A BANALIZAÇÃO DA ORDEM E DA MORAL
OS VALORES ÉTICOS AOS POUCOS VÃO SE EXTINGUINDO
FAMÍLIA, ESCOLA, RELIGIÃO, PARA QUE SERVEM?
O MUNDO TODO PARECE de pernas pro ar. A sociedade mudou radicalmente nos dias atuais. Os valores éticos defendidos por filósofos e educadores perderam espaço nas relações entre as pessoas. As autoridades constituídas não sabem mais o que fazer para ordenar as realções entre os cidadãos. A família já não consegue educar seus filhos- o que seria seu papel fundamental. Na escola, os alunos têm estranhos hábitos comportamentais, dão pouco valor a aquisição do conhecimento e menos ainda a qualquer linha de conduta ética. Por sua vez, os professores demonstram pouca apetência para exercer a missão grandiosa de transmitir, renovar e aperfeiçoar o conhecimento que lhe é inerente. E a religião? Ah!, a religião esqueceu sua significação, perdeu de vista o religare e se transformou em motivo de discórdia. As várias denominações brigam entre si e instigam nas pessoas e grupos a disputa por espaço.
PARA ONDE ESTAMOS CAMINHANDO? Filósofos da "modernidade" insinuam que a sociedade está passando por um período de transição. E que novos tempos trarão melhores dias para a humanidade. Esse discurso de transformação social começou com as contestações da sociedade e da ordem vigente feitas pelos jovens desde meados da década de 50 do século passado. E se ampliou como rastilho de pólvora mundo afora. A consumação desse novo ideal se dá em Woodstock, em agosto de 1969, cujo festival de música popularizou os hippies, deu a arrancada para a liberalização sexual, a resistência às mposições sociais e ao império das liberdades individuais sem limites. Esse movimento de Woodstock tem reflexos nos costumes e principalmente a música sofreu sua influência com o rock se tornando a coqueluche mundial. É a época de difusão de grupos musicais, pontificando os Beatles. Os acontecimentos que se seguiram a Woodstock mudaram a face do mundo ocidental. A mulher se emancipou, o movimento feminista se transformou numa força política de grande relevância; os costumes passaram por transformações radicais. As leis dos países ocidentais foram adaptadas a essa nova realidade e a sociedade teve uma nova formatação. Mudou a família, mudou a escola, mudaram as pessoas. Infelizmente, as pessoas não souberam aproveitar esse fluxo de liberdade e fizeram com que a sociedade se tornasse libertina. A indústria do sexo, a produção de bebidas alcoólicas, a propaganda aberta de coisas mais íntimas como langerie, a profusão dos motéis, o prazer como opção maior, a prostituição aberta, tudo isso descambou para o uso de drogas, que por sua vez multiplica esses fatores de riscos sociais e fomenta a violência. A criminalidade crescente assusta as pessoas comuns. Mas essas mesmas pessoas não percebem que suas maneiras de viver alimentam a violência dentro de casa, na escola e nas ruas.Nunca se matou tanto, nunca se precisou tanto de mais presídios; e os recursos que são destinados a administrar essa enorme catarse social faltam na educação, na saúde, na segurança e na prevenção de catástrofes naturais. Jovens são mortos por qualquer coisa; no trânsito, as discussões e brigas acabam não rato em mortes. Moças são abordadas e estupradas por criminosos dentro dos próprios campos universitários. Mulheres são cada vez mais vítimas da violência de um mudo sem rumos. Adolescentes e crianças são mortos por colegas dentro dos estabelecimentos escolares.Mentes doentias invadem escolas e matam colegas, crianças e adolescentes indefessos. Columbia (USA) e Realengo (RJ) são pontas de um mesmo novelo a se desfiar diante de uma sociedade perplexa. Homens e mulheres programam a morte do companheiro que deviam amar. Os crimes cibernéticos se avolumam numa velocidade que assusta. O espaço de tempo entre os eventos de violência se reduziu de uma forma tal que em vez de falar na construção de novas escolas para atender à crescente demanda populacional as autoridades estão empenhadas na construção de mais presídios de segurança máxima para a contenção da violência e na elaboração de novas leis capazes de reduzir os efeitos da criminalidade.
FALAMOS ATÉ AQUI DO MUNDO OCIDENTAL. Mas a avalanche de violência se espalha por todos os continentes e civilizações. No Oriente Médio ena África do note, principalmente nos centros de fé muçulmana, a apartação social entre os grupos em que se divide a sociedade islâmica, também apresenta seu viés de violência. Costumes seculares em que a sucessão política se fazia de forma patriarcal são agora contestados pela população desprovida de emprego, renda e escola aberta a todos. As insurgências nos países dessas regiões assumem caráter de discidências irreconciliáveis e a população armada busca alijar do poder os líderes que ali estão há décadas. Em outras partes da Ásia, onde a cultura também é islâmica, os fatos se repetem. Grupos armados querem derrubar seus líderes e facções mais mais radicais disseminam o terror entre seus semelhantes. Tanto lá como aqui, os mandamentos sagrados estão sendo jogados na lata de lixo. O que a Bíblia recomenda é o inverso do que se pratica na sociedade ocidental. E no oriente islâmico, grupos políticos e facções paramilitares não seguem a mensagem de paz transmitada através do Alcorão.
FINALMENTE, é preocupante o cenário político e social da humanidade. Todas essas mudanças têm inspiração capitalista. No Ocidente a palavra pluralizada reformas tem sido ditada pelo capitalismo que quer reduzir os direitos sociais das classes trabalhadoras para aumentar os lucros dos bancos, das grandes indústrias, dos fazendeiros e dos comerciantes. A sustentabilidade econômica pregada pelos economistas é uma falácia; o economês é uma lingua que busca explicar tudo o que é do interesse capitalista, ainda que essas coisas nunca sejam devidamente explicadas. No Oriente Médio, Ásia e África islamicos os interesses corporativos do grande capital ocidental estão por trás das insurgências que varrem essas regiões. A luta dos insurgentes, embora merecedora de todo apoio do espirito democrático ocidental, tem sido insuflada pelas potências ocidentais ávidas pelo petróleo de lá. Os grupos em litígios têm rendido excelentes lucros às fábricas de armas e munições do Ocidente, que os armaou Tanto lá como aqui, a religião se acomodou aos ditames econômicos, e caminha a reboque dos interesses corporativos dos grandes centros desenvolvidos do mundo. A ordem e a moral passam a ser refrões dos interesses de um mundo convulso, de rumos incertos e de consequências ainda não devidamente dimensionada.
-Comentário do leitor/seguidor: "AS PESSOAS VIVEM COMO SE NÃO HOUVESSE O AMANHÃ, COMO SE SUAS ATITUDES NÃO REFLETISSEM MAIS ADIANTE. EXISTE SIM, A LEI DA AÇÃO E DA REAÇÃO, TUDO QUE VAI, VOLTA: PALAVRAS, ATITUDES, ENFIM ESTAMOS INTERLIGADOS".
-Profª Solange Pereira da Silva
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