RIO + 20
TERCEIRA PARTE (FINAL)
HIDROGRAFIA
AGUA E SUA IMPORTÂNCIA PARA A VIDA
Hidrografia é o estudo
das águas do Planeta.
A Terra é o Planeta das águas. As partes sólidas da Terra se
assemelham a ilhotas cercadas de águas por todos os lados; 70% de sua
superfície são cobertos pelas águas. Igualmente, os seres vivos têm em média
70% de água em sua textura geral. A maior porção de águas existente no Planeta
é salgada, e representa 97,5% de
toda a massa líquida. 2,493% da água
doce estão nas geleiras e aquíferos (águas subterrâneas) e só 0,007% da água
doce estão nos rios e lagos do planeta;
é a parte que cabe para nosso abastecimento, irrigação, etc. Na atmosfera,
0,001% da água está em forma de vapor. Nos continentes estão 38.000.000 de km3.
O somatório desses percentuais é um número colossal de 1 bilhão 380 milhões de quilómetros
cúbicos (km3) de águas.
O Brasil, com 12% do volume total de
água doce é um país privilegiado nesse quesito. Mas a água doce do País está distribuída
de forma irregular. 80% dessas águas estão na região amazônica; 6% no Sudeste
(para atender 50% do PIB nacional);
Nordeste: 3%. O detalhe desanimador é que o Brasil também é o País onde se
desperdiça a maior quantidade de água doce.
Os oceanos e mares, conjuntamente com
a Floresta Amazônica, são os pulmões do mundo. Metade do oxigênio da respiração
dos seres humanos vem dos oceanos e mares; em compensação, metade do gás
carbônico produzido pelo homem, de forma biológica ou mecânica, é absorvida
pelos oceanos, o que representa alto nível de poluição para os seres que vivem
nessas águas, a maioria servindo à cadeia alimentar do homem. A Floresta
Amazônica emite uma grande quantidade de oxigênio, que se dissipa pelo Planeta,
mas recebe uma carga excessiva de gás carbônico produzido pelo homem em suas
atividades econômicas, além da cota natural desse poluente ambiental. O
desmatamento da Amazônia reduz a produção de oxigênio pela floresta e aumenta o
índice de gás carbônico absorvido por ela. Essa troca, que vai se tornando
desigual, afeta a saúde do mundo, prejudicando o homem nas cidades e no campo e
dos animais que vivem na floresta. Qual a importância dos mares e oceanos e da
floresta na vida das pessoas?
Além do que já se disse acima, os
mares e oceanos, lagos e rios fornecem grande parte dos alimentos consumidos pelo
homem. Milhares de espécies de peixes vivem em regiões de temperatura as mais
variadas. Uns, de grande valor econômico, habitam as águas frias dos mares do
Norte; outros, não menos importantes, vivem em águas tépidas dos trópicos ou em
regiões temperadas. Essa fonte de proteína é de vital importância para a
sobrevivência de muitos povos litorâneos ou ribeirinhos. Além de produzirem
alimentos, fornecerem oxigênio e formarem as nuvens de chuvas, essas colossais
reservas aquáticas são utilizadas para o transporte de cargas e passageiros,
atividades essas que vêm de tempos bem antigos. O descarte de rejeitos
industriais nos oceanos vem contribuindo para a poluição cada vez maior dos mesmos.
Produtos altamente tóxicos e resíduos radioativos são jogados no fundo dos
mares, que se transformaram num imenso lixão. A degradação das embalagens desses descartes
acaba deixando escapar gases tóxicos que envenenam os peixes, crustáceos e
moluscos e esse veneno termina sendo absorvido pelo homem que consome esses
produtos do mar. Esse emporcalhamento dos fundos dos mares responde pelo
aumento dos casos de doenças crônicas e degenerativas que afetam cada vez mais
a espécie humana e sobrecarrega a Previdência Social e os serviços de saúde pública do mundo inteiro,
tornando insuficientes os leitos
hospitalares e produzindo muita dor e sofrimento aos seres humanos.
Por sua vez, a Floresta Amazônica abriga uma enorme variedade
de espécies vegetais, animais, micróbios, fungos e se alimenta de nutrientes
contidos no seu solo arenoso cortado por rios e igarapés. Nesse ecossistema
aquático vivem espécies de peixes endêmicas. A quantidade e variedade dessas
riquezas do Bioma amazônico ainda não foram devidamente avaliadas,
identificadas e catalogadas, em parte
devido a sua grande extensão territorial e diversidade de ecossistemas que se espalham
a perder de vista e em parte
porque o parque florestal, animal, microscópico e aquático em causa atravessa vários estados brasileiros
e diversas nações fronteiriças, sem que haja um protocolo de ações conjuntas entre
os países envolvidos visando a exploração compartilhada das riquezas do Bioma.
Pelo menos, 25% da Floresta Amazônica já foram desmatados.
Esse desmatamento afeta principalmente o Pará, mas também outros estados da
região e partes do Pantanal Amazônico. A fronteira agrícola que avança na
região produz soja, milho e arroz. Mas a pecuária extensiva ocupa extensas
áreas, interfere na vocação econômica do Bioma e produz grande carga de gases
do efeito estufa. A industrialização também vem contribuindo para mudar a
paisagem amazônica. Mas são as queimadas
o fator de maior peso na degradação do Bioma. Essas ações humanas interferem na
funcionalidade do Bioma amazônico. E prejudicam a função respiratória dos seres vivos do mundo inteiro.
Assim, mares, oceanos,
lagos, rios, geleiras, aquíferos, bem como as florestas, matas, cerrados,
caatingas são elementos diversos que com
seus componentes variados se interligam para formar a cadeia biótica que estabelece o equilíbrio da vida
no Planeta. A Conferência Rio + 20, que traz inúmeros chefes de estados ao
Brasil, visa discutir os problemas climáticos da Terra e encontrar saídas
efetivas e positivas para esses problemas. Se os líderes mundiais fracassarem
nessa tarefa estarão abrindo um perigoso precedente para que qualquer nação que
queira se desenvolver possa poluir ainda mais o Meio Ambiente. Meio Ambiente
não se polui somente com o funcionamento de grandes indústrias. As fronteiras
agrícolas que avançam em todas as direções destroem biomas importantes como os
cerrados, a caatinga; a produção de lixo, que só faz aumentar, polui os grandes
reservatórios de água, estagna a drenagem e prejudicam a qualidade de vida das
pessoas. O esgotamento sanitário sem tratamento jogado ao ambiente na maioria
das cidades do mundo contamina a água e envenena os seres humanos. Ou a
ausência de esgoto sanitário e água tratada que infelizmente é uma constatação nas
cidades dos países pobres, torna o ambiente insalubre, provocando doenças tais como diarreias, verminoses intestinais,
tifo, leptospirose e outros quadros infecciosos típicos de lugares não saneados,
principalmente nas crianças que nessas regiões são igualmente desnutridas, aumentando as despesas dos sistemas de saúde.
O ar é igualmente poluído pela ação do homem. E a qualidade de vida das pessoas
vai se degradando.
A tônica da linguagem dos ambientalistas de hoje é a implantação de uma "economia verde", coisa que ainda não se sabe exatamente o que venha a ser. São conhecidas algumas ideias sobre "fábricas verdes", que seriam indústrias capazes de reprocessar os rejeitos da produção, evitando assim sejam jogados no ambiente os gases do efeito estufa. Essa é uma meta ambiciosa, de altissímo custo e certamente fora da realidade econômica dos países em fase inicial de desenvolvimento. Claro que esse é o caminho, mas os países ricos não estão dispostos a ajudar os mais pobres nessa tarefa. A Rio + 20, depois de ser antecedida por várias conferências
na mesma linha de ação, teria a obrigação de cobrar das nações mais ricas sua participação nessa tarefa de desenvolver a economia mundial sem destruir o Meio Ambiente e de traçar um programa de metas com
prazos a serem cumpridos e cobrados. É isso ou
nada.
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