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EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

         PRAIAS DO LITORAL SUL DA RMR


               O  PORTAL  DO  INFERNO

Quem ver a beleza das praias de Porto de Galinhas, Gaibu, Calhetas, Suape, Paiva, Enseada dos Corais, Itapuama e outros lindos recantos litorâneos do sul da Região Metropolitana do Recife tem a impressão que está visualizando o Paraiso. Fica só na impressão. Essas praias, até bem pouco refúgio de descanso semanal de muita gente que mora no Recife e em cidades vizinhas, estão hoje sob a mira de bandidos. O impacto populacional produzido pelas necessidades do polo Portuário e Industrial de Suape levou a uma importação de mão-de-obra para trabalhar nos canteiros do Complexo das atividades econômicas que ali se instalarão. E segundo alguns trabalhadores que pedem anonimato, no bojo dos milhares de pessoas que vieram de outros estados – principalmente, da Região Sudeste, para trabalhar em Suape, há um número significativo de bandidos. A quantidade de assaltos a moradores da orla e adjacências aumentou exageradamente nos últimos anos. O entorno de Gaibu se tornou uma terra de ninguém. Ali, as casas se transformaram em verdadeiras fortalezas. Muros protegidos por arame-farpado, cercas eletrificadas, grades em portas e janelas, todo esse aparato usado pelas pessoas que ali residem para se protegerem da bandidagem que infesta a área. A praia de Suape, onde até bem pouco se andava à noite pela beira-mar iluminada apenas pela luz da lua ou se dormia na areia até altas madrugadas, agora é um lugar perigoso para se viver.

O grande número de pessoas que trabalham em Suape inflou os valores imobiliários locais. As casas que antes podiam ser alugadas por 200 ou 300 reais agora custam de 800 a 1000 reais. E não se encontram casas disponíveis para alugar. Quase todas as moradias na área estão ocupadas por trabalhadores do Complexo de Suape. Quem escolhia aquelas praias para passar festas de fim de ano ou outros eventos de época fogem do entorno com medo dos assaltantes. A suntuosidade do Complexo Turístico do Paiva impressiona pela beleza arquitetônica, pelas vias bem cuidadas e pela facilidade de acesso às praias com a ponte recém-construída ligando Barra de Jangada à Praia do Paiva e facilitando o acesso às demais praias da localidade. Tudo ali vai se modernizando sob a influência de Suape. E de projetos turísticos que cada vez mais valorizam as casas, tornam a vida mais cara, mas não atentam para esse importante item que é a segurança das pessoas.

Principalmente em Enseadas dos Corais, de vasta extensão de areias brancas beijando as águas do mar, a violência se faz presente. O padrão aquisitivo dos moradores do lugar é dos mais altos em comparação com outras praias como Itapuama. A maioria usa as casas como ponto de veraneio, e quem se arrisca a morar ali vive prisioneiro em sua própria casa. Praia mesmo, só durante o dia, e em grupos. Sair sozinho para tomar um banho de mar é temerário. Pior ainda: quando o sol se queda no horizonte, todos se trancam em suas casas; a noite é dos marginais. Ali pertinho, em Gaibu, onde ficam importantes hotéis da orla e estão condomínios de luxo, além de belíssimas casas de propriedade de deputados, empresários e até de ex-governador a situação de segurança não muda. Ninguém se atreve a ir a uma praça, dá uma chegadinha à praia ou simplesmente sair à rua. Em sua edição de domingo, o Jornal do Comércio denuncia a situação de insegurança reinante naquela área litorânea. Um engenheiro que trabalha em Suape e mora em Gaibu, afirma que vista de longe aquela região litorânea parece o paraíso, mas arremata: “Para quem mora aqui é o inferno”. Comerciantes fecham seus estabelecimentos mais cedo. Donos de padarias, mercadinhos, bares e outros pontos de negócios vivem com medo. Todos eles já foram assaltados mais de uma vez. Alguns estão deixando o local.

A grandeza do Complexo Portuário e Industrial de Suape se expressa pelos números já apresentados em matérias anteriormente postadas pelo blog. Hoje, citaríamos apenas cinco mil viagens de ônibus para transportar os trabalhadores dos diversos empreendimentos ligados ao Complexo. É um movimento que engarrafa o trânsito nas horas de pico e degrada as estradas de acesso. As obras de reforço da estrutura viária em andamento logo mais estarão inauguradas, mas já nascerão insuficientes para escoar o trânsito de caminhões pesados, ônibus e outros veículos. Talvez porque as necessidades de transporte de um empreendimento dessas dimensões vão além da malha rodoviária. Só uma via férrea será capaz de dar respostas a essas necessidades. Há muitos projetos viários que a burocracia emperra sua execução naquela área. Mas enquanto não se pensar na ferrovia não se encontrará uma solução satisfatória para o problema.

Voltando aos problemas de segurança, a situação vai se agravar quando forem desativados os canteiros das obras do Complexo. Onde relocar milhares de trabalhadores que atuam nesses canteiros? O problema de habitação se agravará e a insegurança aumentará com pessoas sem trabalho, sem vínculo familiar local necessitando sobreviverem. É fácil imaginar o que poderá acontecer por aquelas bandas. Falar das belezas naturais das praias do Litoral Sul da Região Metropolitana do Recife já foi um exercício acalentador para quem teve o prazer de usufruir daquele ambiente até bem pouco quase paradisíaco. Quem hoje precisa morar ali, aquilo é o Portal do Inferno.

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