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NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

sábado, 3 de dezembro de 2011

 O  QUE ESPERAR DEPOIS DESSA CRISE?

O tema é recorrente. Mas mexe com todas as pessoas de todas as classes sociais. E no mundo inteiro. A economia mundial está em crise. E crise braba. Mas uma pergunta se faz necessária: quem determina quem. A economia se sobrepõe à política ou é o inverso? Seja lá qual for a teoria vencedora, a verdade é que a política mundial passa por uma revolução sem precedentes. Lembram a queda das bolsas em 1929? Papéis financeiros que sustentavam a liquidez das empresas perdiam o valor e eram jogados pelas janelas dos escritórios ou apartamentos. O mundo havia saído de uma Guerra Geral, a primeira guerra mundial, e se preparava para enfrentar outra, mais longa e mais ferrenha. A Rússia dominava o teatro europeu, e a União Soviética estava prestes a ser criada. Adolf Hitler lançava o nacionalismo Nazista, que viria a dar início à Segunda Guerra Mundial, secundado por Mussolini, do Partido Fascista na Itália, e pela sede de expansão e apetite sanguinário do imperador japonês. O mundo assistiu a episódios de um drama doloroso, com milhões de mortos e milhares de mutilados. Houve um ataque nuclear, na verdade, dois. Os Estados Unidos, sem necessidade, pois os japoneses já estavam derrotados em todas as frentes de batalha, lançaram uma bomba atômica de um megaton sobre Hiroshima e outra idêntica sobre Nagasaki. Um delírio humano, motivado por interesses políticos, econômicos e ideológicos.


Você sabe que a situação política do mundo atual é um pouco mais complicada do que o era nas décadas de 10 e 40? Durante a Primeira Guerra Mundial ninguém possuía bomba atômica nem foguetes balísticos teleguiados. Já no fim da Segunda Guerra é que Estados Unidos e Rússia se tornaram potências nucleares, desenvolveram sistemas de lançamentos de foguetes e criaram outras armas letais. Hoje, além de Rússia e Estados Unidos, França, Inglaterra, China, Índia, Paquistão e outras nações não declaradas têm armas atômicas. Só que as bombas atuais têm potencial de destruição milhares de vezes superiores às que foram jogadas contra as cidades japonesas. Alemanha, Itália e Japão compunham um eixo militar que disseminava a guerra por vários continentes. Os Estados Unidos, a Inglaterra e o Canadá possuíam as tropas melhor treinadas do Ocidente. E as esquadras americanas dominavam os mares. Os blocos militares mais fortes se concentravam, contudo, na América do Norte e na Europa Oriental. Hoje, não há mais aquele extremismo que levou ao confronto que terminou em 1945. Mas há no momento uma diversidade de grupos ideológicos explosivos dentro e fora das grandes potências militares do Ocidente.

Pior: a economia que sustenta a formidável máquina de guerra europeia está caindo aos pedaços; lá fica a OTAN, a organização militar que secunda os Estados Unidos ou à sua ordem distribui guerra onde surja qualquer ameaça aos interesses ocidentais; a economia americana – por sua vez a mais robusta e responsável pelo maior parque militar que o mundo conhece – também está em crise. O elemento principal que move a engrenagem industrial do Ocidente – o petróleo, está ameaçado de não chegar a essas fontes de consumo. O mundo árabe, maior jazida do combustível viscoso, passa por um momento de convulsão e definição política. Para onde vai essa parte do mundo?

A crise econômica mundial que a partir de 2008 derrubou os sistemas financeiros dos países mais ricos da Europa e também dos Estados Unidos não começou com a quebra do sistema de financiamento habitacional norte-americano. Os fatores que desencadearam essa crise são bem mais antigos. Têm motivos variados e estrutura complexa. Passa por processos históricos, alimenta-se de interesses econômicos e está encrustado em fortes doses de preconceito, ódios seculares e ranços étnicos e religiosos. De um lado, o Ocidente quer garantir as vias de escoamento para seu parque industrial do rico petróleo produzido no mundo árabe. De outro lado, tanto o Ocidente quanto o mundo oriental dominado pelo islamismo de há muito estão empenhados em confrontos religiosos. Os árabes são uma civilização diferente, milenar; têm costumes diversos dos ocidentais, incluindo ai sua concepção da criação do mundo e das coisas que o cercam. Seu Ente Supremo é diferente do Deus dos cristãos e dos judeus. E não aceitam comparações entre as duas Entidades Divinas. O Alá do Alcorão é único, e deve ser obedecido por todos. Donde se conclui que o Deus de cristãos e judeus seria uma versão grosseira da Divindade vista pelo Ocidente. Esse confronto ideológico já gerou guerras no passado, e continua disseminar confrontos no presente. Essa é uma questão, ao que parece, praticamente inconciliável. Mas os árabes têm petróleo e o Ocidente precisa desse combustível para mover sua extraordinária engrenagem industrial. E através de acordos, conchavos com ditadores das áreas produtoras de petróleo, os ocidentais vão encontrando sempre um meio de conseguir o óleo. Quando não mais conseguem através desses meios, utilizam a força para tal. Já se sabe que o mundo árabe é uma panela de pressão prestes a explodir. A cultura muçulmana está dividida em duas fações rivais e irreconciliáveis: sunitas e xiitas.

No Ocidente, principalmente na Europa, a coisa não é tão diferente. Povos diferentes deram origem aos atuais países europeus, e a rivalidade racial é latente entre os europeus. A coisa piora quando, depois de duas guerras mundiais com o Velho Continente servindo de palco de batalha, os líderes europeus, depois de idas e vindas, acordos e desacordos, criam um quase estadão chamado União Europeia, unificam a moeda, através de um Banco Central único e introduzem procedimentos administrativos e jurídicos unificados para suas deliberações. Fora a Inglaterra, que não abriu mão de sua valiosa Libra Esterlina, a maioria dos países europeus do Ocidente aderiram ao sistema. Agora, envoltos em problemas de diferenças econômicas, políticas e, por que não dizê-lo?, raciais, os países da União Europeia não se entendem. Ninguém quer perder seus privilégios, sua força política. E o resultado está ai: o volume de recursos (dinheiro) existente na União Europeia é insuficiente para fazer frente aos problemas que assolam as economias dos países-membros.

A crise econômica mundial focada na Europa é também uma crise de identidade entre os vários países que compõem a zona do euro. Em menores proporções, mas bem parecida com a crise política verificada atualmente entre os países do Oriente Médio e norte da África. E por extensão, uma crise que se alastra por todos os países, em todos os continentes. A Primavera Árabe, longe de ser florida, é feita de sangue. Como de sangue foram as primaveras europeias, têm sido a luta dos povos do Continente que buscam consolidar suas identidades culturais. E se a atual crise da União Europeia não vai terminar em sangue, a resolução dos graves problemas que afetam a Comunidade não será tão pacífica assim.

Para onde caminha a Humanidade? Ninguém sabe! Árabes em lutas intestinas, a elite social norte-americana ocupando as ruas e praças dos centros financeiros de Nova Iorque e de outras cidades para protestar contra o capitalismo; insatisfação generalizada em todo o mundo por causa da pressão sobre os trabalhadores e seus direitos; insurgências no mundo árabe derrubando ditadores que dominavam países há várias décadas. Eleições que fogem aos padrões democráticos em alguns países do Oriente Médio e norte da África. O capitalismo ocidental tenta se impor pela força ou por meio de conchavos, e até agora tem conseguido seus objetivos. Mas até quando essa situação mundial será mantida? Alguma coisa pobre contamina as relações entre os países dos vários continentes. E o grau de putrefação vai se agravando a cada dia. A convivência entre as diferenças culturais se deteriora em todos os continentes. O que é que está apodrecendo? Claro que os padrões de convivência entre as sociedades se deterioraram. É necessária uma nova definição de rumos, buscar saídas para essa crise que pode levar a Humanidade à implosão. Parece que o modelo econômico do Ocidente – o capitalismo, se esgotou. O modelo árabe não resolve nem os problemas internos de sua zona de influência. E ai, como fica? É esperar para ver. Talvez o que venha depois disso não seja nada agradável.

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