NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

            O  FIM  DAS   PROFECIAS

Desde tempos imemorados visionários e loucos preveem o fim do mundo. Como ser vivo que é a Terra, é claro que ela teve um começo, vive um meio e terá um fim. Mas esse ente tão complexo passou por períodos diversos, em idades diferentes e só se consolidou há relativamente pouco tempo. Filósofos e teólogos buscam uma explicação para as origens e o fim do mundo. Na verdade, eles buscam explicações escatológicas para a Humanidade. Pouca coisa se sabe sobre a Terra, a não ser uma idade presumida, um tempo útil de vida, igualmente presumido e, consequentemente, um fim. Claro que esse fim é focado na Humanidade, já que a Terra tende a se tornar um planeta inerte, sem recursos capazes de sustentar a vida sobre sua superfície. Como isso acontecerá?

É praticamente impossível dizer como esse processo se dará. Há conjecturas, baseadas na observação das reações ambientais desde que a Terra passou por essas variações físico-químicas, tomou forma e se consolidou. Isso levou bilhões de anos. Já a história da Humanidade é um evento relativamente recente. Os grandes animais dominaram a Terra há centenas de milhões de anos, estavam presentes em todos os continentes e desapareceram misteriosamente. Antes, pequenos animais habitaram as águas, migraram para a terra fixa e algumas espécies não se adaptaram ao novo ambiente e retornaram às águas. Essas mutações deram origem aos animais que conhecemos hoje. E ao homem também. Se os grandes animais habitaram a Terra há centenas de milhões de anos, a presença do ser humana na história varia muito de tempo. Se considerarmos a chamada civilização, essa história é bem recente, relativamente ao tempo do aparecimento da vida sobre a Terra. Houve uma época geológica em que a Terra era seca, os gases se aglutinavam em camadas bem acima da superfície. Eram densos, misturados e não produziam chuvas. Combinações químicas que se processaram através de bilhões de anos permitiram a aglutinação de moléculas de gases nobres, que foram caindo sobre a terra vazia em pequenas proporções, até que grandes agitações e tempestades acabaram por produzir chuvas intensas cujas águas caíram sobre todos os recantos do Planeta e preencheram todas as depressões da superfície. Formaram-se os mares, os rios, os lagos. Vieram as florestas, com elas a vida. O primeiro ser vivo foi sem dúvida uma bactéria.

Os primeiros ancestrais da raça humana apareceram sobre a Terra entre 3.600 e 4.500 anos atrás. Os grandes animais já haviam desaparecido há muito tempo. Como eram esses seres humanos. Na verdade, eram humanoides que viviam de forma rústica e se alimentavam do que colhiam na floresta ou pescavam nos rios. As formas primitivas evoluíram lentamente até formarem o homem atual. Eles apareceram como que de repente na história natural. E com certeza terão um fim idêntico. Isto é, a Humanidade se extinguirá tão lentamente como apareceu, e em meios a profundas perturbações climáticas. As profecias de tantos visionários nunca se confirmaram. E essa corrente de pensadores que preveem o fim do mundo para 2012 é tão surrealistas quanto as várias outras que previam o desaparecimento da Terra em épocas de passagem de ano. O fim das profecias seria o fim da história. E a história só acabará quando não houver mais quem escreva ou conte suas epopeias.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

 CRISE DE IDENTIDADE DO JUDICIÁRIO


                               "Há evidências de infiltração de bandidos por trás da toga"

                                                                                      - Ministra Eliana Calmon



O PODER JUDICIÁRIO, um dos pilares do tripé institucional da República e constitucionalmente responsável por zelar pela lisura do processo democrático que deve nortear as atividades públicas da Nação anda sofrendo de crise de identidade. As instâncias superiores desse Poder não se entendem. Nem os juízes e o pleno dos tribunais de justiça dos estados. Isso inclui a área da justiça eleitoral. Por outro lado, há um espírito corporativo que impede o pleno exercício das atividades judicantes através da ausência de transparência das suas várias instâncias via  manobras protelatórias das ações de maior interesse para a Nação e de ações de blindagem de autoridades judiciárias envolvidas em denúncias de corrupção.

Para garantir a lisura das ações do Poder Judiciária foi feita uma emenda constitucional que criou o Conselho Nacional de Justiça, órgão da sociedade para o controle externo do Judiciário. Esse Conselho vem prestando um excelente trabalho de fiscalizar as atividades dos Juízes, de todos os níveis. Claro que essa ação incomoda grande parte dos juízes e ministros dos órgãos superiores do Poder Judiciário. A venda de liminares, o beneficiamento de juízes denunciados ou investigados acusados da prática de atos incompatíveis com a função que exercem vêm sendo questionados pelo CNJ. Tudo corria como num País que se presa. Mas a insatisfação e a pusilanimidade de alguns membros dos tribunais superiores puseram água na fervura natural das ações do Conselho. Vendo colegas sendo investigados, não tendo muita margem para apadrinhar amigos processados por crimes diversos, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) puseram as unhas de fora.

Antes de analisarmos a pretensa lógica dos magistrados, lembremos que na estrutura judiciária do País já existem mecanismos de investigação, apuração, denúncias e julgamento dos juízes. São quatro hipóteses para se fechar um julgamento de um magistrado. E alguns juízes já foram punidos por via estrutural. Mas, nem sempre os casos mais impactantes, pela evidência da culpabilidade dos juízes acusados, chegaram àquele ponto que a sociedade espera que sempre aconteça. Juízes de vários tribunais do País foram acusados de corrupção passiva, passaram por um procedimento investigativo, mas o espírito corporativo acabou por desqualificar as denúncias, e os magistrados estão ai, impunes e exercendo suas funções. Foi por isso que se criou o Conselho Nacional de Justiça.

Recentemente, por demanda do presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), o ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu liminar limitando a competência do Conselho Nacional de Justiça(CNJ). Por força dessa liminar, o CNJ não pode mais investigar ministros dos tribunais superiores. Na representação da AMB a estrutura do Poder Judiciário já conta com quatro instâncias para investigar seus membros. Seria descabida a interferência do CNJ. Ora, julgados por seus próprios pares, que não gostam de “cortar a própria carne”, expressão usual do jargão judiciário, tudo volta a ser como antes. Ou seja: nenhum ministro vai ser punido por corrupção. Haverá sempre aquela protelação, aquele acordo interno que não escapa à sociedade e tudo se arruma dentro do espírito de corpo do Judiciário.

A ministra Eliana Calmon, corregedora do Conselho Nacional de Justiça, foi enfática em uma declaração oficial: "Há evidências de infiltração de bandidos por trás da toga", afirmou a corregedora. O pronunciamento da ministra-corregedora não agradou ao ministro Ricardo Lewandoswki, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e membro do Supremo Tribunal Federal (STF) que embora não tenha sido ele agente-autor da liminar anulou uma investigação conduzida pelo CNJ na qual se apurava irregularidades da folha de pagamento dos tribunais superiores onde o nome do próprio Lewandoswki  aparece como tendo recebido dinheiro indevido. O citado ministro justificou sua intevenção no caso alegando que no momento da decisão (já era noite) só ele estava na sede do Supremo. Ao embasar suas alegações para anular a investigação defendeu como suficiente os mecanismos já existentes no sistema de fiscalização e punição dos ministros já constante do ritual do Judiciário. Diferente não foi a conduta do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Puluzo, ao fazer enfática defesa do Supremo e criticar a atuação do Conselho Nacional de Justiça, taxando suas decisões na área de investigação de ministros do Supremo como inconstitucional. A ministra Eliana Calmon rebateu as acusações contra o Conselho Nacional de Justiça, e entre outras coisas, afirmou que o CNJ,  nos autos anulados por Lewandoswki, "não investigava ministros do Supremo, mas folhas de pagamentos dos tribunais superiores" que apresentavam indicícios de irregularidades. A posição de Cezar Peluzo é tida como suspeita, pois ele próprio recebeu dinheiro a mais quando atuava em outro tribunal.

Infelizmente, há prós e contras nessa questão da existência do Conselho Nacional de Justiça. E essas posições antagônicas estão dentro dos próprios tribunais superiores. Claro, é uma corporação que se blinda e protege seus membros. Diferentemente do que pensam a Imprensa e a Ordem dos Advogados do Brasil, cujo presidente Ofhir Cavalcanti criticou a decisão do Supremo em limitar os poderes do CNJ e anular a partiipação da sociedade nos atos de fiscalização da atuação dos ministros e juízes e esvaziar os critérios de transparência das decisões desses magistrados.

As denúncias da ministra-corregedora do CNJ são de um impato demolidor. É bom lembrar que Daniel Dantas, o dono do Banco Oportunity, ao ser liberado da prisão por atos ilícitos, não demonstrava nenhum temor de ser condenado. Simplesmente afirmou que "Com o Surprem eu me entendo". Entende-se essa tranquilidade do bandido trasvestido de banqueiro que tantos golpes aplicou no sistema bancário brasileiro. Ele é amigo de Gilmar Mendes, e nessa ocasião Mendes era presidente do Supremo.Não há dúvidas de que o Poder Judiciário Brasileira sofre de um grave mal: uma profunda crise de identidade. Ainda que esta crise seja artificial, pois é de pura conveniência dos ministros que em vez de zelar pelo cumprimento das leis, se julgam acima delas.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

             DIREITOS   HUMANOS


Direitos Humanos foi tema discutido essa semana. Palestras para auditórios superlotados e preleções em sala de aula; cursos para formação de lideranças comunitárias, discursos pronunciados por gestores públicos dos três níveis de poder da República; intervenções de parlamentares nas tribunas municipais, estaduais e federais. Uma festa!

Mas, em meio a essas manifestações públicas de discussão desse tema tão importante, será que a população, parte mais interessada dessa discussão, já está suficientemente instruída sobre a estrutura da doutrina, da prática diária e da interiorização dos assuntos que constituem tão rico acervo cultural? Ela, a população, principalmente as camadas mais carentes, é o alvo e deveria ser igualmente credor prioritário dos Direitos Humanos. Mas, infelizmente, não é isso o que ocorre no dia a dia dessas pessoas. Pergunta a uma delas se sabe o que são Direitos Humanos. Para muitas são palavras sem sentido. Mas é preciso conscientizar essas pessoas sobre os direitos básicos do ser humano, que são os direitos delas.

O primeiro direito básico do cidadão é o direito à vida. O ser humano, uma vez concebido, tem o direito de nascer independentemente de quaisquer razões em contrário. A pessoa tem direito a  liberdade de expressão, o que inclui o direito de escolher e professar sua crença; tem o direito de ser respeitada em sua opções de vida e contar com um conjunto de meios que promovam sua  inserção social, seu crescimento profissional e intelectual, através de uma educação pública gratuita e universal de qualidade. A pessoa tem direito a uma moradia condigna, com água tratada, esgotamento sanitário, em lugar seguro e protegido das intempéries. A transporte público de qualidade e acessível a todas as camadas sociais; a uma mobilidade urbana, que permita seu deslocamento para o trabalho ou outros locais de atividades. O ser humano tem direito a um trabalho com renda condigna que lhe permita sustentar a si e a sua família. A uma alimentação com os nutrientes mínimos que lhe assegurem condições físicas para trabalhar. Tem o direito a assistência médica de qualidade, incluindo o acesso aos medicamentos necessários para seu tratamento quando precisar deles. Os trabalhadores precisam ser respeitados nos seus locais de trabalho e cumprirem apenas a jornada prevista em lei para cada categoria, e quando doentes terem acesso ao auxílio-doença e à aposentadoria, quando atingirem o limite de sua participação na atividade profissional.

O conjunto desses e de outros requisitos é que representa os Direitos Humanos. A educação, como forma de moldar o espírito e aprimorar a capacidade de assimilar os conteúdos e interpretá-los, em princípio, é a base de todos os direitos. Nos centros comunitários, igrejas, instituições culturais e, principalmente, na escola se deve discutir e começar a aplicação desses princípios que representam os Direitos Humanos.
O exercício pleno desses direitos só será possível quando as pessoas entenderem que são beneficiárias e guardiães dos mesmos, isto é, quando estiverem aptas a agir como cidadãos, com deveres e responsabilidades a cumprir, em uma palavra, souberem exercer a Cidadania.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

            PERDAS  IRREPARÁVEIS
                                         “Pobre gosta de luxo; quem gosta de lixo é intelectual”

                                                                                             - Joãozinho Trnta

Nesse fim de semana a cultura brasileira perdeu dois dos seus maiores baluartes. O carnavalesco Joãozinho Trnta, de 78 anos de idade e o ator e diretor Sérgio Brito, com 88 anos faleceram. O primeiro de complicações respiratórias e o segundo de provável infarto.

De Joãozinho Trnta pode dizer que revolucionou o carnaval carioca, e por extensão o brasileiro. Filho de família humilde do Maranhão, aportou no Rio de Janeiro ainda jovem. Foi bailarino do Teatro Municipal, mas sua vocação artística e sua alta capacidade de criação de cenários representativos da vida brasileira o levaram a montar carros alegóricos gigantescos que passaram a desfilar na avenida, mudando a feição estética do carnaval carioca. De baixa estatura e de relacionamento algo difícil, Joãozinho Trinta sabia dialogar com o belo e conhecia a miséria das populações periféricas das cidades brasileiras. Pesquisador de costumes, gênio na arte de esquematizar um quadro vivo e transformar esse quadro em uma representação de um realismo impressionante, o carnavalesco maranhense fez escola. Hoje em dia todo o carnaval do Rio e de São Paulo se inspira das ideias de um homem simples que levou o luxo para a avenida, certo de que a maioria das pessoas que assistiriam a esses desfiles era pobre. E foi com esse espírito metafórico de fazer o pobre se ver mergulhado no luxo dos desfiles que Joãozinho Trinta, numa célebre entrevista, que também expunha sua personalidade controvertida, afirmou que Pobre gosta de luxo; que gosta de lixo é intelectual.

Outro nome a se homenagear aqui é o de Sérgio Brito. Ator, diretor, criador de casas de espetáculos, Sergio Brito trabalhou no teatro, no cinema e na televisão. Como ator, figurou em mais de trinta novelas. Diretor se destacou na teledramaturgia e no teatro. Com sua voz possante e seu perfil esbelto, encantou gerações; atuou por mais de sessenta anos, e deixou sua marca nas artes brasileiras. Falta, entretanto, dizer que Sergio Brito era intelectual. Escreveu suas memórias e muitos roteiros para cinema e teatro.

O Brasil fica de luto com a partida desses dois baluartes das artes nacionais. Essas partidas representam perdas irreparáveis para a cultura brasileira.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

               O   DIA  DA  FAMÍLIA


Transcorreu nessa semana que passou o Dia da Família. Que noção temos hoje de família? Um amontoado de pessoas, cada uma com seus problemas pessoais e defendendo faca nos dentes um espaço só seu dentro da casa. É assim que se apresenta a família de hoje. Mas essa percepção é um desastre que tem dado lugar à violência, que infelizmente hoje começa dentro de casa. Perderam-se os valores da família, a ascendência e a descendência não se comportam como componentes de uma célula sadia que se reproduz criando aquela ambientação que era conhecida no seio das famílias até bem pouco tempo. Afinal, que é família?

Família, no sentido amplo do termo, é um grupo composto de pessoas com laços de sangue ou com ligações colaterais as quais se amam e zelam pelo bem-estar do grupo. Uma família necessita de um casal que se ame e divida os prazeres, a desventura, as emoções. E gere filhos que igualmente se amem e se respeitem. Esse é o núcleo da família. E esta é a célula que se ampliando gera a sociedade. Donde se infere que sociedade estável é aquela que se alicerça sobre famílias de formação consistente. Sem família estável não existe sociedade harmônica. Esses princípios, embora antigos, são atuais e atuantes. Fora deles, formam-se monstros corporativos, grupos competitivos, duelo pelo poder e ausência de ética nas tomadas de decisão.

A sociedade atual paga um preço muito alto por terem as famílias se afastado dos princípios éticos que balizavam sua formação. O lar, doce lar de décadas atrás se transformou num reduto de controvérsias, disputas e ódios. A falta de transparência das atitudes adotadas pelos membros da família esconde o ego de cada um dos seus membros. E a sociedade, refletindo esse clima psicológico, se transformou nisso que está ai. Nessa proximidade do Natal, as religiões deveriam levar seus membros a refletirem sobre essa dura realidade. As comemorações natalinas não têm sentido se não se levar em conta essa necessidade de uma retomada de atitudes, na qual todas as criaturas se autoanalisem e se conscientizem de que cada membro da família é uma partícula da célula que vai formatar a sociedade.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

        O  NOVO  CÓDIGO  FLORESTAL
INSTRUMENTO PARA BENEFICIAR DEVASTADORES  DA AMAZÔNIA

O Senado aprovou esta semana o novo Código Florestal Brasileiro. A versão aprovada pela Câmara Alta introduz emendas que farão a matéria retornar à Câmara dos Deputados. Mas não haverá nenhuma dificuldade para os deputados aprovarem essas emendas. A ação do lobby dos devastadores de florestas é muito forte no Congresso. Lá estão com longos mandatos deputados e senadores envolvidos com grandes negócios agropecuários na Amazônia e nas regiões de cerrados, encostas, etc. Pessoas poderosas cujos escrúpulos ( ou a falta deles) só levam em conta seus interesses econômicos e a compra do mandato para assegurar a manutenção de seus privilégios pessoais.

Blairo Maggi, senador e ex-governador do estado do Mato Grosso, é um dos maiores plantadores de soja do País. Também é tido como um dos maiores devastadores da Floresta Amazônica. E é justamente ele quem comanda as ações dos legisladores que elaboraram as normas do novo Código Florestal Brasileiro. Precisa ser dito mais alguma coisa? Há, sim, mais algumas coisas a se dizer. José Sarney, maranhense e senador pelo AP, também é um velho conhecido dos defensores da Floresta Amazônica. Todas as pessoas que acompanham a luta pela preservação da grande floresta tropical sabem da ação da família Sarney nessa tarefa de devastação da Amazônia. Apesar de seu filho Zequinha Sarney já ter ocupado o Ministério do Meio Ambiente, essa família está diretamente comprometida com o desmatamento da Amazônia para ocupar as áreas desmatadas com fortes programas de produção rural e criação de gado. Sabe outra figura que está na linha de frente dessa ação destruidora? Aquele velho conhecido, que está sempre na moita mas é líder maior desse movimento de mudanças do Código Florestal: Ronaldo Caiado, um dos parlamentares mais atuantes nas comissões do Congresso. Médico que talvez nunca tenha exercido a medicina, rico latifundiário, criador de gado, Caiado é o cérebro da antiga Frente Parlamentar da Agricultura. Na moita, ele critica o novo Código. Na verdade, ele quer uma versão bem mais liberal, onde os empresários do setor, leia-se: devastadores da Amazônia, possam agir da forma mais livre possível sob a falácia de que “é preciso produzir mais alimentos”.

Mas, por que o novo Código Florestal é tão ruim assim? Porque ele chega a ser bem pior do que a versão que modifica. No Código anterior, a devastação da Amazônia é tema recorrente nas discussões dos líderes políticos mais identificados com as questões do Meio Ambiente. Essa nova versão “limita” áreas a serem devastadas, mas não traz nenhuma novidade sobre preservação e recuperação dos mananciais que que formam a Bacia Fluvial Amazônica nem traz promessa de preservação dos serrados brasileiros, onde vivem espécies ameaçadas de extinção e algumas das quais endêmicas desses biomas. Essa “limitação” permite que áreas protegidas possam ser reduzidas em suas extensões. Pior: perdoa dívidas de quem desmatou até um certo número de hequitares. Regiões de matas ciliares devastadas e pertencentes a pequenos proprietários não precisam ser recompostas, e grande áreas de proteção dos mananciais ficaram nuas. Imaginem a quantidade de “pequenas propriedades” que se sucedem ao longo dos veios d´’agua grandes e pequenas espalhadas pela área florestal e outros pontos de presença marcante de espécies raras que ficarão sem cobertura vegetal e tendem a se degradar ainda mais com o passar do tempo.

Não vamos cair aqui em discussões técnicas; o texto do Código foi elaborado por técnicos e ajustado por políticos. A tendência desses técnicos é que deve ser levada em conta, e eles foram escolhidos pelos políticos que têm interesses na exploração econômica dos biomas. O Brasil inteiro sabe que a Floresta Amazônica já foi desmatada algo em torno de 30% (segundo dados oficiais), mas esses dados, embora assustadores em suas dimensões, não revelam os prejuízos causados às populações indígenas ou aos caboclos que vivem na Floresta e dela tiram seu sustento. As usinas hidroelétricas projetadas para a região amazônica cobrirão extensas áreas de mata, destruirão espécies vegetais que sequer ainda foram estudadas e catalogadas e deslocarão do seu habitat espécies animais já ameaçadas de extinção. Ninguém conhece os efeitos que tantas barragens de rios amazônicos causarão ao Meio Ambiente.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

         PRAIAS DO LITORAL SUL DA RMR


               O  PORTAL  DO  INFERNO

Quem ver a beleza das praias de Porto de Galinhas, Gaibu, Calhetas, Suape, Paiva, Enseada dos Corais, Itapuama e outros lindos recantos litorâneos do sul da Região Metropolitana do Recife tem a impressão que está visualizando o Paraiso. Fica só na impressão. Essas praias, até bem pouco refúgio de descanso semanal de muita gente que mora no Recife e em cidades vizinhas, estão hoje sob a mira de bandidos. O impacto populacional produzido pelas necessidades do polo Portuário e Industrial de Suape levou a uma importação de mão-de-obra para trabalhar nos canteiros do Complexo das atividades econômicas que ali se instalarão. E segundo alguns trabalhadores que pedem anonimato, no bojo dos milhares de pessoas que vieram de outros estados – principalmente, da Região Sudeste, para trabalhar em Suape, há um número significativo de bandidos. A quantidade de assaltos a moradores da orla e adjacências aumentou exageradamente nos últimos anos. O entorno de Gaibu se tornou uma terra de ninguém. Ali, as casas se transformaram em verdadeiras fortalezas. Muros protegidos por arame-farpado, cercas eletrificadas, grades em portas e janelas, todo esse aparato usado pelas pessoas que ali residem para se protegerem da bandidagem que infesta a área. A praia de Suape, onde até bem pouco se andava à noite pela beira-mar iluminada apenas pela luz da lua ou se dormia na areia até altas madrugadas, agora é um lugar perigoso para se viver.

O grande número de pessoas que trabalham em Suape inflou os valores imobiliários locais. As casas que antes podiam ser alugadas por 200 ou 300 reais agora custam de 800 a 1000 reais. E não se encontram casas disponíveis para alugar. Quase todas as moradias na área estão ocupadas por trabalhadores do Complexo de Suape. Quem escolhia aquelas praias para passar festas de fim de ano ou outros eventos de época fogem do entorno com medo dos assaltantes. A suntuosidade do Complexo Turístico do Paiva impressiona pela beleza arquitetônica, pelas vias bem cuidadas e pela facilidade de acesso às praias com a ponte recém-construída ligando Barra de Jangada à Praia do Paiva e facilitando o acesso às demais praias da localidade. Tudo ali vai se modernizando sob a influência de Suape. E de projetos turísticos que cada vez mais valorizam as casas, tornam a vida mais cara, mas não atentam para esse importante item que é a segurança das pessoas.

Principalmente em Enseadas dos Corais, de vasta extensão de areias brancas beijando as águas do mar, a violência se faz presente. O padrão aquisitivo dos moradores do lugar é dos mais altos em comparação com outras praias como Itapuama. A maioria usa as casas como ponto de veraneio, e quem se arrisca a morar ali vive prisioneiro em sua própria casa. Praia mesmo, só durante o dia, e em grupos. Sair sozinho para tomar um banho de mar é temerário. Pior ainda: quando o sol se queda no horizonte, todos se trancam em suas casas; a noite é dos marginais. Ali pertinho, em Gaibu, onde ficam importantes hotéis da orla e estão condomínios de luxo, além de belíssimas casas de propriedade de deputados, empresários e até de ex-governador a situação de segurança não muda. Ninguém se atreve a ir a uma praça, dá uma chegadinha à praia ou simplesmente sair à rua. Em sua edição de domingo, o Jornal do Comércio denuncia a situação de insegurança reinante naquela área litorânea. Um engenheiro que trabalha em Suape e mora em Gaibu, afirma que vista de longe aquela região litorânea parece o paraíso, mas arremata: “Para quem mora aqui é o inferno”. Comerciantes fecham seus estabelecimentos mais cedo. Donos de padarias, mercadinhos, bares e outros pontos de negócios vivem com medo. Todos eles já foram assaltados mais de uma vez. Alguns estão deixando o local.

A grandeza do Complexo Portuário e Industrial de Suape se expressa pelos números já apresentados em matérias anteriormente postadas pelo blog. Hoje, citaríamos apenas cinco mil viagens de ônibus para transportar os trabalhadores dos diversos empreendimentos ligados ao Complexo. É um movimento que engarrafa o trânsito nas horas de pico e degrada as estradas de acesso. As obras de reforço da estrutura viária em andamento logo mais estarão inauguradas, mas já nascerão insuficientes para escoar o trânsito de caminhões pesados, ônibus e outros veículos. Talvez porque as necessidades de transporte de um empreendimento dessas dimensões vão além da malha rodoviária. Só uma via férrea será capaz de dar respostas a essas necessidades. Há muitos projetos viários que a burocracia emperra sua execução naquela área. Mas enquanto não se pensar na ferrovia não se encontrará uma solução satisfatória para o problema.

Voltando aos problemas de segurança, a situação vai se agravar quando forem desativados os canteiros das obras do Complexo. Onde relocar milhares de trabalhadores que atuam nesses canteiros? O problema de habitação se agravará e a insegurança aumentará com pessoas sem trabalho, sem vínculo familiar local necessitando sobreviverem. É fácil imaginar o que poderá acontecer por aquelas bandas. Falar das belezas naturais das praias do Litoral Sul da Região Metropolitana do Recife já foi um exercício acalentador para quem teve o prazer de usufruir daquele ambiente até bem pouco quase paradisíaco. Quem hoje precisa morar ali, aquilo é o Portal do Inferno.

sábado, 3 de dezembro de 2011

 O  QUE ESPERAR DEPOIS DESSA CRISE?

O tema é recorrente. Mas mexe com todas as pessoas de todas as classes sociais. E no mundo inteiro. A economia mundial está em crise. E crise braba. Mas uma pergunta se faz necessária: quem determina quem. A economia se sobrepõe à política ou é o inverso? Seja lá qual for a teoria vencedora, a verdade é que a política mundial passa por uma revolução sem precedentes. Lembram a queda das bolsas em 1929? Papéis financeiros que sustentavam a liquidez das empresas perdiam o valor e eram jogados pelas janelas dos escritórios ou apartamentos. O mundo havia saído de uma Guerra Geral, a primeira guerra mundial, e se preparava para enfrentar outra, mais longa e mais ferrenha. A Rússia dominava o teatro europeu, e a União Soviética estava prestes a ser criada. Adolf Hitler lançava o nacionalismo Nazista, que viria a dar início à Segunda Guerra Mundial, secundado por Mussolini, do Partido Fascista na Itália, e pela sede de expansão e apetite sanguinário do imperador japonês. O mundo assistiu a episódios de um drama doloroso, com milhões de mortos e milhares de mutilados. Houve um ataque nuclear, na verdade, dois. Os Estados Unidos, sem necessidade, pois os japoneses já estavam derrotados em todas as frentes de batalha, lançaram uma bomba atômica de um megaton sobre Hiroshima e outra idêntica sobre Nagasaki. Um delírio humano, motivado por interesses políticos, econômicos e ideológicos.


Você sabe que a situação política do mundo atual é um pouco mais complicada do que o era nas décadas de 10 e 40? Durante a Primeira Guerra Mundial ninguém possuía bomba atômica nem foguetes balísticos teleguiados. Já no fim da Segunda Guerra é que Estados Unidos e Rússia se tornaram potências nucleares, desenvolveram sistemas de lançamentos de foguetes e criaram outras armas letais. Hoje, além de Rússia e Estados Unidos, França, Inglaterra, China, Índia, Paquistão e outras nações não declaradas têm armas atômicas. Só que as bombas atuais têm potencial de destruição milhares de vezes superiores às que foram jogadas contra as cidades japonesas. Alemanha, Itália e Japão compunham um eixo militar que disseminava a guerra por vários continentes. Os Estados Unidos, a Inglaterra e o Canadá possuíam as tropas melhor treinadas do Ocidente. E as esquadras americanas dominavam os mares. Os blocos militares mais fortes se concentravam, contudo, na América do Norte e na Europa Oriental. Hoje, não há mais aquele extremismo que levou ao confronto que terminou em 1945. Mas há no momento uma diversidade de grupos ideológicos explosivos dentro e fora das grandes potências militares do Ocidente.

Pior: a economia que sustenta a formidável máquina de guerra europeia está caindo aos pedaços; lá fica a OTAN, a organização militar que secunda os Estados Unidos ou à sua ordem distribui guerra onde surja qualquer ameaça aos interesses ocidentais; a economia americana – por sua vez a mais robusta e responsável pelo maior parque militar que o mundo conhece – também está em crise. O elemento principal que move a engrenagem industrial do Ocidente – o petróleo, está ameaçado de não chegar a essas fontes de consumo. O mundo árabe, maior jazida do combustível viscoso, passa por um momento de convulsão e definição política. Para onde vai essa parte do mundo?

A crise econômica mundial que a partir de 2008 derrubou os sistemas financeiros dos países mais ricos da Europa e também dos Estados Unidos não começou com a quebra do sistema de financiamento habitacional norte-americano. Os fatores que desencadearam essa crise são bem mais antigos. Têm motivos variados e estrutura complexa. Passa por processos históricos, alimenta-se de interesses econômicos e está encrustado em fortes doses de preconceito, ódios seculares e ranços étnicos e religiosos. De um lado, o Ocidente quer garantir as vias de escoamento para seu parque industrial do rico petróleo produzido no mundo árabe. De outro lado, tanto o Ocidente quanto o mundo oriental dominado pelo islamismo de há muito estão empenhados em confrontos religiosos. Os árabes são uma civilização diferente, milenar; têm costumes diversos dos ocidentais, incluindo ai sua concepção da criação do mundo e das coisas que o cercam. Seu Ente Supremo é diferente do Deus dos cristãos e dos judeus. E não aceitam comparações entre as duas Entidades Divinas. O Alá do Alcorão é único, e deve ser obedecido por todos. Donde se conclui que o Deus de cristãos e judeus seria uma versão grosseira da Divindade vista pelo Ocidente. Esse confronto ideológico já gerou guerras no passado, e continua disseminar confrontos no presente. Essa é uma questão, ao que parece, praticamente inconciliável. Mas os árabes têm petróleo e o Ocidente precisa desse combustível para mover sua extraordinária engrenagem industrial. E através de acordos, conchavos com ditadores das áreas produtoras de petróleo, os ocidentais vão encontrando sempre um meio de conseguir o óleo. Quando não mais conseguem através desses meios, utilizam a força para tal. Já se sabe que o mundo árabe é uma panela de pressão prestes a explodir. A cultura muçulmana está dividida em duas fações rivais e irreconciliáveis: sunitas e xiitas.

No Ocidente, principalmente na Europa, a coisa não é tão diferente. Povos diferentes deram origem aos atuais países europeus, e a rivalidade racial é latente entre os europeus. A coisa piora quando, depois de duas guerras mundiais com o Velho Continente servindo de palco de batalha, os líderes europeus, depois de idas e vindas, acordos e desacordos, criam um quase estadão chamado União Europeia, unificam a moeda, através de um Banco Central único e introduzem procedimentos administrativos e jurídicos unificados para suas deliberações. Fora a Inglaterra, que não abriu mão de sua valiosa Libra Esterlina, a maioria dos países europeus do Ocidente aderiram ao sistema. Agora, envoltos em problemas de diferenças econômicas, políticas e, por que não dizê-lo?, raciais, os países da União Europeia não se entendem. Ninguém quer perder seus privilégios, sua força política. E o resultado está ai: o volume de recursos (dinheiro) existente na União Europeia é insuficiente para fazer frente aos problemas que assolam as economias dos países-membros.

A crise econômica mundial focada na Europa é também uma crise de identidade entre os vários países que compõem a zona do euro. Em menores proporções, mas bem parecida com a crise política verificada atualmente entre os países do Oriente Médio e norte da África. E por extensão, uma crise que se alastra por todos os países, em todos os continentes. A Primavera Árabe, longe de ser florida, é feita de sangue. Como de sangue foram as primaveras europeias, têm sido a luta dos povos do Continente que buscam consolidar suas identidades culturais. E se a atual crise da União Europeia não vai terminar em sangue, a resolução dos graves problemas que afetam a Comunidade não será tão pacífica assim.

Para onde caminha a Humanidade? Ninguém sabe! Árabes em lutas intestinas, a elite social norte-americana ocupando as ruas e praças dos centros financeiros de Nova Iorque e de outras cidades para protestar contra o capitalismo; insatisfação generalizada em todo o mundo por causa da pressão sobre os trabalhadores e seus direitos; insurgências no mundo árabe derrubando ditadores que dominavam países há várias décadas. Eleições que fogem aos padrões democráticos em alguns países do Oriente Médio e norte da África. O capitalismo ocidental tenta se impor pela força ou por meio de conchavos, e até agora tem conseguido seus objetivos. Mas até quando essa situação mundial será mantida? Alguma coisa pobre contamina as relações entre os países dos vários continentes. E o grau de putrefação vai se agravando a cada dia. A convivência entre as diferenças culturais se deteriora em todos os continentes. O que é que está apodrecendo? Claro que os padrões de convivência entre as sociedades se deterioraram. É necessária uma nova definição de rumos, buscar saídas para essa crise que pode levar a Humanidade à implosão. Parece que o modelo econômico do Ocidente – o capitalismo, se esgotou. O modelo árabe não resolve nem os problemas internos de sua zona de influência. E ai, como fica? É esperar para ver. Talvez o que venha depois disso não seja nada agradável.