativo, também estão
fazendo teatro, pois elas se nutrem igualmente desse sistema que faz o
arcabouço político, econômico e social
do Brasil desde a época do Império, passando pela independência e
desaguando na República. Ou seja: elite política nenhuma quer reforma alguma.
Como resolver, pois, o
problema da criminalidade no Brasil? No atual sistema político brasileiro não
tem solução. Uma tese que surge como alternativa é a de que, mantidos os atuais
dispositivos legais, o menor de dezoito
anos só será imune enquanto não cometer crimes. Uma vez cometido o crime, ele
será responsabilizado, e processado de acordo com as leis já existentes. Mas ai
também vem a questão da maioridade criminal:
a partir de quantos anos o menor será criminalizado? Esse questionamento
não encontra resposta adequada, pois em países onde não há limites de idade
para responder criminalmente, a criminalidade infantil está presente, em muitos
deles em processo de crescimento. E se for introduzida essa norma no Brasil, em
que instituição socioeducativa o menor será internado? Nos presídios
superlotados de facínoras, nas Febéns onde o menor incauto que praticou um
delito vai fazer uma “faculdade” para se tornar um bandido? Ah, serão ciados
presídios especiais para menores infratores! Presídio é o de que menos
necessita o País, principalmente para menores.
Será um problema de educação? Que tempo será necessário para que a
escola, reformada para prevenir crimes infanto-juvenis, passe a mostrar seus
efeitos nessa área? Bom lembrar que a
escola brasileira – pública ou privada, é fruto do sistema em que está
inserida.
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