HOMEM MATA 12 CRIANÇAS NUMA ESCOLA E FERE 18
EXECUÇÃO DE MENINAS INDICA REPRESAMENTO DE EMOÇÕES FERIDAS
A ESCOLA E A FAMÍLIA NEGLIGENCIARAM SEU PAPEL NESSE EPISÓDIO
AO QUE PARECE HOUVE POUCA ATENÇÃO AO ITEM SEGURANÇA
Nessa 5ª-feira, 07 de abril, a cidade do Rio de Janeiro viveu um desses dias de cão que jamais se apagará da memória da população carioca. Um homem de conduta estranha que morava só, fora adotado ainda criança e cuja mãe adotiva morreu há pouco mais de 1 ano, tinha o hábito de passar longo tempo de sua vida na frente de um computador. Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, matou a tiros 12 crianças e adolescente - 10 meninas e 2 meninos - alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira, no Realengo, Rio de Janeiro.E deixou mais 18 feridos, alguns gravemente.A cena macabra chocou pelo instinto perverso demonstrado pelo criminoso. Armado com duas pistolas (uma calibre 38 e outra de calibre 32), portando grande quantidade de munição e um abastecedor automático, o criminoso começou a alvejar crianças já na frente da escola. O estalecimento escolar comemorava 40 anos de inauguração e alguns ex-alunos estariam participando de dpoimentos programados pela direção da escola. Depois de alvejar as crianças fora da escola, Wellington passou pelo portão com uma bolsa sem ser incomodado pela vigilância, encontrou uma professora a quem disse que "iria fazer uma palestra". No interior da escola, entrou numa sala de aula, tirou as armas da bolsa, confinou os alunos num canto da paredee e começou a atirar neles. Talvez como explosão de emoções feridas represadas escolheu como alvo preferencial as meninas. Saiu da sala, passou a um piso superior, recarregou a arma, retornou à sala e recomeçou a atirar impiedosamente nas crianças. Até que na sua frente apareceu um sargento PM que avisado por alunos em fuga penetrou na escola e depois de breve caça, se viu diante do criminoso, que atirou contra ele. O sargento revidou, alvejando o assassino, que caiu sobre os degraus da escada entre o 1º e 2º pisos. Informações oficiais dão conta de que o criminoso teria se suicidado. O pânico se estabeleceu dentro e fora da escola, com alunos desesperados tentando fugir e pais em pavorosa busca dos filhos que estudavam no estabelecimento.
Histórias de crimes bárbaros e execuções em massa em escolas são comuns nos Estados Unidos onde existe grande quantidade de armas de fogo nas mãos da população e onde as facilidades para sua compra estimula o porte de armas entre os americanos. Não precisa detalhar aqui os casos de crimes registrados nos Estados Unidos, de vez que ainda não desapareceram da memória das pessoas as terríveis execuções em escolas ali praticadas principalmente por jovens e adolescentes. Os Estados Unidos são uma sociedade violenta, que transformou o consumo numa compulsão. Já não se estranha o noticiário de crimes bárbaros oriundos do Tio Sam. Sua cultura é a da superioridade e hegemonia e sua economia desconhece limites éticos. A mesma violência com que os cidadãos americanos se agridem, discrimam os imigrantes e difundem internamente o terror é usada pelo governo norte-americano para se impor às nações economicamente dependentes deste e de outros continentes. Eles, os americanos, se consideram acima do bem e do mal.
O MASSACRE, SUAS CAUSAS E SIGNIFICDO
Que motivos teriam levado Wellington a perpetrar tamanha insensatez? Muitas são as explicações até agora dadas por profissionais de segurança, psiquiátras e sociólogos e autoridades constituidas ouvidos pela mídia. Essas explicações não respondem exatamente aos lamentáveis fatos que geraram tanta comoção no Brasil e no mundo. As perguntas continuarão a ser feitas pelas pessoas simples do povo que buscam respostas para tanta barbárie. Deixando de lado essas explicações próprias de momentos como esse vivido pela população de Realengo (RJ), e de domínio geral, há que se considerar a vida atormentada levada pelo criminoso. Filho de mãe esquizofrênica, adotado por uma tia, também portadora de problemas mentais; discriminado na escola por seu temperamento reservado, rejeitado pelas meninas de sua faixa etária, provavelmente abusado sexualmente dentro da escola e talvez vítima de agressões no interior da mesma, Wellington era um projeto psicossocial fadado ao fracasso. Com certeza teria estudado técnicas de tiro ao alvo, provavelmente usava o computador de casa para assistir filmes de teor agressivo e treinar técnicas de execução; adquiriu duas armas e um carregador automático. Pior: não se sabe se cristão ou muçulmano, mas a verdade é que Wellington aderiu a algum tipo de fé radical, desenvolvendo idéias fortemente fanáticas. Isolado em sua casa (morava só), tinha na cabeça o propósito de vingar-se da sociedade que o rejeitava; e como todo processo de rejeição presente na mente doentia de Wellington começara predominantemente na escola onde estudara o ensino fundamental, natural era que por ali começasse a pôr em prática seus propósitos.A lembrança de uma família desestruturada que não lhe soube dá suporte afetivo e educacional na infância talvez não fosse tão forte como as imagens da adolescência na escola fundamental marcadas em sua memória.
Nas proporções do número de mortes e violência do caso da Escola Tasso da Silveira, não há nos registros policiais do Rio ou do Brasil caso semelhante. Repetem-se no País episódios que se tornaram comuns nos Estados Unidos e em alguns países europeus. Importamos, via globalização, métodos de execução em massa só conhecidos nos países acima citados. Na medida em que adotamos conteudos comportamentais importados nos afastamos dos tradicionais padrões éticos de nossa cultura. A maneira de comer, a forma de vestir, o lazer diário, tudo hoje em nossas vidas sofre a interferência estrangeira. E no bojo dessa dependência nos inserimos também na trilha da violência instigada pelos enlatados cinematográficos, música, vídeos e áudios e livros importados. A globalização destrói valores éticos dos povos economicamente dependentes e seus efeitos socialmente perniciosos se fazem presentes em cada momento de nossas existências.
SINAIS DE ALERTA
Cuidado! Um Wellington pode está dentro de sua casa. A sociedade que Wellington feriu de morte tem sua parcela de culpa no episódio da Escola Tasso da Silveira. Os sinais emitidos por Wellington Oliveira não foram tão sutis assim. Discriminado na escola, ele se fechou dentro de si; abandonado pela família, se isolou da sociedade. Centenas - talvez milhares - de Wellington estão por ai. Pode ser seu irmão, leitor(a), um sobrinho ou parente de qualquer grau. Se não houver a compreensão de que é necessário ficar atento às anomalias desenvolvidas pelas crianças ou por indivíduos na fase de adolescência, será impossível identificar nos indivíduos essas tendências anômalas; se a família e a escola não estão preparadas para desempenhar esse papel preventivo, dificilmente se evitará a repetição de episódios como o de Realengo. Escola e famíla, órgãos comunitários com seus departamentos de apoio psicológico e educacional falharam nesse item. Não perceberam as reações que um jovem acuado pelo preconceito e de mente fortemente perturbada pode apresentar no seu meio social. É indispensável prever, conduzir, tratar adequadamente ou condicionar e até confinar crianças e jovens que apresentem evidências de mente patológica. E Wellington apresentava essas anomalias.
ÀS FAMÍLIAS DA VÍTIMAS FATAIS, AS CONDOLÊNCIAS DO BLOG; ÀS SOCIEDADES CARIOCA E BRASILEIRA, ENLUTADAS POR ESSE TRISTE EPISÓDIO, NOSSA SOLIDARIEDADE.
-TEXTO EDITADO NA 6ª-FEIRA,8, MAS SOMENTE POSTADO HOJE POR PROBLEMAS TÉCNICOS.
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