NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013


                   SINCRETISMO E CRISTIANISMO
Os cultos afro brasileiros participam ativamente do calendário de eventos regionais e nacionais. E fazem parte do cotidiano da vida dos brasileiros.  Quando se fala de cultos  afro brasileiros se está falando do enorme mosaico cultural que constitui a face social da população brasileira. São inúmeras as tendências representadas nesse mosaico. Música, dança, vestir, formas comportamentais, entre outros itens, identificam as origens dos adeptos e seguidores desses espectros religiosos. Em qualquer parte do Brasil – mas predominantemente na Bahia, os grupos afrodescendentes exercitam  a arte dos seus ancestrais africanos que sofreu influência da cultura cristã, e num cenário que é tipicamente brasileiro criou um estilo de vida que nos identifica mundo afora.  A sonoridade dos ritmos baianos  domina o ambiente das festas dos brasileiros e as organizações desses grupos pluriculturais, embora as  especificidades de cada um, desaguam na unidade de uma raça formada a partir de  povos e costumes diversos. O samba, que criou forma nas cantorias dos morros cariocas  a partir dos fins da década de trinta do século XX, é, contudo, o elemento de ligação de toda essa diversidade cultural do Brasil. Elo de uma corrente que abarca o País, o samba está presente em todas as regiões do Brasil e é o embaixador do País nos eventos festivos internacionais que celebram nosso povo. E toda essa rica expressão cultural está expressa em forma de fé religiosa.
O sincretismo religioso não é um fenômeno apenas da Bahia, mas uma presença marcante em todo o Brasil. Maracatus, candomblés, xangôs e uma enorme riqueza de cultos, são manifestações não apenas folclóricas, mas também religiosas das formas de fé dos povos negros que participaram da formação da nossa sociedade. Os santos dos cultos afro brasileiros são os mesmos do culto católico, e boa parte dos frequentadores da Igreja Católica  são também praticantes dos cultos de origem africana. Mas o fenômeno se repete, de forma sorrateira, em outros cultos cristãos. Há igrejas cristãs nas quais o ritual de cura foi tomado de empréstimo aos afros. E adeptos dessas igrejas frequentam cultos afros. Nada de anormal. Afinal, são cristãos de visões de vida diferentes, mas ainda assim cristãos. Temos que realçar  as formas de discriminação latentes entre os integrantes de um mesmo culto, e as consequência disso no relacionamento entre as várias religiões cristãs. Ninguém precisa abdicar de sua fé, mudar de igreja. O Cristianismo é um chapéu sob o qual podem se agasalhar todas as tendências religiosas afins ou assemelhadas. Essa, aliás, parece ser a linha de ação de S.S.  o papa Francisco. O autor, que estuda religiões há mais de quatro décadas, não é membro de nenhuma delas. Mas incentiva a criação de formas comportamentais que universalize a prática religiosa. Essa discussão é apropriada nesse momento em que se comemora o Dia da Fé Cristã, o Dia de Todos os Santos e antecede o Dia de Finados. Afinal, são conceitos diferentes de uma mesma grandeza.

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