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terça-feira, 28 de agosto de 2012

MENSALÃO, CORRUPÇÃO E APADRINHAMENTO II

O blog cometeu um equívoco ao informar na parte I que o presidente do STF, Carlos Ayres Brito se aposentaria compulsoriamente no dia 3 de setembro; quem se aposenta nessa data é o ex-presidente da Corte, ministro Cezar Peluso, que completa 70 anos. Voltemos ao julgamento.

Começou  a fase de votação, com o ministro relator Joaquim Barbosa condenando os quatro primeiros réus do processo, e com o voto do ministro-revisor descordando  e absolvendo os réus. Prenunciava-se para a sessão seguinte um duelo verbal entre os citados ministros, mas prevaleceram as ponderações do presidente da Corte, ministro Carlos Ayres Brito, segundo o qual “não seria bom para a Corte esse procedimento”,  e as réplicas e trepicas previstas não ocorreram. Até agora votaram 6 (seis) dos 11 (onze) ministros, num sistema de fatiamento do processo, o que também foi motivo de divergências entre o relator e o revisor. No caso contrário, os ministros votariam em bloco. Faltam votar os ministros Cezar Peluso (que talvez não tenha tempo para proferir seu voto até o fim do processo em virtude do afastamento compulsório), Gilmar Mendes, Ayres Brito, Celso de Melo, Marco Aurélio de Mello. Praticamente, já estão condenados os réus Marcos Valério, Henrique Pizzolato, Cristiano Paz e Ramon Hollerbach. João Paulo Cunha, que concorre à prefeitura de Osasco, está na corda-bamba. Mais um voto contra, e ele poderá ser condenado.

Os crimes imputados a cada réu são praticamente os mesmos: corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, peculato. Ainda falta serem julgados os 23 réus constantes da denúncia apresentada pelo  Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Luiz Gushiken, é o primeiro réu  do mensalão a ser absolvido pelo ministro-relator Joaquim Barbosa, acatando o pedido de absolvição por falta de provas feito pelo Procurador-Geral da República. Os outros ministros que já proferiram seus votos seguiram o voto do relato, e acredita-se  que os demais sigam essa linha de ação. Outros podem ser absolvidos, mas a tendência é de condenação. Quando terminar essa fase do julgamento, restará ao STF publicar no Diário Oficial uma decisão conjunta com o tipo de condenação imposta a cada réu. O destino final dos condenados deve ser a prisão, o que será um ato de resgate da confiança da população brasileira nas suas instituições jurídicas.  Mas, esse julgamento ainda não  estará completo, não será um resgate maiúsculo  dessa confiança nas instituições do País. Não resta dúvida que esse é mais um julgamento político do que propriamente jurídico. O mensalão, já foi dito várias vezes  aqui no blog, é apenas uma ponta do fio do enorme carretel da corrupção que emperra o desenvolvimento do Brasil. Os grandes escândalos investigados pela Polícia Federal ou denunciados pela imprensa investigativa independente, como os Sanguessugas, a compra e votos pelos governadores de Goiás, do Distrito Federal, São Paulo  e outros estados, bem como o desvio de verbas pelas empreiteiras que constroem os estádios para  Copa 2014, e ainda os esquemas de corrupção envolvendo outras atividades ligadas aos esportes;  a lavagem de dinheiro, através de empresas fantasmas abertas no exterior para financiar campanhas políticas beneficiando José Serra e outros tantos picaretas do mesmo naipe, são partes de um mesmo todo que os interesses políticos das elites tradicionais engavetaram ou deturparam, com o apoio da imprensa engajada ou comprometida com os agentes desses esquemas. Parlamentares, principalmente os da Câmara dos Deputados, em geral, e do Senado, na sua maioria, são vetores dos vírus que corroem as bases das nossas instituições.

Nesse rol de réus do mensalão estão faltando figuras poupadas pelos interesses acima citados. Não poderia estar ausente do mesmo,  Daniel Dantas, José Serra, José Agripino Maia, Fernando Collor de Mello, José Sarney, Renan Calheiros, Álvaro Dias, Inocêncio Oliveira, os editores políticos das revistas Veja e Isso É. Principalmente, os editores dessas revistas, que conhecem o submundo da pocilga que é a política brasileira, e só divulgam o que é dos seus interesses. Além do banco RURAL, continuamente citado no processo, deveria constar igualmente o banco Oportunity, de Daniel Dantas, de onde saiu a maioria dos recursos que financiaram os grandes esquemas de corrupção. Seriam oportuno fazer uma checagem das tramoias praticadas por esse banco nas últimas décadas. E investigar as relações escusas de Daniel  Dantas com agentes do poder federal e dos grandes partidos políticos. Precisa ser explicada essa proximidade promiscua  de Dantas com o Poder, e as relações  de gestores públicos com o banqueiro. É indispensável juntar todas as peças desse esquema de corrupção das últimas quatro décadas, mudar o estatuto da prescrição de crimes e colocar essa gente no banco dos réus. Seja lá quem for; doa em quem doer. Só assim é possível passar o Brasil a limpo. O blog ainda voltará  ao tema, no contexto dos rumos do mensalão.




Sicários

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