NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

domingo, 24 de novembro de 2013

       O DANÇAR E O CANTAR DO NORDESTE
Até ai por volta dos anos 50, antes que a televisão se instalasse no Brasil, o país era um imenso laboratório  a céu aberto de observações  do nosso povo e  dos costumes da nossa gente. E quando  a TV chegou  aos mais recônditos sertões do Brasil, foi possível se ter uma visão mais geral desse mosaico cultural  que é o nosso País, com seus diferentes falares, comeres,  cantares e dançares. O rádio, então restrito às capitais e algumas cidades grandes - e embora uma ferramenta importante na divulgação do nosso jeito de ser,  era limitado nessa tarefa de mostrar as cores  da nossa gente e os ambientes variados da paisagem  social do Nordeste. Até então, o Nordeste era divulgado através das composições  de Luiz Gonzaga,  Zé Dantas,  Humberto Teixeira, Sivuca e outros expoentes da música regional. O baião, ao lado do xote e do  xaxado,  era a forma mais presente de expressão da cultura dessa época. Mas a música nordestina também invadia os auditórios do Rio de Janeiro. Enquanto no Nordeste o baião, o xote, o xaxado e outras gêneros musicais  predominavam, no Rio o samba  marcava  presença. Aqui, o tema era a seca e o sofrimento do sertanejo; lá, em meio aos enlevos românticos de Ari Barroso e outros autores, o samba destacava a cultura afro-brasileira. Nos morros cariocas as rodas de samba homenageavam a mulata e os santos guerreiros do sincretismo religioso tipicamente brasileiro.
Nessa fase de nossa história, as grandes cidades-polos  nordestinas como Caruaru e Campina Grande viviam seu apogeu artístico. Outras cidades também tinham participação ativa nesse processo de consolidação cultural. Carpina, Juazeiro, Palmares, Goiana, entre outras, contribuíram para a formação de grupos artísticos regionais. Cada uma dessas cidades se igualava na verdade a tantas outras no que tange ao cenário econômico e cultural visível por quem as visitava. A cena principal era a feira, então sempre aos domingos. Centro de atração de artistas ambulantes, sanfoneiros e violeiros, a feira de cada cidade do Agreste e do Sertão  vendia de tudo produzido na época. A música desses artistas era como um pregão anunciando as riquezas de cada terra. Tecidos, sapatos, aviamentos para costureiras e para vaqueiros, produtos agrícolas, carnes “verde” de boi e de porco, galinhas e perus vivos, peixes salgados, entre outros, eram vendidos nas barracas dos feirantes ou expostos no chão mesmo. Não faltava o barbeiro atendendo sua clientela no meio da feira e aquela barraca onde se vendia pinga. Símbolo dessa época, o forró de Sivuca intitulado Feira de Mangaio e interpretado por Clara Nunes diz por si só o que era a cidade do interior. Clic no link abaixo e confira.

-Nota da moderação: a música citada no fim do texto está no Facebook.

           

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