MEIO
AMBIENTE
PRIMEIRA PARTE
FLORESTAS, AR, MAR, ANIMAIS E RIOS
O HOMEM DIANTE DO
SEU AMBIENTE
Ao aproximar-se a Conferência RIO+20, que contará com a
presença de chefes de estados de todas as regiões do Planeta, é importante
destacar o papel do homem no processo de manejo, conservação e de defesa do
ambiente onde ele nasceu, vive e interage. O Protocolo de Kioto, rejeitado
pelas nações industrialmente mais desenvolvidas do mundo passou por revisões dos
governos interessados em conferências das Nações Unidas realizadas em vários
continentes. A maioria da população, aquela parcela que não teve acesso a um
melhor nível escolar, fica a indagar o que de fato é essa coisa chamada Meio
Ambiente.
Em termos práticos, Meio Ambiente é o cenário natural onde o
homem nasce, vive, age e reage com os elementos que o rodeiam. Que elementos
são esses? São os rios, lagos, animais, mata atlântica, floresta tropical,
caatinga, serrados, montanhas, córregos, o ar que respiramos, o céu imenso
estrelado acima das nossas cabeças e os oceanos e mares sem fim que ligam ou
separam os continentes. Esses elementos são vitais para a sobrevivência do
homem, e perpetuação da espécie humana. Comecemos destacando o papel das
florestas tropicais. A floresta amazônica é um extenso e rico bioma. Ocupa 5,5
milhões de quilómetros quadrados (km2) e se distribui por nove países: Brasil,
Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname, Guiana Francesa.
Nessa floresta vivem mais de 4 mil espécies vegetais catalogadas e a maior
variedade de peixes de água doce, répteis, primatas, aves, insetos e roedores
do mundo, sendo que milhares de outras espécies animais e vegetais ainda são
totalmente desconhecidas. ¼ da população de macacos do mundo vive na Amazônia.
Mais de 300 espécies de mamíferos, como
a onça pintada, ariranhas, bicho preguiça, entre outros, também são amazônicos.
Do total da área coberta pela floresta amazônica, mais de 3 milhões de km2
(quilómetros quadrados) estão no território brasileiro, e compreende os
estados do Amazonas, Pará, Rondônia,
Roraima, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins. A floresta amazônica é de
fundamental importância para o equilíbrio do ciclo de distribuição dos gases
gerados em todo o processo de produção dos elementos químicos pela natureza ou
pelo homem. A floresta num só tempo absorve o carbono proveniente da combustão
provocada pelo homem ou por processos naturais e dispersa no ambiente o
oxigênio que vai “lubrificar” a respiração dos seres vivos. 200 bilhões de
toneladas de gás carbônico são absorvidos pela cobertura vegetal dos trópicos,
sendo que 70 bilhões de toneladas são absorvidos pela floresta amazônica. O
solo da floresta amazônico é atípico, não se prestando para a agricultura em
grandes extensões. O piso é arenoso. A região é extensão, possuindo a maior
bacia fluvial do mundo. Seus rios estão entre os mais volumosos do Planeta,
sendo que o rio Amazonas é o mais extenso e caudaloso do mundo. O rio Negro,
que corta a cidade de Manaus, é também volumoso e extenso, e estes,
conjuntamente com outros grandes rios, contêm uma fauna riquíssima.
A cobertura vegetal do Brasil já foi bastante ampla. Quando
da chegada dos europeus, o Brasil possuía uma mata atlântica de valor
inestimável para o ciclo das chuvas, do clima e para a existência de inúmeras
espécies de árvores, peixes, mamíferos e outros animais, muitos deles endêmicos
da mata atlântica. Essa mata cobria uma extensão que ia do Rio Grande do Norte
ao Rio Grande do Sul, chegando a partes
do Paraguai e da Argentina. A mata atlântica possuía uma largura de 100
quilômetros lineares contados da linha d´água do mar e avançando para o interior
até encontrar o Agreste. A variedade de árvores desse bioma está documentada nos institutos de pesquisas e
seus espécimes se diferenciavam dos da floresta amazônica. Hoje, graças ao
desmatamento sem planejamento nem controle, apenas 6,98% da mata permanece em
pontos distintos do País. Em Pernambuco, as reservas florestais remanescentes
são vistas no Parque Florestal de Saltinho no município de Rio Formoso, no
Parque de Dois Irmãos, no Parque de Preservação Florestal do Curado, na Reserva
Ecológica do Uchoa e em pequenos centros de conservação florestal espalhados
pelo interior. A importância dessa mata atlântica se mede pelos registros
feitos pelos portugueses quando chegaram ao Brasil e exploraram o litoral a
partir do Maranhão até o Rio Grnde do Sul. O Bioma, que abrigara os primeiros
residentes do País – os chamados “índios”, subia montanhas, ocupava vales e
córregos. Rios caudalosos cortavam a região de mata do norte ao sul, e suas
águas eram povoadas por espécies de peixes típicos de cada região coberta pela
mata. Comparativamente ao que se encontra ainda hoje no bioma amazônico, a
fauna aquática dos rios da mata
atlântica era precária em espécimes. Isso se explica - embora a proximidade dos
dois biomas, pela natureza do solo e da floresta amazônica, bem como sua origem
e expansão. Infelizmente, o desmatamento de mais de 90% da mata atlântica
piorou as condições climáticas das regiões cobertas pelo bioma. O Nordeste
sofreu mais com esse desmatamento, principalmente as regiões de Agreste e
Sertão. Os grandes vales perderam sua pujança e muitos rios desapareceram.
Alguns dos rios dessa região diminuíram de volume, outros se tornaram
temporários e outros ainda simplesmente desapareceram. Nesse bioma viviam
grandes variedades de mamíferos, peixes, aves e outros mais. Capivaras, antas,
onças, porco-do-mato, macacos, principalmente guaribas, entre outros animais,
eram abundantes nessa região. Hoje só são encontrados em poucos lugares. O solo
da região da mata é argiloso, mais consistente do que o do bioma amazônico, se
prestando à agricultura, notadamente na zona da mata, mas também no Agreste e
no Sertão, estando as culturas, entretanto, sujeitas aos ciclos das chuvas
muito irregulares do interior do Nordeste.
PANTANALO Pantanal é um ecossistema que tem 250 mil quilómetros quadrados (km2), dos quais 138.183 km2 ficam em solo brasileiro. 65% no noroeste do estado de Mato Grosso do Sul e 35% no MT. E ainda se estende ao Leste da Bolívia e Norte do Paraguaia. O Pantanal é a maior área alagável do mundo, tendo estreita relação com o Bioma amazonense. Se considerarmos suas características próprias, isoladamente, o Pantanal é menor bioma em relação ao Amazônico, que é o maior. O Pantanal forma uma imensa bacia Continental delimitada pelo Planalto Central do Brasil e através do rio Paraguai, rio da Prata e a Floresta Amazônica ao norte, especialmente o rio Guaporé. O Pantanal é um complexo sistema hídrico-florestal composto de aguas paradas, águas correntes, águas temporárias e águas permanentes. Os aluviões trazem para a área espécies raras de vegetação que cobre boa parte das águas deste sistema. A vida do Pantanal, bem como sua economia, estão intimamente ligadas ao ciclo periódico das inundações. A região é tipicamente aquática, mas de clima que vai do continental ao semiárido e mesmo ao árido. A densa vegetação em áreas amazônicas é rica em aves e mamíferos, e o conjunto forma um interessante intercâmbio entre o o aquático e o terrestre. Os camalotes, ou ilhas flutuantes, são formados por vegetação típica do ecossistema. Devido as variações de clima e o ao fato de estarem sempre encharcadas, as terras do Pantanal não são apropriadas para a agricultura. A Pesca é uma atividade importante, pois nos rios do Pantanal estão espécies endêmicas de grande valor ornamental ou econômico.
O Pantanal é o maior entroncamento de intercâmbio da flora e
da fauna aquática da América do Sul. Entretanto, apesar de possuir a maior
população de jacarés que se alimentam de piranhas e com isso estabelece um equilíbrio
do sistema interligado, o Pantanal não possui muitas raridades de fauna
aquática, mas sim uma imensa quantidade de espécimes. Não apresenta muitas
espécies de cobras, mas a predominância da sucuri é um fato que pode levar
perigo aos pequenos animais e até aos seres humanos.
Cerrados e Caatinga serão apreciados no próximo artigo.
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