NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012


         DOM HELDER CÂMARA                                                                        

Transcorre nesta data o 13º ano da morte do bispo emérito  de Olinda e Recife, Dom Helder Câmara. Líder espiritual da Capital Pernambucana e Região Metropolitana, o Dom da Paz era referência nacional no trabalho pastoral que privilegiava os pobres. Sua obra pastoral serviu de exemplo para outras dioceses dentro e fora do País. As instituições que ele criou serviram de base para reformas no trabalho da igreja e alicerçaram um programa de ação social que teve grande influência no apoio às comunidades  de base, gerando incentivos à educação, à saúde e à paz nas comunidades onde atuava. Opositor declarado da ditadura que dominava o Brasil quando assumiu a Arquidiocese de Olinda e Recife, Dom Helder denunciou a violência praticada pelos militares no poder, condenando a tortura de muitos cidadãos nos porões do regime militar. A voz de Dom Helder condenando a ditadura  ultrapassou os limites das nossas fronteiras, chegando às universidades europeias e segmentos da sociedade civil de muitos países do  Velho Continente. Por conta da repercussão internacional desse trabalho de denúncia do arcebispo de Olinda e Recife, Dom Helder foi proibido de sair do País pelos militares.  Algumas universidades europeias, entretanto, encontraram uma forma de quebrar a intolerância do regime militar. Passaram a convidar Dom Helder para fazer palestras para seus corpos docentes. Mesmo assim, sob pressão dos militares, algumas embaixadas criaram dificuldades para conceder visto de entrada a Dom Helder. Só com o fim da ditadura, o arcebispo  voltou a circular por vários países, onde era solicitado para falar sobre temas sociais.

Perseguido pela ditadura, mas venerado por seu ovo, Dom Helder tinha na pessoa do padre Henrique não apenas seu auxiliar direto, mas o guardião das ideias e projetos sociais  traçados para a arquidiocese. E foi justamente por essa proximidade com o arcebispo que o padre Henrique foi emboscado, sequestrado, torturado  e morto pelo regime militar. Os arautos da ditadura no Estado urdiram um plano que tentava apresentar o arcebispo como responsável pela morte do padre Henrique. A propósito, em livro que será lançado hoje, uma irmã do padre Henrique conta com detalhes como foi perpetrada essa ação hedionda da ditadura que eliminou seu irmão.

Como parte das homenagens prestadas a Dom Helder no 13º do seu falecimento, vários eventos foram programados, todos eles presididos pelo arcebispo de Olinda e Recife,  Dom Fernando Saburido. O mais importante deles, além naturalmente das missas que serão celebradas, é o sepultamento definitivo dos restos mortais do arcebispo, que até agora estavam em sepultura provisória. O túmulo está localizado em área especial da igreja da Sé, em Olinda. Também serão sepultados na Sé os restos mortais do padre Henrique e do bispo José  Lamartine. É importante neste momento resgatar a memória de Dom Helder Câmara, desvirtuadas por alguns  grupos religiosos ou pessoas má intencionadas ou desenformadas a respeito da persona
lidade e da obra do arcebispo hoje homenageado. Algumas pessoas -  muito poucas, felizmente, tentaram desvirtuar a figura humana exemplar que foi Dom Helder, atribuído ao arcebispo atitudes que não condizem com sua performance moral de homem honrado e dedicado ao trabalho de humanização da sociedade. Essas pessoas, por certo, nunca conviveram com Dom Helder, nem
conhecem seu trabalho em benefício dos seus semelhantes, preferencialmente os mais pobres.
 
-NOTA DA MODERAÇÃO: O Blog do Emílio é um espaço de debates, leigo,  portanto sem vínculo com qualquer religião organizada ou instituição político-paridária, porém abertoa a livre manifestação das ideias.
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário