O
DANÇAR E O CANTAR DO NORDESTE
Até ai por volta dos
anos 50, antes que a televisão se instalasse no Brasil, o país era um imenso
laboratório a céu aberto de observações do nosso povo e dos costumes da nossa gente. E quando a TV chegou aos mais recônditos sertões do Brasil, foi
possível se ter uma visão mais geral desse mosaico cultural que é o nosso País, com seus diferentes
falares, comeres, cantares e dançares. O
rádio, então restrito às capitais e algumas cidades grandes - e embora uma
ferramenta importante na divulgação do nosso jeito de ser, era limitado nessa tarefa de mostrar as
cores da nossa gente e os ambientes
variados da paisagem social do Nordeste.
Até então, o Nordeste era divulgado através das composições de Luiz Gonzaga, Zé Dantas,
Humberto Teixeira, Sivuca e outros expoentes da música regional. O baião,
ao lado do xote e do xaxado, era a forma mais presente de expressão da
cultura dessa época. Mas a música nordestina também invadia os auditórios do
Rio de Janeiro. Enquanto no Nordeste o baião, o xote, o xaxado e outras gêneros
musicais predominavam, no Rio o
samba marcava presença. Aqui, o tema era a seca e o sofrimento
do sertanejo; lá, em meio aos enlevos românticos de Ari Barroso e outros
autores, o samba destacava a cultura afro-brasileira. Nos morros cariocas as
rodas de samba homenageavam a mulata e os santos guerreiros do sincretismo
religioso tipicamente brasileiro.
Nessa fase de nossa
história, as grandes cidades-polos
nordestinas como Caruaru e Campina Grande viviam seu apogeu artístico.
Outras cidades também tinham participação ativa nesse processo de consolidação
cultural. Carpina, Juazeiro, Palmares, Goiana, entre outras, contribuíram para
a formação de grupos artísticos regionais. Cada uma dessas cidades se igualava
na verdade a tantas outras no que tange ao cenário econômico e cultural visível
por quem as visitava. A cena principal era a feira, então sempre aos domingos.
Centro de atração de artistas ambulantes, sanfoneiros e violeiros, a feira de
cada cidade do Agreste e do Sertão vendia de tudo produzido na época. A música
desses artistas era como um pregão anunciando as riquezas de cada terra.
Tecidos, sapatos, aviamentos para costureiras e para vaqueiros, produtos
agrícolas, carnes “verde” de boi e de porco, galinhas e perus vivos, peixes
salgados, entre outros, eram vendidos nas barracas dos feirantes ou expostos no
chão mesmo. Não faltava o barbeiro atendendo sua clientela no meio da feira e
aquela barraca onde se vendia pinga. Símbolo dessa época, o forró de Sivuca
intitulado Feira de Mangaio e interpretado por Clara Nunes diz por si só o que
era a cidade do interior. Clic no link abaixo e confira.
-Nota da moderação: a música citada no fim do texto está no Facebook.
-Nota da moderação: a música citada no fim do texto está no Facebook.
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