SINCRETISMO E CRISTIANISMO
Os cultos afro brasileiros
participam ativamente do calendário de eventos regionais e nacionais. E fazem
parte do cotidiano da vida dos brasileiros.
Quando se fala de cultos afro
brasileiros se está falando do enorme mosaico cultural que constitui a face
social da população brasileira. São inúmeras as tendências representadas nesse
mosaico. Música, dança, vestir, formas comportamentais, entre outros itens,
identificam as origens dos adeptos e seguidores desses espectros religiosos. Em
qualquer parte do Brasil – mas predominantemente na Bahia, os grupos afrodescendentes
exercitam a arte dos seus ancestrais
africanos que sofreu influência da cultura cristã, e num cenário que é
tipicamente brasileiro criou um estilo de vida que nos identifica mundo
afora. A sonoridade dos ritmos
baianos domina o ambiente das festas dos
brasileiros e as organizações desses grupos pluriculturais, embora as especificidades de cada um, desaguam na
unidade de uma raça formada a partir de povos e costumes diversos. O samba, que criou
forma nas cantorias dos morros cariocas
a partir dos fins da década de trinta do século XX, é, contudo, o
elemento de ligação de toda essa diversidade cultural do Brasil. Elo de uma
corrente que abarca o País, o samba está presente em todas as regiões do Brasil
e é o embaixador do País nos eventos festivos internacionais que celebram nosso
povo. E toda essa rica expressão cultural está expressa em forma de fé
religiosa.
O sincretismo religioso não é um
fenômeno apenas da Bahia, mas uma presença marcante em todo o Brasil.
Maracatus, candomblés, xangôs e uma enorme riqueza de cultos, são manifestações
não apenas folclóricas, mas também religiosas das formas de fé dos povos negros
que participaram da formação da nossa sociedade. Os santos dos cultos afro
brasileiros são os mesmos do culto católico, e boa parte dos frequentadores da
Igreja Católica são também praticantes
dos cultos de origem africana. Mas o fenômeno se repete, de forma sorrateira,
em outros cultos cristãos. Há igrejas cristãs nas quais o ritual de cura foi
tomado de empréstimo aos afros. E adeptos dessas igrejas frequentam cultos
afros. Nada de anormal. Afinal, são cristãos de visões de vida diferentes, mas
ainda assim cristãos. Temos que realçar
as formas de discriminação latentes entre os integrantes de um mesmo
culto, e as consequência disso no relacionamento entre as várias religiões
cristãs. Ninguém precisa abdicar de sua fé, mudar de igreja. O Cristianismo é
um chapéu sob o qual podem se agasalhar todas as tendências religiosas afins ou
assemelhadas. Essa, aliás, parece ser a linha de ação de S.S. o papa Francisco. O autor, que estuda
religiões há mais de quatro décadas, não é membro de nenhuma delas. Mas
incentiva a criação de formas comportamentais que universalize a prática
religiosa. Essa discussão é apropriada nesse momento em que se comemora o Dia
da Fé Cristã, o Dia de Todos os Santos e antecede o Dia de Finados. Afinal, são
conceitos diferentes de uma mesma grandeza.
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