NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O RIO CAPIBARIBE NASCE NO AGRESTE PERNAMBUCANO E BANHA A CIDADE DO RECIFE, CORTANDO-A EM VÁRIAS DIREÇÕES E SEPARANDO BAIRROS DA CAPITAL. IMPROPRIAMENTE CHAMADO DE "VENEZA BRASILEIRA", RECIFE TEM SUAS CARACTERÍSTICAS PRÓPRIAS E UMA HISTÓRIA DE LUTAS, INVASÕES E RESTAURAÇÕES POLÍTICAS. RECIFE É A CIDADE DOS RIOS E DAS PONTES, DAS PRAIAS E DOS COQUEIRAIS. ESSAS CARACTERÍSTICAS A IDENTIFICAM E A TORNAM ÚNICA.
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domingo, 24 de novembro de 2013

       O DANÇAR E O CANTAR DO NORDESTE
Até ai por volta dos anos 50, antes que a televisão se instalasse no Brasil, o país era um imenso laboratório  a céu aberto de observações  do nosso povo e  dos costumes da nossa gente. E quando  a TV chegou  aos mais recônditos sertões do Brasil, foi possível se ter uma visão mais geral desse mosaico cultural  que é o nosso País, com seus diferentes falares, comeres,  cantares e dançares. O rádio, então restrito às capitais e algumas cidades grandes - e embora uma ferramenta importante na divulgação do nosso jeito de ser,  era limitado nessa tarefa de mostrar as cores  da nossa gente e os ambientes variados da paisagem  social do Nordeste. Até então, o Nordeste era divulgado através das composições  de Luiz Gonzaga,  Zé Dantas,  Humberto Teixeira, Sivuca e outros expoentes da música regional. O baião, ao lado do xote e do  xaxado,  era a forma mais presente de expressão da cultura dessa época. Mas a música nordestina também invadia os auditórios do Rio de Janeiro. Enquanto no Nordeste o baião, o xote, o xaxado e outras gêneros musicais  predominavam, no Rio o samba  marcava  presença. Aqui, o tema era a seca e o sofrimento do sertanejo; lá, em meio aos enlevos românticos de Ari Barroso e outros autores, o samba destacava a cultura afro-brasileira. Nos morros cariocas as rodas de samba homenageavam a mulata e os santos guerreiros do sincretismo religioso tipicamente brasileiro.
Nessa fase de nossa história, as grandes cidades-polos  nordestinas como Caruaru e Campina Grande viviam seu apogeu artístico. Outras cidades também tinham participação ativa nesse processo de consolidação cultural. Carpina, Juazeiro, Palmares, Goiana, entre outras, contribuíram para a formação de grupos artísticos regionais. Cada uma dessas cidades se igualava na verdade a tantas outras no que tange ao cenário econômico e cultural visível por quem as visitava. A cena principal era a feira, então sempre aos domingos. Centro de atração de artistas ambulantes, sanfoneiros e violeiros, a feira de cada cidade do Agreste e do Sertão  vendia de tudo produzido na época. A música desses artistas era como um pregão anunciando as riquezas de cada terra. Tecidos, sapatos, aviamentos para costureiras e para vaqueiros, produtos agrícolas, carnes “verde” de boi e de porco, galinhas e perus vivos, peixes salgados, entre outros, eram vendidos nas barracas dos feirantes ou expostos no chão mesmo. Não faltava o barbeiro atendendo sua clientela no meio da feira e aquela barraca onde se vendia pinga. Símbolo dessa época, o forró de Sivuca intitulado Feira de Mangaio e interpretado por Clara Nunes diz por si só o que era a cidade do interior. Clic no link abaixo e confira.

-Nota da moderação: a música citada no fim do texto está no Facebook.

           

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

                                                   PATE  IV

  Relembremos agora o cenário comercial da Rua de Jangada, para em seguida tratarmos do panorama social daquele povoado de estrutura complexa.  Como já foi dito, a Rua Pedro Marinho era a avenida que dava acesso ao lugar. Começando na linha do trem, a rua ia subindo de nível à proporção que avançava em direção ao povoado de palha. Na esquina oposta da travessa Pedro Marinho – uma das duas travessas existentes – ficava a mercearia principal. O proprietário, seu Simões, era um homem de cor branca, boa estatura e bem cheinho de corpo. Homem inteligente, com boa bagagem de conhecimentos. Casado, esposa de prendas domésticas; duas filhas que estudavam para professora. O estabelecimento era uma construção de dois corpos. Na frente, o ponto comercial; loja ampla, com duas entradas frontais e uma lateral. Portas largas. Mercadorias para todos os cantos, até na calçada, encostadas à parede. Atrás, a residência da família. Casa confortável, com ampla sala, três quartos, a cozinha e o banheiro. Na mercearia de seu Simões podia se encontrar de tudo. Desde agulhas de mão a aviamentos para costureira; alguns cortes de tecidos, peças de alumínio, ferro de passar (à brasa, nesse tempo não existia ferro elétrico), carvão, ferramentas diversas; artigos para construção, limpeza e higiene pessoal, pintura e querosene – que era o combustível para a iluminação doméstica da maioria da população naqueles dias de guerra. E alimentos. Nessa época de baixa remuneração salarial para os trabalhadores sem qualificação, que era a grande maioria do povo da cidade nessa fase de história da cidade, comprar um quilo de determinados alimentos era privilégio de poucos. Assim, café, açúcar, farinha, feijão, arroz, bolachas e outros produtos eram adquiridos em pequenas quantidades. Pequenos embrulhos, quase papelotes, contendo esses produtos já estavam  religiosamente pesados e disponíveis numa parte do balcão. Tinham pesos variados. Custavam alguns tostões, de acordo com a capacidade de compra de cada freguês. A moeda  já era o cruzeiro, mas o que corria mesmo era o rés. As frações dessa moeda eram ainda ouvidas ali na mercearia e na feira. Um tostão de café, dois tostões de farinha, duzentos rés de feijão, duzentos e cincoenta rés de arroz, quinhentos rés de charque... Os pequenos papelotes previamente pesados facilitavam a comercialização dos produtos. Cebola e alho em pencas penduradas nas quinas da mercearia e expostas à porta principal. E bananas também. Bebidas, com destaque para os vinhos; aguardente de várias marcas expostas em prateleiras com portas guarnecidas de vidros. Nessa época a cerveja ainda não tinha chegado aos lugares mais populosos (que não dispunham de geladeira). Vassouras de piaçava, espanador, candeeiro, fogão de lata, pequenos fogões de ferro, pá, enxada, martelo, serrote, prego, brochas, tamanco, chinelos de couro e sapatos de lona (conga). Enfim, tudo que se precisava no dia a dia daquela gente podia ser encontrado na mercearia de seu Simões.
     



 -Trecho do meu livro A Rua de Jangada, uma releitura de outro livro Sonhos e Ruínas - Pedaços de Memória de Um ser Quase Espedaçado.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

                                O  QUE  SOU?

Sempre tive aversão a rótulos. Comecei a escrever  ai por meus 14 anos. Tentava descrever o ambiente que me cercava.  Quase tudo  que escrevi até aos 20 anos foi perdido.  Fiz um curso intensivo e extracurricular de jornalismo. Cheguei a estagiar em jornal de renome da capital. Dos  textos produzidos  depois dos 21 anos, organizei seis livros. O mais importante,  que conta minha história e a saga da minha família, posso dizer que foi vetado por algumas editoras que procurei. As outras teriam a mesma postura.  Aceitavam publicar o livro se eu o reduzisse de 364 para 140 páginas. A parte excluída era exatamente aquela em que eu contava o que vi nos engenhos e nos porões da usina onde residia  meu tio. Falar dos atos do coronel-usineiro ou dos senhores de engenho que imaginavam que a Lei Área era apenas uma peça da retórica da política nacional era expor as mazelas das elites nordestinas.  E ninguém queria “compactuar” com  esse “ato insano”. Escrevia, e ainda escrevo,  por puro diletantismo literário. Sem compromisso  com   essa reserva moral sem qualquer moral de uma sociedade desumana liderada por elites  hipócritas e carcomidas pelo vírus da teoria da supremacia flexibilizada do mercado. Fiz alguns versos, e um caderno onde os redigia a grafite tomou rumo que ignoro. Talvez uns 80 sonetos.  Vendo a realidade da imprensa nordestina e das letras brasileiras,  cheguei a conclusão de que ninguém vive do jornalismo nem dos livros que escreve. Vez por outra, encontro voando pelos cantos de paredes da minha casa páginas    do meu livro. Editá-lo agora seria um esforço sobre-humano  de catar agulhas no palheiro.  Se valesse a pena. Minhas costas, de si já sensíveis pelos bicos de papagaio lombares e cervicais, com certeza protestariam com furor se eu inventasse passar  dia e noite preso a um teclado.  Teve uma época em que eu talvez mordesse alguém que me rotulasse de jornalista. E eu debocharia de mim mesmo se alguém me chamasse de escritor ou poeta. Sou apenas um velho, antigo integrante do serviço publico federal, que vive dos vencimentos da inatividade. Pelo menos, isso me dá tranquilidade e me poupa  de rótulos inócuos  que  certamente me perturbariam. Escrever é criar atritos, abrir feridas  sociais e pisar no dedo podre  de quem está no poder, as mesmas pessoas de ontem e de hoje.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

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Mulher negra
15 de novembro de 2013 às 15
(Carlos de Assumpção)

Eu canto tua beleza
A noite da tua pele
A luz estrelar de teus olhos oblíquos
O chocolate de teus lábios grossos
O luar de teu sorriso
Os teus cabelos que não se desalinham
Ao sopro do vento
Eu canto tua beleza
Tua graça noturna
A música da tua voz
A dança de teus passos
O ritmo do teu andar
Eu canto tua beleza
Tua suavidade de sombra
Tua graça noturna
O mistério do teu corpo
Esculpido em ébano
Eu canto tua beleza
A noite de tua pele
A luz estrelar de teus olhos oblíquos
O chocolate de teus lábios grossos
O luar de teu sorriso
Os teus cabelos que não se desalinham
Ao sopro do vento
Ao teu encanto de mulher.





sábado, 16 de novembro de 2013

Foto
Foto
Foto: TRUE AFRICAN CULTURE
Foto: WOW
Foto: Check out our tumblr http://africafwl.tumblr.com/ updated regularly. AFWL may be over but you can still get your contemporary African fashion fix!!
Foto: Throwback AFWL 2012, check out these beautiful ladies rocking the dinka corset! 

Did you ever read our post on the dinka corset? No? Well check it out here http://africafashionweeklondon.com/africafashionweek/the-dinka-corset-african-fashion-adapted-interpreted-and-recognised/ and keep up with our blog in general, updated regularly on all things African fashion, up and coming designers, established designers and all things AFWL.
Foto: The beautiful Debra Debs performing at the AFWL Arts and Fashion Banquet, held at The Dorchester
Foto: Backstage on day 3 at AFWL 2013

Photography By Nia Rose Photography
Foto: BEAUTIFUL
                                         MAMA ÁFRICA
         A ÁFRICA  E  SUA  GENTE

Foto: House of Sernate UK ltd.
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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

                                     DIABETES
O diabetes não é apenas mais uma doença que acomete o ser humano. O diabetes é uma doença devastadora. Silenciosa nos primeiros estágios, vai afetando partes importantes do organismo. A queda de produção de insulina pelo pâncreas prejudica o funcionamento de muitos outros órgãos. O cérebro, o coração, os rins, o fígado, a visão,  as artérias, veias e capilares podem ser afetados de forma irreversível.  A vida moderna, com as mudanças de hábitos alimentares propiciadas pela tecnologia de produção de alimentos prontos; o computador, prendendo crianças, jovens e adultos a uma cadeira de onde só levantam para satisfazer algumas necessidades vitais. Enfim, essa combinação de erros alimentares com sedentarismo, associada ao hábito de fumar, beber,  desencadeia  uma série de doenças irmãs ou antecessoras do diabetes. A obesidade, a hipertensão arterial, as taxas altas de colesterol, triglicerídeos e outros elementos bioquímicos produzidos pelo organismo, aliadas ao aumento de açúcar no sangue, podem resultar na formação de trombos nas artérias do coração, dos pulmões  ou do cérebro. Vêm dai os  Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC), os episódios cardiorrespiratórios (enfartos do miocárdio), com seu cortejo de mortes. Sem esquecer as complicações renais, que podem levar a uma máquina de hemodiálise, um trasnspante do órgão.
Há tratamento para o diabetes. O mais importante é fazer a prevenção, evitando os alimentos industrializados, as comidas de lanchonetes, as gorduras, animais ou vegetais,  as guloseimas,  reduzir o consumo de açúcar e sal, fazer exercícios regulares, não fumar nem beber. Mude seus hábitos, seu organismo vai ficar mais robusto  e sua família vai agradecer.


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

                        CUIDADO COM SUAS EMOÇÕES
Amizade não é amor; amor não é paixão.
Amizade é um sentimento nobre, fraterno, um elo que pode durar a vida toda numa relação de afeto, respeito e identidade, ou se quebrar se essa relação não for sincera, clara, despojada.  Paixão é aquela coisa ardente, arrebatadora, louca, irresponsável, quase sem limites, que  esfria se sentimentos menos nobres entrarem como elementos competidores numa relação paralela. O amor é aquele sentimento sublime, cúmplice, dosado, responsável, preservador, restaurador, edificante, de compromisso. Compromisso com a vida, com a verdade,  com a segurança, a realização e o bem- estar  da pessoa amada. Mais do que um sentimento, o  amor é uma atitude de fidelidade, de renúncia, de renovação de rumos.
Se você ama, você respeita. Se você ama, você  se habitua a esperar com carinho a pessoa amada ou a se condiciona  àquela condição de prazer ao chegar e encontrar a (o) parceiro (a)  bem.  Defina suas emoções,  e busque os rumos de sua vida. Não se iluda. As emoções de uma paixão são quentes como fogo de palha, e dependendo da intensidade e durabilidade  dessas emoções você pode sofrer avarias na sua estrutura  neurológica. Todo sentimento intenso, repetido e não controlado, se transforma em doença. E é isso o que a paixão é: doença.

Dose sua vida! Aproveite bem seu tempo. Não esqueça que energias gastas desnecessariamente hoje podem faltar amanhã.  Se você não for prudente,   poderá  amargar um fim de vida atribulado, sem saber se valeu a pena  aqueles dias de emoções descontroladas ou prazeres reprimidos.
                                A SERRAÇÃO AZUL
  As nuvens se formavam ao entardecer daquele dia primaveril. O ar quente batia no rosto das pessoas demandando às belezas da mata sul. O carro corria pela estrada de barro deixando para trás a poeira levantada pelo deslocamento do ar provocado pela dinâmica do movimento do veículo. A paisagem  não mudava ao redor. Só à distância, alguns pingos da quase extinta  mata atlântica coroava montes e serras. No mais, o imenso canavial  a cobrir de verde tudo que ficava  pelo caminho ao passar do carro. Aqui e ali, casas grandes e casarios iam se apresentando aos viajantes lembrando a eles  que engenhos produtores de cana-de-açúcar fizeram outrora a riqueza das cidades por onde passavam e de toda a região Nordeste. E também os faziam refletir sobre os horrores que dominaram aquelas terras  nos tempos da escravidão. As casas grandes, algumas suntuosas outras muito discretas em suas arquiteturas, eram o que restou do fausto escravagista. O casario desforme de paredes continua são os resquícios das antigas senzalas. Como companheiro de viagem que faz a rota inversa, os rios assoreados e sem as antigas proteções de paredes vegetais de gramíneas que se lançavam ao leito e de ingazeiros cujas bagens estalavam projetando os gomos que alimentavam peixes e pássaros. Estrada estreita e sinuosa, subindo e descendo na conformidade topográfica do terreno ainda desgastadas pelas chuvas do inverno indispensável a consolidação do canavial e ao existir dos rios. Pássaros em bandos passavam em direção às matas. Os bois de cambão ainda presentes no pátio dos cercados do engenhos.
Da ladeira de  aproximação da usina Serro Azul descortinava aos viajantes aquele panorama  encantador. As serras antes de Bonito, contrastando com o deserto à esquerda, se sucedem em cadeia  encimadas por nuvens de  coloração azulada. O espetáculo da serração  extasia turistas e viajantes. E ainda não é devidamente explorado aquele paraíso  de gases diáfanos que se pronuncia mais encantador nas manhãs de inverno quando o sol lá por trás do horizonte lança seus raios sobre as nuvens.

    -Trechos do meu livro Sonhos e Ruinas – Pingos de Memória de um Ser quase Espedaçado.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013


                          MODERNIDADES
Quando criança eu ia à escola portando apenas um caderno e um lápis. A escola guardava uma cartilha  que era de usufruto de toda a classe. Quando a família podia comprar o livro, esse ficava em casa para o estudante fazer a  releitura dos textos apresentados na sala de aula. Não havia essa proliferação de livros e autores que hoje enriquecem o conhecimento dos alunos. Nas provas se utilizava o papel pautado, adquirido pelo aluno. A professora escrevia as questões no  quadro negro para serem copiadas e resolvidas pelos alunos mais adiantados. Os iniciantes,  recebiam as provas em papel ofício com figuras e letras para serem pintadas ou cobertas. A exigência do caderno preenchido com todas as  matérias ministradas em sala de aula era requisito básico para assegurar  o aprendizado do aluno. Foi assim que eu fui alfabetizado.
Hoje, o ensino utiliza muitos processos modernos na aprendizagem, os recursos de mídias escritas, faladas e eletrônicas. O jornal, as revistas, o rádio,  a televisão aberta ou a cabo, o computador, quer com o word que ensina a escrever, corrigindo as impropriedades linguística, ou incorporando a internet de utilidades mil, são importantes meios auxiliares de aprendizad. Os computadores de mão, os tablets, o celular com seus diversos aplicativos e outras formas modernas de comunicação revolucionaram o processo de aprendizagem e tendem a um aperfeiçoamento continuo. Os livros eletrônicas rivalizam com o livro impresso, e para escrever já não  precisamos de lápis, canetas, borrachas, escovas; o computador realiza todas essas funções.
Nada contra as novidades tecnológicas. Mas que saudade do meu grafite e do meu caderno! Esferográfica foi inovação ai entre meados e final dos anos 50 do século vinte. Mas a verdade é que esses recursos tecnológicos de hoje forçam a acomodação da retina, secam nossos olhos. Esperamos que as futuras gerações midiaticas  não sejam compostas por por legiões sob correções visuais.   Mas a tecnologia  é a realidade do mundo dos nossos dias. As novas gerações já se educam sob o império das mídias tecnológicas cada vez mais abrangentes, e quem se educou sob o rigor do caderno e do grafite  terá forçosamente que se adaptar aos novos tempos. As gerações das décadas 20-30 são os bárbaros amoldando-se às imposições das modernidades.

terça-feira, 5 de novembro de 2013


                                       A MARCA DO PODER
                                        Emílio J. Moura
         
             Chuvas torrenciais maltratavam a face quase nua daquelas terras. Os córregos pareciam correntezas, cada trilha escavada na descendência pelos pés dos matutos  virava um rio. O rio propriamente dito, este carregava um volume de água há muito tempo não visto por aquelas bandas. O lamaçal tomava conta das partes mais altas, e as estradas de barro não permitiam passagem. Os açudes já arrebentaram há vários dias e a terra ficava cada vez mais desprotegida nas partes mais planas e nas pequenas encostas de vegetação rasteira e escassa. Água demais – e má distribuída – para uma região pouco produtiva e de topografia tão desigual.
          Aliança, Machado, Goiana e adjacências possuíam áreas marcadas pela pobreza do solo. Essas áreas ainda hoje integram um polígono de seca. As chuvas são escassas e a seca castiga periodicamente aquela região. A fúria das águas que escavava aquela vasta área castigada pela irregularidade do solo e pela pobreza de nutrientes deste solo era um acontecimento raro. E o uso irracional das terras só complicou a situação de proprietários, posseiros e agricultores sem terra que tiveram a infelicidade de nascer ou viver nessas terras. Assim, quando era época de pouca, ou nenhuma chuva, as culturas não progrediam por não haver nutrientes nas terras onde foram plantadas. Mas, quando havia chuvas intensas, o espetáculo narrado no início tornava aquela situação ainda mais insustentável. Um rio de águas salobras alimentadas por minerais encontrados em todo seu percurso ainda hoje faz padecer boa parte da população desses lugares, por falta de água apropriada para o consumo humano. De nada vale a estação de tratamento instalado pela empresa pública encarregada do serviço, se ela não foi projetada para dessalinizar a água servida a essa população.
         Mas essas terras já tiveram outra função. Já foram usadas para o cultivo da cana e de raízes densas como inhame e macaxeira. Já foram campos de produção de cereais, como o feijão, o milho e outros mais. Não eram, essas terras, o que se pode chamar um celeiro, mas o que se produzia ali deu para fazer a fortuna de muitos patrões que compraram títulos de oficiais da guarda nacional. Foi o caso do coronel Zuza. Homem desletrado, mas experiente e destemido, o coronel Zuza adquiriu dos pais por herança um pequeno sítio. Seu arrojo empreendedor transformou a gleba num rico e próspero engenho produtor de cana-de-açúcar. As terras mais em declive ele aproveitou para cultivar inhame. Depois de algum tempo, já vendia toneladas do produto, além de fornecer a cana para as usinas locais. Amealhou riquezas, construiu casa grande que mais parecia um palácio.  Impôs-se como senhor de terras e de gente, embora não existisse mais o regime da escravidão.
        Coronel Zuza montava os cavalos mais bonitos e fortes que podia encontrar. Suas selas eram especialmente confeccionadas, sob encomenda. Detalhes dourados nas margens, com encraves de pedras que reluziam à luz do sol. Coxim de veludo e estribos brilhantes; arreios de material trançado. Tudo dele era especial. Mas o coronel não gostou de ver um concorrente desfilando perto de suas terras num carro de passeio. Foi até à capital, e numa agência de automóveis escolheu o modelo mais bonito, que era também o mais caro. Acertou os pormenores da compra do veículo, o prazo da entrega. Com aquelas exigências todas, o carro só chegaria muitos meses depois. Topou! Pagou tudo à vista. Quase oito meses depois, a agência informa ao coronel Zuza da chegada do carro e foi entregá-lo na porta da casa grande do engenho. O coronel admirou as linhas do veículo, gostou das cores listradas na porta do carro e da placa anunciando o nome do proprietário. Tudo estava quase ultimado, quando o coronel franziu o sobrolho. Fechou a cara e abanou a cabeça em sinal de desagrado.
                  -Falta uma coisa nesse carro sem a qual eu não o aceito!, sentenciou o coronel.
                 -Diga o que é, coronel, e nós providenciaremos de imediato, afirmou o gerente da agência presente no engenho. O coronel escreveu alguma coisa num papel e o entregou ao homem da agência. Outros oito meses se passaram, e o carro finalmente voltou ao engenho. E o coronel encheu-se de orgulho, concluindo o negócio. Tudo ficou claro naquele momento. Qualquer bem do coronel Zuza teria de ser diferenciado. Ninguém poderia opor-lhe qualquer tipo de concorrência, porque ele era o homem mais rico de todas aquelas redondezas. E isso deveria ficar bem explicitado em tudo que era seu. Que exigência era essa que o coronel fazia para aceitar o carro pago há já quase dois anos? Afinal, carro era carro, e o entregue ao oficial da guarda nacional possuía requisitos e equipamentos jamais vistos em qualquer outro carro no Brasil inteiro. Tudo ficou devidamente esclarecido, quando viajando pelas estradas de barro da região, os pneus do luxuoso carro deixavam gravado no chão: Coronel Zuza, senhor de engenho do Riachão.
                                                                                                                          01.05.1983
                                                                                                                          

                                                                                                                .
                                                                                                                  

sexta-feira, 1 de novembro de 2013


                   SINCRETISMO E CRISTIANISMO
Os cultos afro brasileiros participam ativamente do calendário de eventos regionais e nacionais. E fazem parte do cotidiano da vida dos brasileiros.  Quando se fala de cultos  afro brasileiros se está falando do enorme mosaico cultural que constitui a face social da população brasileira. São inúmeras as tendências representadas nesse mosaico. Música, dança, vestir, formas comportamentais, entre outros itens, identificam as origens dos adeptos e seguidores desses espectros religiosos. Em qualquer parte do Brasil – mas predominantemente na Bahia, os grupos afrodescendentes exercitam  a arte dos seus ancestrais africanos que sofreu influência da cultura cristã, e num cenário que é tipicamente brasileiro criou um estilo de vida que nos identifica mundo afora.  A sonoridade dos ritmos baianos  domina o ambiente das festas dos brasileiros e as organizações desses grupos pluriculturais, embora as  especificidades de cada um, desaguam na unidade de uma raça formada a partir de  povos e costumes diversos. O samba, que criou forma nas cantorias dos morros cariocas  a partir dos fins da década de trinta do século XX, é, contudo, o elemento de ligação de toda essa diversidade cultural do Brasil. Elo de uma corrente que abarca o País, o samba está presente em todas as regiões do Brasil e é o embaixador do País nos eventos festivos internacionais que celebram nosso povo. E toda essa rica expressão cultural está expressa em forma de fé religiosa.
O sincretismo religioso não é um fenômeno apenas da Bahia, mas uma presença marcante em todo o Brasil. Maracatus, candomblés, xangôs e uma enorme riqueza de cultos, são manifestações não apenas folclóricas, mas também religiosas das formas de fé dos povos negros que participaram da formação da nossa sociedade. Os santos dos cultos afro brasileiros são os mesmos do culto católico, e boa parte dos frequentadores da Igreja Católica  são também praticantes dos cultos de origem africana. Mas o fenômeno se repete, de forma sorrateira, em outros cultos cristãos. Há igrejas cristãs nas quais o ritual de cura foi tomado de empréstimo aos afros. E adeptos dessas igrejas frequentam cultos afros. Nada de anormal. Afinal, são cristãos de visões de vida diferentes, mas ainda assim cristãos. Temos que realçar  as formas de discriminação latentes entre os integrantes de um mesmo culto, e as consequência disso no relacionamento entre as várias religiões cristãs. Ninguém precisa abdicar de sua fé, mudar de igreja. O Cristianismo é um chapéu sob o qual podem se agasalhar todas as tendências religiosas afins ou assemelhadas. Essa, aliás, parece ser a linha de ação de S.S.  o papa Francisco. O autor, que estuda religiões há mais de quatro décadas, não é membro de nenhuma delas. Mas incentiva a criação de formas comportamentais que universalize a prática religiosa. Essa discussão é apropriada nesse momento em que se comemora o Dia da Fé Cristã, o Dia de Todos os Santos e antecede o Dia de Finados. Afinal, são conceitos diferentes de uma mesma grandeza.