NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

sábado, 2 de abril de 2011




ARROUBOS DA INTOLERÂNCIA

Em meio aos conflitos movidos por interesses econômicos como os que abalam a instabilizada região do Oriente Médio, note da África e parte da Ásia, chama a atenção dos observadores mais isentos a luta de fundo religioso que está por trás de muitos desses eventos. Deixando de lado o caráter meramente econômico (embora ele seja predominante) desses conflitos há que se destacar a insensatez de líderes religiosos de várias tendências que colocam suas opções de enxergar a vida de forma intempestiva e anacrônica. O caso do pastor norte-americano que postou vídeo ameaçando queimar em praça pública o alcorão - livro sagrado dos muçulmanos, é bem emblemático desses arroubos de intolerância que estão caracterizando o Século XXI.

Não se pode confirmar se o pastor levou a cabo sua ameaça. Mas em resposta, ativistas muçulmanos invadiram um escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) no Afeganistão onde destruíram parte das edificações, queimaram as instalações, danificaram arquivos. As agências de notícias informam que muitas pessoas foram mortas e outras mais ficaram feridas, algumas gravemente. Ainda uma vez, não se pode confirmas as informações, mas há notícias de pessoas degoladas pela multidão em fúria. Essas mesmas agências, que são ocidentais, dão conta de que os manifestantes "procuravam por norte-americanos". Era uma multidão forjada na fé muçulmana buscando vingar-se de um sacrilégio, uma agressão à sua fé. E cada norte-americano presente no Afeganistão representava o pastor que insanamente pregou a queima do livro sagrado do islã. Ainda está presente na memória das pessoas o episódio do poeta inglês que publicou versos sobre os islã, chamando-os de "satânicos". Todos lembram dos problemas que esse escritor europeu enfrentou depois dessa sua ação insensata.

Há exageros de ambos os lados, exacerbação de ânimos e até forte conotação fanática. É bom relembrar que o ditador líbio Muamar Kadafi, nos seus tempos áureos, mandou destruir todos os símbolos ocidentais presentes na Líbia. Livros, moveis, utensílios domésticos, pinturas, gravuras, guitarras, violões, tudo que identificassem a cultura do ocidente foi queimado. Essa é uma guerra cultural de séculos; vem desde as Cruzadas, quando os reis católicos europeus tentaram "reconquistar" a terra onde floresceu o Cristianismo. A Índia politeísta tem sua tradição montada no Livro dos Vedas (na verdade, uma coleção de livros), os árabes formaram sua cultura religiosa paralela ao Judaísmo e chegaram ao monoteísmo têm no Alcorão seu livro sagrado. Os Cristãos se alicerçam na Bíblia, que conta a história do povo hebreu na sua versão de Velho Testamento e formata um sistema de conduta e fé ditadas pelo Novo Testamento. Há uma infinidade de doutrinas religiosas ao redor do mundo, que seria enfadonho e inapropriado relatar aqui.

O que impressiona o observador não comprometido é esse clima de tensão que cada vez mais se acirra entre as religiões. Principalmente o Cristianismo e o Islamismo. O blog já analisou os aspectos econômicos das guerras entre os povos dessas duas culturas. Voltaremos a discutir a questão, sob o tríplice aspecto econômico, político e religioso. O interesse maior dessa discussão é frisar o anacronismo dessas posturas antagônicas. Religião - até na sua acepção etmológica - é sinônimo de paz, misericórdia e convivência pacífica entre as várias culturas humanas. Amedronta a  todos que amam a paz e anseiam por uma sociedade melhora a posição de intolerância até agora demonstrada pelos líderes religiosos.


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