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EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

            PERDAS  IRREPARÁVEIS
                                         “Pobre gosta de luxo; quem gosta de lixo é intelectual”

                                                                                             - Joãozinho Trnta

Nesse fim de semana a cultura brasileira perdeu dois dos seus maiores baluartes. O carnavalesco Joãozinho Trnta, de 78 anos de idade e o ator e diretor Sérgio Brito, com 88 anos faleceram. O primeiro de complicações respiratórias e o segundo de provável infarto.

De Joãozinho Trnta pode dizer que revolucionou o carnaval carioca, e por extensão o brasileiro. Filho de família humilde do Maranhão, aportou no Rio de Janeiro ainda jovem. Foi bailarino do Teatro Municipal, mas sua vocação artística e sua alta capacidade de criação de cenários representativos da vida brasileira o levaram a montar carros alegóricos gigantescos que passaram a desfilar na avenida, mudando a feição estética do carnaval carioca. De baixa estatura e de relacionamento algo difícil, Joãozinho Trinta sabia dialogar com o belo e conhecia a miséria das populações periféricas das cidades brasileiras. Pesquisador de costumes, gênio na arte de esquematizar um quadro vivo e transformar esse quadro em uma representação de um realismo impressionante, o carnavalesco maranhense fez escola. Hoje em dia todo o carnaval do Rio e de São Paulo se inspira das ideias de um homem simples que levou o luxo para a avenida, certo de que a maioria das pessoas que assistiriam a esses desfiles era pobre. E foi com esse espírito metafórico de fazer o pobre se ver mergulhado no luxo dos desfiles que Joãozinho Trinta, numa célebre entrevista, que também expunha sua personalidade controvertida, afirmou que Pobre gosta de luxo; que gosta de lixo é intelectual.

Outro nome a se homenagear aqui é o de Sérgio Brito. Ator, diretor, criador de casas de espetáculos, Sergio Brito trabalhou no teatro, no cinema e na televisão. Como ator, figurou em mais de trinta novelas. Diretor se destacou na teledramaturgia e no teatro. Com sua voz possante e seu perfil esbelto, encantou gerações; atuou por mais de sessenta anos, e deixou sua marca nas artes brasileiras. Falta, entretanto, dizer que Sergio Brito era intelectual. Escreveu suas memórias e muitos roteiros para cinema e teatro.

O Brasil fica de luto com a partida desses dois baluartes das artes nacionais. Essas partidas representam perdas irreparáveis para a cultura brasileira.

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