NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

sexta-feira, 29 de junho de 2012


                                      PLURALIDADE CULTURAL



                         Na Bahia, onde está a maior concentração de negros do Brasil, a Timbalada, os Filhos de Gandhi, o Ileaê e um número expressivo de grupos carnavalescos artísticos ou musicais, compositores e artistas variados que cantam as raízes culturais da terra, formam o Aché Music. Em Pernambuco, o frevo, o maracatu, os caboclinhos, o caboclo de vara e um grande número de ritmos musicais e conjuntos populares somente encontrados neste estado, compõem um contexto cultural próprio. Assim, também, no Pará, manifestações populares e uma música excitante somente executada ali identifica o Estado, em particular, e a Região Amazônica, como um todo.

                     No Rio de Janeiro, as escolas de samba pomposas com fantasias milionárias a desfilarem na Avenida Sapucaí contrastam com a miséria das favelas. O Samba, contudo, preside às duas situações extremas. No reinado de Momo, pessoas simples – muitas vezes presas da miséria que é a vida nos morros cariocas e que moram em barracos apertados e em ruas ou becos estreitos e sinuosos se misturam com gente rica, pessoas social e economicamente poderosas, a nata da sociedade carioca. Durante os desfiles carnavalescos da antiga Capital da República ninguém é de ninguém.

                   Em cada Região do Brasil são encontradas manifestações culturais próprias do local. Os diversos estados de cada região, de alguma forma, têm literatura erudita ou popular; o cordel contando as aventuras do imaginário do povo nordestino; músicas de feitio e sonoridade variados que ecoam nas avenidas das cidades ou nos rincões longínquos dessa Nação enorme; artesanato e artes plásticas que identificam culturalmente cada pedaço deste País.

                 Negros, pardos, mulatos, brancos e uma infinidade de cor de pele se misturam num caldeirão cultural que enriquece a paisagem humana do Brasil.

               Claro que há os que veem nessa mistura de sangue uma coisa desagradável,  Há, inclusive, os que identificam nessa miscigenação quase fabulosa das gentes brasileiras as causas do atraso do País. Puro preconceito! Talvez, saudosismo dos tempos coloniais ou imperiais, onde branco era senhor, e negro, escravo.

              Pobres revanchistas, que não aceitam o fato de negros africanos, índios e brancos terem se relacionado nessa cruzada cujo objetivo não era extinguir uma raça, mas, ao contrário, forjar uma nova raça – a raça brasileira - que se manifesta através desse mosaico multicolorido de peles diferentes, músicas típicas, artes regionais diversas que se integram ao conjunto cultural do País.

             Samba, frevo, aché, lundu, carimbó, maxixe, forró, dança de roda; bonecos moldados em barro com características locais; carrancas entalhadas na madeira; bumba-meu-boi; samba de coco; ciranda; vaquejadas; quadrilhas juninas, adaptações do modelo de dança trazido pelos portugueses; fogueiras de Santo Antônio, São João e São Pedro, em cujo ciclo junino predominam as comidas feitas à base do milho largamente cultivado em todas as regiões do Brasil, mas cuidado quase como um ícone religioso nas terras nordestinas, principalmente Pernambuco, Alagoa, Ceará e Bahia; tradições de uma cultura de rezas, promessas com santo casamenteiro como Santo Antônio, quando as moças fazem um ritual curioso visando encontrar seu príncipe encantado;  carros-alegóricos desfilando o rico folclore local nas ruas de muitas cidades; blocos, clubes e troças carnavalescas arrastando multidões pelas ruas do Recife; futebol, praia e sol, muito sol, principalmente no litoral do Nordeste ou nas badaladas praias do Rio de Janeiro. Essa pluralidade cultural é a marca brasileira.

              As manifestações culturais brasileiras têm um tom predominantemente católico; isso se deve à larga tradição da Igreja Católica na vida dos brasileiros, principalmente das camadas mais modestas da população, e em todo o mundo ocidental durante séculos. Mas o Protestantismo, através de suas várias igrejas,  vêm crescendo em todas as regiões e rincões do País. E já há um equilíbrio nessa comparação entre os vários cultos. Essa é uma constatação salutar. O sincretismo religioso, começado na Bahia e se espalhado pelo Brasil inteiro é uma marca histórica e irreversível dessa pluralidade de culturas. Apesar da rejeição de muitas igrejas evangélicas às tradições populares devido a sua origem católica, outras igrejas evangélicas vêm assimilando essas tradições. Já existe nessas igrejas  manifestações paralelas aos eventos folclórcos  antigos, e isto incluem o carnaval, os desfiles de rua e aceitação com nuances próprias das tradições culturais juninas. As diferenças são relativisadas e a convivência social entre os membros de uma mesma família onde há diversidade de fé vai amoldando a resistência e aprimorando o relacionamento entre famílias com esse perfil.  A pluralidade cultural também tem essa marca importante na religião. A hegemonia  no campo da fé, da devoção, da política e da filosofia  é sinônimo de intolerância, perseguição e tortura; tudo que se antepõe ao bom relacionamento entre os povos e não se identifica com a índole dos brasileiros. Isso ficou demonstrado na Guerra das Cruzadas, que de certo modo continua nos dias de hoje na belicosidade entre judeus e árabes; a essência da filosofia de Hitler  e o histórico recente da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) são um bom exemplo do que pode acontecer num regime de Poder Único.

             O povo brasileiro está aí, gente! Esse povo que canta suas diferenças na unidade de seu ideário de paz, amor e prosperidade. Não há nada de errado na postura ética, moral e cultural de qualquer das partes; negros e brancos, miscigenados de todos os matizes não são seres antagônicos: são apenas diferentes na aparência, e, todavia, iguais na intenção de construir uma nação deles, para eles e por eles.

                                                                                          

                                                                                                                          12.07.2008

NOTA DA MODERAÇÃO: Texto refundido e ampliado e disponibilizado a pedido para outros blogs.



 



                  POLÊMICA

SACOLAS PLÁSTICAS NOS SUPERMERCADOS

Os usuários dos supermercados de São Paulo ficaram impotentes em meio à polêmica do uso de sacolas plásticas como embalagem dos produtos vendidos nesses centros de compras. Uma decisão dos varejistas da capital paulista mandou retirar as sacolas plásticas dos balcões. Em contrapartida, os supermercados passaram a oferecer aos clientes caixas de papelão que embalaram os produtos comprados no grosso. Ou então, os clientes comprariam sacolas “biodegradáveis” no caixa, na hora de pagar a conta das compras. O Ministério Público viu nessa atitude dos supermercados uma manobra para faturar mais em cima de sua clientela. E ordenou que voltassem as sacolas plásticas. Os supermercados podem recorrer; alguns clientes ficaram ao lado da proibição das sacolas plásticas fabricadas com subprodutos de petróleo. A maioria aplaudia a volta das sacolas. A explicação dos supermercados é que as sacolas poluem o ambiente. Interessante é que os supermercados vendem sacos plásticos para acondicionar lixo e  para uma infinidade de outros usos. Não só sacos, mas uma enormidade de produtos plásticos para os mais diversos fins. Que também poluem o Meio Ambiente. Em meio a esse tiroteio de interesses, normas e espertezas, os clientes saem como os únicos prejudicados. Além de pagarem a conta, têm que comprar sacolas ditas biodegradáveis de origem duvidosa. E para a maioria da população que não tem carro, que faz compras mensais, o uso de caixas de papelão se torna realmente um insulto à dignidade. As donas de casa que o digam
Quem tem razão nisso tudo? Deveria ser primeiro a Natureza e depois o usuário de supermercados, mas este fica sempre em segundo plano  e a primeira não é levada em conta nesse tipo de discussão. Os supermercados ganham mais enquanto os clientes têm aumento de custo nas compras. O Ministério Publico, sempre zeloso, procura equilibrar as coisas.  O governo simplesmente se omite, deixando de criar normas de produção e comercialização de embalagens poluentes. E o descarte de produtos plásticos de toda natureza acaba entupindo bueiros, represando águas de chuvas, sujando rios e praias, enfim poluindo o Meio Ambiente e contaminando o ser humano. O Código Ambiental em discussão no Congresso vai tendo seu texto manipulado por setores interessados. E não contempla de maneira clara essa questão do uso das sacolas plásticas nos centros de venda.

O problema não está restrito ao âmbito de São Paulo; é nacional e mundial; é uma degradação da água que bebemos, do ar que respiramos e um entrave  fluxo das águas fluviais. Em suma, é uma ameaça à saúde humana, portanto um problema de saúde pública A sociedade deve se mobilizar para forçar uma solução plausível para esse problema. Governo, Congresso e o setor de comércio interessado bem como os cidadãos mais bem informados sobre essa questão devem ser menos hipócritas. As fábricas de sacolas plásticas poderiam mudar a matéria-prima usada, adotando insumos biodegradáveis. Irão argumentar que isso traria mais danos ao Meio Ambiente, pois esses insumos seriam produzidos a partir do corte de mais árvores. Então, pra que servem as reservas florestais de manejo? Como não aumentar essas áreas de manejo? Essa mudança seria duplamente benéfica: daria um destino útil a áreas agrícolas esgotadas e ofertaria mais oportunidades de mão-de-obra. Os subprodutos do petróleo têm com certeza outras aplicações igualmente rendosas.

sexta-feira, 22 de junho de 2012


                                RIO + 20
                                                TERCEIRA PARTE (FINAL)
                           HIDROGRAFIA

AGUA E SUA IMPORTÂNCIA PARA A VIDA

 Hidrografia é o estudo das águas do Planeta.

A Terra é o Planeta das águas. As partes sólidas da Terra se assemelham a ilhotas cercadas de águas por todos os lados; 70% de sua superfície são cobertos pelas águas. Igualmente, os seres vivos têm em média 70% de água em sua textura geral. A maior porção de águas existente no Planeta é salgada, e representa 97,5%  de toda  a massa líquida. 2,493% da água doce estão nas geleiras e aquíferos (águas subterrâneas) e só 0,007% da água doce estão nos rios  e lagos do planeta; é a parte que cabe para nosso abastecimento, irrigação, etc. Na atmosfera, 0,001% da água está em forma de vapor. Nos continentes estão 38.000.000 de km3. O somatório desses percentuais é um número colossal de 1 bilhão 380 milhões de quilómetros cúbicos (km3) de águas.

O Brasil, com 12% do volume total de água doce é um país privilegiado nesse quesito. Mas a água doce do País está distribuída de forma irregular. 80% dessas águas estão na região amazônica; 6% no Sudeste (para atender 50% do  PIB nacional); Nordeste: 3%. O detalhe desanimador é que o Brasil também é o País onde se desperdiça a maior quantidade de água doce.

Os oceanos e mares, conjuntamente com a Floresta Amazônica, são os pulmões do mundo. Metade do oxigênio da respiração dos seres humanos vem dos oceanos e mares; em compensação, metade do gás carbônico produzido pelo homem, de forma biológica ou mecânica, é absorvida pelos oceanos, o que representa alto nível de poluição para os seres que vivem nessas águas, a maioria servindo à cadeia alimentar do homem. A Floresta Amazônica emite uma grande quantidade de oxigênio, que se dissipa pelo Planeta, mas recebe uma carga excessiva de gás carbônico produzido pelo homem em suas atividades econômicas, além da cota natural desse poluente ambiental. O desmatamento da Amazônia reduz a produção de oxigênio pela floresta e aumenta o índice de gás carbônico absorvido por ela. Essa troca, que vai se tornando desigual, afeta a saúde do mundo, prejudicando o homem nas cidades e no campo e dos animais que vivem na floresta. Qual a importância dos mares e oceanos e da floresta na vida das pessoas?

Além do que já se disse acima, os mares e oceanos, lagos e rios fornecem  grande parte dos alimentos consumidos pelo homem. Milhares de espécies de peixes vivem em regiões de temperatura as mais variadas. Uns, de grande valor econômico, habitam as águas frias dos mares do Norte; outros, não menos importantes, vivem em águas tépidas dos trópicos ou em regiões temperadas. Essa fonte de proteína é de vital importância para a sobrevivência de muitos povos litorâneos ou ribeirinhos. Além de produzirem alimentos, fornecerem oxigênio e formarem as nuvens de chuvas, essas colossais reservas aquáticas são utilizadas para o transporte de cargas e passageiros, atividades essas que vêm de tempos bem antigos. O descarte de rejeitos industriais nos oceanos vem contribuindo para a poluição cada vez maior dos mesmos. Produtos altamente tóxicos e resíduos radioativos são jogados no fundo dos mares, que se transformaram num imenso lixão.  A degradação das embalagens desses descartes acaba deixando escapar gases tóxicos que envenenam os peixes, crustáceos e moluscos e esse veneno termina sendo absorvido pelo homem que consome esses produtos do mar. Esse emporcalhamento dos fundos dos mares responde pelo aumento dos casos de doenças crônicas e degenerativas que afetam cada vez mais a espécie humana e sobrecarrega a Previdência Social e os  serviços de saúde pública do mundo inteiro, tornando insuficientes os  leitos hospitalares e produzindo muita dor e sofrimento aos seres humanos.

Por sua vez, a Floresta Amazônica abriga uma enorme variedade de espécies vegetais, animais, micróbios, fungos e se alimenta de nutrientes contidos no seu solo arenoso cortado por rios e igarapés. Nesse ecossistema aquático vivem espécies de peixes endêmicas. A quantidade e variedade dessas riquezas do Bioma amazônico ainda não foram devidamente avaliadas, identificadas e catalogadas,  em parte devido a sua grande extensão territorial e diversidade de ecossistemas que  se espalham  a perder de vista  e em parte porque o parque florestal, animal, microscópico  e  aquático  em causa atravessa vários estados brasileiros e diversas nações fronteiriças, sem que haja um protocolo de ações conjuntas entre os países envolvidos visando a exploração compartilhada das riquezas do Bioma.

Pelo menos, 25% da Floresta Amazônica já foram desmatados. Esse desmatamento afeta principalmente o Pará, mas também outros estados da região e partes do Pantanal Amazônico. A fronteira agrícola que avança na região produz soja, milho e arroz. Mas a pecuária extensiva ocupa extensas áreas, interfere na vocação econômica do Bioma e produz grande carga de gases do efeito estufa. A industrialização também vem contribuindo para mudar a paisagem amazônica. Mas são  as queimadas o fator de maior peso na degradação do Bioma. Essas ações humanas interferem na funcionalidade do Bioma amazônico. E prejudicam a função respiratória  dos seres vivos do mundo inteiro.

Assim,  mares, oceanos, lagos, rios, geleiras, aquíferos, bem como as florestas, matas, cerrados, caatingas  são elementos diversos que com seus componentes variados se interligam para formar a cadeia  biótica que estabelece o equilíbrio da vida no Planeta. A Conferência Rio + 20, que traz inúmeros chefes de estados ao Brasil, visa discutir os problemas climáticos da Terra e encontrar saídas efetivas e positivas para esses problemas. Se os líderes mundiais fracassarem nessa tarefa estarão abrindo um perigoso precedente para que qualquer nação que queira se desenvolver possa poluir ainda mais o Meio Ambiente. Meio Ambiente não se polui somente com o funcionamento de grandes indústrias. As fronteiras agrícolas que avançam em todas as direções destroem biomas importantes como os cerrados, a caatinga; a produção de lixo, que só faz aumentar, polui os grandes reservatórios de água, estagna a drenagem e prejudicam a qualidade de vida das pessoas. O esgotamento sanitário sem tratamento jogado ao ambiente na maioria das cidades do mundo contamina a água e envenena os seres humanos. Ou a ausência de esgoto sanitário e água tratada que infelizmente é uma constatação nas cidades dos países pobres, torna o ambiente insalubre, provocando doenças  tais como diarreias, verminoses intestinais, tifo, leptospirose e outros quadros infecciosos típicos de lugares não saneados, principalmente nas crianças que nessas regiões são igualmente desnutridas,  aumentando as despesas dos sistemas de saúde. O ar é igualmente poluído pela ação do homem. E a qualidade de vida das pessoas vai se degradando.
A tônica da linguagem dos ambientalistas de hoje é a implantação de uma "economia  verde", coisa que ainda não se sabe  exatamente o que venha a ser. São conhecidas algumas ideias sobre "fábricas verdes", que seriam indústrias capazes de reprocessar os rejeitos da produção, evitando assim sejam jogados no ambiente os gases do efeito estufa. Essa é uma meta ambiciosa, de altissímo custo e certamente fora da realidade econômica dos países em fase inicial de desenvolvimento. Claro que esse é o caminho, mas os países ricos não estão dispostos a ajudar os mais pobres nessa tarefa. A Rio + 20, depois de ser antecedida por várias conferências na mesma linha de ação, teria a obrigação de cobrar das nações mais ricas sua participação nessa tarefa de desenvolver a economia mundial sem destruir o Meio Ambiente e de traçar um programa de metas com prazos a serem cumpridos e cobrados. É isso ou nada.

   







                                   MEIO  AMBIENTE

                                      SEGUNDA  PARTE




CERRADOS

Distribuídos por 13 estados, como MT, MS, GO, DF, TO, MG, BA, MA, PI, entre outros,  o Cerrado brasileiro é um rico Bioma de águas, cachoeiras,  flora e fauna típicas, que vem perdendo sua beleza natural devido ao uso excessivo dos seus recursos naturais  que são substituídos pelo homem para ali produzir alimentos. Águas puras e  cristalinas, imensas cachoeiras, poços, cânions, paisagens exuberantes, trilhas históricas, eis a Chapada dos Veadeiros, a 250 km de Brasília. Reserva da Biosfera Goyas e Patrimônio Natural da Humanidade (Unesco), importante segmento do Bioma Cerrado. A serra da Canastra, em MG, berço do rio São Francisco, é outro grande exemplo de Cerrado.  

Formado há 1 bilhão e 800 milhões de anos, com 2 milhões de km2, o que representa  25% do território nacional, o Cerrado é o 2º maior Bioma do Brasil e da América do Sul, atrás apenas do Bioma Amazônico.

Flora: a vegetação típica do Cerrado é composta de árvores de pequeno porte e galhos tortuosos (arbustos), com raízes profundas que buscam a humidade nas camadas mais abaixo em tempos de seca, têm cascas duras e grossas, folhas com pelos e espécies com gramíneas e ciperáceas  em seu estrado. Embora possa apresentar aspecto de mata ou floresta nas fronteiras com os biomas Amazônico e Atlântico.

Fauna: antas, onça-pintada, tipos locais de cachorros, como o vinagre  e o guará, lontra, tamanduá-bandeira, gambá, ariranha, gatos do mato, veados-mateiros, macaco-prego, quati, queixada, porco-espinho, capivaras, tapiti, preá,, entre outros.

Esse vasto sistema natural de fauna e flora vem sendo transformado de área protetora do Meio Ambiente em locais de produção de gases do efeito estufa, devastado em grande extensão  pelo homem para a criação de gado e para a agriculta extensiva. 80% da extensão do Cerrado já foram alterados. 41% dos 163 milhões da população de bovinos estão no Cerrado, e 46% da safra nacional de soja, milho, arroz e feijão também vem de lá. No futuro, o Cerrado será conhecido apenas pelo registro nos livros históricos e didáticos, devendo restar somente as cachoeiras, se também as nascentes dos rios que as formam não forem igualmente destruídos

CAATINGA

Faixa de transição entre o Agreste e o Sertão, a Caatinga é um Bioma só encontrado no Brasil e o mais fragilizado entre os biomas do País. O Agreste é uma faixa de terra entre a parte seca e a zona da mata. O Sertão é a parte mais árida do Nordeste, com um ciclo de chuvas muito irregular, rios temporários e vegetação rústica. Existem vários sertões: Araripe, Seridó, Pajeú, São Francisco, Cariri, etc. Na Caatinga são encontradas plantas lenhosas, do tipo arbusto, muito ramificadas densamente emaranhadas por trepadeiras. A Caatinga se distribui entre os estados do MA, PI, CE, RN, PB, PE, AL, SE, BA e parte do Norte de MG, num total de 850 mil km2, ou seja, 10% do território brasileiro.
A fauna compreende 17 tipos de anfíbios, 44 de répteis, 695 aves, 120 mamíferos, num total de 876 espécies. Há poucos estudos sobre os invertebrados da região. Com vegetação adotada às condições de aridez, tem de 2 mil a 3 mil plantas. A composição do Bioma  Caatinga compreende diversos ecossistemas, como a savana e outros

quinta-feira, 21 de junho de 2012


                   R   I    O    +     2   0

      PERSPECTIVAS  E  SIGNIFICADOS

Começou nesta quarta-feira, 20, no Rio Centro a Conferência Rio-20. O evento visa avaliar o que foi feito diante das decisões adotadas no próprio Rio de Janeiro vinte anos antes pelos líderes mundiais para aliviar as pressões sobre o Meio Ambiente, adotar providências no sentido de reduzir a emissão dos gases estufas na atmosfera, proteger as florestas, os mares, lagos, rios, os animais, os ambientes em que eles vivem e adotar outras providências para assegurar um desenvolvimento econômico sustentável. Isto é, produzir mais riquezas, melhorar as condições de vida das populações em todos os continentes sem afetar o Meio Ambiente. O protocolo de Quioto, grande conferência que já havia discutido os problemas climáticos do Planeta esteve em foco na Rio-1992. Infelizmente, Quioto já havia fracassado diante da recusa dos países ricos em assinar o documento que transformaria a mentalidade das pessoas e das autoridades  constituídas com relação aos cuidados que deveriam ser adotados para proteger a vida da Terra. Os Estados Unidos, a China, a Rússia, o Japão, entre os maiores poluidores do Planeta, além de se recusarem a aderir ao Protocolo de Quioto boicotaram todas as outras conferências sobre clima realizadas em vários continentes depois de 1992. As indústrias desses países, principalmente as químicas, estão espalhadas por várias partes do mundo e emitem anualmente bilhões de toneladas desses  gases formadores do efeito estufa; isso resulta na redução da espessura da camada de ozônio que protege a Terra contra as radiações solares, sobrecarrega as florestas de poluentes advindos da queima de combustíveis fósseis, compromete a qualidade de vida das pessoas e dos animais.

Além da ação industrial dos países mais desenvolvidos, a Rio+20 discutirá a destinação dos resíduos sólidos urbanos, como  coleta, tratamento e destinação adequada do lixo; continuará discutindo o desmatamento e a contaminação dos oceanos, mares, lagos, rios e ouros veios d’água, assim como da atmosfera, a fome na África, Ásia e outras regiões do mundo, a extinção de várias espécies de animais e devastação de ecossistemas importantes para a qualidade de vida e até para a sobrevivência da espécie humana. Falar de Meio Ambiente implica abordar questões econômicas, e exatamente por esse motivo que os países desenvolvidos se recusam a aderir aos protocolos sobre clima até agora firmados nas várias conferência patrocinadas pela ONU. Sem o aval dos Estados Unidos, da China, do Japão, da Rússia, da Índia e outras nações não comprometidas com o controle dos gases formadores do efeito estufa qualquer decisão adotada em conferência cume dessa natureza será inócua. A crise econômica mundial induz os países ricos a se pouparem diante das enormes somas que programas ambientais exigem para sua implantação. Basta ver a crise econômica europeia da zona do euro onde ninguém se entende, justamente porque os parceiros mais ricos não querem abrir mão de suas posições privilegiadas. Não é  de se esperar muita coisa da Rio+20. O boicote dos países mais ricos indica que nenhuma resolução efetiva para controle da EGEE que saia dessa conferência terá efeito prático. O clima de fracasso  da Rio+20 está no ar. Dos duzentos chefes de estados esperados para a conferência apenas noventa e quatro, isso mesmo, 94, estavam presentes à sessão de abertura da Conferência. E são os mais pobres ou em desenvolvimento.

Para que os leitores e seguidores do blog entendam bem o que se quer construir, preservar e realçar na Rio + 20, a partir de hoje estaremos analisando em vários tópicos ( ou partes ) o ambiente climático da Terra, estudando e definindo o que são ecossistema, biomas e unidades de preservação ambiental e a importância dessas grandezas naturais para a preservação da vida sobre o Planeta.

quarta-feira, 20 de junho de 2012


                                   MEIO AMBIENTE
                               PRIMEIRA   PARTE

FLORESTAS, AR, MAR, ANIMAIS E RIOS

     O HOMEM DIANTE DO SEU AMBIENTE

Ao aproximar-se a Conferência RIO+20, que contará com a presença de chefes de estados de todas as regiões do Planeta, é importante destacar o papel do homem no processo de manejo, conservação e de defesa do ambiente onde ele nasceu, vive e interage. O Protocolo de Kioto, rejeitado pelas nações industrialmente mais desenvolvidas do mundo passou por revisões dos governos interessados em conferências das Nações Unidas realizadas em vários continentes. A maioria da população, aquela parcela que não teve acesso a um melhor nível escolar, fica a indagar o que de fato é essa coisa chamada Meio Ambiente.

Em termos práticos, Meio Ambiente é o cenário natural onde o homem nasce, vive, age e reage com os elementos que o rodeiam. Que elementos são esses? São os rios, lagos, animais, mata atlântica, floresta tropical, caatinga, serrados, montanhas, córregos, o ar que respiramos, o céu imenso estrelado  acima das nossas cabeças  e os oceanos e mares sem fim que ligam ou separam os continentes. Esses elementos são vitais para a sobrevivência do homem, e perpetuação da espécie humana. Comecemos destacando o papel das florestas tropicais. A floresta amazônica é um extenso e rico bioma. Ocupa 5,5 milhões de quilómetros quadrados (km2) e se distribui por nove países: Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname, Guiana Francesa. Nessa floresta vivem mais de 4 mil espécies vegetais catalogadas e a maior variedade de peixes de água doce, répteis, primatas, aves, insetos e roedores do mundo, sendo que milhares de outras espécies animais e vegetais ainda são totalmente desconhecidas. ¼ da população de macacos do mundo vive na Amazônia. Mais  de 300 espécies de mamíferos, como a onça pintada, ariranhas, bicho preguiça, entre outros, também são amazônicos. Do total da área coberta pela floresta amazônica, mais de 3 milhões de km2 (quilómetros quadrados) estão no território brasileiro, e compreende os estados  do Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins. A floresta amazônica é de fundamental importância para o equilíbrio do ciclo de distribuição dos gases gerados em todo o processo de produção dos elementos químicos pela natureza ou pelo homem. A floresta num só tempo absorve o carbono proveniente da combustão provocada pelo homem ou por processos naturais e dispersa no ambiente o oxigênio que vai “lubrificar” a respiração dos seres vivos. 200 bilhões de toneladas de gás carbônico são absorvidos pela cobertura vegetal dos trópicos, sendo que 70 bilhões de toneladas são absorvidos pela floresta amazônica. O solo da floresta amazônico é atípico, não se prestando para a agricultura em grandes extensões. O piso é arenoso. A região é extensão, possuindo a maior bacia fluvial do mundo. Seus rios estão entre os mais volumosos do Planeta, sendo que o rio Amazonas é o mais extenso e caudaloso do mundo. O rio Negro, que corta a cidade de Manaus, é também volumoso e extenso, e estes, conjuntamente com outros grandes rios, contêm uma fauna riquíssima.

A cobertura vegetal do Brasil já foi bastante ampla. Quando da chegada dos europeus, o Brasil possuía uma mata atlântica de valor inestimável para o ciclo das chuvas, do clima e para a existência de inúmeras espécies de árvores, peixes, mamíferos e outros animais, muitos deles endêmicos da mata atlântica. Essa mata cobria uma extensão que ia do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, chegando  a partes do Paraguai e da Argentina. A mata atlântica possuía uma largura de 100 quilômetros lineares contados da linha d´água do mar e avançando para o interior até encontrar o Agreste. A variedade de árvores desse bioma  está documentada nos institutos de pesquisas e seus espécimes se diferenciavam dos da floresta amazônica. Hoje, graças ao desmatamento sem planejamento nem controle, apenas 6,98% da mata permanece em pontos distintos do País. Em Pernambuco, as reservas florestais remanescentes são vistas no Parque Florestal de Saltinho no município de Rio Formoso, no Parque de Dois Irmãos, no Parque de Preservação Florestal do Curado, na Reserva Ecológica do Uchoa e em pequenos centros de conservação florestal espalhados pelo interior. A importância dessa mata atlântica se mede pelos registros feitos pelos portugueses quando chegaram ao Brasil e exploraram o litoral a partir do Maranhão até o Rio Grnde do Sul. O Bioma, que abrigara os primeiros residentes do País – os chamados “índios”, subia montanhas, ocupava vales e córregos. Rios caudalosos cortavam a região de mata do norte ao sul, e suas águas eram povoadas por espécies de peixes típicos de cada região coberta pela mata. Comparativamente ao que se encontra ainda hoje no bioma amazônico, a fauna aquática  dos rios da mata atlântica era precária em espécimes. Isso se explica - embora a proximidade dos dois biomas, pela natureza do solo e da floresta amazônica, bem como sua origem e expansão. Infelizmente, o desmatamento de mais de 90% da mata atlântica piorou as condições climáticas das regiões cobertas pelo bioma. O Nordeste sofreu mais com esse desmatamento, principalmente as regiões de Agreste e Sertão. Os grandes vales perderam sua pujança e muitos rios desapareceram. Alguns dos rios dessa região diminuíram de volume, outros se tornaram temporários e outros ainda simplesmente desapareceram. Nesse bioma viviam grandes variedades de mamíferos, peixes, aves e outros mais. Capivaras, antas, onças, porco-do-mato, macacos, principalmente guaribas, entre outros animais, eram abundantes nessa região. Hoje só são encontrados em poucos lugares. O solo da região da mata é argiloso, mais consistente do que o do bioma amazônico, se prestando à agricultura, notadamente na zona da mata, mas também no Agreste e no Sertão, estando as culturas, entretanto, sujeitas aos ciclos das chuvas muito irregulares do interior do Nordeste.
PANTANAL
O Pantanal é um ecossistema que tem 250 mil quilómetros quadrados (km2), dos quais 138.183 km2 ficam em solo brasileiro. 65% no noroeste do estado de Mato Grosso do Sul e 35% no MT. E ainda se estende ao Leste da Bolívia e Norte do Paraguaia. O Pantanal é a maior área alagável do mundo, tendo estreita relação com o Bioma amazonense. Se considerarmos suas características próprias, isoladamente, o Pantanal é  menor bioma em relação ao Amazônico, que é o maior. O Pantanal forma uma imensa bacia Continental delimitada pelo Planalto Central do Brasil e através do rio Paraguai, rio da Prata e a Floresta Amazônica ao norte, especialmente o rio Guaporé. O Pantanal é um complexo sistema hídrico-florestal composto de aguas paradas, águas correntes, águas temporárias e águas permanentes. Os aluviões trazem para a área espécies raras de vegetação que cobre boa parte das águas deste sistema. A vida do Pantanal, bem como sua economia, estão intimamente ligadas ao ciclo periódico das inundações. A região é tipicamente aquática, mas de clima que vai do continental ao semiárido e mesmo ao árido. A densa vegetação em áreas amazônicas é rica  em aves e mamíferos, e o conjunto forma um interessante intercâmbio entre o o aquático e o terrestre. Os camalotes, ou ilhas flutuantes, são formados por vegetação típica do ecossistema. Devido as variações de clima e o ao fato de estarem sempre encharcadas, as terras do Pantanal não são apropriadas para a agricultura. A Pesca é uma atividade importante, pois nos rios do Pantanal estão espécies endêmicas de grande valor ornamental ou econômico.

O Pantanal é o maior entroncamento de intercâmbio da flora e da fauna aquática da América do Sul. Entretanto, apesar de possuir a maior população de jacarés que se alimentam de piranhas e com isso estabelece um equilíbrio do sistema interligado, o Pantanal não possui muitas raridades de fauna aquática, mas sim uma imensa quantidade de espécimes. Não apresenta muitas espécies de cobras, mas a predominância da sucuri é um fato que pode levar perigo aos pequenos animais e até aos seres humanos.

Cerrados e Caatinga serão apreciados no próximo artigo.

                                               DEFINIÇÕES

MEIO AMBIENTE é o conjuntos dos recursos naturais do Planeta, compreendidos como as florestas, as matas, os mares e oceanos, lagos, rios, o ar, e tudo mais que serve de abrigo e fornece alimentos para o homem e os animais.

VIDA ANIMAL E SERES INANIMADOS. Homens e animais, bem como os vegetais e organismos unicelulares e microscópicos são seres vivos que dependem de alimentos para viver, têm metabolismo e se movimentam. A vida animal é encontrada sob várias  formas nos oceanos e mares. Já os seres inanimados são imóveis, não necessitam de alimentos e existem em toda a crosta terrestre.

BIOMA é um conjunto ambiental complexo que abriga tipos bióticos, ou animados, e abióticos, ou inanimados. É um sistema mais amplo onde se destacam animais, vegetais, cadeia alimentar, processos irrigatórios e inter-relações entre elementos variados e espécies próprias. O maior Bioma do mundo é a Floresta Amazônica, que fica quase toda no Brasil. O segundo maior Bioma é o Pantanal.

ECOSSISTEMAS SÃO SUBDIVISÕES DE UM BIOMA, CONJUNTOS AMBIENTAIS DE MENOR PORTE, MAS IGUALMENTE IMPORTANTES  PARA DESCRIÇÃO DA VIDA. Um Bioma pode às vezes ser confundido com um ecossistema, mas um ecossistema não é necessariamente um Bioma.

Vejamos esses sistemas e observemos esses elementos.

sexta-feira, 1 de junho de 2012


                    O   S I S T E M A

Todas as pessoas medianamente informadas  conhecem alguma forma de  sistema. A química, a física, a matemática, a biologia e principalmente a astronomia, entre outras ciências, têm suas formulações de sistemas. Mas essas pessoas ficam perdidas diante da afirmação de que algumas nações – Brasil no meio, ou regiões, são atrasadas por causa do “sistema”.

Afinal, o que é esse sistema que interfere na vida das pessoas e trava o desenvolvimento de países ou regiões? Essa discussão pode ser 1) filosófica, com o homem em busca de respostas para os problemas éticos, familiares ou existenciais que o rodeiam; 2)dogmática, quando se trava no âmbito da religião, da política partidária ou de ideologias que as pessoas elegem como suas verdades irrefutáveis. Assim, a discussão será tão compartimentada quantos forem os temas abordados. Neste artigo vamos exercitar um pouco de filosofia, que por sua amplitude abrange também aspectos econômicos e outros temas  que venham complementar a discussão. Nada de terminologia técnica de difícil  compreensão para o grande público.

O mundo, pelo menos, teoricamente, tem um órgão administrativo, legislativo e judiciário supranacional. No caso, a Organização das Nações Unidas (ONU). Cada etnia localizada num Continente ou grande região do Planeta tem sua representação multinacional. Cinjamo-nos ao Brasil. Temos os nossos órgãos institucionais, como o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, bem como seus ramais complementares. Somos uma Federação Republicana, composta por 26 estados mais o Distrito Federal. Cada uma dessas unidades federativas tem sua Constituição, suas leis; são independentes no aspecto político, mas interdependentes por formarem um pacto republicano. A Constituição que prevalece é a Federal. E esta declara que “todo cidadão é igual perante a lei”, e mais ainda: que “Todo poder emana do povo e em seu nome será exercido”. Assegura ainda que saúde, educação, segurança, entre outras prerrogativas, são deveres do Estado e direitos dos cidadãos. Um arcabouço perfeito, exemplo de espírito democrático e visão humanística. Mas será que isso funciona mesmo na prática? As oscilações políticas dos grupos de elites determinam o comportamento da economia; quer dizer, o emprego, os salários e o bem-estar das pessoas estão condicionados aos ânimos políticos das elites que estão no poder ou detém a titularidade dos centros de produção, vendas ou serviços. De ordinário as pessoas reclamam das dificuldades por que passam no seu dia a dia. E põem a culpa nas elites e nos seus inúmeros interesses. Isto é, no sistema. Mas será que as elites são tão ruins assim? E o sistema é representado somente por elas?

A visão que temos da sociedade é uma ótica de conjunto. Quase sempre esquecemos que também somos parte integrante dessa sociedade. Ao elegermos nossos vereadores, deputados e senadores nos identificamos com eles. Por isso, o parlamento  em seus três moldais hierárquicos é a caixa de ressonância da sociedade. E o parlamento é tão bom ou ruim quanto as  pessoas que delegaram poderes para serem nele representadas. O mesmo conceito se aplica aos membros do Poder Executivo. Nós os elegemos para gerenciar esse conjunto de entes institucional chamado Estado. Esse Poder é complexo em sua estrutura; têm ministros, diretores de estatais e executivos de vários níveis que dirigem nossos destinos; educação, saúde, segurança, planejamento econômico, receita, etc., são entes dessa estrutura chamada Estado. Agora, não é fácil coordenar as atividades  dessa gente toda. Pior: cada pessoa desses órgãos pertence a um determinado grupo político que quer marcar presença permanente no poder. E para isso lutam por seus interesses e com esse objetivo  podem ir até as ultimas consequências; podem morrer ou matar. No Judiciário a coisa se repete, embora sob um aparato de blindagem dos seus membros, que muitas vezes se consideram inimputáveis.  Entra em cena a dicotomia representada pelo Bem e o Mal. Onde está o Bem ou onde encontrar o Mal? No eleitor, portanto, em cada um de nós, ou no parlamentar ou executivo que elegemos? Ou nos juízes e ministros dos tribunais? Principalmente o Supremo Tribunal Federal (STF), em tese o guardião da Carta Magna e ponto de equilíbrio do conjunto federativo.

Essa discussão não pode ficar restrita a esse maniqueísmo. Se há o Mal, cada um de nós pode representar esse estado de espírito; a reciprocidade é verdadeira. Mas ai estaríamos lidando com imponderabilidades. Essas grandezas que não podem ser dimensionadas também não podem ser personalizadas. Correríamos o risco de estabelecer uma sinergia onde o científico estaria associado ao empirismo especulativo.

 Discussão desse porte subentende subjetividade. Os personagens em apreciação são impessoais. E fazem parte de um mundo de conjecturas. Assim é como entendemos o sistema. Mas os efeitos da atuação do sistema são bem reais. Como então definir ou explicar essa figura? Só um exercício de imaginação pode lançar luzes sobre essa discussão. Pensemos, então, que o sistema é algo impessoal, embora nós também façamos parte dele. Em determinadas circunstâncias, nós somos uma perna ou um braço dele. Então, se é impessoal e se nós, paradoxalmente, somos parte dele, que coisa é essa que influencia as decisões das elites e ao mesmo tempo sofre nossas influências?

De raiz etimológica grega (sietemiun), que  significa “combinar”, ‘organizar”,  o sistema é um conjunto de interesses que se corporifica numa organização aparentemente imaginária, supra ideológica, suprapartidária, abstrata mas ironicamente ativa e cujos efeitos todos nós sentimos. Paira sobre nossas cabeças. É como um ente monstruoso de milhões de braços a abarcar invisivelmente a sociedade humana em todos os quadrantes do Planeta, e com infinitos olhos que a tudo veem, a todos controla. Rege os destinos de todos os povos, acima de qualquer instrumento  legal que os organize, Não tem regras nem princípios, mas objetivos claros como a dominação incondicional de tudo e de todos. Não é uma individualidade, nem tem pátria; fala todas as línguas  e está presente em todos os lugares; não tem forma, é ambíguo. O sistema é cada um de nós – trabalhadores, intelectuais, políticos, empresários, estudantes, donas de casa, quando do intuito de garantir nossas conquistas e preservar nossos privilégios. Essas premissas de posses individuais se ampliando ao todo; se globalizando. Esses interesses têm a ver com o espírito do capitalismo, do qual cada um de nós – mesmo se posicionando ideologicamente como adepto  da socialização dos meios de produção e consumo – é um agente inconsciente. O sistema seria um mal maior porque é o somatório de males menores dos indivíduos  que lhe dão vida. Não interessa ao sistema se há uma educação de qualidade ou se simplesmente as crianças e os jovens não estudam; se os professores ganham mal, por isso são desmotivados para ensinar; se os cidadãos estão recebendo a cobertura de saúde que merecem, se a segurança das pessoas está sendo uma questão prioritária das autoridades do setor, se o trabalhador está empregado e com salário que assegure seu bem-estar e de sua família. É indiferente ao fato de crianças de várias partes do mundo estarem desnutridas, passarem fome ou morrerem por falta de comida. Nem com outras questões sociais que afetam as pessoas mais necessitadas em qualquer parte do mundo. O sistema não ouve, não fala, não indaga nem responde; só age. Age de forma impessoal, sorrateira; não se preocupa com o fato de uma minoria étnica está sendo devastada por interesses de grupos rivais nem se incomoda que guerras sanguinolentas destruam vidas inocentes e a precária infraestrutura de povos dominados por governos ilegítimos; não parece ter interesses nas questões de relacionamento internacional ou de ordem social, permitindo que os poderosos sejam cada vez mais fortes, enquanto os ricos ficam mais ricos e os pobres mais empobrecidos; que as nações desenvolvidas dominem as subdesenvolvidas; pouco se lhe dá que as crises financeiras periódicas tumultuem as nações e penalizem os cidadãos. Não está nem ai para o choque ideológico entre as religiões, do qual, aliás, se alimenta. No final, o sistema será sempre vencedor, porque para sua vitória concorrem instituições, governos, empresários e cada um de nós.

Até quando?